A 13.ª edição do evento de aventura “Nosso Dakar” teve o seu arranque hoje, sexta-feira, dia 9 de janeiro, no pitoresco local do Pomarão, concelho de Mértola. Organizado pela Longitude 009, este ano o rali celebra um marco duplo de grande relevância para a história dos desportos motorizados nacionais.
Para além de assinalar a sua 13.ª edição, o “Nosso Dakar” homenageia os 20 anos da partida do primeiro rali Lisboa–Dakar. Com o arranque dado em pleno Baixo Alentejo, este evento assume, assim, um simbolismo acrescido, ligando a atual aventura à memória do percurso histórico que colocou Portugal no mapa dos grandes ralis mundiais.
O evento, que junta pilotos e aventureiros de várias gerações, é encarado pela organização como muito mais do que um desafio motorizado. Trata-se de um ponto de encontro alicerçado nos valores da famosa prova africana.
Segundo a Longitude 009, o evento “é mais do que uma aventura, é um ponto de encontro de gerações de pilotos e aventureiros, unidos pela superação, pela amizade e pela liberdade que sempre definiram o Dakar”.
Os participantes iniciaram a sua jornada no Pomarão, para três dias intensos de navegação e grandes vistas, percorrendo paisagens vastas e desafiantes. A rota desenrola-se pelas serras e planícies que ligam o Alentejo ao Algarve, solidificando a região de Mértola como o ponto de partida ideal para a aventura no sul do país.
A câmara municipal de Mértola divulgou a sua perspetiva atual, o ponto de situação, sobre a «Tomada de água do Pomarão», no âmbito do protocolo celebrado entre o município e as Águas do Algarve.
«É importante recordar que a Câmara Municipal de Mértola, lamentavelmente, não foi envolvida no projeto ‘Tomada de água no Pomarão’ e das suas implicações desde o início», lembra a autarquia que se queixa também da «ausência de informações prévias sobre um projeto de tal envergadura, que impacta diretamente a vida das comunidades locais, gerou grande preocupação e mobilização por parte do município».
Perante este cenário, a autarquia diz ter estabelecido estabeleceu três premissas fundamentais: «o acesso equitativo à água potável em condições dignas e justas, eliminando as desigualdades existentes para com a Freguesia de Espirito Santo; revisão da localização da torre de captação; e melhoria das condições de navegabilidade do Rio Guadiana, algo tão necessário para a promoção ambiental e recuperação do ecossistema do Rio Guadiana».
Releva que, com a assinatura deste protocolo, a Câmara Municipal de Mértola «alcança uma vitória significativa, garantindo o acesso à água potável para as localidades de Mesquita e Espírito Santo e abrindo caminho para o abastecimento de outras localidades e para a resolução das outras duas questões».
Em relação à relocalização, por agora, considera a câmara municipal «ficou salvaguardada uma avaliação cuidada que minimize os impactos ambientais, sociais e urbanísticos desta infraestrutura, em relação à navegabilidade foi possível inscrever verbas a rondar os 3 Milhões € para o efeito na reprogramação do PRR, havendo a possibilidade de atingir os 10 Milhões numa futura fase», como foi transmitido pela Sra. Ministra do Ambiente e Energia durante a inauguração do Pavilhão da Água – Exposição Ambiental em Faro.
Observa que a ministra Maria da Graça Carvalho, presente na cerimónia, destacou a importância deste acordo para garantir «soluções definitivas de acesso à água para consumo humano às populações e a necessidade da recuperação das Margens do Guadiana com o objetivo de ‘renaturalizar o Rio’».
A assinatura do documento contou com a presença do Conselho de Administração das Águas do Alentejo, da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, do Presidente da CCDR Algarve, José Apolinário, do Presidente da Câmara de Faro, Rogério Bacalhau, da ARH Algarve, do Presidente da Junta de Freguesia do Espírito Santo, Luís Caetano, entre outras personalidades.
Assinala um «marco importante para estas localidades que há anos se debatiam com a escassez de acesso à água potável. Graças a este acordo, as populações da Freguesia do Espírito Santo, que até agora dependiam de soluções precárias como furos artesianos e autotanques, terão finalmente acesso a um sistema de abastecimento de água público, eficiente e seguro».
Mário Tomé, Presidente da Câmara Municipal de Mértola, mostrou a sua satisfação com este momento crucial para o concelho, afirmando ser este «um dia histórico para Mértola. Fruto destas negociações estamos a dar um passo decisivo para garantir a qualidade de vida das nossas populações e o desenvolvimento do nosso concelho. Conseguimos solucionar um problema com décadas, conferindo dignidade às populações da Freguesia do Espirito Santo e com uma perspetiva real de solução para a navegabilidade do Rio Guadiana até Mértola!»
Noutro âmbito, mas relacionado com a mesma temática, o presidente Mário Tomé, aproveitou a ocasião para entregar à Ministra Maria da Graça Carvalho os contributos do Município de Mértola para a revisão Plano Nacional da Água 2025-2035, transmitindo-lhe também o seu agradecimento público pelo empenho na resolução dos problemas do Concelho de Mértola.
Esta iniciativa surge em resposta à aprovação condicionada do projeto pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que autorizou a transferência de água com restrições específicas, como a captação apenas entre outubro e abril, limitada a 30 hectómetros cúbicos anuais, para salvaguardar o caudal ecológico do rio.
A “Amigos da Formôa”, escreve o Observador, expressa preocupações significativas quanto aos potenciais impactos ambientais e sociais do projeto, incluindo a possível salinização do estuário do Guadiana e efeitos adversos nas comunidades locais.
Estas preocupações são partilhadas por outras organizações, como a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, que contesta o projeto, argumentando que o aumento da oferta de água não deve servir consumos insustentáveis.
De acordo com o Jornal do Algarve o projeto de transvase, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência com um investimento superior a 61 milhões de euros, visa reforçar a disponibilidade hídrica no Algarve, região frequentemente afetada por escassez de água.
No entanto, enfrenta oposição de várias entidades que alertam para os riscos ambientais e questionam a sua sustentabilidade a longo prazo.
A ação judicial da “Amigos da Formôa” reflete a crescente preocupação da sociedade civil em relação à gestão dos recursos hídricos e à necessidade de equilibrar o desenvolvimento regional com a preservação ambiental.
O desfecho deste processo poderá estabelecer precedentes importantes para futuros projetos de captação e transferência de água em Portugal.
A câmara municipal de Mértola emitiu um convite à população dirigido aos habitantes de Mesquita, Pomarão e Formoa, participarem numa reunião no próximo dia 10 de agosto às 10:00 horas.
A reunião terá lugar no Centro Interpretativo do Pomarão, sendo objetivo, segundo informa a câmara municipal no convite, esclarecer sobre o Reforço do Abastecimento de Água ao Algarve e a apresentação e discussão do Projeto de Saneamento do Pomarão.
Para além destes pontos a câmara municipal está aberta à discussão de outros assuntos que se entendam por necessidade.
A associação ambientalista ZERO, referindo-se à captação no Pomarão, considera que o aumento da oferta de água não pode ter por destino consumos insustentáveis.
Já chegou ao fim no dia 29 de abril, o período de consulta pública ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do projeto de Reforço do Abastecimento de Água ao Algarve a partir da Solução de Tomada de Água no Pomarão.
Esta captação superficial na zona estuarina do rio Guadiana, fica localizada a montante do Pomarão.
Terá uma conduta adutora até à albufeira de Odeleite, percorrendo os concelhos de Mértola, Alcoutim e Castro Marim, numa extensão total de condutas que varia entre 37 e 41 quilómetros, em função da alternativa de traçado.
O contributo desta captação deverá ser, em média, de 16 a 21 hm3 de água, através de um regime de exploração da captação durante sete meses por ano, entre outubro e abril.
O bombeamento pode parar nos meses excecionalmente secos e quando, em acumulado, desde o início do ano hidrológico, for atingido um total anual de 30 hm3 ou for atingida a capacidade de armazenamento útil do sistema Odeleite-Beliche (164 hm3).
A captação de água no Pomarão é uma das medidas definidas no Plano Regional de Eficiência Hídrica do Algarve para a qual estão previstos 61,5 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) 2021-2026.
A Zero considera o preconizado na Diretiva Quadro da Água relativamente à necessidade de implementação de estratégias capazes de tornar os usos e consumos de água mais sustentáveis.
Afirma que se prossegue ‘numa lógica de aumento da captação e retenção de um recurso escasso para fazer face a consumos insustentáveis através de projetos que fomentam um aumento da procura por esse mesmo recurso‘.
Analisando a natureza do projeto, a associação critica a ‘lógica de pensamento e de atuação ao intervir diretamente sobre as massas de água para captação de caudais adicionais destinados a aumentar a retenção e ou o armazenamento de água, não só com o objetivo de garantir que não falta água às populações’
Porém, ao mesmo tempo, ‘pretende garantir que a agricultura praticada na região continua a dispor dos caudais necessários para manter ou, até mesmo aumentar, os seus níveis de consumo e desperdício’.
Este ano há a promessa de surpreender os visitantes com uma programação repleta de atividades, gastronomia irresistível e concertos imperdíveis.
O Festival te por objetivo de celebrar a rica tradição piscatória da região e promover a cultura local, realizando-se nos próximos dias 23 e 24 de março com a apresentação de uma variedade de atrações para todas as idades.
Os visitantes terão a oportunidade de desfrutar de demonstrações gastronómicas, nas quais Chefs locais vão apresentar «pratos deliciosos, destacando os sabores autênticos do peixe do rio».
Uma eclética seleção de artistas musicais animará o festival com performances ao vivo, abrangendo uma variedade de estilos que vão desde o rancho folclórico ao cante alentejano, com destaque principal para o concerto de Ana Moura, na noite de dia 23 de março, acompanhado do esplendoroso fogo-de-artifício sobre o Rio Guadiana.
Exposições e demonstrações por artesãos locais, transportam os visitantes sobre a rica história e tradições da região, proporcionando uma experiência enriquecedora e educativa.
Há também. atividades ao ar livre que envolvem pesca desportiva, passeios de motorizadas e caminhadas guiadas pela natureza oferecerão para que os participantes tenham «a oportunidade de explorar a deslumbrante paisagem local».
Por sua vez, os produtores locais desdobram-se numa panóplia de iguarias da região, nomeadamente os famosos enchidos de porco preto, os queijos artesanais, doces regionais, o pão de Mértola galardoado todos os anos como o melhor do país, mel e vinhos de Mértola
O jornal Huelva Información, refletindo a opinião local, noticiou com destaque a notícia e, embora referisse que se tratava de uma descarga ecológica, não deixou de indiretamente assinalar que tinha sido uma perda, dois anos consecutivos, o despejar «uns 300 metros cúbicos por segundo, entre os dias 27 e 29 de fevereiro».
Entretanto, chegou à imediações da Aldeia da Mesquita uma máquina de sondagens que se julga estar relacionada com a captação de água no rio Guadiana, perto do antigo porto mineiro do Pomarão.
Na margem espanhola, onde existe uma captação das águas da barragem do Chança, para abastecimento dos campos de Huelva, as organizações agrárias daquela província andaluza, após encontro com o secretário de Estado do Meio Ambiente, no Governo de Pedro Sanchez, obtiveram o compromisso para que sejam resolvidas as captações de «Bocachanza», para poderem assegurar os 75 hm3 procedentes do Guadiana, previstos no Plano Hidrológico, ainda antes de 15 de abril.
Na nota de imprensa, divulgada ontem, quarta-feira, referiram-se a decisões da ANP WWF Portugal e WWF, sobre o aumento do acesso às aguas do rio Guadiana e recordaram que a bombagem de água de Boca-Chança , em épocas de seca e escassez de chuvas, em Huelva e na regiãio transfronteiriça Alentejo-Algarve, espera legitimação desde 1985. Lembram a bombagem de 75 hm3/ano durante a seca de 1991-1995 que «solucionaram a escassez de água para consumo humano e para a indústri a agricultura de Huelva».
Nestas reinvidicações referem-se à vontade de Portugal também efectuar bombagens das águas do rio para consumo humano, como o faz Espanha desde o ano de 1979 em Boca-Chança, no estuário do afluente do Guadiana, junto à localidade portuguesa do Pomarão.
Estas novas reinvidicações espanholas estão a ser alimentadas pelas recentes possibilidades levantadas pelo Governo portguguês de utilizar águas doGuadiana a partir de semalhante origem para «aumentar a oferta de recursos hídricos no Sotavento do Algarve com um transvase para a barragem de Odeleite para usos urbanos, de turismo e agrícola».
«Não se trata de repor água únicamente por seca, como, com ignorância da realidade nesta região transfronteriça de España e Portugal, se continua a insistir, por aqueles que não têm em conta os objetivos dos acordo hispano-lusos em matéria de agua nos rios internacionais anteriores ao ano 2000, nos que fica claro que se trata de atender também às situações de escassez na região transfronteriça”, aponta a Corehu.
João Matos Fernandes, no alto de paredão da barragem, avistando a albufeira recarregada por dois meses de chuva para os próximos dois anos, declarou aos jornalistas que «a dessalinização é de facto mui to importante, mais ainda quando ela vai ser financiada a 100%» e quando o PRR vai pagar todo este investimento a 100%».
O ministro do Ambiente e da Ação Climática, afirmou que os portugueses não podem perder uma oportunidade destas – fundos dos planos de resiliência – para o Algarve, e ter um projeto, que considerou pioneiro no continente.
João Pedro Matos Fernandes apresentou três projetos para melhorar a eficiência hídrica na região, num investimento conjunto de cerca de cinco milhões de euros, entre os quais se encontra a criação de um sistema para a captação de água em profundidade na albufeira de Odeleite, que vai permitir a retirada de mais 15 milhões de metros cúbicos daquela barragem, com um investimento de 1,5 milhões de euros.
Os outros projetos destinam-se a bombar águas residuais, tratadas para rega em dois campos de golfe de Castro Marim, a partir da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Vila Real de Santo António, um investimento de 1,5 milhões de euros, e para secagem de lamas na mesma ETAR, com um valor de 2,2 milhões de euros.
O governante frisou a necessidade de uma nova origem uma nova origem de água, presumivelmente no Pomarão, isto é, no Guadiana, a jusante da albufeira de Alqueva, para, em casos de necessidade, poder abastecer a barragem de Odeleite, projetos que permitirão aumentar a “resiliência” da região.
Após a cerimónia junto à barragem de Odeleite, o ministro do Ambiente seguiu para outras zonas do Algarve, onde participou nas inaugurações das estações elevatórias do mercado de Olhão, do Ferragial, em Faro, e do novo edifício da Flotação da Estação de Tratamento de Águas de Alcantarilha.