De acordo com os dados mais recentes da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e da Águas do Algarve, as seis principais barragens da região atingiram, esta semana, uma média de 83% da sua capacidade total.
O destaque vai para o Sotavento, onde as barragens de Odeleite (98%) e Beliche (83%) estão praticamente cheias. No Barlavento, a barragem de Odelouca, a maior da região, respira agora com 89% da sua capacidade, um contraste drástico face aos 33% registados no mesmo período do ano passado.
Albufeira
Enchimento (Jan 2026)
Estado
Odeleite
98%
Descargas controladas
Odelouca
89%
Nível de segurança
Funcho
85%
Nível elevado
Beliche
83%
Recuperação total
Arade
81%
Estável
Bravura
70%
Recuperação histórica
O fim da seca e a “Depressão Ingrid”
O cenário de “seca fraca” que ainda persistia no final de 2025 foi oficialmente dado como encerrado pelo IPMA. A subida dos níveis foi impulsionada por um dezembro onde a precipitação no Algarve e Baixo Alentejo duplicou os valores médios históricos.
Atualmente, a região está sob o efeito da Depressão Ingrid, que trouxe novos avisos amarelos e chuva persistente. Este fenómeno está a obrigar as autoridades a manter vigilância apertada e a realizar operações de libertação de água para garantir a segurança das infraestruturas.
Gestão cautelosa apesar da abundância
Apesar do otimismo, a APA mantém um tom de prudência. O presidente da entidade reforçou que, embora a situação conjuntural seja excelente, a gestão deve continuar a ser rigorosa, lembrando que o Algarve enfrenta ciclos de seca cíclicos e que a eficiência hídrica continua a ser a prioridade estratégica a longo prazo.
“É tempo de gerir bem e executar os projetos de resiliência, pois a água continuará a ser um recurso escasso no futuro.”
Alegam que essa recuperação servirá para «diminuir os impactos da seca e favorecer a biodiversidade»
A ribeira, também designada como rio Vascão, nasce na serra do Caldeirão, entre o Alentejo e o Algarve, desagua no rio Guadiana e está incluída no relatório Rivers2Restore.
Este relatório, já pela ANP/WWF, em associação com a WWF, inclui 11 projetos de recuperação de rios em Portugal, Áustria, Finlândia, Alemanha, Grécia, Itália, Letónia, Países Baixos, Roménia, Eslováquia e Espanha.
A intervenção que propõem proposta para estes rios europeus dizem que permite diminuir o impacto da seca, beneficiar as pessoas e a biodiversidade.
O modo sugerido é através de uma ação imediata desde a nascente até à foz para eliminar as barreiras existentes, restaurar os rios da Europa e ajudar a cumprir os objetivos de recuperação da natureza recentemente acordados pela União Europeia (UE). Segundo a coordenadora de água da associação, Maria João Costa, a bacia do Guadiana é uma das mais áridas e propensas à seca na Europa e alberga várias espécies ameaçadas cujos habitats precisam de ser recuperados.
Eliminar 17 barreiras
O projeto previsto para o rio Vascão prevê a eliminação de 17 barreiras fluviais consideradas obsoletas «ao longo da totalidade do seu trajeto», uma vez que a ausência de barreiras favorece o «funcionamento do ecossistema fluvial através do restauro da conectividade ecológica e aumento da disponibilidade de habitats».
Procuram melhorar as rotas migratórias dos peixes, e proporcionar habitats para outras espécies, como a lontra europeia, melhorando a qualidade e disponibilidade de água, fatores que, destacou, podem depois incentivar a criação de mais emprego e mais receitas de turismo.
A associação sublinhou que a execução dos 11 projetos propostos para Portugal, Áustria, Finlândia, Alemanha, Grécia, Itália, Letónia, Países Baixos, Roménia, Eslováquia e Espanha permitem alcançar os 2.200 quilómetros de rios restaurados e quase 10% do objetivo da Estratégia da UE para a Biodiversidade.
O ministro do Ambiente e da Ação Climática afirmou hoje, em Loulé, que o Governo pode vir a alterar a Lei da Água, não apenas para reforçar as suas decisões tomadas, mas para lhe permitir tomar outras no futuro.
Nesta ocasião, 89% do território está em situação de seca e 34% em seca severa e extrema, Alentejo e Algarve, o governante admitiu diferenciações tarifárias para grandes consumidores em sistema de gestão de recursos hídricos durante todo o ano.
Duarte Cordeiro limita aplicação das restrições a novos projetos agrícolas”.
A ANP indicou que os trabalhos de remoção do açude fluvial, na freguesia de Vaqueiros, concelho de Alcoutim, ação apontada como pioneira em Portugal, por estar impulsionada pela sociedade civil, ficou adiada para data a confirmar”.
O motivo do adiamento prende-se com a necessidade de a ANP|WWF dar resposta atempada a requisitos processuais que surgiram na última sexta-feira.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) considerou que o açude nunca desempenhou o propósito pretendido com a sua construção, tendo-o considerado obsoleto e identificado para remoção, no sentido de melhorar as condições de habitat de diversas espécies de peixes ameaçadas de extinção.
A remoção da barreira fluvial permitirá libertar cerca de oito quilómetros do curso da ribeira de Odeleite, na bacia do Rio Guadiana.
Situada no concelho de Castro Marim, a Foz de Odeleite é uma povoação algarvia onde existem estruturas de apoio aos barcos que fazem a navegação turística no rio. Ali começa a bela estrada marginal que serpenteia até encontrar Alcoutim.
Local de realização de piqueniques em várias ocasiões do ano. Do outro lado é margem esquerda, território da Espanha até à foz do Chança.