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Etiqueta: Poesia

  • “Meio Arado”: Guadiana, Memórias e Tradições Lavradas a Quatro Mãos em Alcoutim

    “Meio Arado”: Guadiana, Memórias e Tradições Lavradas a Quatro Mãos em Alcoutim

    Poesia ocupou a Sala das Sessões do Município de Alcoutim

    A Sala das Sessões da Câmara Municipal de Alcoutim encheu-se na tarde de 18 de Abril para a apresentação do livro de poesia «Meio Arado», uma colaboração entre os autores José Dias Rodrigues e Fernando do Marmeleiro.

    A obra, descrita como um testemunho das raízes e vivências da região, foi acolhida com entusiasmo pela autarquia e pela comunidade local.

    O Presidente da Câmara Municipal, Paulo Paulino, abriu a sessão, destacando a importância de registar e preservar a memória coletiva do concelho.

    Reconhecendo a dedicação dos autores à temática do Guadiana, das tradições e das memórias da região, enfatizou o apoio do município a projetos que contribuam para a valorização do território.

    Sempre que escrevem, surge o Guadiana, a nossa região, as nossas tradições, memórias que têm sempre a ver com o nosso território“, afirmou o autarca, sublinhando o compromisso de Alcoutim em acolher iniciativas que “registrem, conservem e façam com que estes registos permaneçam“.

    A apresentação da obra esteve a cargo de António Matias, que ofereceu uma análise detalhada e perspicaz dos poemas de cada autor. Matias enquadrou a obra no conceito de cultura popular, citando o etnólogo e pedagogo Viegas Guerreiro, para quem “a cultura é a cultura de todos“.

    Fernando do Marmeleiro

    Realçou a importância de valorizar os saberes e conhecimentos adquiridos nos “bancos da vida“, defendendo um diálogo entre a cultura popular e a erudita.

    António Matias que é também presidente da Assembleia Municipal, descreveu o livro como “uma lavoura com parelha em manhã-nado“, metaforizando a colaboração entre os autores com a imagem do trabalho conjunto no campo.

    Apontou diferenças nas abordagens de cada um, mas sublinhou a obediência “às arriatas e à sensibilidade ao esquilhão“, resultando numa lavoura que, apesar das nuances, encontra um propósito comum.

    Analisando os poemas de José Dias Rodrigues, Matias destacou a centralidade de Alcoutim, das paisagens, da natureza e das pessoas, com o Guadiana a assumir um papel preponderante. Evidenciou temas como a saudade, o amor, a velhice, a tristeza, a esperança e a liberdade, sublinhando a homenagem aos poetas Luzano Camões, Flor Bela, Tadão Pessoa, Sofia, Joaquim Pessoa e António Leixo.

    Particularmente emotiva foi a referência ao poeta Carlos Escobar, falecido em 2024, com a leitura de um poema a ele dedicado.

    No que concerne à “lavoura” de Fernando do Marmeleiro, Matias salientou a ligação umbilical a Alcoutim, mesmo nas voltas que o autor deu pelo mundo.

    Descreveu a obra como um retrato dos “chãos, cheiros e sabores” do mundo, com destaque para o Guadiana, o hogar, a esboa, a remota, a garboa e o tacar.

    Evidenciou temas como o amor, a saudade, a natureza, a revolução de Abril e o regresso à terra natal. Emocionado, Matias partilhou a sua experiência pessoal no Portel do Cargo, durante o 25 de Abril, ao analisar um poema de Marmeleiro.

    Após a apresentação, os autores tomaram a palavra. José Dias Rodrigues expressou o seu agradecimento à Câmara Municipal, à Vereadora da Cultura e à Chefe de Divisão, Manuela Teixeira, pelo apoio fundamental na edição do livro. Reconhecendo a ausência de “grande interesse literário“, enfatizou o valor da obra como “testemunho” de dois amigos de Alcoutim sobre a terra e as suas vivências.

    Fernando do Marmeleiro agradeceu também ao município e a todos os presentes, partilhando a génese da colaboração com José Dias Rodrigues.

    Sublinhou a importância de ler e compreender a poesia, convidando os presentes a “perceber” os poemas em vez de simplesmente os ler. Tal como Matias, homenageou Carlos Brito, lendo o poema “Só por livre pensamento“, dedicado ao poeta alcoutenejo.

    A apresentação de «Meio Arado» foi um momento de celebração da cultura local, da amizade e da poesia. A obra, que já se encontra disponível, promete tocar os corações dos alcoutenejos e de todos aqueles que se identificam com as memórias, as tradições e os afetos da região.

  • Poesia de Miguel Godinho apresentada em Tavira

    Poesia de Miguel Godinho apresentada em Tavira

    O coletivo ESPÚRIA, através da sua nova coleção ILÍDIMA, e a editora Sílabas & Desafios preparam-se para lançar a obra “O equilíbrio que se perde por dentro“, um livro de poesia escrito por Miguel Godinho que mergulha nas profundezas da experiência da meia-idade e do luto, explorando a paternidade, o desgaste profissional e a frustração cívica num mundo dominado pelo ruído, pelos algoritmos e pela precariedade emocional.

    O livro, conforme palavras do autor, assume a poesia como “infeção e resistência“, uma força capaz de denunciar a hipocrisia, expor os mecanismos de poder e afirmar a autenticidade como um ato de coragem. Numa constante tensão entre o cansaço e a lucidez, a obra explora a vontade de desistir e a necessidade imperativa de continuar, oferecendo uma reflexão profunda sobre o processo de sobrevivência interior.

    Dividido em seções que alternam entre poemas breves e irónicos e textos mais narrativos e viscerais, “O equilíbrio que se perde por dentro” estabelece um diálogo assumido com a tradição insubmissa de Allen Ginsberg, incorporando a crítica social e a exposição do “eu” como elementos centrais da sua poética. A crítica social e a sátira política encontram-se com a vulnerabilidade de um corpo que escreve, expondo a fragilidade humana num contexto de crescente desumanização.

    Este livro é um manifesto íntimo contra a normalização da mediocridade e contra o silenciamento da consciência,” afirma o autor. “Porque, mesmo quando tudo parece ruir por dentro, permanece a possibilidade da palavra – e, com ela, a liberdade.”

    O lançamento oficial de “O equilíbrio que se perde por dentro“, o primeiro título da coleção ILÍDIMA do Coletivo ESPÚRIA, está agendado para o dia 21 de março, em Tavira, na Casa Álvaro de Campos, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Poesia 2026. O evento promete ser um momento de celebração da palavra e da sua capacidade de inspirar a mudança.

    Está prevista uma série de apresentações em diferentes locais após o lançamento em Tavira, oferecendo ao público a oportunidade de se conectar com a obra e com o seu autor. Os locais e datas das apresentações serão divulgados em breve.

    O equilíbrio que se perde por dentro” promete ser uma leitura desafiadora e recompensadora, um livro que nos convida a questionar o nosso lugar no mundo e a encontrar a nossa voz em meio ao caos.

  • Poesia transfronteiriça

    Poesia transfronteiriça

    A compreensão vivida das duas linguagens faladas nos territórios fronteiriços e, no caso em apreço do rio Guadiana, proporciona incontáveis tertúlias poéticas bilingues, nestas paragens ibéricas.

    A Casa do Sal testemunhou, mais uma tertúlia de poesia no quadro da Feira Transfronteriça de Arte Contemporânea, onde participaram as vozes de Pedro Jubilot, Ana Sofia Brito, Sara Monteiro, Esther Garboni, Pablo Valdera e José Luís Rua, sob orientação de Maria Luisa Dominguez Borrallo.

    Fonte: Poesía en la frontera.

  • Barquinhos de poemas rumo ao Guadiana

    Barquinhos de poemas rumo ao Guadiana

    No dia 27 de dezembro, em Barriada de Canela, a poesia correu por terra, mar e ar nas terras do Baixo Guadiana., com o tradicional almoço de despedida do ano, onde pasrticiparam os «Poetas do Guadiana» das duas margens do rio.

    Qualidade humana, portas e as janelas sempre abertas caso, com o Ano Novo, para dar uma volta pelos poemas de sempre e pelos novos.

    Fotos A. Cipriano Cabrita e José Luís Nascér

  • Faleceu o poeta Tito Olívio Henriques

    Faleceu o poeta Tito Olívio Henriques

    Tito Olívio Henriques, engenheiro, sociólogo, poeta e escritor, faleceu aos 93 anos, depois de uma carreira diversificada e ter sido uma figura de relevo nas Letras algarvias, desde os anos 60.

    Sessenta foram as obras que publicou, tendo recebido mais de uma centena de prémios literários, tendo merecido também reconhecimento em várias medalhas de mérito e homenagens por seu trabalho social e cultural.

    O Rotary Club de Faro instituiu um prémio de poesia Tito Olívio em sua homenagem, incentivando a produção literária e homenageando sua contribuição à cultura.

    Em 2020, a Ordem dos Engenheiros atribuiu-lhe o Prémio Carreira pelos seus mais de 60 anos dedicados à engenharia civil.

    Tito Olívio Henriques é conhecido por várias obras, mas uma das mais destacadas é a sua coleção de poesia publicada através do projeto Cadernos de Santa Maria1Este projeto, iniciado em 1987, inclui uma série de publicações não periódicas que ganharam notoriedade e reconhecimento na literatura portuguesa1.

    Poema de Tito Olívio
    poesia

    À família enlutada e aos seus leitores, a direção de FOZ – Guadiana Digital, apresenta as mais sentidas condolências.

    …/jec

  • Faro celebra centenário de António Ramos Rosa

    Faro celebra centenário de António Ramos Rosa

    Natural de Faro, nascido a 17 de outubro de 1924, onde frequentou os estudos secundários, António Ramos Rosa cedo rumou a Lisboa, onde trabalhou como empregado de escritório, tradutor e professor.

    Por iniciativa do Município de Faro e da associação A Tal Emersa, o seu centenário será celebrado ao longo de dois dias com um programa especial que incluiu a exposição “António Ramos Rosa e a Interrogação do Real”.

    A inauguração está prevista para as 17:30 do dia 16 de outubro, e uma jornada de trabalho com conferências, mesas-redondas e recital de poesia, a partir das 9 horas do dia 17 de outubro, sempre na Biblioteca Municipal de Faro António Ramos Rosa.

    António Ramos Rosa tem o seu nome ligado a publicações literárias dos anos 50. Foi cofundador da revista Árvore (1951-1953) e participou na Cassiopeia e nos Cadernos do Meio-Dia. Estes primaram não só por uma postura de isenção relativamente aos diversos feixes estéticos que atravessam aquela década (legado surrealista e evolução da poesia neorrealista, entre outros), como por um critério de respeito pela qualidade estética dos trabalhos literários publicados.

    Viveu intensamente a vitória dos Aliados, aquando do término da II Guerra Mundial e desenvolveu uma importante atividade nos domínios da teorização e da criação poética.

    Complementarmente, Ramos Rosa colaborava com textos de crítica literária na Seara Nova e no Colóquio Letras, entre outras publicações periódicas.

    É no primeiro número da Árvore, onde garante a participação dos poetas António Luís Moita, José Terra, Luís Amaro e Raul de Carvalho, que subscreve o texto “A Necessidade da Poesia”, apontando como princípios imperativos da publicação a liberdade e a isenção (“Não pode haver razões de ordem social que limitem a altitude ou a profundidade dum universo poético, que se oponham à liberdade de pesquisa e apropriação dum conteúdo cuja complexidade exige novas formas, o ir-até-ao-fim das possibilidades criadoras e expressivas.”), postergando apenas da aventura poética a “gratuitidade como intenção“, posto que a poesia decorre de uma “superior necessidade […] tanto no plano da criação como no da demanda social” (ibi., p. 4).

    Como poeta, estreia-se em 1958 no jornal «A Voz de Loulé» com o poema “Os dias, sem matéria” e na coletânea “O Grito Claro”, n.º 1 da coleção de poesia «A Palavra», editada em Faro e dirigida pelo seu amigo e também poeta Casimiro de Brito. Seria apenas o primeiro de uma obra poética que ultrapassa os cinquenta títulos.

    É ainda autor de ensaios, entre os quais se salienta A Poesia Moderna e a Interrogação do Real (1979-1980). Estava assim lançado o movimento da moderna poesia portuguesa onde o autor circulava. 

    Ramos Rosa foi distinguido com numerosos prémios nacionais e estrangeiros, entre os quais o Prémio Pessoa, em 1988, o Prémio Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT – Correios de Portugal em 1989, pela recolha “Acordes”, e em 2006, pelas obras “Génese” e “Constelações”, que estão igualmente na base da atribuição do Prémio Luís Miguel Nava, no mesmo ano; em 1990, o Grande Prémio Internacional de Poesia, no âmbito dos Encontros Internacionais de Poesia de Liège; em 1992, o Prémio Jean Malrieu, para o melhor livro de poesia traduzido em França, e o Prémio Municipal Eça de Queiroz, da Câmara Municipal de Lisboa (Prémio de Poesia), pela obra “As armas imprecisas”; e, em 2005, o Grande Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen (Prémio de Poesia), São João da Madeira, pela obra “O poeta na rua. Antologia portátil”.

    A 10 de Junho de 1992 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e a 9 de Junho de 1997 é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2001, o seu nome foi dado à Biblioteca Municipal de Faro. Em 2003, a Universidade do Algarve, atribui-lhe o grau de Doutor Honoris Causa.

    Considerado um dos grandes poetas portugueses da atualidade, a sua atitude crítica perante a sua própria palavra, fez dele um dos mais esclarecidos críticos portugueses contemporâneos. 

    Faleceu a 23 de setembro de 2013, em Lisboa, tendo doado todo o seu espólio literário à Biblioteca Nacional de Portugal.

    No âmbito da sua Missão e das atribuições no domínio da Cultura, a CCDR do Algarve, I.P. congratulou-se com esta iniciativa, que considera meritória, eevoca a memória de um dos mais distintos algarvios e a obra de um nome maior da Poesia do Século XX.

  • José Carlos Barros em Lagoa

    A Biblioteca Municipal de Lagoa prossegue, no próximo dia 25 de setembro, pelas 18h00, com a rúbrica «Celebrando a Liberdade», um ciclo de palestras literárias que se está a realizar ao longo de 2024.

    O tema desta sessão é As Palavras, o Mundo e tem como convidado o escritor e erquiteto Paisagista José Carlos Barros. A apresentação ficará ao cuidado de Maria Luísa Francisco, e a entrada é livre.  

    José Carlos Barros é arquiteto Paisagista pela Universidade de Évora e vive em Vila Nova de Cacela. Foi director do Parque Natural da Ria Formosa e da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

    É autor de três romances, tendo vencido o Prémio LeYa com As Pessoas Invisíveis (Abril de 2022). O seu mais recente livro, Taludes Instáveis – Poemas Escolhidos, Publicações Dom Quixote, Março de 2024,, reúne doze títulos de poesia publicados entre 1984 e 2023.

     O ciclo de palestras literárias «Celebrando a Liberdade» pretende criar cumplicidade entre os diferentes convidados(as) e os leitores, assim como, assinalar os 50 anos da Revolução do 25 de Abril.   

    O acesso é livre, apenas limitado à lotação existente.   

  • Pedro dos Santos ganha prémio de poesia

    O poeta eborense Pedro Dos Santos foi, recentemente, galardoado com o prémio “Trofeo de Oro” pelo grupo de poesia virtual Poesías Que Rebelan tu Alma, do Paraguai, revela site odigital.sapo.pt

    A distinção foi atribuída ao poema «Olhar e Mágico luar», pela riqueza do conteúdo e figuras de estilo.

    O poema vencedor será incluído na coletânea «(Re)Começo», que reunirá trabalhos premiados do autor entre 2023 e 2024. O lançamento do livro está previsto para 2024/2025, em Évora.

    O «Trofeo de Oro» é um prémio honorífico concedido a trabalhos literários em diversas línguas, avaliados e selecionados por um grupo de poetas paraguaios.

    O grupo recebe centenas de trabalhos a cada dois dias e premia apenas os melhores.

  • Eurocidade premeia «Poetas do Guadiana»

    Eurocidade premeia «Poetas do Guadiana»

    Este prémio foi concedido pelo Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Eurocidade do Guadiana e tenta destacar que este grupo de poetas representa a essência da iluminação das fronteiras como barreiras.

    Representa a fusão de culturas e autores de ambos os países recitam problemas, publicam seus livros e organizam recitais nos dois lados do Rio, apoiando a criação e a difusão de obras de um número elevado de autores.

    Em maio de 2021 foi publicada a obra poética na Eurocidade de Guadiana, no âmbito do projeto Euroguadiana, livro apresentado no dia de Europa, ainda se faziam sentir as restrições da pandemia.

    Nas suas páginas mais de 20 autores demonstram a riqueza poética dos três municípios que constituem a Eurocidade.

    Em representação dos poetas, receberam o troféu relativo José Luís Rua Nascer e António Cipriano Cabrita.

    António Cabrita

    Em nome de todo o coletivo português, António Cabrita historiou o percurso dos Poetas do Guadiana:

    «Eu disse muitas vezes que este projeto dos poetas do Guadiana começou de uma forma simples. Fomos nós que começamos a construir a Eurocidade. Não me levem a mal esta pretensão, mas nós só começamos a ver a Eurocidade, porque começamos no dia 21 de enero de 2011, na Casa Grande, em Ayamonte

    «Na altura, com duas pessoas, um que não está a cá porque está longe e o outro porque já não está entre nós, fizemos um encontro de poetas. Um é o Pedro Tavares, que está em Timor por questões profissionais. O outro António Miravente que não está já entre nós».

    Revelou, recorrendo àas suas atas que, na parte portuguesa, estavam também José Cruz, Pedro Tavares, e um amigo professor que foi acompanhar o Pedro Tavares, com música, António Caballé.

    Na parte espanhola estavam o Miravente, estava o José Luiz Rua, Carmen Herrera e a Aurora Canhada. Este era o elenco inicial. Depois fizeram um encontro na biblioteca de Vila Real de Santo António, onte se juntaram mais presenças.

    O terceiro encontro ocorreu no Monte Francisco mais conhecido pelo Montinho,
    de onde saiu a ideia, por sugestão de José Luís Rua, de se fazer uma primeira coletânea, que saiu «com os seus erros, mas foi um marco importante».

    «Aquela primeira coletânea saiu com a colaboração de uma série de pessoas.», disse António Cabrita. Ao longo dos anos, fizeram recitais em Ayamonte, em Castro Marim e em Vila Real de Santo António.

    Lembrou a Poesia na Rua, em Cacela Velha e «aqui deixo o recado que nós, Poetas do Guadiana, temos toda a interesse em agarrar-nos e continuar, que era um evento que se fazia no fim do Verão e que já foi um período muito bonito para a localidade».

    «Em Ayamonte era o Molino Pintado, outro sítio fundamental que nos permitia,
    quase todos os fins de semana, ter uma atividade poética, e foi o cunho que demos ao primeiro Passeio por Ayamonte
    ».

    Agradeceu o prémio e ao público «que é o que, no fim de contas, nos foi comprando livros, de vez em quando, e nos a permitiu seguir

    Em nome dos poetas espanhóis tomou a palavra José Luiz Rua Náscer, incassável fotógrafo, divulgador, curador de coletâneas e elemento humano fundamental na atividade de divulgação da poesia dos «Poetas do Guadiana»

  • «Margens Livres» apresentam-se

    «Margens Livres» apresentam-se

    A antologia conta com a participação de Ana Maria Horta, António Cabrita, Áurea Nobre, Clara Lourenço, João Pereira, João Viegas, José Carlos Barros, José Estêvão Cruz, Miguel Godinho, Paula Amaro e Pedro Tavares e comemora os 30 anos da Editora Guadiana e os 50 anos do 25 de Abril.

    Poetas da cidade de Ayamonte estiveram presentes na iniciativa, bem como público local.

    Em representação da Biblioteca Municipal Vicente Campinas, a bibliotecária Assunção Constantino esclareceu que a antologia surgiu do repto lançado pelo Helder, que é o responsável pela editora Guadiana a vários poetas.

    É uma antologia de poetas vilarealenses, frisou e esclareceu: « o que não quer dizer que sejam todos poetas nascidos e naturais, mas que, de alguma forma, tem a ligação a esta terra, decorrente da sua atividade profissional, e que aqui se fixaram».

    Chamou a atenção para a pintura exposta no hall da biblioteca, inspirada no território, da autoria de Ana Maria Horta, que tinha sido inaugurada na véspera da apresentação do livro

    A antologia que apresentamos hoje é uma antologia que reúne os poetas e eles estão aqui quase todos, destinada a assinalar os 50 anos do 25 de abril, da conquista da liberdade. Ela pretende também marcar os 30 anos de existência da editora Guadiana.

    Salientou o trabalho excepcional na terra do editor Helder Oliveira, a quem felicitou e louvou a iniciativa de ter lançado o repto aos poetas «Se não fosse a persistência dele, possivelmente, esta editora já tinha as portas fechadas».

    Houve palavras para dois ausentes, participantes no «Margens Livres», José Carlos Barros, prémio Leya que, à mesma hora, apresentava na Casa Álvaro de Campos em Tavira a sua coletânea de poesia «Taludes Instáveis» e Pedro Tavares, «que está a uns quantos quilómetros de distância daqui», ironizando sobre a presença em Timor, em cooperação.

    Helder Oliveira, editor de muitos dos trabalhos dos «Poetas do Guadiana» e outros escritores que não encontram acolhimento nas grandes editoras, que o livro «Margens Livres» foi uma iniciativa da Editora Guadiana, para comemorar o seu 30º aniversário e que se integrou, pela temática dos poemas nas comemorações oficiais do Município de Vila Real de Santo António, com o apoio da câmara municipal.

    Gostaria de agradecer aos autores que participaram num trabalho árduo, ao longo de três ou quatro meses, com um timing específico para ser, enfim, lançado nas comemorações do 25 de abril, e que, no fundo, conseguimos. Agradeceu o apoio ao executivo camarário e acessorias que ali se encontravam representado por Fernando Horta, vereador do pelouro do Património Imaterial, e, ainda, Vítor Junqueira, Miguel Godinho e Assunção Constantino.

    Helder Oliveira disse que o título do livro se inspirou no pensamento de Bertolt Brecht, que citou de cór, «do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento, mas ninguém chama violentas às margens do cumprimento».

    Para a Editora Guadiana os poemas plasmados no livro manifestam o que, de mais íntimo, possui o ser humano, o sentimento sobre os temas mais pertinentes da nossa sociedade, o que, em seu entender dá continuidade ao serviço público que a editora Guadiana tem vindo a fazer, na edição e produção da obra gráfica, sendo contributo para a cultura da nossa terra.
    Dentro do aspecto gráfico do livro, chamou a atenção para os flamingos que estão na contracapa, uma das áreas úmidas do Sotavento, e que vem da capa interior, atravessam o livro e saem como mensagem de liberdade.

    Fernando Horta fechou o ciclo de intervenções citando o trabalho de Pedro Teixeira, Assunção Constantino, Miguel Godinho e André Oliveira. Relevou, para valorizar o trabalho

    Palestra em auditório sobre literatura com projeção visual.

    desenvolvido na biblioteca Vicente Campinas, «esta casa de porta aberta».

    «Celebrar os 50 anos do 25 de abril em liberdade, marcados com um com um livro, um livro de poesia, numa antologia de poetas da nossa terra, edificado por um editora da nossa terra que celebra tão corajosos 30 anos, é um insofismável registro da retoma ao apoio à produção cultural promovida pelos agentes da nossa terra», destacou, para continuar:

    Ao serviço do enriquecimento identitário e cultural da nossa comunidade, determinante para a defesa e usufruto da liberdade, nunca será demais agradecer aos nossos poetas.

    Fernando Horta terminou citando Garcia Lorca que entendia que a um mendigo deveria dar-se o pão e um livro, referência a que não é apenas a satisfação das necessidades materiais, mas também a cultura e educação que constroem a liberdade humana.

  • Poetas do Guadiana escrevem Margens Livres

    Poetas do Guadiana escrevem Margens Livres

    Na obra, participam Ana Maria Horta, António Cabrita, Áurea Nobre, Clara Lourenço, João Pereira, João Viegas, José Carlos Barros, José Estêvão Cruz, Miguel Godinho, Paula Amaro e Pedro Tavares.

    Pretende comemorar os 30 anos da Editora Guadiana e os 50 anos do 25 de Abril e resulta de um convite da editora à participação dos escritores que participam na tertúlia transfronteiriça do «Poetas do Guadiana».

    Para a Editora Guadiana, os poemas do livro manifestam o que de mais íntimo possui o ser humano: «a oportunidade de patentear na escrita o sentimento sobre um dos temas mais pertinentes da nossa sociedade».

  • Centenário de Ramos Rosa com  prémio e colóquio

    Centenário de Ramos Rosa com prémio e colóquio

    No Dia Mundial do Livro, quando se assinalou o 23º aniversário da Biblioteca Municipal António Ramos Rosa, a autarquia revelou o programa alargado de comemorações.

    O programa vai incluir um colóquio internacional dedicado ao poeta, a reformulação do atual Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa, um programa direcionado a jovens e uma homenagem com a colocação de uma peça escultórica na Biblioteca Municipal.

    O anúncio foi feito durante as comemorações presididas por Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faroe contou ainda com a presença de José Manuel Mendes, presidente da Associação Portuguesa de Escritores (APE), e do poeta, ensaísta e professor António Carlos Cortez, que aceitou o convite do Município de Faro para ser o curador das comemorações.

    O colóquio internacional será denominado «António Ramos Rosa: Poesia Liberdade Livre», e realiza-se no dia 17 de outubro, data do 100.º aniversário do poeta. Esta iniciativa pretende abrir a obra de António Ramos Rosa a outros universos da cultura que não apenas o meio académico.

    Espera-se a presença em Faro de diversos e reconhecidos poetas e académicos nacionais e internacionais.

    Outro dos grandes destaques apresentados é a transformação do Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa. No âmbito das comemorações, o Município de Faro estabelece uma parceria com a Associação Portuguesa de Escritores (APE) para a constituição do novo Grande Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa APE – CM Faro.

    Passa a ser coproduzido entre estas duas entidades, passando de um formato bienal para anual e aumentando o valor do prémio dos atuais 5.000 euros para 12.500 euros.

    Mantendo a aposta na poesia editada em Língua Portuguesa, o Prémio é aberto a todos os autores que editem em português.

    Será também promovida a exposição itinerante «António Ramos Rosa: Uma presença Real», com uma mostra sobre as edições, os livros, os poemas e a presença do autor.

    Esta exposição, que decorrerá entre setembro de 2024 e junho de 2025, estará patente ao público na Biblioteca Municipal e irá circular pelas escolas do concelho de Faro.

    Paralelamente, será promovido entre setembro e dezembro de 2024 um programa direcionado a escolas, que incluirá sessões de poesia, música e conversas, debates em torno da obra de António Ramos Rosa, que serão criados para jovens e realizados nas escolas secundárias do concelho.

    Ao artista Miguel Martins, o município encomendou uma peça escultórica de homenagem a Ramos Rosa, que deverá ser instalada, até final do ano, na Biblioteca Municipal de que é patrono.

    Também até final de 2024, deverá ser editada uma publicação em que um conjunto de autores escolhidos por António Carlos Cortez e vão ser partilahasdas as suas leituras sobre a vida e obra de António Ramos Rosa, através dos seus poemas.

    No âmbito da sessão de apresentação das comemorações, António Carlos Cortez agradeceu o convite mas também a sensibilidade e o cuidado que a Câmara Municipal de Faro tem devotado à Cultura e à figura de António Ramos Rosa.

    «Foi um convite que me surpreendeu mas que julgo que faz algum sentido, por ter sido amigo pessoal de António Ramos Rosa e por ter tido oportunidade de, em 2005, organizar e fazer o prefácio de um livro de António Ramos Rosa, ‘Os Animais do Sol e da Sombra seguido de O Corpo Inicial’, das Edições Quasi», relembrou António Carlos Cortez, adiantando ter uma ligação sentimental a Faro e ao Algarve, por via de amizades com outro poeta farense, Gastão Cruz, e com Nuno Júdice, poeta algarvio falecido em março deste ano.

    «Fazer a curadoria de um programa deste género significa não só ponderar bem o eco da obra de António Ramos Rosa, mas também fazê-lo num contexto que é adverso, seja no ensino, seja na atmosfera cultural, onde há hoje uma resistência seja às humanidades, seja ao ensino da poesia», disse Cortez e revelou:

    «Por isso, este gesto da Câmara Municipal de Faro enche-me de alegria e de responsabilidade e esta ocasião feliz pode ter uma importante ação sob a cidade de Faro e não só: levar António Ramos Rosa às escolas, uma vez que, na verdade, Ramos Rosa e os poetas portugueses são muito pouco conhecidos pelas gerações mais jovens».

    Também o presidente da APE, José Manuel Mendes, agradeceu o diálogo com a Câmara Municipal de Faro que permitiu a criação do Grande Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa APE – CM Faro, um prémio que prestigiará não só quem os poetas que o vieram a receber, mas também quem o promove.

    Invocando António Ramos Rosa, mas também Gastão Cruz e Nuno Júdice como grandes nomes da poesia e da literatura nacional, José Manuel Mendes destacou ainda o facto de este prémio literário ser um galardão aberto à lusofonia e a toda a criação literária feita em português, que até pode vir de fora do espaço lusófono.

    Já o Presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau, sublinhou o agradecimento a José Manuel Mendes pela parceria com a APE, que permite passar a promover o Grande Prémio Nacional de Poesia António Ramos Rosa anualmente, mas também a António Carlos Cortez por aceitar o convite para ajudar a comemorar os 100 anos de António Ramos Rosa com a dignidade que merece.

    «O centenário de António Ramos Rosa, por ser farense e um dos maiores vultos da poesia nacional e internacional, é uma efeméride que é única e que não podíamos deixar de assinalar, até juntando os 50 anos de liberdade e do 25 de Abril, em que também ele teve um papel importante, no plano literário», disse ainda o Presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau, a concluir.

  • Eurocidade premeia «Poetas do Guadiana»

    Eurocidade premeia «Poetas do Guadiana»

    A Eurocidade atribuiu o prémio de Cooperação Transfronteiriça aos «Poetas do Guadiana». O prémio será entregue no dia 9 de maio, Dia da Europa, pelo Grupo Europeu de Cooperação Territorial Eurocidade do Guadiana, que também celebra o seu décimo primeiro aniversário.

    Este prémio destaca que o coletivo simboliza a essência da superação de fronteiras como barreiras e, ao mesmo tempo, a fusão cultural.

    Grupo de pessoas sorrindo ao ar livre.
    Poetas do Guadiana em tempos primordiais – foto de José Luís Rua

    O prémio é de reconhecimento pelo trabalho de cooperação e integração os escritores das duas margens do rio. concedido pela Assembleia daquela entidade por sugestão da equipe técnica, e destaca que os poetas encarnam a essência da eliminação das fronteiras como obstáculos e como união de culturas.

    Os autores dos dois países recitam, publicam e organizam recitais nas duas margens do rio, promovendo a criação e divulgação da obra de numerosos escritores.

    Os Poetas do Guadiana, com mais de uma década de experiência, têm partilhado os seus versos não só nas três localidades da Eurocidade, mas também noutros pontos de Huelva e do Algarve, colaborando com alguns dos poetas mais destacados e afastando-se dos formalismos restritivos.

    Com mais de cinquenta publicações, coleções como «Los libros del Estraperlo» ou «Los Cuadernos de la Barranca», antologias e livros de autores emergentes e poetas consagrados, já são mais de cem escritores que publicaram com este grupo poético.

    No lado de Portugal é a Editora Guadiana quem tem assegurado algumas das edições dos poetas portuguese.

    José Luíz Rua e António Cabrita tem assegurado a coordenação informal deste movimento poético transfronteiriço.

    Em maio de 2021 foi lançada a «Poética na Eurocidade do Guadiana«, integrada no projeto EuroGuadiana e coordenada por José Luis Rúa. Este trabalho foi apresentado virtualmente, no Dia da Europa, devido às condições sociais e de saúde da época.

  • «Taludes invisíveis» coletânea de José Carlos Barros

    «Taludes invisíveis» coletânea de José Carlos Barros

    José Carlos Barros, poeta e escritor, primeiro prémio Leya, apresentou na Biblioteca Municipal Vicente Campianas, na passada sexta-feira, a sua mais recente obra literária intitulada «Taludes Instáveis» onde a obra do poeta foi dissecada por Miguel Godinho, em sessão dirigida por Assunção Constantino e que contou com a presença do vereador de pelouro Fernando Horta.

    José Carlos Barros, natural de Boticas, 1963, e vive em Vila Nova de Cacela. É lá que tem produzido as suas mais recentes obras literárias, ao mesmo tempo que prepara a obra artística no campo da pintura, tendo já realizado algumas exposições dos seus quadros.

    Grupo reunido em apresentação de livro.

    Taludes Instáveis , livro que tem na capa uma pintura do neto, é uma coletânea dos seus livros de poemas, publicados até hoje, Pequenas Depressões, 1984, em colaboração com Otília Monteiro Fernandes, Uma Abstração Inútil, 1991, Todos os Náufragos, 1995, Teoria do Esquecimento, 1996, As Leis do Povoamento, 1996, As Moradas Inúteis, 1997, Rumor, 2011, O Uso dos Venenos, 2014, A Educação das Crianças, 2020, Penélope Escreve a Ulisses, 2021, Estação, os poemas do DN Jovem.

    José Carlos Barros é atualmente vereador na câmara municipal de Vila Real de Santo António, onde já desempenhou o cargo de vice-presidente, e foi deputado na Assembleia da República e Diretor da Reserva da Ria Formosa.

    A poesia de José Carlos Barros

    Miguel Godinho apresentou a obra ao público que acorreu à Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António e destacou que a importância da presença da natureza e do mundo natural na obra de Barros não pode ser subestimada.

    Através de suas palavras, somos transportados para paisagens exuberantes, onde o pulsar da vida se entrelaça com a poesia. A escrita é permeada por uma sensibilidade única, capturando a essência das paisagens rurais e a complexidade das interações humanas com o ambiente natural.

    Taludes Instáveis não é apenas uma coleção de poemas; é uma jornada pela vida e pela mente do autor. A organização dos poemas reflete não apenas a cronologia de sua vida, mas também a evolução de suas ideias e emoções ao longo do tempo. Desde os primeiros versos da juventude até as reflexões mais maduras e profundas da idade adulta, Barros nos presenteia com uma visão panorâmica de sua experiência humana.

    A influência de outros poetas contemporâneos é evidente em sua escrita, mas Barros tem o mérito de transcender influências para criar um estilo único e inconfundível. A obra ecoa as vozes de poetas passados e presentes, mas nunca perde sua singularidade, oferecendo uma contribuição distinta e valiosa para o cânone literário.

    Com Taludes Instáveis , José Carlos Barros reafirma seu lugar como um dos principais escritores da atualidade. O estilo minimalista e suas temáticas profundas cativam os leitores, enquanto a habilidade em evocar emoções e memórias perdura muito além das páginas do livro.

    Com a publicação em editoras de renome, como a D.Quixote, Taludes Instáveis está a ser bem acolhida por críticos e leitores, consolidando ainda mais o talento de José Carlos Barros.

    Pontos principais:

    Na relação entre poesia e realidade, o poeta questiona a ideia de que a poesia não serve para nada, defendendo que ela pode ser usada para descrever o mundo de forma profunda e significativa e compara a poesia a um barco que pode navegar pelos rios da vida, levando-nos a lugares inesperados.

    José Carlos Barros acredita que a poesia deve olhar para o passado, não com nostalgia, mas sim para buscar sabedoria e ensinamentos que possam ser aplicados ao presente.

    Destaca a importância da memória para lembrarmos das coisas boas e ruins do passado, e para nos ajudar a tomar melhores decisões no futuro.

    Na relação entre a vida rural e a sabedoria das comunidades antigas, celebra a vida rural e a sabedoria dos que viviam em harmonia com a natureza. Critica a sociedade moderna, que se afastou da natureza e perdeu a capacidade de viver de forma simples e sustentável.

    Falando sobre a beleza e a ética, o autor entende que a beleza e a ética estão intimamente ligadas e acredita que a arte deve ser usada para promover valores como a justiça, a igualdade e a compaixão.

    A poesia desvenda os mistérios da vida, sendo que a linguagem poética é poderosa e pode ser usada para expressar sentimentos e ideias complexas. É uma forma de arte que nos conecta com o mundo natural e com a nossa própria humanidade. É importante ler e apreciar a poesia, pois ela pode nos enriquecer como pessoas.

    Uma leitura da obra confirmará estas apreciações.

    Mãos segurando livro de poesia de José Carlos Barros.

    Fotos do evento por José Luís Rua Nascer

  • Prémio de Eco-Poesia Ponte do Guadiana

    Prémio de Eco-Poesia Ponte do Guadiana

    Presentes, estiveram Vitor Cardeira, em representação da Casa Álvaro de Campos, de Tavira, que participou no projeto, do lado português e falou sobre a sua experiência como membro do júri do prémio.

    Nuno García López, o autor, natural de Linhaceira, no concelho de Tomar, agradeceu o prémio e leu alguns poemas do seu livro.

    Santiago Abadé Landero, da Associação Santiago Abadé do Landero, promotora do concurso, falou sobre a importância da poesia e da cultura para unir os povos. O público presente fez perguntas ao autor.

    O prémio Deco-Poesia Ponte do Guadiana, foi publicado na Coleção de Poesia Lusófona, e destaca a importância da cultura para unir os povos. O livro “Corações de Musgo” é uma obra bilingue, em português e espanhol. É um prémio luso-espanhol de poesia, com que a Associação Santiago Abadé Landero, Em Huelva, Espanha, promove a cultura luso-espanhola.

  • Morreu Nuno Júdice poeta relevante

    Morreu Nuno Júdice poeta relevante

    Nascido na Mexilhoeira Grande, concelho de Portimão, faleceu ontem, domingo 17 de Março o poeta, ensaísta, ficcionista e professor universitário, Nuno Júdice, destacado intelectual na Geração de 70 e um dos principais autores numa época de transição de poesia portuguesa.

    A sua morte foi lamentada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa que, para além da obra poética referiu trabalho de Nuno Júdice, por décadas e décadas em diferentes instituições, em contributo maior para a singularidade, o cosmopolitismo e a projeção da literatura portuguesa.

    Estreou-se na literatura em 1972 com a obra «A Noção de Poema» e, ao longo da carreira literária, foi distinguido com diversos prémios, entre os quais o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-americana, em 2013, o Prémio Pen Clube, o Prémio D. Dinis da Casa de Mateus. Recebeu tasmbé, o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, por «Meditação sobre Ruínas», e foi finalista do Prémio Europeu de Literatura.

    Foi professor associado da Universidade Nova de Lisboa, instituição onde se doutorou em 1989 com a tese «O espaço do conto no texto medieval».

    Nuno Júdice foi, até 2015, professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, desmpenhou o cargo de diretor da revista literária Tabacaria (1996-2009) e foi comissário para a área da Literatura da representação portuguesa na 49.ª Feira do Livro de Frankfurt. Desempenhou, ainda, funções como conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Paris (1997-2004) e foi diretor do Instituto Camões na capital francesa.

    Organizou a Semana Europeia da Poesia, no âmbito da «Lisboa’94 – Capital Europeia da Cultura», e dirigiu a Revista Colóquio-Letras, da Fundação Calouste Gulbenkian.

  • José Estêvão Cruz apresenta «Bochorno e Calmaria»

    José Estêvão Cruz apresenta «Bochorno e Calmaria»

    No âmbito das tertula transfronteirça «Poetas do Guadiana», de que é membro fundador, José Estêvão Cruz, apresenta, no próximo dia 15 de Dezembro, às 18:00 horas, na Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António, o livro de poesia BOCHORNO E CALMARIA.

    Trata-se do quarto livro de poemas do autor, que tem também editados três romances pela Editora Guadiana e outros três pela Viprensa – Jornal do Algarve.

    José Estevão Cruz nasceu a 20 de julho de 1947, em Vila Real de Santo António, estudou nas escolas secundária de Vila Real de Santo António e de Faro. Concluiu o Curso de Formação Bancária. Foi empregado bancário.

    Desde cedo se dedicou à escrita, mas apenas publicou o primeiro romance em 1996. Entretanto, foi jornalista, tendo sido premiado pela RTA e mérito pelo Governo.

    Foi também deputado pelo PCP na Assembleia da República e exerceu diversos cargos no município de Vila Real de Santo António, onde atualmente exerce o cargo de deputado municipal.

    É diretor deste diário FOZ – Guadiana Digital.

    OBRAS DO AUTOR:
    Livros de José Estêvão Cruz empilhados.
  • António Cabrita apresentou «Na Bordinha D’Água»

    António Cabrita apresentou «Na Bordinha D’Água»

    Na mesa, estiveram presentes, para além do autor, Assunção Constantino, da Biblioteca Municipal Vicente Campinas que conduziu a cerimónia, Álvaro Araújo, presidente da câmara municipal de Vila Real de Santo António, Luís Filipe Rodrigues, presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Cacela e José Estêvão Cruz, nosso diretor, que fez a recensão da obra.

    Durante a leitura, verificou-se que a poesia de António Cabrita ganha outra dimensão quando lida em voz alta e tal foi notado não apenas numa única leitura, mas em todos os participantes dos «Poetas do Guadiana» que fizeram a leitura.

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    Entre palavras, o violinista Ayamontino, Paco Barrera, tocou para a assistência trechos de música clássica.

    Leram poemas do livro «Na Bordinha DÁgua», António Machado, Áurea Nobe, Célia Segura, Clémen Esteban Lorenzo, Ema sequeira e José Carlos Barros,

    A análise ao livro

    Convidado pelo autor para fazer a apresentação do seu livro, José Estêvão Cruz disse:

    «Os poemas que compõem este livro de António Cabrita relatam as reflexões, inquietações, a rejeição, o apoio, as maneiras de que tem de ver e de ser e, ainda, as que a presença diária numa praia como a da Manta Rota, de areia fina e mar tranquilo, suscita em todos quantos conseguem ver para além dos grãos de areia e do marulhar das ondas, na imensidão do mar em frente, acrescentam reflexões, alegrias, angústias e criam a inquietação e a vontade de plasmar os sentimentos muito pessoais em forma de verso.

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    Autógrafos

    Este livro é todo ele António Cabrita na sua autenticidade, na sua personalidade impactante, na maneira de ser controversa, direta, sem filtro, com algum calão à mistura, que em toda a sua vida expôs onde esteve, inclusivamente nos areópagos da política.

    A capa do livro, só por si, mostra um quadro para além da beira de água que lhe dá nome, onde é possível, no mesmo enquadramento, avistar a mata vetusta e as duas cidades irmãs, Vila real de Santo António e Ayamonte, banhadas pelo Guadiana, o grande rio do Sul, as quais fizeram nascer no António e noutros poetas locais. nos quais me integro, a vontade de constituir um grupo que desse expressão e divulgação à nossa veia poética, afirmando e formando os «Poetas do Guadiana».

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    Sala cheia

    No grupo dos «Poetas do Guadiana», António Cabrita é um destacado membro, pela capacidade de coordenação e organização e, mais do que estas competências, na atividade da sua presença e participação em dezenas de eventos já realizados, contando com respeito e o carinho não apenas do que estamos na margem direita do Guadiana, mas também nos poetas participante da vizinha Ayamonte, cuja da vida cultural, em várias artes, faz parte da respiração da cidade. Atividade que tem também prolongado por vários lugares da província de Huelva.

    Os poemas, de cunho muito pessoal e por vezes com arguta dureza para os que considera adversários, própria da sua inegável e controversa maneira de pensar e da forte personalidade; própria das reflexões sobre a vida e o lugar que cada um nela ocupa,  os poemas, sublinho, não se livram da outra paixão do autor, a gastronomia, atividade que abraçou e ocupa agora o lugar, durante o interregno autoproposto, da sua atividade autárquica, onde desempenhou um papel decisivo para as posições da força política que ali representou, no plano local.

    O grupo Coração da Cidade fez as honras do ligeiro lanche, no final.

  • Encontro literário “Por um tempo de Paz 2023” em Huelva

    Encontro literário “Por um tempo de Paz 2023” em Huelva

    As «Conferências Literárias Por um tempo de Paz», encerraram em Huelva sob a consternação de um grave incêndio numa residência que tirou a vida a três jovens estudantes, encerrou ontem.

    «Três vidas que eram nossas. Agora a dor invade-nos a alma, cabe-nos talvez continuar a naturalizar a vida que eles cuidaram», lamenta o mentor Ramon Llanes.

    Acrescentou que a celebração destes encontros da Plataforma dos Poetas de Huelva pela Paz, por várias razões práticas; a necessária publicação do compromisso dos poetas pela Paz em momentos de tanto déficit dela; o elemento de coesão do grupo; a extensão dos valores humanos a esta realidade dinâmica que há quase oito anos suportamos com dignidade lírica.

    Também como ideal para a difusão dos conceitos de paz e poesia na sociedade de Huelva, como forma de mostrar as novas tendências literárias e culturais, a oportunidade de criar um fórum de debate sobre a Tarefa Perpétua da Paz, da Saúde e da Paz, da Paz na Mídia, da Voz das Crianças sobre a Paz, da Paz como Lei, da Gestão Emocional da Mulher no Público Função, da Gestão Cultural como Meio de Paz, da encenação do pensamento de alunos e professores no Dia Internacional da Paz Escolar, da voz dos atores a favor da Paz, da influência da música na Paz e vice-versa como bem como Paz na Fotografia.

    Foram 14 dias dedicados a estas filosofias, com cerca de 1.200 pessoas assistiram aos eventos. Os participantes foram presenteados com livros e poemas publicados. Livros e sonetos feitos de forma personalizada para as crianças com cadernos e recortes para as montagens.

    Os Poetas de Huelva pela Paz marcamos presença na imprensa, rádio e TV e principalmente nas redes sociais. Têm sido visitados por poetas de quase toda a província e também de Portugal e Sevilha, partilhando debates e poesia. Tem havido vários recitais de poesia, apresentação de livros, recitais de música e pré-formas e foi encenada e estreada uma peça de teatro. Foram partilhados, transmitidos e vividos muitos momentos de Paz.

    «E tudo isso com a magia do poeta; tudo estava no pensamento e um dia estalamos os dedos e a realidade fingida se realizou. Temos a magia de alguns deuses que sempre estiveram ao nosso lado de quem recebemos a melhor empatia e o mais humano dos agradecimentos»., comenta Ramon Llnaes e salienta os numerosos apoios recebidos pela iniciativa:

    Câmara Municipal de Huelva, Deputação Procincial de Huelva, Biblioteca Pública, Manuel A. Vázquez Medel, Casto Márquez Ronchel, Juan Chavez, Miguel Doña, María Ponce, Teresa Herrera, Yolanda Rubio, Pepa Jiménez , Mónica Rossi, Loli Bosque e Jaime de Vicente, às escolas Manuel Siurot, Pilar Martínez, Los Enebrales, Hispanidad, ao grupo de Teatro La Guaracha, Virginia e Gaspar, Alonso Pérez, Manuel Luque, Carlos Llanes e José Luis Pastor, Danieldoce, María Oliva, Quarteto de Violões de Huelva, Ana Vázquez e Carlos Camacho, Jesús Márquez, Javier Jiménez, Niebla, Versatiles, Onuba e Pábilo Editoriais, Livraria La Dama Culta, Marcos Toti, Juan Manuel Fernández, todos e cada um dos poetas. A esses seres do Departamento de Cultura com Daniel, Alberto, Ana, Daza, Fran, Lorca, Javier, José, os do Turismo, os técnicos de som, principalmente esse menino hoje Aarón e Noelia, a Assessoria de Imprensa, o pessoal do Arquivo : Luísa, Capelo, Paço; logicamente Gaby, nosso prefeito. E quantos eu esqueço.
    Enfim, a satisfação aumenta nossos sentimentos e estamos daqui para frente um pouco mais felizes por termos tornado a sociedade da velha Onuba um pouco melhor e mais culta.

    O caminho faz-se caminhando, citaçáo de Antonio Machado

  • Lutegarda de Caires é a nova memória da obra de António Horta Correia

    Lutegarda de Caires é a nova memória da obra de António Horta Correia

    O livro é editado pela ARANDIS e o V Volume da coleção que tem merecido um rigoroso e profundo levantamento documental de factos e personalidades que marcaram a vida do concelho de Vila Real de Santo António, coligidos pelo autor, também ele filho da terra.

    Na sua primeira divulgação da obra, a ARANDIS explica como, ao longo das 368 páginas que compõem a obra, António Horta Correia recorreu “a largas centenas de documentos para corrigir inúmeros lapsos e erros que têm sido publicados sobre esta distinta mulher algarvia, mas, mais do que isso, para trazer a lume o retrato mais fiel e completo de Luthgarda Guimarães de Caires, uma biografia inédita, que dignifica a biografada e o seu autor, ao mesmo tempo que cimenta mais um alicerce historiográfico indispensável para a história de Vila Real de Santo António, do Algarve, do feminismo e da luta pelos direitos das crianças, num tempo em que esses tempos eram tabus“.

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    dr. Horta Correia

    Lutegarda Guimarães de Caires, falecida em 1935, nasceu em 1858, sendo uma mulher importante no seu tempo, escritora, poeta e ativista pelos direitos das mulheres e das crianças.

    António Horta Correia, nasceu em Vila Real de Santo António em 1932, é Licenciado em Finanças e exerceu a sua atividade profissional em empresas do setor das conservas de peixe. Professor, Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Real de Santo António, vereador e presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António. Tem dedicado os últimos anos à investigação histórica local e à genealogia, tendo produzido um vasto conjunto de obras, que já constituem bibliografia obrigatória para quem se dedica à história daquele concelho e de todo o Algarve.

    Depois da publicação de «Sebastian Ramirez (1828-1900) Subsídio documental para uma biografia, (2008); «O Celebrado Mestre Cego de Campo Maior e Tavira (1649-1713), (2009); Os Mendonças das Alagoas – Ensaio Genealógico Luso-Brasileiro, (2011); «Os do Almendro», 2014; «Sebastião Vargas – Cavaleiro da Casa Real no Século XVI», 2016; em 2017 apresentou o primeiro volume da colecção «Memórias & Documentos», com documentos do seu arquivo familiar, relacionados com as personalidades José Fernandes Piloto, José Joaquim Capa e António José Piloto Capa.

    O segundo volume, editado em 2019, tem a transcrição de um vasto conjunto de documentos redigidos entre 1863 e 1909 por António dos Santos Machado, uma espécie de diário de acontecimentos ocorridos em Vila Real de Santo António nesse período, contendo milhares de informações históricas inéditas.

    O terceiro volume, apresentado em 2020, tem como personagens centrais os industriais Francisco Rodriguez Tenório, Juan Maestre Cumbrera e Sebastián Ramirez, grandes impulsionadores do desenvolvimento de Vila Real de Santo António.

    O quarto volume, tem como figuras centrais José Francisco Guimarães e José Ribeiro Alves Júnior, sendo provavelmente a obra com maior abrangência territorial, pela dimensão regional dessas personalidades.

    O autor, tem em preparação e já em fase de conclusão o VI volume desta colecção «Memórias & Documentos.

    A obra pode ser adquirida diretamente à Arandis Editora, através deste link