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  • A Verdade como Risco e Queda na Nova Obra de Miguel Godinho

    A Verdade como Risco e Queda na Nova Obra de Miguel Godinho

    A Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António, teve uma plateia de entusiastas da literatura na apresentação do mais recente livro de poemas de Miguel Godinho «O equilibrio que se perde por dentro».

    A obra foi editada pela Espúria, colecção ILÌDIMA, representada por Pedro Jubilot, de um coletivo literário algarvio que explora a temática da verdade como um risco, uma inevitabilidade que conduz à queda e ao desequilíbrio.

    José Carlos Barros, prémio Leya da literatura portuguesa, foi o apresentador convidado neste evento cultural que contou com a presença de diversas figuras ligadas à cultura local. Assistiram também representantes da Câmara Municipal, da divisão de arquitetura e da educação

    Durante a apresentação, foi destacado o papel de Miguel Godinho como um «ativo enorme da cultura do território», elogiando o seu trabalho com a comunidade, em particular com os jovens, através dos projetos desenvolvidos na biblioteca.

    Pedro Jubilou, da Espúria, explicou que a escolha de Miguel Godinho para inaugurar a nova coleção da editora foi unânime, sublinhando a qualidade e originalidade da sua escrita. «Estamos muito contentes com o livro, e o que interessa mesmo é falar sobre o livro e sobre o autor» afirmou o editor.

    José Carlos Barros, por sua vez, ofereceu uma leitura pessoal e profunda da obra, destacando a sua estrutura conceptual e a presença de uma tese central que coloca a verdade como um risco que implica perda e instabilidade.

    «A palavra-chave deste livro é a verdade. O princípio condutor deste livro é o de que a verdade se assume como um risco», explicou José Carlos Barros, acrescentando que «a grande questão não é a de cair, que é inevitável. É o estrago que isso nos traz».

    O escritor premiado e crítico literário explorou ainda a intertextualidade presente nos poemas, estabelecendo ligações autores como Allen Ginsberg e Luísa Neto Jorge, e sublinhou a importância da ética como elemento central da obra.

    «O equilíbro que se perde por dentro» promete ser um livro que desafia o leitor a confrontar-se c byom a sua própria busca pela verdade, com os riscos inerentes a essa procura e com a inevitabilidade da queda. A obra está já disponível nas livrarias e promete dar que falar, no panorama literário regional.

    A cerimónia contou com a presença na mesa de Fernado Horta, em representação da câmara municipal anfitriã na Biblioteca Municipal.

    O autor

    Miguel Godinho tem 46 anos, é licenciado em Património Cultural, pós-graduado em História do Algarve. É autor de vários trabalhos de investigação sobre temas relacionados com o património cultural algarvio. É colaborador em alguns jornais com artigos de opinião e crónicas. Está representados em antologias e revistas nacionais e estrangeiras.

    Tem publicados: Os nossos dias, Os lugares Antigos, Poemário prostibular, O Tempo por entre as fendas, e Vertigem.

    Para o autor, este livro é-lhe necessário, na sequência dos acontecimentos de saúde e vida profissional e representa um intervalo de dez anos, desde a sua última publicação, marcados pelo fato de ter deixado precisamente à dez anos de exercer uma função na vida pública.

    «Continuamos por aqui, somos teimosos e vale a pena aproveitar para continuar», sublinhou.

    Para o autor destas linhas, «o Miguel sabe ordenar o Mundo com palavras que podem parecer desarrumadas, mas atravessam precipícios como se lá estivesse o arame invisível do funambulismo

    reportagem de José Estêvão Cruz

  • José Carlos Barros em Lagoa

    A Biblioteca Municipal de Lagoa prossegue, no próximo dia 25 de setembro, pelas 18h00, com a rúbrica «Celebrando a Liberdade», um ciclo de palestras literárias que se está a realizar ao longo de 2024.

    O tema desta sessão é As Palavras, o Mundo e tem como convidado o escritor e erquiteto Paisagista José Carlos Barros. A apresentação ficará ao cuidado de Maria Luísa Francisco, e a entrada é livre.  

    José Carlos Barros é arquiteto Paisagista pela Universidade de Évora e vive em Vila Nova de Cacela. Foi director do Parque Natural da Ria Formosa e da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António.

    É autor de três romances, tendo vencido o Prémio LeYa com As Pessoas Invisíveis (Abril de 2022). O seu mais recente livro, Taludes Instáveis – Poemas Escolhidos, Publicações Dom Quixote, Março de 2024,, reúne doze títulos de poesia publicados entre 1984 e 2023.

     O ciclo de palestras literárias «Celebrando a Liberdade» pretende criar cumplicidade entre os diferentes convidados(as) e os leitores, assim como, assinalar os 50 anos da Revolução do 25 de Abril.   

    O acesso é livre, apenas limitado à lotação existente.   

  • «Taludes invisíveis» coletânea de José Carlos Barros

    «Taludes invisíveis» coletânea de José Carlos Barros

    José Carlos Barros, poeta e escritor, primeiro prémio Leya, apresentou na Biblioteca Municipal Vicente Campianas, na passada sexta-feira, a sua mais recente obra literária intitulada «Taludes Instáveis» onde a obra do poeta foi dissecada por Miguel Godinho, em sessão dirigida por Assunção Constantino e que contou com a presença do vereador de pelouro Fernando Horta.

    José Carlos Barros, natural de Boticas, 1963, e vive em Vila Nova de Cacela. É lá que tem produzido as suas mais recentes obras literárias, ao mesmo tempo que prepara a obra artística no campo da pintura, tendo já realizado algumas exposições dos seus quadros.

    Grupo reunido em apresentação de livro.

    Taludes Instáveis , livro que tem na capa uma pintura do neto, é uma coletânea dos seus livros de poemas, publicados até hoje, Pequenas Depressões, 1984, em colaboração com Otília Monteiro Fernandes, Uma Abstração Inútil, 1991, Todos os Náufragos, 1995, Teoria do Esquecimento, 1996, As Leis do Povoamento, 1996, As Moradas Inúteis, 1997, Rumor, 2011, O Uso dos Venenos, 2014, A Educação das Crianças, 2020, Penélope Escreve a Ulisses, 2021, Estação, os poemas do DN Jovem.

    José Carlos Barros é atualmente vereador na câmara municipal de Vila Real de Santo António, onde já desempenhou o cargo de vice-presidente, e foi deputado na Assembleia da República e Diretor da Reserva da Ria Formosa.

    A poesia de José Carlos Barros

    Miguel Godinho apresentou a obra ao público que acorreu à Biblioteca Municipal de Vila Real de Santo António e destacou que a importância da presença da natureza e do mundo natural na obra de Barros não pode ser subestimada.

    Através de suas palavras, somos transportados para paisagens exuberantes, onde o pulsar da vida se entrelaça com a poesia. A escrita é permeada por uma sensibilidade única, capturando a essência das paisagens rurais e a complexidade das interações humanas com o ambiente natural.

    Taludes Instáveis não é apenas uma coleção de poemas; é uma jornada pela vida e pela mente do autor. A organização dos poemas reflete não apenas a cronologia de sua vida, mas também a evolução de suas ideias e emoções ao longo do tempo. Desde os primeiros versos da juventude até as reflexões mais maduras e profundas da idade adulta, Barros nos presenteia com uma visão panorâmica de sua experiência humana.

    A influência de outros poetas contemporâneos é evidente em sua escrita, mas Barros tem o mérito de transcender influências para criar um estilo único e inconfundível. A obra ecoa as vozes de poetas passados e presentes, mas nunca perde sua singularidade, oferecendo uma contribuição distinta e valiosa para o cânone literário.

    Com Taludes Instáveis , José Carlos Barros reafirma seu lugar como um dos principais escritores da atualidade. O estilo minimalista e suas temáticas profundas cativam os leitores, enquanto a habilidade em evocar emoções e memórias perdura muito além das páginas do livro.

    Com a publicação em editoras de renome, como a D.Quixote, Taludes Instáveis está a ser bem acolhida por críticos e leitores, consolidando ainda mais o talento de José Carlos Barros.

    Pontos principais:

    Na relação entre poesia e realidade, o poeta questiona a ideia de que a poesia não serve para nada, defendendo que ela pode ser usada para descrever o mundo de forma profunda e significativa e compara a poesia a um barco que pode navegar pelos rios da vida, levando-nos a lugares inesperados.

    José Carlos Barros acredita que a poesia deve olhar para o passado, não com nostalgia, mas sim para buscar sabedoria e ensinamentos que possam ser aplicados ao presente.

    Destaca a importância da memória para lembrarmos das coisas boas e ruins do passado, e para nos ajudar a tomar melhores decisões no futuro.

    Na relação entre a vida rural e a sabedoria das comunidades antigas, celebra a vida rural e a sabedoria dos que viviam em harmonia com a natureza. Critica a sociedade moderna, que se afastou da natureza e perdeu a capacidade de viver de forma simples e sustentável.

    Falando sobre a beleza e a ética, o autor entende que a beleza e a ética estão intimamente ligadas e acredita que a arte deve ser usada para promover valores como a justiça, a igualdade e a compaixão.

    A poesia desvenda os mistérios da vida, sendo que a linguagem poética é poderosa e pode ser usada para expressar sentimentos e ideias complexas. É uma forma de arte que nos conecta com o mundo natural e com a nossa própria humanidade. É importante ler e apreciar a poesia, pois ela pode nos enriquecer como pessoas.

    Uma leitura da obra confirmará estas apreciações.

    Mãos segurando livro de poesia de José Carlos Barros.

    Fotos do evento por José Luís Rua Nascer