Em breve será aberta o trânsito a circular de Olhão, uma via que está a ser criticada pelos residentes como mal desenhada, mas que vai retirar tráfego da cidade.
A maior crítica reside no fato de dificultar o tráfego pedonal entre o Pechão a Olhão, por falta de passeios, passagens para peões, ou ciclovias.
«Um muro que se atravessa entre duas partes do concelho, no século XXI», diz o senhpr Adelino Canário no deu mural do Facebook, acrescentando: «Até para ir levar o lixo terei que ir pelo meio da rotunda! E não vou mencionar a vida selvagem que também não tem a vida facilitada».
O foco da Infraestruturas de Portugal (IP) e da autarquia foi, quase exclusivamente, a resolução de um «nó de trânsito». Olhão era, até agora, o grande estrangulamento da EN125 no Algarve.
A prioridade foi tirar os milhares de veículos diários da frente ribeirinha e da avenida principal, empurrando-os para a periferia o mais rápido possível.
O “Custo” do Desvio de Tráfego
Ao focar-se apenas na fluidez dos motores, o projeto ignorou o que o urbanismo moderno chama de Permeabilidade Urbana, metendo a “Via Rápida” dentro de casa: Ao desenharem a variante como uma estrada de fluxo rápido, criaram uma barreira física que “corta” as veias de comunicação tradicionais entre as freguesias do interior (Pechão e Quelfes) e o centro da cidade.
A ligação a Pechão foi trataada como uma simples interseção rodoviária, quando, na verdade, é um percurso quotidiano de pessoas. Ao não preverem passeios ou passagens pedonais seguras, o projeto diz implicitamente ao cidadão que só lá vai a motor.
Olhão quer afirmar-se como uma cidade moderna, virada para o turismo sustentável e para a Ria Formosa, mas constrói-se infraestrutura que obriga à dependência do automóvel até para as tarefas mais básicas, como ir ao lixo ou visitar um vizinho do outro lado da estrada.
A Justeza da Indignação
É claro que poucos colocam em causa a necessidade de retirar o trânsito pesado do centro, mas requer-se uma forma mais acertiva que aquela que se vai conseguir para ter em consideração as necessidades da população local.
A variante, indubitavelmente ajudará a resolver um problema de ontem, o trânsito na EN125, mas cria um problema para o amanhã, o de ter uma cidade dividida por um muro de asfalto, onde a mobilidade suave foi sacrificada no altar da rapidez rodoviária.