De acordo com uma informação da EDIA, a existência de sete barreiras flutuantes de contenção, entre a fronteira do Caia e a Ponte da Ajuda, em Elvas, no distrito de Portalegre salva o rio Guadiana da proliferação do jacinto-de-água.
Segundo a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva esta é uma das medidas implementadas do lado nacional do Guadiana, após a invasão massiva por esta espécie da zona de Badajoz, na Estremadura espanhola e junto à fronteira, em 2015.
Porém, do outro lado do rio, a planta traz o Guadiana doente, constituindo um problema no troço espanhol. Nas últimas duas décadas, não proliferou no troço português,
O jacinto de água, é uma espécie exótica invasora (EEI), originária da bacia do Amazonas e prolifera rapidamente, tapando a entrada de luz e impedindo a fotossíntese de outras plantas, obrigando a uma atenção e luta constante contra a sua proliferação.
Neste caso, explica-nos a página do Facebook dedicada a estas espécies, que demorou três minutos e não foi preciso nenhuma ferramenta: bastou puxar, com cuidado para prevenir os cortes, muito fáceis. Nesta altura do ano, nas situações em que não é fácil ou possível remover as plantas, arrancar pela raiz, remover as plumas é um importante contributo para conter a dispersão da espécie.
«Se todos dermos um contributo, nos locais onde tivermos legitimidade para o fazer, e sempre protegidos para evitar cortes, podemos travar a expansão desta espécie, pelo menos em alguns locais», diz-nos o Espécies Invasoras.
Alga poderá ter chegado no casco de um navio de longo curso ou em águas de lastro.
A Rugulopteryx Okamurae que começou por ser observada em França há cerca de três anos, está a causar preocupações às autoridades, devido a ser uma espécie invasora e restritiva da biodiversidade nas nossas costas.
Foi observada no barlavento algarvio onde invadiu as costas e provocou prejuízos nas redes dos pescadores, afugentado o peixe, depois de ter causando problemas semelhantes na costa de França e no sul de Espanha, segundo a Euronews.
Foi incluída há poucos dias na lista de «espécies exóticas invasoras» da União Europeia, esta alga japonesa, estando a ser alvo de estudos. Consegue infiltrar-se nas redes e fazer com que não estas atraiam o peixe, disse à RTP Fábio Matos, da Associação de Pescadores do Barlavento algarvio.
Em apenas dois anos, a alga invasora tornou-se a espécie dominante da zona entre marés. Não é tóxica, mas não tem qualquer valor gastronómico, sendo um problema para os ecossistemas marinhos. Os turistas não gostam de algas na praia.
O evento de inauguração contou com a presença da artista, da vereadora da cultura da autarquia local e do amigo, colega e arquiteto paisagista José Carlos Barros, prémio Leya da Literatura de 2021.
A pintora
Manuela Santos veio para Portugal atender os pais, ainda muito jovem, frequentou a Universidade Évora e estudou arquitetura paisagista. Na vida universitária não seguiu o caminho das artes, mas sim ciências naturais. Conjuga agora natureza e arte, interessada por diversas técnicas artísticas, nomeadamente a aguarela.
«A sua pintura é criativa, colorida e vibrante», notou a bibliotecária Assunção Constantino. Trabalha principalmente em aguarela e acrílico, mas usa também diferentes suportes, incluindo o papelão e papel. «As suas composições são poéticas, cheias de música, como forma de sensibilizar, alertar e gerar reflexos». «A Manuela já têm realizado diversas exposições, quer individuais, quer coletivas e participado nos últimos tempos, por aquilo que eu tenho acompanhado, exposições em parceria com pintores de aqui e de Espanha», concluiu.
Manuela Santos manifestou-se grata pelo convite de ali expor «as minhas Belas», como definiu os seus quadros. E esclareceu que o objetivo maior das obras foi, «de uma forma lúdica, tentar despertar em vós um bocado da curiosidade do que é isto das plantas invasoras. Por um lado, dar a conhecer algumas delas de uma forma única, depois, porque eu entendo que realmente só conhecendo é que nós conseguimos agir e, de facto. Começarmos a agir um pouco e para para minimizar todas as consequências que estas plantas têm no nosso território». – Os assistentes tinham â disposição uma brochura com muita informação. «É um conjunto de 30 pinturas de cada uma dessas invasoras».
Manuela Santos entregou a cada espécie invasora uma imagem feminina com burca. «Eu penso que ambas são belas e silenciosas. Vão trilhando o seu caminho e encontrando o seu lugar. Portanto, é um pouco o entendimento que eu tenho e daí a composição. Ela também serve para falar da mãe e da mulher, que aparece como um símbolo de vida»
Foi isso e o ter-se lembrado de associar um poema a cada uma dessas pinturas, sendo esses poemas feitos reais «por uma mulher que conhecia muito bem, a sua própria mãe», e homenageá-la ao mesmo tempo, e a todas as mulheres do Mundo com uma pequena leitura de alguns poemas por familiares e amigos que se encontravam na sala.
José Carlos Barros foi colega da pintora
«Vou falar um pouco sobre isto das invasoras sem grande profundidade. Não estamos aqui a dar nenhuma aula. Mas, enfim, queria dizer que nós estamos a falar de plantas invasoras e, portanto, de um problema ambiental»
Lembrou a sua passagem pelo Parque Natural da Ria Formosa, e assinala como mudou, apesar de tudo. E como mudou a visão que temos hoje em dia do das questões ambientais, em relação à tínhamos já há 20 e 30 anos. «Quer dizer, é impressionante. Eu lembro-me que trabalhava nessa altura, eram os bandidos que andavam aqui ver se conseguiam parar a economia e agora, curiosamente, a conversa, exatamente ao contrário que nós temos, é que ter cuidado com as questões ambientais».
Considerou como importante que tal seja assinalado, essa alteração de mentalidades, porque «eu lembro-me que antigamente, quando se quando alguém falava em causas ambientais que se diziam – lá vem estes com a conversa de defender os passarinhos. De facto era difícil!Naquela altura, explicar que falar de questões ambientais e não em atender aos passarinhos é defendermo-nos a nós e, às vezes, mais do que isso, é defendermo-nos de nós próprios»
José Carlos Barros manifestou-se desagradado com alguns deles «que me incomodam muito com uma certa ecologia urbana, porque também passamos, em alguns casos, a uma espécie de ecologia enquanto religião, e que há uma ciência e não é propriamente uma religião».
Referindo-se à exposição em si própria, anota que «aqui é a ideia do perigo e da ameaça e é uma ligação que não deixa de ser interessante. Curiosa e até muito literária, esta ligação da beleza aos perigos, muito porque, de facto, as belezas sempre estiveram associadas dos perigos. Ainda assim, cinzento demais. As flores mais bonitas como a rosa, que quando se pega, num descuido somos picados. Esta exposição começa com três ou quatro quadros sobre as mimosas, uma variedades de mimosas. É impressionante porque é das invasoras mais preocupantes que provavelmente nós temos nosso território e é simultaneamente uma árvore, particularmente bela e cheia de significados. Quer dizer, aquele amarelo quase incandescente, aquele amarelo vivo que nos aparece no fim do Inverno é quase uma espécie de anúncio da Primavera».