«Pequei por poetizar tão tarde» é o novo livro de poemas de Célia Segura, poeta residente em Castro Marim e que participa ativamente nos movimentos poéticos transfronteiriços do Algarve e da Andaluzia.
Célia Segura considerou como um momento mágico, em que a música e a dança estiveram numa consonância perfeita e considerou-se de «coração cheio». pela afluência ao Revelim de Santo António, um palco de alta qualidade e de paisagem magnífica.
Decorreu ontem, na Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo, a apresentação do Livro de Poemas “La Paz como derecho”, no qual participaram os poetas da Tertúlia Poetas de Huelva por La Paz, coordenados por Ramon Llanes Linares e de Poetas do Guadiana, coordenados por António Cabrita. Notou-se a presença de José Carlos Barros, poeta que reside em Vila Nova de Cacela, vencedor do prémio Leya 2021.
O livro recolhe poemas de poetas das duas margens do Guadiana das províncias do Algarve e de Huelva, Cada um dos poetas presentes leu poemas da sua autoria, a partir do livro que se estava a apresentar e houve também música com a participação de Manuel Duarte com composições da própria autoria.
Tarde extraordinária, de grande envolvência, assim a classificaram os presentes que tiraram a habitual foto de família.
O Município de Faro lamentou «profundamente» o falecimento de Gastão Cruz, poeta, tradutor, ensaísta, crítico literário e encenador natural de Faro e uma das «figuras incontornáveis da poesia portuguesa contemporânea».
Nascido no ano de 1941 em Faro, cidade com que manteve sempre uma forte ligação, Gastão Cruz formou-se em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e começou desde muito novo o seu percurso pela poesia, colaborando com vários jornais e revistas.
Como poeta, colaborou, entre outras publicações, com os “Cadernos do Meio-Dia” (1958-1960), emblemática publicação de poesia, crítica e ensaio dirigida pelo também farense António Ramos Rosa e pelo algarvio Casimiro de Brito, que anteciparam tendências que marcaram a poesia.
O seu nome aparece igualmente ligado à publicação coletiva Poesia 61, outra das principais contribuições para a renovação da linguagem poética portuguesa na década de 60.
Como crítico literário, coordenou a revista Outubro e colaborou em vários jornais e revistas ao longo dos anos sessenta. Essa colaboração foi reunida em volume, com o título “A Poesia Portuguesa Hoje” (1973), livro que permanece hoje como uma referência para o estudo da poesia portuguesa das décadas de 60 e 70.
No âmbito da atividade teatral, Gastão Cruz foi um dos fundadores do Grupo de Teatro de Letras, em 1965 e do Grupo de Teatro Hoje, entre os anos 76 e 77.
Dedicou-se também à tradução de livros para português, facto que lhe concedeu um mérito singular na época, uma vez que traduziu nomes como William Blake, Jean Cocteau, Jude Stéfan e Shakespeare.
A sua obra poética valeu-lhe reconhecimento e admiração públicos, bem como inúmeros prémios e galardões, nomeadamente o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, em 2004, o Prémio “Correntes d’Escritas”, em 2009, o Grande Prémio de Poesia “Maria Amália Vaz de Carvalho”, ou a sétima edição do Prémio Nacional de Poesia “António Ramos Rosa”, em 2019.
O poeta foi ainda distinguido com a medalha de mérito grau ouro do Município de Faro, em 1999, com a medalha de mérito cultural atribuída pelo Ministério da Cultura, em 2018, e com a medalha de ouro da cidade pelo Município de Faro, em 2019.
A literatura e a cidade de Faro ficam assim mais pobres, com a perda de um dos seus maiores autores e figuras incontornáveis, mas cujo legado ficará expresso na nossa cultura comum.
Aos seus familiares, amigos e leitores, o Município de Faro endereça as mais sentidas condolências.
A partir da “Mensagem” e outros textos de Fernando Pessoa, o espetáculo-leitura procura, segundo os promotores, «levar o público para uma reflexão sobre o nosso passado e presente, tentando encontrar um sentido para o glorioso passado de Portugal e a nação decadente do tempo de Pessoa, que no fundo faz a ponte para os nossos dias».
A inquietação, o inconformismo, o sonho e a realidade, o amor, a busca e a mudança, temas tão próprios da condição humana e tão presentes na obra de Pessoa vão também ser trazidos a palco numa criação artística que reúne poesia, dramaturgia e encenação.
O espaço cénico e o ambiente sonoro são construídos a partir da reutilização de objetos de uso quotidiano, que adquirem novas funções e as novas tecnologias são colocadas ao serviço da criação artística, valorizando as suas potencialidades criativas.
O Dia Mundial da Poesia, celebrado a 21 de março, foi criado na XXX Conferência Geral da UNESCO em 16 de Novembro de 1999, com o propósito de promover a leitura, escrita, publicação e ensino da poesia através do mundo.
A data promove uma reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas de cada pessoa.
Este encontro foi marcado por um convívio entre gerações que apresentaram as suas poesias. A iniciativa foi da organizado pela Associação Cultural, Social e Recreativa Estrela Pereirense com o apoio da União de Freguesias de Alcoutim e Pereiro e Câmara Municipal de Alcoutim.
Momento raro de cultura, com participação muito significativa da população local Juntar numa sala dezenas de pessoas, para ouvirem poesia, numa povoação serrana do interior algarvis foi muito importante e estão de parabéns a Associação Estrela Pereirense e a professora Susete Romba, pela continuidade da iniciativa.
Não existindo na cidade de Faro, capital do Algarve, qualquer órgão de informação local, têm sido as redes sociais, a colmatar essa brecha. Foi desse modo que tivemos conhecimento da morte do poeta Abílio Ferradeira de Brito, um cidadão quase anónimo, como são todos os que se escondem por detrás da sua natural humildade.
Não nasceu pobre nem experimentou dificuldades, porém a sua educação pouco avançou para além dos bancos da escola elementar. Também não foi um iletrado, porque fez a sua instrução de forma livre, lendo e aprendendo como um autodidacta.
As suas convicções de ordem social, advinham-lhe das ideias políticas que granjeou no convívio da leitura solitária. Não precisava, dizia ele, de saber filosofia para entender as razões que dividiam os homens ou de perceber os interesses que impediam a paz no mundo. Usava os sentidos e, sobretudo, aquilo a que chamava a «razão reflectida», para descobrir onde estava a verdade, a justiça e a lealdade.
Tinha uma alma sensível e um coração emotivo, profundamente sentimental. Eram, aliás, essas as qualidades que transpareciam de forma cristalina na sua poesia, especialmente nos sonetos em que retratou a miséria humana escondida nos guetos da periferia, nas dependências das drogas que escravizam os jovens, na exploração dos emigrantes, na servidão dos camponeses, nos desempregados sem esperança nem futuro, nas crianças abandonadas na rua e nos velhos enjeitados nos lares.
Poeta e sentimento na voz do povo Nunca considerei o Ferradeira de Brito como um poeta popular, mas, na sua ingénua simplicidade, era dessa maneira que ele próprio se sentia. Face às suas origens e parca instrução, sentia-se próximo do povo. E, por isso, dizia que a sua poesia era a expressão natural da voz povo, desse clamor que ninguém escuta e a que ninguém liga, por ser precisamente a expressão de quem sofre, de quem se desvaloriza e se despreza.
Devo esclarecer que o Ferradeira de Brito, embora se sentisse um homem do povo, nunca foi pobre, nem passou por dificuldades económicas. Como casou jovem, cedo teve de angariar o sustento, montando o seu negócio no mercado público de Faro, onde granjeou prestígio pela dedicação ao trabalho e pela honestidade. Nessa altura, sentiu o rebate das novas ideias e depressa percebeu que a falta de liberdade era a origem de todas as carências e desigualdades. Com o advento do novo regime apoiou as ideias reformistas, e aderiu ao ideário socialista.
Na sua maneira de entender, face à realidade e às circunstâncias do tempo, achou que o socialismo era uma proposta viável para alcançar a justiça social, pela qual tanto clamava na sua poesia e nas ideias que expendia entre os amigos. Até ao fim da vida não se desviou desses princípios, embora sentisse algumas desilusões, suscitadas pelos novos desafios europeus e pelas incongruências dos políticos.
Apesar de possuir um enorme talento literário, com obra publicada, avaliada e respeitada pelos seus pares, nunca o meu amigo Ferradeira de Brito consentiu que o tratassem por poeta, contista ou dramaturgo, embora fosse assim designado por aqueles que lhe conheciam a obra. A sua postura serena e tranquila, o seu ar seráfico de sorriso esfíngico, evidenciavam a sua bonomia, franca e leal, a que se acrescentava uma aparente placidez espiritual, muito peculiar nos poetas. Mesmo no convívio, que ao longo dos anos foi mantendo no seio da «Tertúlia Hélice», não gostava de dar a sua opinião crítica sobre a obra alheia, nem de se erguer acima dos outros, porque a ninguém se achava superior. Era, em todos os aspectos, um humilde cidadão, que irradiava entre os amigos a serenidade própria de quem havia feito as pazes com a vida.
Escorço biográfico do poeta Abílio Ferradeira de Brito, nasceu a 24 de Fevereiro de 1942, no lugar das Pontes de Marchil, então integrado na freguesia de S. Pedro, hoje pertencente à recém-criada freguesia do Montenegro, no concelho de Faro.
Quando jovem sentia a timidez da sua escassa convivência social, razão pela qual se considerava um rapaz de poucas falas, ensimesmado nos seus pensamentos, reservado e pouco expressivo. Mas, sentia uma profunda sensibilidade interior para assimilar a realidade espiritual das coisas, deixando-se enlevar pela paixão da vida. Cedo amou e foi amado, experimentando na linguagem dos poetas a paixão que verdadeiramente sentia. O rebate da poesia estava-lhe na alma, a tal ponto que ainda nos bancos da escola começaria a compor versos e canções de amor. A sua estreia literária ocorreu em 1953, nas colunas de «O Pintassilgo», órgão das escolas de aplicação anexas ao Magistério Primário de Faro, cujos alunos asseguravam a redacção e edição daquele simpático jornal escolar, que se manteve em publicação até Junho de 1960.
A partir de então, e a pesar da sua tenra idade, não mais parou de escrever. Fazia-o com a fervorosa paixão de um amante das letras, num incontrolável impulso criativo, sem critério nem objectivo. Escrevia, corrigia e rasgava, até aperfeiçoar a mão. Começou a guardar, sobretudo poemas e quadras, que foi arquivando com desvelo, na esperança de um dia os revelar à estampa.
Na década de setenta, desenvolveu o gosto pelo teatro, promovendo nesse âmbito várias iniciativas, como encenador e director artístico, daí resultando a fundação do Grupo Cénico do Montenegro, do Grupo de Teatro Experimental do Patacão, e do Grupo de Teatro de Mar-e-Guerra, todos a operar em Faro. Para manter essa actividade cultural chegou mesmo a escrever em verso a peça «O Auto dos Lobos», inspirada no teatro vicentino, que levou à cena por todo o país. O sucesso e originalidade da peça mereceu a aprovação oficial do governo, sendo publicada, em 1976, pelo então designado Ministério da Educação e Investigação Científica. Em face do seu prestável espírito de dedicação à causa pública, viria a ser escolhido para presidir à Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de S. Pedro, de Faro, desempenhando essas funções de forma honesta, responsável e competente. No âmbito associativo, fez parte durante vários anos dos corpos directivos do Clube Desportivo do Montenegro.
Curiosamente houve um tempo em que o Ferradeira de Brito, juntamente com o poeta Telmo Silva (Telmoro) e os músicos Alberto Carlos e Manuel Cardoso, cultivou o gosto pela música ligeira, tendo composto e até interpretado algumas canções, que seriam mais tarde editadas em CD, mas já na voz de outros intérpretes.
A recordação de uma amizade Conheci já tarde o poeta Abílio Ferradeira de Brito. Estávamos nos finais de 1998. Mas depressa me apercebi da sua sensibilidade cultural, pela forma como vibrava e se empolgava na realização de iniciativas que pudessem contribuir para o engrandecimento da sua cidade natal. Mas, apercebi-me também do seu coração sofredor, macerado pelo desgosto de ter perdido um filho na flor da idade, sentindo-se a partir daí como um naufrago, solitário e triste, sem esperança de sobreviver incólume às tempestades da vida. Verifiquei depois que a poesia, emergente da dor que lhe corroía a alma, despontava-lhe espontânea, sincera, dolente e profunda, como uma âncora a que o naufrago de outrora se agarrava agora para escapar aos negrumes da tristeza que lhe devorava o espírito. Apoiado e incentivado pelo poeta Tito Olívio – a quem os mais próximos chamam Mestre, na mais fiel tradição humanista – acolheu-se ao convívio da Tertúlia Hélice, onde pontificou não só pela sua assiduidade, como também pela sua produtiva contribuição poética.
Três figuras da cultura e da poesia algarvia – Tito Olívio, Quina Faleiro e Ferradeira de Brito – presentes numa exposição de pintura, realizada em Faro, nos primeiros anos deste milénio. O Ferradeira com a sua cabeleira de prata era uma presença inconfundível nos eventos culturais promovidos pela AJEA.
Começou por escrever quadras, no mais genuíno sentimento popular, como uma espécie de humilde tentame de quem não se sente com a eloquência necessária para professar o culto de Orfeu. Mas fê-lo com tão surpreendente qualidade filosófica, talvez por inspiração aleixiana, que logo o “Mestre” o aconselhou a publicá-las em livro. Foi assim que no ano 2000 surgiu o seu primeiro livro, sugestivamente intitulado «Minha Voz… a voz do povo». Tive nessa altura, a honra de apresentar a obra na antiga Livraria Odisseia, fundada pelo saudoso Luís Guerreiro, perante um numeroso auditório.
Importa dizer que este livro é uma abundante compilação de quadras, de apurado recorte filosófico que, em certo sentido, parecem inspirar-se no estilo aleixiano. Na verdade, a quadra é a expressão sentenciosa mais peculiar do nosso povo, sendo exemplo disso as quadras que nos Santos Populares adornam os vasos de manjerico, que os alfacinhas colocam na soleira das suas janelas. O imortal poeta Fernando Pessoa realçou o gesto, ao afirmar que “a quadra é o vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma”. Os escolhos da vida impediram Ferradeira de Brito de continuar a publicar, de uma forma mais constante, a sua vasta e relevante obra poética. Acompanhei esses anos a par e passo, comungando não só das ilusões como também dos frustrantes desapontamentos, suscitados pelo alheamento a que as instituições responsáveis pela cultura votavam os autores locais, dando todo o apoio, financeiro e logístico, aos que de Lisboa, com o ar superior da sua emproada soberba, nos vêm tratar como inferiores e provincianos. Quantas vezes lhe ouvi os queixumes de natural repúdio, contra essa espécie de colonialismo cultural a que temos estado sujeitos. Vivemos ainda hoje debaixo do centralismo, ditatorial e castrador, que caracterizou o regime anterior, cujos defeitos estranhamente continuamos a imitar. Tarda em surgir no horizonte político o verdadeiro libertador desta opressão alisbonada a que se tem submetido a cultura algarvia.
Apesar de tudo isso, e remando sempre contra a maré, Ferradeira de Brito foi dando a público, nos órgãos regionais, algumas das suas produções líricas, principalmente no «Jornal Escrito» e no «Nó Vital», órgãos de informação e cultura, fundados pela AJEA – Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve, para dar espaço e repercussão aos escritores algarvios. As suas produções poéticas e os seus textos dramatúrgicos foram-se acumulando até que, em 2009, puderam ver a luz da estampa, numa torrente editorial de vinte títulos lançados ao público de uma só vez. Também nesse dia, verdadeiro jubileu da poesia e da prosa algarvia, tive a honra de estar presente, para fazer a apresentação do poeta e meu amigo pessoal, Abílio Ferradeira de Brito, que ontem, 1 de Junho de 2021, faleceu de forma tão repentina quanto inesperada, deixando em todos os seus familiares e amigos uma mágoa de eterna saudade. Morreu aos 79 anos de idade, legando-nos uma obra digna do maior respeito e veneração.
Termino evocando a sua obra através da leitura de um dos seus humildes sonetos, singelamente intitulado “Tarde”, no qual o poeta alude à tristeza que lhe ensombrou a tarde da vida, numa árdua caminhada cujo desfecho todos desejamos retardar, o mais tarde que for possível:
A tarde, que na tarde vai morrendo, nasce para morrer no mesmo dia; nos restos desta tarde vai finando o pouco que em mim resta de alegria. No definhar suave vou vivendo, mas sempre a cogitar a nostalgia que dentro do meu peito vai roendo amarguras de um rol que eu não queria. Vai a tarde no tempo a caminhar até que a noite chega e vai ficar esperando o nascer de outra alvorada. E nós com ela vamos mais além, o tempo é de todos, mas ninguém consegue retardar a caminhada.
Poetas que escreveram para este livro procederam à leitura de poemas, junto às fachadas dos três municípios e José Luís Náscer, responsável pela edição procedeu à apresentação da obra.
Para as celebrações do Dia da Europa, a Eurocidade do Guadiana organizou uma série de atos, dando grande visibilidade mediática ao evento com iniciativas realizadas com a presença de público e transmitidas em direto pelas redes sociais.
Toda a programação conjugou a música, a poesia, entrega de prémios e discursos de responsáveis pelos municípios envolvidos e dirigentes da própria Eurocidade. Susana Travassos participou e o grupo Energia Mako & Akira, animou com a iniciativa música e vinho. Foi entregue o prémio de cooperação transfronteiriça ao serviço de transportes fluviais que opera no rio Guadiana, entre Ayamonte e Vila Real de Santo António e apresentado o livro de poesia «Poética na Eurocidade do Guadiana», poesia bilingue de autores de ambas as margens deste rio peninsular.
Este livro foi financiado pelo programa Interreg Espanha-Portugal 2020. As intervenções de apresentação estiveram a cargo de Eladio Horta, por Ayamonte; Carmo Costa, por Vila Real de Santo António e Célia Segura, por Castro Marim.
Os atos inaugurais foram realizados na sexta-feita passada. No município de Ayamonte com o içar da bandeira local e da Europa e declaração institucional por parte de Javier López, com leitura de poesia por parte de Carmen Azaústre, acompanhada na viola por Pako Barrera. Em Castro Marim foi Nuria Guerreiro quem içou a bandeira, Filomena Sintra dirigiu a palavra aos assistentes e António Cabrita leu poemas acompanhado à guitarra por Natálio Martin. Em Vila Real de Santo António coube ao presidente da câmara municipal Luís Romão içar a bandeira e fazer a declaração institucional. São Constantino leu a poesia. acompanhado na guitarra por André Ramos, neste dia tão emblemático para a Eurocidade do Guadiana.
Para além das comemorações do dia da Europa, as comunidades transfronteiriças da foz do rio Guadiana aproveitaram a oportunidade para reforçar laços institucionais, de amizade e cultura.
O lançamento do livro de Célia Segura «Tu que me fizeste escrever poesia», foi apresentado no espaço do Revelim de Santo António, em Castro Marim, durante as comemorações no Dia da Europa, realizadas naquele concelho.
A iniciativa foi do município de Castro Marim, em colaboração com os projetos “Artistas de Cá – Artistas & Artes do Baixo Guadiana” e “Poesia Fã Clube”.
Contou com a presença de vários artistas, cantores, bailarinos e amantes da poesia, reunidos neste espaço de encontro de artistas locais, com ligação à programação cultural de Castro Marim .
Célia Segura declara-se de «coração cheio pelo lançamento» pelo facto de ter conseguido juntar tudo aquilo pelo qual sente verdadeira paixão, a poesia, os amigos , a dança e a música.
Dedicou o livro ao pai. Diz ter a certeza que onde quer que ele esteja estará orgulhoso e agradeceu a Clara Lourenço «a preciosa e fantástica ajuda em todo este processo e por além de ter escrito o prefácio do seu livro».
A procura perpetuar memórias, tradições, saberes e vivências e foi dada a conhecer ao público, numa cerimónia que contou com várias personalidades ligadas às letras e à vida cultural louletana, entre as quais a escritora Lídia Jorge e Guilherme D’Oliveira Martins. A Ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, testemunhou aqui mais um dos valores ativos do aspirante Geoparque Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira.
“O Cancioneiro Popular do Concelho de Loulé” reúne o trabalho de 65 poetas das 9 freguesias do município, em cinco volumes, num total de mais de duas mil páginas. Foi elaborado no âmbito de uma parceria entre autarquia e a Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade do Algarve, parceira esta que teve início antes da pandemia, o que não inviabilizou o processo, como explicou João Minho Marques, o docente que coordenou a obra.
Sinal tanto de “resistência” como de “inspiração”, esta recolha antológica visa “preservar a memória do povo louletano”, num concelho onde o “cancioneiro faz sentido e é atual”, de acordo com as palavras do administrador executivo da Fundação Calouste Gulbenkian, Guilherme D’Oliveira Martins, numa referência desde logo a António Aleixo, o maior poeta popular português, Casimiro de Brito, Lídia Jorge e ainda ao papel de Maria Aliete Galhoz na preservação do património oral.
“Este cancioneiro é também Geoparque porque é a valorização das pessoas e do nosso património cultural e humano”, explicou Vítor Aleixo, no dia em o território Algarvensis Loulé-Silves-Albufeira que quer obter a chancela de Geoparque Mundial da UNESCO esteve em destaque.
O autarca, que expressou o sentimento de dever cumprido com o lançamento desta obra, notou que “Faltava honrar esta tradição cultural tão viva e mantida ao longo dos anos pelo povo genuíno. Traduz a obra do povo, os seus saberes ancestrais, enriquece-nos com sensibilidades, atravessa os séculos e é tão importante”,
Estes três concelhos fazem parte da Eurocidade do Guadiana e são os mais representativos da poesia que se faz nas terras do Baixo-Guadiana.
É um livro que evidencia o bem sucedido trabalho que os poetas do Baixo Guadiana realizam há anos, unindo as terras de um e outro lado do rio. Tem prólogo de Pedro Ojeda e comentário da poética na Foz do Guadiana de Pedro Jubilot, Fernando Cabrita e José Juan Diaz Trillo.
Os poemas, de 20 autores, fazem com que este poemário «Poética na Eurocidad do Guadiana» seja uma nova obra de colecionador. A tiragem é curta, a viagem longa, dizem os prefaciadores. A edição é de José Luís Rúa, residente em Ayamonte, um dos mais ativos divulgadores dos poetas do Guadiana.
O prémio foi instituído em 1999, para homenagear o Poeta nascido em Faro, que se sagrou com vulto maior do panorama poético nacional e internacional e é patrono da Biblioteca Municipal.
A entrega das obras concorrentes terá de ser efetuada entre 7 de janeiro e 31 de março. São admitidas obras poéticas, em primeira edição, publicadas em 2019 e 2020. O júri vai ser composto pelo Nuno Júdice, Carina Infante do Carmo e Isabel Lucas.
Já se realizaram sete edições, em 1999, 2001, 2007, 2009, 2015, 2017 e 2019, com o objetivo de promover o surgimento de novos poetas ou reconhecer o labor dos já consagrados.
Em todas as edições mais de 50 obras foram submetidas a concurso, tendo sido atribuído a poetas de reconhecida excelência literária como Fernando Echevarria, Fernando Guimarães, Nuno Júdice, João Rui de Sousa, Luís Quintais, João Luís Barreto Guimarães e Gastão Cruz. É patrocinado pela Fundação Milénio BCP.
A cerimónia de entrega do Prémio está prevista para setembro de 2021, no âmbito das comemorações do Dia da Cidade, em data a definir.