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  • Especial: O “Braço de Ferro” Solar em Portugal – Do Litoral Alentejano à Beira Baixa

    Especial: O “Braço de Ferro” Solar em Portugal – Do Litoral Alentejano à Beira Baixa

    Quercus Castelo Branco e o Movimento Cívico Gardunha Sul promoveram uma concentração à porta da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa para contestar a construção da central solar fotovoltaica Sophia, projeto da Lightsource BP avaliado em cerca de 600 milhões de euros e previsto para os concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha‑a‑Nova.

    Os ambientalistas alertam para o abate de cerca de 1.500 azinheiras e sobreiros e para a ocupação de mais de 400 hectares, denunciando riscos de perda de biodiversidade, agravamento do aquecimento local e destruição de recursos naturais que consideram a base da economia regional.lightsourcebp+3[youtube]​

    Durante a iniciativa, autarcas da Comunidade Intermunicipal afirmaram não existir ainda uma posição vinculativa comum dos oito municípios, defendendo que cada caso deve ser analisado com as populações, investidores e poder central, salvaguardando o interesse do território e a identidade dos concelhos.

    A presidente da delegação de Castelo Branco da Quercus, Graça Passos, argumentou que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável, citando alertas da Agência Europeia do Ambiente, e defendeu uma redução do consumo de energia, um verdadeiro ordenamento do território e maior transparência na consulta pública conduzida pela APA, que considera pouco acessível e pouco democrática.[youtube]​rtp+1

    Graça Passos sublinhou ainda impactos sociais “gravíssimos” caso a central avance, por considerar que o projeto responde sobretudo à lógica de lucro e não às necessidades reais das populações, colocando em causa a economia local, a segurança alimentar e o futuro das gerações mais novas.

    Referiu sinais de rutura no sistema, como a degradação dos rios, o aumento da temperatura da água e o corte contínuo de árvores, defendendo a necessidade de solidariedade intergeracional e de uma sociedade civil forte, capaz de apoiar os políticos em decisões difíceis.[diariodigitalcastelobranco]​[youtube]​

    Os movimentos acusam ainda o processo de consulta pública de falta de transparência, devido à dificuldade de acesso e leitura dos documentos, e reclamam um levantamento claro das zonas onde podem ser instaladas centrais solares, bem como estudos independentes sobre os impactos totais do projeto Sophia.

    Apesar de a central prometer uma das maiores capacidades fotovoltaicas do país, com 867 MWp de potência instalada e energia suficiente para centenas de milhares de habitações, os contestatários insistem que a transição energética não pode ser feita à custa da destruição de ecossistemas vitais da Beira Baixa.jornaleconomico.sapo+3[youtube]​

    O mapa da energia solar em Portugal está a ser redesenhado, não pelos engenheiros, mas pelas autoridades ambientais e pela pressão cívica. O que começou como uma corrida acelerada ao licenciamento de megaprojetos transformou-se num complexo processo de negociação onde a viabilidade ambiental se tornou o filtro final.

    Vídeo de Beira Baixa TV

    1. O Ponto de Situação: Sul vs. Centro

    Embora geograficamente distantes, os projetos Sofia (Santiago do Cacém) e Sophia (Beira Baixa) partilham mais do que o nome: ambos personificam o dilema entre a descarbonização e a conservação da biodiversidade.

    No Sul (Santiago do Cacém):

    O projeto original enfrentou uma contestação judicial sem precedentes. Embora a APA tenha inicialmente defendido a viabilidade sob condições estritas, o peso do abate florestal (inicialmente previsto em mais de 1 milhão de árvores) e a oposição do Ministério Público forçaram uma reavaliação dos limites de ocupação do solo.

    No Centro (Beira Baixa):

    O cenário é de “pausa técnica”. O projeto Beira recebeu um parecer desfavorável no final de 2025, enquanto o gigante Sophia (867 MWp) está atualmente a ser reformulado. A APA deu aos promotores um prazo de 180 dias para redesenhar as propostas, após identificar impactos negativos severos em habitats protegidos.

    2. A Muralha da Resistência: Populações e Autarquias

    A resistência já não é apenas de grupos ambientalistas isolados, mas de estruturas institucionais:

    Comunidades Intermunicipais (CIM):

    A CIM da Beira Baixa emitiu pareceres negativos, alegando que estes projetos “estrangulam” o desenvolvimento turístico e agrícola.

    Movimentos Cívicos:

    A consulta pública do projeto Sophia bateu recordes em Portugal com mais de 10.000 participações, demonstrando um nível de vigilância cidadã nunca antes visto no setor energético.

    Geoparks e Património:

    A proximidade ao Geopark Naturtejo e ao Parque Natural do Tejo Internacional tem sido o principal argumento técnico para travar as centrais na região Centro.

    O Que Ainda Pode Ser Autorizado?

    A APA e a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) estão a mudar o paradigma do “chumbo total” para a “autorização condicionada”. O que tem hipótese de avançar em 2026 segue estas regras:

    Critério de ViabilidadeDescrição
    HibridizaçãoProjetos que aproveitam infraestruturas já existentes (ex: parques eólicos ou barragens).
    Áreas DegradadasPrioridade total a terrenos industriais, minas desativadas ou solos sem valor ecológico.
    Preservação de AutóctonesGarantia de 100% de manutenção de sobreiros e azinheiras (a linha vermelha da APA).
    Partilha de BenefíciosProjetos que incluam comunidades de energia locais ou redução direta na fatura das populações vizinhas.
    Reportagem elaborada por Redacção GEM-DIGI e apoio de Perplexity IA

  • Portugal aumenta procura por minerais críticos

    Pedidos de exploração de lítio

    Portugal está a assistir a um aumento significativo nos pedidos de prospeção e exploração de matérias-primas críticas, com 63 candidaturas ativas atualmente em análise pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG).

    Dessas, dez visam especificamente o lítio, um componente crucial para baterias e para a transição energética.

    Este aumento sublinha o papel crescente de Portugal na estratégia da União Europeia para garantir recursos essenciais.

    A procura crescente destaca o potencial do país para se tornar um fornecedor chave destes materiais vitais, equilibrando a oportunidade económica com as considerações ambientais.

  • Lítio em abundância descoberto nos EUA

    Lítio em abundância descoberto nos EUA

    Uma descoberta do Serviço Geológico dos EUA (USGS) destacou o potencial de lítio nas salmouras da Formação Smackover, uma grande unidade geológica que se estende por várias regiões do sul dos EUA, lê-se no Executive Digest.

    De acordo com realizado com o uso de tecnologia de inteligência artificial, a quantidade dissolvida nas salmouras da formação, um recurso até agora desconhecido, pode ter grandes implicações para a produção interna e a transição para uma economia de energia limpa, dos Estados Unidos da América, segundo revela o elEconomista.

    Leia mais em AQUI

  • Governo autoriza a busca por lítio em terrenos privados de Boticas

    O governo deu autorização à empresa Savannah Lithium para a realização de trabalhos de prospeção de lítio em terrenos privados e baldios nas aldeias de Boticas, tendo os populares recebido cartas ontem a informar dos planos.

    De acordo com o Correio da Manhã, o despacho assinado pela secretária de Estado da Energia autoriza a constituição de servidão administrativa sobre os terrenos pelo prazo de um ano, mediante os termos do contrato da concessão da mina do Barroso.

    A população está indignada e diz-se apanhada de surpresa, prometendo já um batalha legal. Francisco Venes, da Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, promete «tudo fazer» para que o projeto não avance.

    Recorde-se que o projeto da mina do Barroso está envolvido em polémica desde o início, com a contestação da população e com o Ministério Público a pedir a anulação da validade da Declaração de Impacto Ambiental favorável ao projeto.

    O pedido de anulação surgiu no seguimento da Operação Influencer, que também abrangeu suspeitas de favorecimentos nos negócios do lítio.

    O advogado Paulo Veiga e Moura explica ao CM que, apesar de a servidão administrativa ser um «ato unilateral do Estado» semelhante à expropriação, os donos dos terrenos podem contestar a decisão em tribunal e «pedir a paralisação dos efeitos deste despacho».

    O presidente da Câmara de Boticas, Fernando Queiroga, também já reagiu à notícia, descrevendo o despacho como «um murro no estômago».

    Em resposta à contestação, o Ministério do Ambiente e Energia passa a responsabilidade ao executivo anterior, lembrando que o acordo para a prospeção do lítio «tem antecedentes cujas decisões precedem a vigência deste governo».

    O ministério também rejeita a ideia de que os proprietários foram surpreendidos, garantindo que todos receberam um ofício e tiveram a oportunidade de exercer «o seu direito de audiência prévia».

    Lusa e Correio da Manhã

  • Moura produzirá painéis solares e baterias

    Moura produzirá painéis solares e baterias

    Trata-se de um consórcio entre o grupo português Lux, liderado por Rui Torrão e Paulo Torrão, que atua no sector do turismo e o empresário Miguel Matias, do setor das energias, ex-diretor de Inovação da Galp Energia e fundador do Grupo Self Energy e da Optimeyes Energy Ltd, com sede em Londres.

    O Ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, e o secretario de Estado da Energia, João Galamba, estivrea, presentes no arranque da nova fábrica de painéis solares fotovoltaicos flexíveis e de baterias de lítio de alta temperatura de Moura.

    O projeto tem em vista a implantação de uma unidade industrial inovadora, a qual «combinada a produção de painéis solares flexíveis de baixo peso e de baterias de alta eficiência de lítio, num investimento inicial de cerca de 5 milhões de euros, cofinanciado pelo Programa Operacional Alentejo 2020 em cerca de 2,96 milhões de euros e que deverá recuperar, em Moura, mais de 40 postos de trabalho diretos, uma parte dos quais altamente qualificados, e outros 200 postos de trabalho indiretos na promoção, venda, desenvolvimento e instalação das soluções a fabricar», segundo a autarquia

    A cerimónia foi o primeiro passo visível deste projeto classificado como relevante e resulta de «um intenso esforço de promoção do Município de Moura, da região Alentejo e do Pais como plataforma para o desenvolvimento industrial das tecnologias verdes».

    Em Moura, a parceira tecnológica selecionada para a energia solar fotovoltaica é europeia e líder nos painéis de alta eficiência possibilitando que estes, além de flexíveis, apresentem um peso oito vezes inferior aos tradicionais, permitindo a sua aplicação em superfícies curvas, ou mesmo embutidas em telhas ou outro tipo de coberturas.

    Relativamente à tecnologia eleita para a produção de baterias de lítio de alta eficiência “XNRGI”, tem já uma patente registada nos EUA e uma fábrica em operação na Índia, sendo a unidade fabril de Moura a primeira do género no mercado europeu.