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Etiqueta: psicólogos

  • Psicólogos propõem literacia digital para proteger crianças nas redes sociais

    A Ordem dos Psicólogos Portugueses defendeu no Parlamento que a proteção de crianças nas redes sociais deve incluir literacia digital e competências socioemocionais.

    A bastonária Sofia Ramalho apresentou o parecer na quarta-feira na Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias.

    A intervenção aconteceu no âmbito da discussão do Projeto de Lei n.º 398/XVII/1.ª e centrou-se na necessidade de complementar medidas restritivas com formação em autorregulação emocional, pensamento crítico e gestão da privacidade online.

    Sofia Ramalho considerou que as medidas propostas no projeto de lei são adequadas por faixas etárias: até aos 13 anos as crianças não devem decidir sozinhas, entre os 13 e os 16 anos a família deve funcionar como mediador, e após os 16 anos medidas restritivas podem não ser cumpridas.

    As medidas restritivas devem, em algumas matérias, ser o último recurso e apenas ser utilizadas quando as outras não funcionam”, afirmou a bastonária.

    A Ordem dos Psicólogos destaca no parecer que os efeitos do uso de tecnologias digitais variam conforme fatores individuais e contextuais, baseando-se em evidência científica que aponta para uma realidade complexa.

    A proposta inclui capacitar famílias para desenvolverem competências de parentalidade digital, equilibrando privacidade, autonomia e supervisão parental. Sofia Ramalho defendeu também responsabilizar as plataformas digitais através da regulação do design funcional.

    Renato Gomes Carvalho, membro da direção da OPP, comparou as redes sociais a outros produtos aditivos, argumentando que quando o problema afeta milhões de pessoas, a comunidade deve tomar decisões coletivas.

    A bastonária apelou ainda ao investimento em investigação científica de larga escala e estudos longitudinais para avaliar o impacto das medidas, considerando necessários dados mais sistemáticos para tirar conclusões sobre as políticas implementadas.

  • Psicólogos ajudam: OPP, DGS e ANEPC Lançam Guia Essencial para a Recuperação Emocional Pós-Inundações

    Psicólogos ajudam: OPP, DGS e ANEPC Lançam Guia Essencial para a Recuperação Emocional Pós-Inundações

    Psicólogos ajudam

    A recuperação após desastres naturais como tempestades e inundações vai muito além da reparação de danos materiais. As marcas emocionais podem ser profundas e exigem atenção especializada.

    Reconhecendo esta necessidade urgente, a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) acaba de lançar, em conjunto com a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), um guia prático destinado à população: “Como Recuperar Emocionalmente de Situações de Tempestade e Inundações?”.

    O documento, lançado em Lisboa a 5 de fevereiro de 2025, visa apoiar os cidadãos na gestão das reações psicológicas que surgem após o período de maior ameaça. É natural sentir medo do futuro, entrar em choque e sentir-se incapaz de reagir. A tristeza e a raiva perante a destruição dos pertences e a sensação de injustiça são manifestações comuns e válidas.

    Embora a urgência de reparar o que foi danificado seja compreensível, o guia adverte para os riscos de tomar decisões apressadas que possam colocar a segurança em perigo — como subir a telhados instáveis ou mexer em sistemas elétricos danificados. A primeira prioridade deve ser sempre proteger a vida, tanto a própria como a dos outros. Só depois virá o tempo de reconstruir.

    Um dos pontos-chave sublinhados pela OPP é que “cada pessoa reage à sua maneira e ao seu ritmo – não há o certo e o errado”. As reações intensas são uma parte natural da resposta a estas catástrofes. Para que estas emoções diminuam, é preferível aceitá-las e expressá-las, em vez de as ignorar ou evitar.

    O guia oferece recomendações práticas para adultos. É fundamental falar sobre o que se sente, mesmo que não seja fácil, ou simplesmente aceitar o conforto do silêncio ao lado de alguém de confiança. Deve-se resistir à tentação de querer resolver todos os problemas de uma só vez, focando-se em pequenas tarefas de menor risco, para evitar acidentes.

    Outra recomendação essencial é a gestão do consumo de notícias. Embora seja importante manter-se informado através de fontes oficiais, a exposição constante a imagens de destruição e sofrimento pode aumentar a ansiedade e o sofrimento. Reduzir a visualização de notícias e (re)estabelecer comportamentos de autocuidado (rotinas, atividades relaxantes) permite recuperar alguma normalidade e a perceção de controlo.

    No que toca às crianças e jovens, os cuidados exigem uma abordagem específica. Após as inundações, os perigos físicos (detritos, cabos, lama) continuam, exigindo vigilância acrescida. Os pais e cuidadores devem estar física e emocionalmente disponíveis, oferecendo colo ou tempo em família.

    É crucial validar os sentimentos dos mais novos. Os adultos devem incentivar a expressão emocional e assegurar que o que sentem é natural e compreensível, evitando respostas que desvalorizem a sua experiência, como “não te preocupes” ou “já viste a sorte que tens?”. Além disso, ajudar as crianças a organizarem a “história” do que aconteceu (respondendo a dúvidas) e manter rotinas habituais ajuda a restaurar a previsibilidade e a sensação de segurança.

    A recuperação emocional tem um ritmo individual, que pode ser mais rápido ou mais demorado. Se não estiver bem, ou se identificar sinais de alerta em si ou nos outros, o conselho é inequívoco: peça ajuda. Os cidadãos que sintam necessidade de apoio psicológico podem ligar para o Serviço de Aconselhamento Psicológico SNS24, através do número 808 24 24 24, ou consultar os recursos disponibilizados pela OPP em encontreumasaida.pt.