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  • Carta para a União Europeia em defesa do lobo

    Carta para a União Europeia em defesa do lobo

    Na carta lembra-se que não existem evidências científicas para apoiar uma mudança que poderá ter impactos devastadores, e, por isto mesmo se considera a proposta da Comissão Europeia inaceitável.

    Que a desproteção do lobo em nada resolveria os problemas socioeconómicos que afetam a agricultura e as comunidades rurais. O argumento da Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, é considerado como promotor da desinformação.

    E explica «Nós, humanos, fazemos parte do ecossistema que partilhamos com outras espécies que desempenham papéis ecológicos cruciais. A forma como gerimos a proteção de espécies como o lobo mostra o nosso empenho na preservação da biodiversidade europeia e reflete a nossa atitude em relação ao ambiente em que vivemos. Podemos decidir se queremos que a natureza na Europa prospere ou apenas sobreviva».

    Defende que a «coexistência entre as pessoas e os grandes carnívoros é possível e provada por mais de 80 projetos de investigação e conservação desde 1992, e os Estados-Membros da UE têm de saber e querer usar as ferramentas de conservação ao seu dispor».

    É citada a Lei de Proteção do Lobo-ibérico que protege esta espécie em Portugal desde 1988, e defende-se que os esforços de conservação atrelados às medidas de promoção da coexistência tornaram possível a convivência harmônica entre as pessoas e o lobo.

    A carta apela ao Governo português que continue a fazer ouvir a sua voz junto da Comissão Europeia e mantenha a posição manifestada no início de 2023 de oposição à redução do estatuto de proteção do lobo.

    Pede, ainda que, enquanto Estado-membro da UE, Portugal deva rejeitar esta proposta. «Esse é o meu apelo – e espero que seja ouvido», apela a pessoa signatária, que remata: «A menos que haja novas provas científicas substanciais recolhidas pelos serviços da Comissão Europeia, considero que a ciência e a opinião pública são claras: a alteração do estatuto de proteção do lobo – quer ao abrigo da legislação da UE, quer da Convenção de Berna – não se justifica».

    O Lobo não é mau!

    Já a WWF considera que a proposta de Ursula van der Lyen poderá ter impactos devastadores e é a «última de uma série de tentativas nos últimos anos para diminuir o estatuto de proteção legal para grandes carnívoros, especialmente lobos».
    Aquela organização aposta mais em alcançar a coexistência e garantir que os agricultores sejam compensados pelas suas perdas, esperando que não sejam sacrificadas décadas de trabalho de conservação simplesmente para obter ganhos políticos.

    A WWF é de opinião que «desproteger o lobo em nada resolve os problemas socioeconómicos que afetam a agricultura e as comunidades rurais, ao contrário do que Ursula von der Leyen pretende insinuar. A coexistência entre humanos e grandes carnívoros é possível!»

    Releva que o ministro do Ambiente e Ação Climática de Portugal, Duarte Cordeiro, já manifestou no início de 2023 sua discordância à diminuição do estatuto de proteção do lobo por meio de carta endereçada à Comissão Europeia com mais 11 ministros europeus. Precisamos que Portugal mantenha esta posição!
    Também apela aos Estados-Membros da UE para que rejeitem esta proposta.

  • Os grandes predadores são essenciais aos ecosistemas

    Os grandes predadores são essenciais aos ecosistemas

    Devido ao medo, o gado herbívoro e as criaturas marinhas que pastam nos fundos não se detêm no mesmo local e esta atitude é essencial para o equilíbrio dos eco sistemas.

    A crise dos grandes predadores tem a ver não apenas com fatores humanos como a pesca excessiva para abastecer as cadeias alimentares ou o abate contra os predadores que prejudicam o pastoreio ou a agricultura e a caça, mas também com o impacto das alterações climáticas que está a ameaçar cada ver mais a biodiversidade, fruto do aquecimento das águas marinhas, da morte e desaparecimento de indivíduos e espécies, da redução do oxigénio dissolvido, da poluição e do aumento da acidez.

    Na revista «Science», os investigadores explicaram que a transformação da composição das comunidades marinhas se deve à redução do tamanho de indivíduos da mesma espécie, bem como ao facto de as espécies maiores estarem a perder ‘terreno’ para as mais pequenas.

    Por enquanto, apesar de as comunidades de peixes poderem estar a ser dominadas por indivíduos mais pequenos, os cientistas dizem que a biomassa, isto é, a quantidade total de organismos numa dada área, permanece constante. Como tal, argumentam que isso corrobora a ideia de que os ecossistemas tendem a compensar as mudanças na composição das comunidades mantendo a mesma biomassa e, assim, a estabilidade dos habitats.

    Contudo têm a convicção que os impactos desta tendência de redução do tamanho dos peixes podem ser nefastos e afetar todo o planeta.

    Entretanto existem, por parte da Comissão Europeia, para para rever o estatuto de conservação do lobo na Europa, debate que dividiu o Parlamento Europeu, em Estrasburgo., já que os deputados do Partido Popular Europeu, centro-direita, afirmaram que a revisão do estatuto é necessária para proteger a subsistência dos agricultores das regiões montanhosas, cujo gado está a ser dizimado pelas matilhas de lobos.

    O eurodeputado italiano Herbert Dorfmann, porta-voz daquele partido para a área da agricultura, estima a existência de cerca de 20 mil lobos na União Europeia (UE) e afirma que população está a aumentar, tal como o conflito dos agricultores com o predador, porque, observa ele, o lobo está mais protegido.

    Porém, as organizações não-governamentais (ONG) tais como o Fundo Mundial para a Natureza e o Gabinete Europeu do Ambiente (EEB) manifestaram a sua preocupação com o classificam de informação enganosa por parte da Comissão Europeia sobre o perigo do lobo, assegurando que o seu regresso à Europa é uma vitória para a biodiversidade.

    Acrescentam as ONG, numa carta aberta a von der Leyen, que as provas científicas demonstraram que os lobos não tratam os seres humanos como presas e que os encontros fatais são excecionais, afirmam .  Dizem também que os danos causados ao gado estão frequentemente relacionados com a falta de supervisão adequada e de proteção física.