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Etiqueta: História

  • A fundação de Vila Real de Santo António –  Vídeo

    A fundação de Vila Real de Santo António – Vídeo

    Este vídeo resume o conteúdo de um artigo publicado em 1981 na Revista de Administração Democrática – PODERL LOCAL, sobre a construção, fundação e destino de Vila Real de Santo António, quanto aos objetivos, natureza e evolução como urbe Pombalina.

    No vídeo existe uma nota de como foi criado e executado.

    ./Redação – José Estevão Cruz

  • Debate em Loulé sobre o Campo de Concentração do Tarrafal

    Debate em Loulé sobre o Campo de Concentração do Tarrafal

    A história sombria de um dos mais duros símbolos da repressão do Estado Novo, o Campo de Concentração do Tarrafal (1936-1954), vai ser revisitada e analisada sob uma perspetiva inovadora na Biblioteca Municipal de Loulé.

    No próximo dia 28 de outubro, terça-feira, pelas 18h30, será apresentado o estudo “O campo de concentração do Tarrafal (1936-1954) – História e uma proposta de reabilitação urbana” no âmbito da iniciativa “Livros Abertos”.

    O trabalho, apresentado pelos seus autores, José Soares e Luís Gomes, propõe-se a uma dupla análise. Por um lado, mergulha nas causas que levaram à construção do campo em Cabo Verde e detalha o quotidiano da prisão durante os dezoito anos da sua existência, um período marcante para a história política portuguesa e caboverdiana.

    Por outro lado, o estudo avança com uma proposta concreta para a sua reabilitação urbana. A componente de reabilitação é crucial, pois visa potencializar o espaço e atribuir-lhe um novo uso, garantindo que este património, carregado de significado histórico, possa ser melhor aproveitado pela comunidade.

    Não se trata apenas de preservar a memória, mas de integrar o local na vida contemporânea de forma digna e útil.

    Para debater este tema de grande relevância histórica e urbanística, estarão presentes dois especialistas com forte ligação a Cabo Verde. José Soares, natural de Chão Bom – Tarrafal, é licenciado e mestre em História. Com experiência em coordenação de turismo e atualmente deputado na Assembleia Municipal do Tarrafal, traz uma perspetiva local e política essencial à discussão.

    Luís Gomes, natural da Cidade da Praia, complementa o painel com a sua vasta experiência em arquitetura e urbanismo. Com mais de 12 anos de prática em planeamento urbano e projetos arquitetónicos, o atual Assessor do Ministro de Infraestruturas, Habitação e Ordenamento do Território de Cabo Verde, é o principal impulsionador da visão de futuro para o aproveitamento do antigo campo de concentração.

    Esta sessão, que une a memória histórica à visão de futuro e ao ordenamento do território, promete ser um momento de reflexão profunda sobre como lidar com os legados dolorosos do passado, transformando-os em espaços de aprendizagem e serviço comunitário. A entrada é livre e o público está convidado a participar no debate na Biblioteca Municipal de Loulé.

  • Loulé recebe o VIII Encontro de História

    Loulé recebe o VIII Encontro de História

    O Convento do Espírito Santo, em Loulé, será palco nos dias 19 e 20 de setembro do VIII Encontro de História de Loulé. O evento reunirá perto de três dezenas de oradores, entre investigadores e especialistas, para discutir temas cruciais relacionados com a cultura, património, identidade local e memória coletiva do concelho.

    Ao longo dos dois dias, o encontro será dividido em sete painéis que abordarão uma vasta gama de tópicos, incluindo política e obras públicas, justiça e arte militar, arquitetura e mobiliário urbano, assistência social e economia, alimentação e arte da cerâmica, bem como a vida e obra de figuras proeminentes de Loulé.

    A sessão de abertura está agendada para as 9:30 horas do dia 19 de setembro, com a conferência inaugural proferida por Maria Helena da Cruz Coelho, que versará sobre «Os bens alimentares no concelho de Loulé à luz dos livros de receitas dos séculos XIV e XV».

    Um dos destaques do programa é o painel dedicado a personalidades louletanas que deixaram a sua marca em diversas áreas profissionais. Serão abordadas as contribuições de Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas durante o Estado Novo; Maria José Estanco, a primeira arquiteta portuguesa; Laura Ayres, médica e investigadora em saúde pública; e Maria Aliete Galhoz, poetisa, ensaísta e investigadora literária.

    No sábado, dia 20 de setembro, às 16h30, será realizado o lançamento das Atas do VII Encontro de História de Loulé, antecedendo a sessão de encerramento do evento.

    Complementando as apresentações, o programa inclui visitas culturais a locais históricos de Loulé, como os Banhos Islâmicos de Loulé e Casa Senhorial dos Barreto, a Igreja Matriz de São Clemente, a Estação Arqueológica do Cerro da Vila (Vilamoura) e um percurso guiado sobre a “Expansão urbana de Loulé entre o período islâmico e o séc. XX”. A Câmara Municipal assegurará o transporte para estas visitas.

    O Arquivo Municipal de Loulé – Professor Joaquim Romero Magalhães, promotor do evento, tem como objetivo, com este encontro, divulgar estudos académicos relevantes para a História local, abrangendo diferentes períodos históricos. A iniciativa visa também dar a conhecer ao público factos, momentos e figuras que desempenharam um papel importante na formação do passado do território louletano.

    Os interessados em assistir às comunicações podem inscrever-se através do link: https://tinyurl.com/ehloule](https://tinyurl.com/ehloule ; As inscrições para as visitas culturais devem ser efetuadas em: https://tinyurl.com/ehloule ; as visitas culturais em https://tinyurl.com/ehloule-visitasculturais.

  • Câmara de Vila Real de Santo António recupera gestão da alfândega histórica

    Câmara de Vila Real de Santo António recupera gestão da alfândega histórica

    A Câmara Municipal de Vila Real de Santo António anunciou o regresso da Casa da Alfândega, um edifício histórico emblemático, à gestão pública.

    O acordo foi alcançado através de um aditamento ao contrato de exploração celebrado em 2015 com a empresa concessionária do Hotel Bordoy Grand House Algarve (anteriormente Hotel Guadiana).

    O contrato inicial, que previa a exploração do Hotel Guadiana e do edifício da Alfândega até 2045, foi revisto permitindo que a Casa da Alfândega regresse à gestão municipal 20 anos antes do prazo originalmente estabelecido. A autarquia justifica a decisão com a necessidade de colocar o edifício, que se encontrava encerrado, ao serviço dos munícipes e visitantes.

    Segundo a Câmara Municipal, o acordo não acarretou custos adicionais para as finanças municipais, sendo que a resolução foi alcançada através da cedência de outro imóvel à empresa, mantendo inalterados os termos contratuais relativos à exploração do hotel.

    A autarquia planeia agora transformar a Casa da Alfândega numa unidade expositiva e sede para serviços municipais ligados à preservação do património.

    A Casa da Alfândega integra o Conjunto de Interesse Público do Núcleo Histórico Pombalino de Vila Real de Santo António e representa um marco importante na história da cidade. Inaugurada durante a edificação da vila pombalina, a sua localização estratégica junto às Sociedades de Pesca divide a cidade em duas metades simétricas.

    A sua arquitetura, caracterizada pelos seus dois torreões de vigilância, desempenhou um papel crucial na cobrança de impostos sobre as trocas comerciais com Espanha e no combate ao contrabando, tendo sido fundamental na fundação de Vila Real de Santo António.

    Este regresso à gestão municipal, segundo a Câmara Municipal, reforça o compromisso da autarquia com a proteção e valorização do legado histórico da cidade.

  • Castro Marim mergulha na Idade Média

    Castro Marim mergulha na Idade Média

    A 26ª edição dos Dias Medievais em Castro Marim, um dos maiores eventos de recriação histórica da região, decorrerá de 27 a 31 de agosto, transformando a vila numa autêntica viagem ao passado. O evento anual atrai milhares de visitantes e conta com a participação especial das cidades geminadas de Guérande (França) e Cortegana (Espanha).

    Durante cinco dias, reis, rainhas, cavaleiros, mercadores, monges e outras personagens medievais invadirão as ruas de Castro Marim. O Castelo da vila será o epicentro da festa, abrigando representações de artes e ofícios, demonstrações de artesanato e grandes espetáculos, incluindo torneios medievais a cavalo, um dos principais atrativos.

    Os banquetes medievais, servidos à luz de tochas num espaço exclusivo, prometem uma experiência gastronómica única com iguarias da época e animação. Uma mesa real, com capacidade para apenas dez convidados por noite, oferecerá uma experiência imersiva na pompa e circunstância das cortes medievais, mediante reserva antecipada.

    O desfile, realizado no primeiro e último dia do evento, é considerado um dos momentos altos, reunindo animadores, figurantes e moradores locais vestidos a rigor. No Castelo, os visitantes poderão explorar exposições de instrumentos de tortura e punição e da Primeira Sede da Ordem de Cristo.

    A animação será constante, com 30 grupos nacionais e internacionais de países como Itália e França, distribuídos por diversos palcos, apresentando teatros de rua, malabaristas, cuspidores de fogo, gaiteiros, espadachins, músicos medievais e muito mais. A programação também inclui atividades e espaços de animação infantil, como oficinas, jogos e contadores de histórias.

    No Forte de S. Sebastião, um acampamento árabe recriará o quotidiano de uma caravana de comércio de sal e especiarias, enquanto a Real Academia do Terço apresentará demonstrações da vida civil e militar do século XVII, da época da Restauração.

    A organização do evento, a cargo do Município de Castro Marim, reforça a segurança com a presença de forças de proteção civil, GNR, bombeiros, segurança privada e um posto médico equipado.

    Os Dias Medievais de Castro Marim, reconhecidos como um dos primeiros EcoEventos do país, disponibilizarão um copo de barro exclusivo a cada edição, incentivando a redução de resíduos e a utilização de materiais reutilizáveis. O evento também possui o selo “Save Water” da Região de Turismo do Algarve.

    A ilustração da edição de 2025 é da autoria de Abel Viegas, designer gráfico natural de Castro Marim. Os bilhetes estarão brevemente à venda online na BOL e em pontos de venda associados. A Guarda Nacional Republicana também marcará presença no evento.

  • Alfândega pombalina fez 250 anos

    Alfândega pombalina fez 250 anos

    Um dos pontos altos desta inauguração foi a afirmação por parte do presidente da câmara municipal, Álvaro Araújo, de que é intenção do seu executivo fazer reverter o edifício, entretanto cedido a privados e onde funciona um café, à posse do município.

    Depois de dar uma palavra especial «ao nosso querido Professor Doutor Horta Correia», Álvaro Araújo destacou a importância da presença do reputado historiador, «no dia em que se está a fazer a restituição das armas neste edifício» dirigindo-lhe uma saudação especial.» 

    Escudo de Armas VRSA - Inaugurado
    Álvaro Araújo

    Depois de saudar os outros presentes, com destaque para Fernando Pessanha, orador anterior, e Nuno Rufino, autor da réplica do escudo de armas, afirmou: «Como já foi dito aqui, as armas reais colocadas no frontão deste edifício, descerradas com salvas de artilharia por parte do destacamento militar há 250 anos atrás, foram posteriormente removidas após a implantação da República»

    E, sobre o prédio iniciático, historiou: «Também há uns anos atrás este edifício foi retirado da posse do município, neste momento o edifício não pertence ao município. Quando aqui chegámos ao município, este edifício servia de armazém, aqui tinham sacas de batatas, estavam colchões, num edifício com o simbolismo que ele tem, era assim que estava no momento em que cá chegámos». 

    Traçou, depois, um novo rumo: «Por isso, temos um grande objectivo, para além do que fizemos hoje que foi a recolocação das armas no frontal, recuperar também o edifício para as mãos do município, para que o possamos transformar,  dar-lhe a dignidade que ele merece.

    Disse que ali se podia ter um museu ou aquilo que «nós, os órgãos do município, a Câmara e a Assembleia Municipal assim entenderem. Agora, aquilo que é património municipal, diria mais, património nacional, não pode nunca, não poderia nunca, ter sido retirado das mãos do município. Por isso vamos restituir, é este um dos grandes objectivos também que temos em mãos, é restituir, voltar a ter a posse deste edifício para lhe dar a dignidade que ele merece».

    Classificou como importante toda a resenha histórica feita por Fernando Pessanha, e pediu que se aproveitasse o dia «para refletir sobre a história e a cultura numa sociedade. Olhamos sempre para o passado, como disse o Fernando, para o que foi feito, para o que foi construído, para o que foi ensinado e passado de geração em geração. Só assim, como ele dizia, com um olhar crítico e espírito aguçado, poderemos construir um futuro sustentável, uma sociedade unida, responsável e forte». 

    Afirmou que vai procurar criar um momento para discussão, para juntar os historiadores, as várias correntes, as várias doutrinas que existem sobre a fundação de Vila Real de Santo António. Vai ser marcada uma data, brevemente, para que aqueles que entendem da matéria possam vir e esplanar as suas ideias, «para que possamos ter uma linha, uma única linha de pensamento, para que Vila Real de Santo António e a sua história não ande aqui em disputa de várias ideias, mas que tenhamos uma ideia consolidada e para isso vamos preparar esse momento importante para a discussão da nossa história». 

    «Vila Real de Santo António está de parabéns hoje, neste dia 6 de agosto de 2024, que faz, como sabemos, e recordo e volto a dizer, 250 anos do 6 de agosto de 1774, data em que este edifício foi inaugurado», concluiu.

    Fernando Pessanha
    Fernado Pessanha

    Fernado Pessanha fez as honras ca casa na recepção às autoridades e convidados, onde se viram também representações da Capitania do Porto, GNR, PSP, Bombeiros, Protecção Civil, Real Associação do Reino do Algarve e membros dos diversos órgãos autárquicos do município.

    O historiador começou por afirmar que «Na realidade, poucas são as terras que se podem orgulhar de ter uma data de nascimento. A nossa terra tem o privilégio de até ter várias datas de nascimento».

    E constinuou «Realmente, os primórdios dos primórdios se remontam à antiga Vila de Arnilha, que teve o seu nascimento formal em dia 8 de Fevereiro de 1513, como atesta à Carta de Privilégio do Rei Dom Manuel, dia 8 de Fevereiro».

    Destacou que, com a Guerra Fantástica de 1762, «o Estado Português volta a compreender a importância geoestratégica da Foz do Guadiana e nela instala um sistema defensivo que, até já em período de paz, protegeu a fauna das comunidades pescatórias derramadas pelos areais de Santo António de Arnilha e pelos mares de Monte Gordo»

    E, após este enquadramento histórico primordial, destacou: «Foi, portanto, face à problemática do contrabando e da evasão fiscal praticada pelas comunidades pescatóricas que o nosso Marquês de Pombal, ao abrigo do designado Plano de Restauração do Reino do Algarve, manda reconstruir a Vila de Santo António de Arnilha, sobre a designação de Nova Vila de Santo António de Arnilha».

    Assim, continua Pessanha, «Efetivamente, em 16 de Março de 1774 é nomeado o primeiro governador da Nova Vila, Francisco Mendonça Peçanha Mascarenhas, que já comandava o termo de Santo António de Arnilha, pelo menos desde 1766. No dia seguinte, no dia 17 de Março de 1774, é simbolicamente lançada a primeira pedra da Nova Vila de Santo António de Arnilha, numa sessão soleno onde estiveram presentes as autoridades da Câmara de Arnilha em toda a oficialidade e até o próprio juiz de fora da Praça de Castro Marim».

    E lançou o paralelo histórico da comemoração dos 250 anos: «Finalmente, no dia 6 de Agosto, e hoje é o dia 6 de Agosto, no dia 6 de Agosto de 1774, dia em que foi lançada a primeira pedra da nova igreja e em que foram lançadas à água as embarcações concluídas aqui nos taleiros locais, portanto, a norte da malha urbana de Vila Real de Santo António, foi inaugurado o edifício da alfândega e oficialmente descerradas as armas reais portuguesas, simbolicamente colocadas, portanto, na frontaria do edifício que representa a afirmação política, militar e económica do Estado português face ao Estado espanhol. Em carta dirigida ao Governador Peçanha Mascarenhas, de 3 de Agosto de 1774, instruía aqui o Armador Mor do Reino do Algarve».

    E, sobre o brasão reposto e inaugurado momentos antes, explicou:

    «Instruía para que o Governador desse ordem ao Comandante Militar para, na nova Vila, trazer o destacamento militar com o maior número de tropa possível para que fossem dadas as três descargas de artilharia, quando fossem descerradas estas armas reais».

    «Curiosamente, reparem, isto acontece em 1774», anotou Fernando Pessanha, salientando um novo paralelo e curiosidade histórica: «A última vez que a Foz do Guadiana assiste a salvas honoríficas de artilharia foi com a passagem do D. Sebastião pela Foz do Guadiana.»

    Foi exatamente dois séculos antes, em 1574, quando o D. Sebastião faz a sua jornada pelo Alentejo e pelo Algarve e passa pela Foz do Guadiana, vem a Santo António de Arnilha, vai a Ayamonte e vai a Castro Marim.

    Na opinião de Fernado Pessanha, «Estas armas reais, alegadamente destruídas pela citada população vilarealense, quando da implantação da República no 5 de Outubro de 1910.

    O historiador destacou o empenho da arquiteta Perpétua Almeida e o acompanhamento do professor Dr. José Eduardo Horta Correia, na projecção da réplica das armas reais produzida pelo «talentoso escultor vilarelense Nuno Rufino, que se encontra entre nós».

    Nuno Refino, escultor vilarealense

    Filho de Vila Real de Santo António, Nuno, Nuno Miguel Dias Rufino, nasceu no dia 17 de Outubro de 1979. É licenciado em Artes Plásticas, Escultura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa e é pós-graduado em Museologia e Museografia pela Faculdade de Belas Artes da mesma universidade.

    Os objetivos do novo escudo

    A obra na frontaria do edifício de Alfândega, réplica, portanto, das armas reais de Dom José I, pretende restituir a dignidade simbólica de um edifício que reflete o plano de restauração do Reino do Algarve concebido por Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal, para o extremo Sotavento-Algarvio, nomeadamente para esta Foz do Guadiana.

    Fernsndo Pessanha terminou o seu discuro alertando: «Neste dia histórico, para a nossa terra, em que são novamente descerradas as armas reais do edifício de Alfândega, importa refletir na importância da história e da cultura para a construção do sentido crítico da nossa sociedade e para a construção de futuros sustentáveis. E nós podemos perguntar-nos, é pertinente? É pertinente este cuidado com a nossa história? É pertinente este cuidado com o nosso património? Naturalmente que é pertinente. A história é o sangue que nos corre nas veias. Nós, seres humanos, somos constituídos pela matéria empírica que alberga a nossa existência.

    «Nós somos feitos de história. Portanto, tendo em consideração que nós somos feitos de história, dificilmente conseguimos compreender de onde viemos, quem efetivamente somos, ou para onde vamos tirar ilações, se eu por vir, se não soubermos da nossa história, da nossa cultura e do nosso património. Portanto, a todos vocês, vilarealenses, a nossa profunda gratidão».

    O Porto de Honra esteve a cargo de «O Coração da Cidade»

  • Monte Gordo em Passos Contados do CIIPC

    Monte Gordo em Passos Contados do CIIPC

    O arquitecto e escritor José Carlos Barros e habitantes de Monte Gordo vão ter no domingo 16 de junho, com ponto de encontro às 9:30 horas, frente ao Casino de Monte Gordo, para mais uma edição dos Passos Contado do Centro de Informação e Investicação do Património de Cacela.

    O CIIPC diz-nos que «Há cerca de seiscentos anos, pelo menos, já o topónimo ‘Monte Gordo’ designava um pequeno aglomerado de pescadores. «No século XVIII, no entanto, a população, entre sazonal e permanente, chegara às 8000 pessoas, quando na baía laboravam cerca de cem artes-xávega».

    Mas a morte do aglomerado de pescadores (que entretanto se transformara numa «rica e poderosa Cidade») estava anunciada desde o momento em que a Coroa se decide pela construção de uma nova «vila regular» na margem do Guadiana.

    A verdade é que nos areais da baía se retoma, aos poucos, a instalação clandestina de cabanas, e que o turismo balnear, a partir da década de 1890, começará a marcar-lhe um novo destino.

    É da história deste lugar, e das suas gentes que aos poucos serão empurradas para um território marginal (o Sertão, ou Sultão…) à medida que a estância balnear vai ganhando um carácter cosmopolita, que tratará a presente sessão de Passos Contados.

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    José Calos Barros

    O percurso será orientado por José Carlos Barros. É licenciado em Arquitectura Paisagista pela Universidade de Évora e vive em Vila Nova de Cacela. É autor de três romances, tendo vencido o Prémio LeYa com «As Pessoas Invisíveis» (Abril de 2022).

    O seu mais recente livro, «Taludes Instáveis – Poemas Escolhidos» (Publicações Dom Quixote, Março de 2024), reúne doze títulos de poesia publicados entre 1984 e 2023.

    Recentemente concluiu um livro sobre Monte Gordo, o qual tem edição prevista para o próximo ano.

    Os percursos realizam-se aos Sábados ou aos Domingos, entre Abril e Outubro. Pontos de encontro em Santa Rita no CIIPC (antiga escola primária), na Manta Rota (em frente ao Antigo Casino) ou Cacela Velha (junto à cisterna), consoante o percurso.

    Para os passeios diurnos deverá trazer merenda, cantil com água, calçado confortável, roupa leve, chapéu e protector solar. A organização reserva-se o direito de anular a realização de percursos caso se verifiquem condições climatéricas adversas.

  • Baixo-Guadiana com Jornadas Históricas

    Baixo-Guadiana com Jornadas Históricas

    Pelas 10:00 horas, o medievalista Juan Luis Carriazo Rubio, docente da Universidade de Huelva, irá dar início ao programa com a conferência intitulada «Sobrevivência e perceção da fortificação senhorial do Baixo Guadiana».

    Pelas 11:00, o também medievalista Luís Filipe Oliveira, docente da Universidade do Algarve, vai abordar, em conferência apelidada «Da defesa da fronteira à guerra no mar: a coroa e as ordens militares».

    Pelas 15:00 horas, está prevista uma visita guiada, conduzida por Pedro Pires, técnico superior de cultura da Câmara Municipal de Castro Marim, à exposição dedicada à Ordem de Cristo patente na igreja do Castelo da vila.

    O programa termina com um momento musical pelas 15:45, a cargo de Filipe Santos na guitarra portuguesa.

    As Jornadas de História do Baixo Guadiana, estão inseridas na programação cultural da Eurocidade do Guadiana, são organizadas pelo Arquivo Histórico Municipal António Rosa Mendes da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António com a colaboração de investigadores, docentes universitários, técnicos do património e editores.

    A participação é gratuita e sujeita a inscrição prévia através do e-mail arquivomunicipal@cm-vrsa.pt ou pelo telefone 281 510 260.

  • Festival iluminista abre com colóquio em VRSA

    Festival iluminista abre com colóquio em VRSA

    O Festival Histórico Setecentista abriu com um colóquio que celebrou os 148 anos da fundação de Vila Real de Santo António e marca o início das comemorações dos 250 anos do lançamento da primeira pedra da Casa da Câmara e Alfândega.

    O evento destaca a importância da cidade e sua arquitetura setecentista, promovendo atividades que exploram seu potencial.

    O presidente da câmara municipal, Álvaro Araújo afirmou que «Vila Real  Santo de António tinha necessidade, na nossa ótica, de reforçar o mês de Maio com atividades que, de alguma forma, viessem compensar a baixa ocupação hoteleira».

    Explicou, depois a necessidade de estabelecer um evento âncora para colmatar este problema da sazonalidade turística, «Um evento do ano. Neste e no mês de Novembro. Foi fácil, neste caso, encontrar a solução. Porque quisemos voltar a recriar o nosso cortejo histórico, que começou ainda no tempo do António Murta, que foi quando, pela primeira vez, fez um cortejo histórico».

    Então, continuou dizendo,«pensámos em fazer, não só um dia, mas sim um fim de semana, em que pudéssemos ter atividades que mostrassem o potencial da nossa cidade, da nossa arquitetura. E, por isso, só o pudemos fazer, sendo um evento setecentista. Não é um evento medieval, nem nada que se pareça. O ano passado, diz quem sabe, tivemos ainda algumas marcas de medieval». 

    Disse, depois que ali estavam porque «é necessário também fazer um enquadramento histórico sobre aquilo que vai acontecer, sobre aquilo que aconteceu em 1774 e a partir daí».

    Lembrou que o evento também marca, este ano, «o início das comemorações dos 250 anos da Fundação, o lançamento da primeira pedra deste edifício, que está aqui ao nosso lado direito», referindo-se ao edifício da primeira Alfândega, com porta para a Avenida da República.

    Coronel José Paulo Berger

    O Coronel José Paulo Berger, engenheiro militar e especialista em história militar e fortificações, apresentou um panorama histórico da cartografia militar desde o século XVIII, destacando a evolução dos arquivos militares e a importância da documentação histórica para o estudo e compreensão do desenvolvimento da região.

    Mencionou a criação do Real Arquivo Militar em 1792 e sua posterior divisão em diferentes organismos, culminando na criação do Gabinete de Estudos Arqueológicos da Engenharia Militar, responsável pela preservação e valorização do património edificado pelo Exército.

    Berger também aborda a importância da cartografia para o planejamento territorial e para as campanhas militares, mencionando a criação da Sociedade Real Marítima Militar e Geográfica em 1798, que teve sua atuação interrompida pela Guerra das Laranjas.

    Destacou a importância da obtenção do metro padrão para a medição de distâncias e volumes, e como Portugal participou desse processo.

    O palestrante finalizou sua apresentação convidando o público a consultar a documentação histórica disponível no portal das Bibliotecas de Defesa e a entrar em contato com o Gabinete de Estudos Arqueológicos da Engenharia Militar para obter imagens de alta resolução da cartografia histórica da região.

    Fernado Pessanha

    Fernando Pessanha discorreu sobre a história de Vila Real de Santo António, focando na importância da cartografia para entender a história local e regional.

    O orador discutiu a fundação e refundação da cidade, a importância da cartografia militar para a compreensão do século XVIII e a relação da cidade com eventos históricos e militares mais amplos, como a Guerra Fantástica e a Batalha do Guadiana.

    Também mencionou a importância de preservar e estudar documentos históricos para futuras pesquisas e para promover o turismo cultural na região.

  • Festival Setecentista começa hoje

    Festival Setecentista começa hoje

    A autarquia decidiu, no ano passado, criar para esta data e datas futuras, este festival que faz o enquadramento histórico e, nos próximos três dias, a população e os visitantes podem tomar contato com os pormenores da inauguração de uma vila, hoje cidade, cuja primeira pedra foi colocada a 17 de Março de há 250 anos.

    A festa, dias depois da Sessão Solene comemorativa, está no Centro Histórico Pombalino e espalhada pelo Centro Comercial a Céu Aberto, servida por numerosos palcos.

    Recriações, cortejos, espetáculos interativos, animações e concertos são motivações que os organizadores esperam que venham atrair um grande número de visitantes e servir para animar, durante os próximos três dias, a população e o comércio local.

  • 250 Anos da Primeira Pedra na Alfândega de VRSA

    250 Anos da Primeira Pedra na Alfândega de VRSA

    Em cerimónia realizada no Cantro Cultural António Aleixo, na presença de autoridades locais e regionais, civis, militares e relegiosas e convidados, incluindo representantes de Angola, decorreram homenagens e reconhecimentos, por serviços de relevo prestados ao município.

    Várias personalidades e entidades foram homenageadas por seus contributos à comunidade, abrangendo áreas como educação, saúde, cultura e desenvolvimento social e econômico local. Medalhas de Honra, Mérito Profissional e Mérito Cultural foram entregues, simbolizando reconhecimento público pelos serviços prestados.

    A encerrar as diversas comunicações e após ter saudados os presentes e autoridades concelhias, o Presidente da câmara municipal Álvaro Araújo dirigiu especiais cumprimentos ao Presidente da CCDR Algarve, José Apolinário, ao Governador da Província do Zaire, Adriano Mendes de Carvalho, ao representante do Ministério da Indústria e do Comércio, Diretora-Geral do Instituto de Desenvolvimento Industrial e Inovação Tecnológica de Angola, Maria Filomena Ramos de Oliveira, e a toda a comitiva que se deslocou de Angola, Província do Zaire, para firmar uma colaboração mútua em várias áreas de interesse de ambas as partes, nomeadamente a formação profissional, a agricultura, o turismo e a indústria.

    ccaa alvaro araujo

    Também, um cumprimento especial, para os dois administradores presentes da Província do Zaire, o administrador do município do Nezeto, Tuzay Copinda, e o administrador do município do Soio, José Mendes Belo, e ficam então os cumprimentos a toda a comitiva que veio desde Angola.

    Cumprimento também antigo Presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, António Maria Farinha Moura, que tinha sido objeto de homenagem na cerimónia e o seu presidente da Câmara, Castro Marim, Francisco Amaral.

    A cidade de Ayamonte fez-se representar pelo alcaide Alberto Fernandez e membros do executivo municipal.

    Álvaro Araújo abriu o discurso da celebração dos 248 anos da fundação dizendo que foi naquele que é o país mais a oeste da Europa, onde se refundou «uma nova vila na Foz do Guadiana, agora sob a designação de Vila Real de Santo António. Foi a 17 de Março de 1774 que, sob as ordens do Marquês de Pombal, foi lançada a primeira pedra da então denominada Nova Vila de Santo António de Arnilha, há exatamente 250 anos. Mas foi somente a 13 de Maio de 1776 que se inaugurou formalmente a já designada Vila Real de Santo António»,

    Salientou que, aquela foi a data «a partir da qual se deu início a uma jornada extraordinária de desenvolvimento e prosperidade. 248 anos. Não é todos os dias que se tem a honra de celebrar um aniversário desta magnitude. A nossa terra está de parabéns. E também os vilarealenses, os monte-de-gordinos e os castelenses merecem esta celebração».

    Recordou que Vila Real de Santo António fez parte integrante do plano de restauração do Reino do Algarve, concebido pelo ilustre Marquês de Pombal.

    «As nossas ruas, a nossa arquitetura de programa, fazem parte da história e da nossa identidade patrimonial. O traçado do edificado urbano da cidade foi concebido e concretizado com base nos ideais do iluminismo. Esta cidade surgiu também da necessidade estratégica inerente à afirmação política, económica e militar do Estado português face ao Estado espanhol na Foz do Guadiana».

    Disse que, desde então, as gentes de Vila Real de Santo António fizeram um caminho de afirmação de uma cidade e de um povo com características muito especiais.

    «A nossa cidade cresceu rapidamente, mas o espírito empreendedor e a resiliência dos vilarealenses, a sua identidade e o seu caráter mantiveram-se intactos. Por isso mesmo, hoje é também dia de homenagear alguns dos nossos que têm vindo a destacar e a representar da melhor forma Vila Real de Santo António. Com esta iniciativa, a Câmara Municipal pretendeu prestar o reconhecimento público a pessoas e entidades que deram o seu contributo para a comunidade que somos hoje».

    Apresentação de dança folclórica em palco.
    ccaa arte ucraniana

    Homenagens a destacados cidadãos

    A António Maria Farinha Murta, figura de destaque com um vasto percurso profissional e político, foi atribuída a Medalha de Honra da Cidade.

    António Murta foi Presidente do Conselho Diretivo da Escola Secundária de Vila Real de Santo António, desempenhou vários cargos a nível desportivo e foi Presidente da Câmara Municipal do nosso município em quatro distintos mandatos. «Teve um papel fundamental na história do nosso Conselho e deixou uma marca significativa no panorama local e regional. Foi para mim uma grande honra poder ter e ter tido a anuência da Câmara e da Assembleia Municipal por unanimidade prestar esta homenagem merecida».

    A Medalha de Mérito Profissional foi atribuída a título póstumo, a Lourdino Marques, «um apaixonado pela educação, como foi dito, a sua jornada foi marcada por um profundo impacto na educação, na política local e no tecido social da sua comunidade. Desempenhou cargos políticos de grande importância, como por exemplo o Vereador da Câmara Municipal, Deputado Municipal e Presidente da Conselhia do Partido Socialista da nossa terra. Uma inspiração para várias gerações de vilarealenses.»

    A Medalha de Mérito Profissional foi atribuída a título póstumo, a Maria Fernanda Santos, «uma querida colega de trabalho também, construiu um legado que perdura na memória dos que tiveram o privilégio de a conhecer».

    Fernanda Santos destacou-se na esfera política, em representação da CDU e foi eleita Vereadora da Câmara Municipal e Deputada do nosso Conselho. «Foram duas décadas a contribuir para a educação, para a política e para o tecido social da nossa comunidade».

    A Medalha de Mérito Profissional, foi atribuída, também a título póstumo a Carlos André Gomes, com «quase 40 anos da sua vida dedicados ao Serviço Nacional de Saúde. Desempenhou vários papéis-chave na área da saúde pública, um legado notável de serviço e compromisso».

    A Medalha de Mérito Profissional foi também para Joaquim Gouveia, da cidade dio Fundão, ali presente, «uma figura notável ao serviço da educação, um legado marcante no campo pedagógico e no fortalecimento dos laços entre comunidades».

    O presidente da câmara municipal de Vila Real de Santo António destacou que Joaqauim Gouvei tem como «Uma das suas maiores marcas é o projeto educativo à descoberta das 4 cidades que ainda hoje nos acompanha».

    A Medalha de Mérito Cultural foi atribuída à Associação Naval do Guadiana, «uma entidade com mais de 40 anos de existência e um compromisso inabalável com o desenvolvimento local e a promoção das atividades náuticas. A prova viva de que com visão, trabalho árduo e compromisso comunitário é possível alcançar grandes feitos e deixar um legado duradouro para as gerações futuras.»

    Para finalizar as homenagens e dirigindo-se também às suas famílias ou representantes deixou «em nome da autarquia, o nosso muito obrigado pelo que deram de si por todos nós. Aceitem esta singela homenagem como um agradecimento sentido de toda a comunidade vilarelense. Se foram estes os ilustres que nos honraram, cabe-nos a nós continuar o seu caminho

    Dois homens seguram prémio em palco iluminado.
    ccaa artifice da 4 cidades

    O futuro do concelho

    Álvaro Araújo disse, depois de nomear os homenageados, que «Vila Real de Santo António enfrenta hoje uma série de desafios e, para os superar, precisamos de foco e de ter as nossas prioridades muito bem definidas. É por isso que privilegiamos o turismo enquanto motor do desenvolvimento da cidade e também da região Algarvia».

    Consinuou dizendio «É também por isso que dinamizamos o comércio de rua enquanto motor do desenvolvimento da economia local e da comodidade dos residentes no concelho. Apostamos igualmente na educação enquanto motor do desenvolvimento dos mais jovens, das gerações futuras e na nossa sociedade. Não descuramos a ação social ligada à educação».

    Disse que, no contexto tinha de «destacar a implementação de uma medida extraordinária por parte da Câmara Municipal. Falo-vos do alargamento da gratuidade de refeições escolares a todos os alunos que frequentam os estabelecimentos de ensino pré-escolar, básico e secundário da rede pública, sediados no nosso concelho durante o ano de 2024. Esta medida abrangerá sensivelmente 800 alunos e implica um investimento de cerca de 185 mil euros».

    Em termos de infraestruturas destacou também as obras de requalificação da Escola Dom José I, que já está em fase avançada, o seu projeto e a sua aprovação, um investimento de cerca de 6 milhões de euros com o apoio do PRR.

    O investimos na saúde e segurança enquanto motor do desenvolvimento do bem-estar da nossa população. «Exemplo disso é a recém-inaugurada Esquadra da Polícia de Segurança Pública».

    Afirmou que «Tem sido vários os projetos em que temos apostado sempre com o objetivo de dar mais qualidade de vida à nossa população. Fazemos-lo com uma especial atenção para com os mais frágeis e para com os idosos».

    O projeto ‘Cuidar de Quem Cuidou« é um bom exemplo disso mesmo, disse também. Trata-se de uma iniciativa, no domínio da saúde, do apoio social e da solidariedade intergeracional, vai apoiar muitos idosos do nosso concelho.

    Há trabalho «de forma muito intensa na requalificação de infraestruturas». que exemplificou.

    «Continuamos também a desenvolver a revisão do plano diretor municipal de Vila Real de Santo António».

    Classificou este instrumento de gestãso territorial como «um instrumento estratégico fundamental para uma boa gestão do nosso território e cabe a este executivo recuperar o tempo perdido no passado».

    Lembrou que o PDM atual, com mais de 30 anos, não consegue dar uma resposta a todas as necessidades e por isso a revisão do mesmo constitui uma prioridade deste executivo.

    Prometeu «Um plano mais eficiente, mais moderno e adequado ao nosso município e aos desafios que se colocam ao nosso território será concluído até final deste ano. Asegurar o alojamento digno de famílias em situação econômica ou social vulnerável é também essencial para nós».

    Destacou que, no âmbito da estratégia local de habitação de Vila Real de Santo António, o executivo municipal procedeu à candidatura a fundos comunitários no âmbito do PRR; a aquisição de 114 fogos a construir na freguesia de Vila Real de Santo António; A empreitada de reabilitação de 372 fogos pertencentes ao Parque Habitacional Social do município; e a construção a custos controlados de 96 fogos novos a concretizar em terrenos próprios do município junto à Estação de Caminhos de Ferro de Vila Real de Santo António; a aquisição de 13 fogos a concluir em edifício situado em Vila Nova de Cacela junto ao mercado municipal.

    Classificou a estratégia local de habitação como, seguramente, «o projeto mais relevante do nosso Conselho das últimas décadas. Com esta estratégia estamos a resolver um dos problemas mais graves que a nossa sociedade enfrenta atualmente, o da habitação».

    Para o presidente da autarquia de Vila Real de Santo António «ter uma casa digna desse nome é algo que não pode ser um milagre para muitos, uma miragem para muitos. Neste sentido, nós autarcas temos de ser capazes de utilizar os instrumentos ao nosso dispor para dar resposta a esta necessidade de muitas pessoas».

    As finanças municipais

    «Os últimos anos têm sido muito duros para a nossa cidade. Estamos a recuperar de uma situação financeira delicadíssima que hipotecou Vila Real de Santo António em vários aspectos».

    Álvaro Araújo destacou que a jornada «não tem sido fácil. Com estratégia, com honestidade e com transparência já conseguimos reduzir esta dívida pública em cerca de 16 milhões de euros em apenas dois anos. Este caminho é fundamental para que possamos trazer de volta a dignidade à nossa terra».

    Falou da dignidade «de assumir os compromissos assumidos e o pagamento do que devemos. A dignidade de podermos voltar a tomar decisões sobre a nossa vida sem qualquer interferência externa. A dignidade de nos afirmarmos como um município de contas certas. Reafirmo o compromisso do atual executivo autárquico de trabalhar incansavelmente por todos os vilarealenses. Continuaremos, como até aqui, a partilhar dois domínios».

    Disse que da recuperação económica e financeira da autarquia, diminuindo uma dívida astronómica que nos fere na nossa honra, e da realização de trabalho e obras em vários domínios que têm impacto direto na qualidade de vida de todos os que residem no nosso Conselho.

    Cantora e quarteto de cordas em concerto ao vivo.
    ccaa orquestra do comite olimpico – foto CM-VRSA

    A cerimónia no Centro Cultural António Aleizxo terminou com a atuação da Orquestra do Comitê Olímpico Português, com a interpretação dos temas Ária da Rainha da Noite, de Mozart, com a soprano Patrícia Modesto, no violino João Castro e José Nascimento, na viola d’arco Ana Teresa Alves e no violoncelo Ferreira.


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  • Nonas Jornadas de História do Baixo Guadiana

    Nonas Jornadas de História do Baixo Guadiana

    O encontro começa às 10h00, com o ato de abertura, sendo que a conferência inicial, marcada para as 10h15, será apresentada por Cátia Pereira, mestre em História e Patrimónios pela Universidade do Algarve, com o tema «O Governo de Sebastião Martins Mestre em Vila Real de Santo António».

    Sebastião Martins Mestre esteve presente em dois acontecimentos marcantes para a sociedade portuguesa do século XIX: as Invasões Francesas e as Guerras Liberais. O militar e político nascido em Santo António de Arenilha destacou-se pela sua intervenção nas invasões napoleónicas. Porém, a sua imagem ficou afetada pela sua conduta, ao enveredar pela carreira política, nomeadamente, ao tornar-se governador de Vila Real de Santo António.

    Pelas 11h30, o historiador de arte Marco Sousa Santos, técnico superior de cultura do Município de Tavira e docente da Universidade do Algarve, apresenta a conferência «Do Seinal para Arenilha, de Arenilha para Castro Marim: a longa jornada de uma mesa de altar quinhentista».
    Recentemente identificadas na Ermida de Santo António, a mesa de altar e a pedra de Armas de António Leite constituem os únicos materiais arqueológicos, entretanto identificados, de Santo António de Arenilha, a antecessora de Vila Real de Santo António conhecida por ser porto de contrabando, tráfico de escravos e pirataria.

    Pelas 15h00 fica reservada a visita guiada à Ermida de Santo António, em Castro Marim, conduzida por Marco Sousa Santos e por Pedro Pires, técnico superior de cultura da Câmara Municipal de Castro Marim e estudante de doutoramento da Universidade do Algarve.

    As Jornadas de História do Baixo Guadiana, inseridas na programação cultural da Eurocidade do Guadiana, são organizadas pelo Arquivo Histórico Municipal António Rosa Mendes / Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e contam, entre outros oradores, com a colaboração de investigadores, docentes universitários, técnicos do património e editores.

    A participação nas Jornadas é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia através do e-mail arquivomunicipal@cm-vrsa.pt ou telefone 281 510 260.

  • Santo António de Arenilha salta para a História com Fernando Pessanha

    Santo António de Arenilha salta para a História com Fernando Pessanha

    A separata, foi editada pela Editora Guadiana, leva por título «Cartografia de Uma Vila Régia Artilhada Contra Ayamonte» na «Separata de cartografia de uma vila régia artilhada contra Ayamonte», ao abrigo das «Jornadas de Historia de la my Noble y Leal Cudad de Ayamonte Vol. XXV2022» do investigador e historiador vilarrealense.

    A sessão contou com a participação de numeroso público interessado na evolução de Vila Real de Santo António, cujos tempos anteriores e motivos para ser erigida pelo Marquês de Pombal, no reinado de D. José I, ocorreram durante a Revolução Iluminista que percorria a Europa.

    A investigação foi apresentada no âmbito do ciclo «Arquivo entre Histórias» e constitui mais um contributo para a construção do conhecimento sobre o que foi a vila régia fundada na foz do Guadiana, entre a sua edificação e momentos incontornáveis da nossa história contemporânea, como a Guerra das Laranjas ou as invasões francesas.

    Estiveram também presentes o vereador da autarquia com o pelouro do Património Material e Imaterial, Fernando Horta, e da presidente da Assembleia Municipal de VRSA, Célia Paz.

    José Estêvão Cruz, por procuração da diretora do Jornal do Algarve, leu um texto de saudação ao historiador Fernando Pessanha. Aquele jornal vem apoiando a publicação dos trabalhos do autor inserindo mensalmente na revista encartada no corpo do jornal, dedicada aos assuntos da cultura.

  • Fernando Pessanha e o corsário de 1336

    Fernando Pessanha e o corsário de 1336

    Ao cair a noite do dia 21 de outubro, pouco passava das 19:00, um público que lotou por completo o Velho Cavalinho Taberna Medieval, em Castro Marim assistiu ao lançamento do último trabalho do historiador vila-realense Fernando Pessanha.

    A apresentação “A expedição do corsário D. Gonçalo Camelo contra as costas de Huelva, em 1336», tratou este episódio da nossa História Militar Naval.

    Perante uma casa cheia e manifestamente atenta, o historiador algarvio, recentemente doutorado pela Universidade de Huelva, dissertou sobre uma expedição militar naval silenciada pelas crónicas castelhanas e nunca antes sujeita a cuidada apreciação crítica pela historiografia portuguesa.

    Segundo o historiador, também investigador da Academia de Marinha, esta expedição militar naval foi sendo, ao longo dos tempos, referida de forma ambígua e mesmo contraditória pelos historiadores nacionais, «pelo que se tornava pertinente analizar criticamente este episódio bélico ocorrido durante o reinado de D. Afonso IV, nomeadamente, durante a guerra luso-castelhana de 1336-1339».

    Foi nesse contexto que Pessanha clarificou a identidade de D. Gonçalo Camelo, para posteriormente se concentrar na análise dos recursos materiais e humanos disponibilizados para esta expedição, da qual resultaram assaltos contra Lepe e Gibraleón.

    No final, o historiador explicou ainda que os ataques castelhanos ao castelo de Castro Marim, entre 1337 e 1338, onde então se encontrava aquartelada a Ordem de Cristo, que constituíram uma clara represália movida pela expedição naval de D. Gonçalo Camelo e de outras acções militares ocorridas durante este conflito luso-castelhano. 

    Foto: João Conceição.

  • Separata de Fernando Pessanha sobre corsário

    Separata de Fernando Pessanha sobre corsário

    Esta separata foi originalmente publicada língua espanhola, no volume 15 da revista «Huelva en su Historia», da Universidade de Huelva.

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    A versão original deste estudo, em língua portuguesa, foi posteriormente publicada no Volume Nº 4 da «e-Strategica» – Revista da Associação Ibérica de História Militar. Agora é a Editora Guadiana, de Vila Real de Santo António, que faz a edição da separata.

    A capa é de Adela M. Sevilla, da Editamarketing – Servicio de Comunicación y Diseño Editorial, vindo este estudo de Fernando trazer luz sobre uma expedição corsária que teve lugar durante o reinado de D. Afonso IV, silenciada pelas crónicas castelhanas, a expedição naval comandada por D. Gonçalo Camelo contra as costas de Huelva, nomeadamente, contra Lepe e Gibraleón, no contexto da guerra luso-castelhana de 1336-1339.

    Depois das apresentações em Punta Umbría e em Ayamonte, Espanha, o lançamento desta investigação, agora em língua portuguesa, terá lugar em Castro Marim, onde em 1336 estava estabelecida a Ordem de Cristo, que igualmente combateu na guerra luso-castelhana de 1336-1339.

  • Uma importante descoberta arqueológica sobre Arenilha

    Uma importante descoberta arqueológica sobre Arenilha

    De facto, uma das grandes dúvidas da História do sotavento algarvio acaba de ser esclarecida: a localização das pedras nobres da Ermida de Santo António, edificada na vila de Santo António de Arenilha.

    Tal como podemos acompanhar nos vários estudos que temos vindo a publicar em várias revistas culturais/científicas/académicas, a vila de Arenilha foi fundada na foz do Guadiana, em 1513. Foi constituída como um couto de homiziados, sendo que no seu porto – onde eram contrabandeados escravos e mercadorias trazidas das praças portuguesas do Norte de África – era frequentemente atacado pelo corso e pela pirataria, principalmente a magrebina.

    Altar - Arenilha

    A partir de 1542, a alcaidaria-mor de Arenilha foi atribuída a António Leite, capitão das praças portuguesas de Mazagão, Azamor e do forte do Seinal, como compensação pela perda da capitania de Mazagão, onde se concentraram as forças portuguesas no sul de Marrocos depois da evacuação de Safim e Azamor.

    De facto, foi durante a evacuação de Alcácer Ceguer, em 1550, que o capitão António Leite transferiu para os edifícios religiosos de Santo António de Arenilha (Igreja da Trindade e Ermida de Santo António) as pedras nobres da capela existente no forte do Seinal, nomeadamente, as pias baptismais e de água benta, uma coluna com as armas de António Leite e até a pedra do altar-mor.

    Estas informações, avançadas por Hugo Cavaco, em 2010, e por nós desenvolvidas desde 2014, levantaram, no entanto, uma dúvida: o destino dado às pedras nobres de Arenilha quando a população da vila se dispersou pelo concelho, durante o séc. XVII que assistiu à Guerra da Restauração (1640-1668).

    A resposta a este enigma com quatro séculos foi agora desvendada pelo historiador de arte Marco Sousa Santos, que identificou, na Ermida de Santo António, em Castro Marim, um pedestal com o brasão de armas do capitão António Leite, alcaide-mor de Arenilha, assim como o tampo de uma mesa de altar onde figura a inscrição:

    “ESTE.(A)LTAR.E.IRMI/DA.MANDOV.FAZER.AMTO.LE.ESTÃNDO.POR.CAPITÃ.N/O.SE(INAL) (…)”.

    Esta descoberta destaca-se, desde logo, pela sua grande importância histórico-cultural, não só por se tratar de um património arqueológico dos Algarves de Aquém e de Além-mar, trazido para a foz do Guadiana no contexto da reformulação da estratégia norte-africana de D. João III, como também por se tratar dos únicos materiais (até agora conhecidos) que sobreviveram ao desaparecimento da sede de concelho de Santo António de Arenilha, reconstruída a partir de 1774 e cujo nome, em 1775, veio a ser alterado para Vila Real de Santo António, segundo deliberação do marquês de Pombal. Mais uma prova, agora física, de que a nossa terra é muito mais antiga do que, deliberadamente, nos quiseram convencer com o pretexto rebuscado da arquitectura pombalina. Contra factos não há argumentos.

    Fernando Pessanha
    Historiador
  • Um tavirense que nunca existiu conta as suas memórias

    Um tavirense que nunca existiu conta as suas memórias

    Na mesa, estavam presentes o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Tavira, Pedro Nascimento, Ana Cristina Matias, professora, Mariana Batista Machado, encarregada da Biblioteca da Misericórdia e o autor, Ofir Chagas.

    A cerimónia foi precedida de um momento musical acústico, proporcionado por dois amigos do autor, em Vila Real de Santo António, Mírian Rodrigues e José Cruz, seguindo-se, no final da cerimónia, uma visita guiada à Biblioteca onde ficam disponíveis para consulta as obras que conformaram a biblioteca do autor.

    Na análise da professora, Ana Cristina Matias, o ritmo narrativo é rápido, predomina a narração. O discurso direto é raro e a normalmente é muito bem escolhido, no sentido de ser uma afirmação de uma personagem que nos cativa. A quantidade das discrições, posso dizer que elas são são parcas, mas necessárias. Há, por exemplo, as várzeas da serra algarvia. A linguagem é clara. Há o narrar de factos históricos ou políticos relevantes para a cidade.

    A solicitação de Ofir Chagas, a Igreja foi entoada com uma salva de palmas em memória de Arnaldo Casimiro Anica, tavirense a quem muito se ficou a dever, pelo seu empenhamento cultural, numa simples homenagem «a esse conceituado historiador».

    Ofir Chagas fez alguns agradecimentos a pessoas que foram a base do lançamento do seu livro e afirmou que seria mesmo o último a ser publicado. Referenciou a atitude de Pedro Nascimento, Provedor da Santa Casa da Misericórdia pelo acolhimento da sua «singela biblioteca, com a consciência de que quando eu próprio desaparecer encontra uma longa existência e a utilidade que possa servir os tavirenses». Igualmente «por ter autorizado o lançamento deste livro neste histórico».

    Ausente fisicamente, mas presente na obra esteve o tavirense que nunca existiu Benvindo dos Reis Correia.

    A imagem é de Vitor Cardeira, que captou um momento extraordinário, na apresentação de um livro. Testemunhamos que a gata estava ali de livre vontade.
  • Porto de Taifa de Niebla pode ter sido em San Juan del Puerto

    Porto de Taifa de Niebla pode ter sido em San Juan del Puerto

    Os professores de História Moderna da Universidade de Huelva, David González Cruz e da Área de Arqueologia da própria universidade, Javier Bermejo Meléndez, publicaram na revista científica «Links of History» um artigo citado pelo jornal Huelvs.es, em que colocam as instalações portuárias do reino Taifa de Niebla e dos tempos romanos na cidade de San Juan del Puerto.

    O testemunho oferecido pelo geógrafo islâmico Al-Idrisi foi fundamental, segundo eles, dado que que apontou para que os navios que navegavam no rio Tinto tivessem chegado onde ocorreu o estreitamento de seu estuário, depois de evoluir o canal de uma largura de uma milha, na sua foz, para um comprimento de um passo de distância.

    Partem da consideração desta descrição feita por Al-Idrisi e dos dados de altitude, com relação ao nível do mar, das cidades de Niebla e San Juan del Puerto, tornando evidente que as instalações portuárias necessárias para navios de médio e grande calado não poderiam ter sido localizadas nas instalações da muralha islâmica de Niebla em torno de 39 metros de altitude, já que ali não chegaria em contínuo a influência das marés.

    Diante as evidências observadas, as fontes documentais têm sido contrastadas com a cartografia histórica da região e com os resultados das prospecções arqueológicas realizadas anteriormente, terminam.

  • Fernando Pessanha propõe nova data de fundação para VRSA

    Fernando Pessanha propõe nova data de fundação para VRSA

    É esta controversa revisão da narrativa vigente que o historiador vilarealense Fernando Pessanha reiterou, ontem à tarde, no Arquivo Histórico Municipal António Rosa Mendes, à luz da descoberta de novos documentos, por parte de uma geração de novos historiadores.

    Fernando Pessanha tem vindo a publicar, em livros, separatas e artigos de jornal, um acervo de documentação para corroborar a sua tese, mesmo tendo em conta os trabalhos apresentados por Athaíde de Oliveira, Romero de Magalhães ou Hugo Cavaco, considerando que a Vila de Santo António de Arenilha é não apenas a origem como vive na atual Vila Real de Santo António, sendo esta a sua reconstrução.

    Assim, depois de ter consultado e reunido vasta documentação, nos últimos anos, o historiador nega qualquer dictomia entre a Vila de Arenilha e a do Marquês, que considera como a mesma realidade geográfica, afixando o 8 de Fevereiro de 1513 como a data real da fundação.

    O auditório estava repleto e foram notadas as presenças da vereadora da Cultura, Conceição Pires, da presidente da Assembleia Municipal, Célia Paz e do Capitão do Porto.

    Na manhã, na Avenida das Comunidades, foi descerrada uma placa em honra do Capitão Cristóvão de Mendonça, comendador de Arenilha e capitão, filho de Diogo de Mendonça, alcaide-mor de Mourão e um dos navegadores mais polémicos e controversos da história dos Descobrimentos Portugueses que aparece referido na documentação como fidalgo da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo, em 1514.

  • CCDR Algarve lembrou passado de Silves

    CCDR Algarve lembrou passado de Silves

    Lembrou os testemunhos da presença humana recolhidos na região de Silves e ao longo do curso do Rio Arade, que «revelam a sua existência desde os tempos Pré-Históricos. Os monumentos megalíticos como os menires do Monte Roma, em Silves, e os menires da Vilarinha, manifestam atividade daquelas comunidades agrícolas do período Neolítico da Região».

    Assinalou que «Dois quilómetros a poente do atual núcleo urbano, existiram as ruínas de uma importante feitoria fenícia do 1º milénio a.C. Aquele povoado terá sido muito provavelmente a chamada Cilpes, que manteve relações comerciais com povos de remotas regiões do Mediterrâneo oriental»

    «Após a presença romana, a ocupação muçulmana preponderou entre os séculos VIII a XIII, e marcou profundamente a história e o urbanismo da cidade. Amantes das artes e das ciências, permitiram o desenvolvimento deste importante pólo cultural e político do al-Gharb al-Andaluz, nos séculos IX a XII. Ficou na memória dos seus habitantes, a Medina Xelb conhecida, como a cidade de filósofos e poetas, Ibn Caci, Ibn Ammar ou o rei Al-Mutamide», assinala o texto do organismo regional.

    Lembrando a História, «A primeira conquista cristã acontece em 1189. As tropas portuguesas governadas por D. Sancho I foram assistidas por um contingente de Cruzados em trânsito para a Terra Santa, que aportara acidentalmente em Lisboa. A efémera sujeição durou apenas dois anos, Al-Mansur dota a cidade com fortes muros e infra-estruturas de aprovisionamento de água. A derradeira conquista cristã acontece em meados do séc. XIII. D. Afonso III, apressa-se a nomear um bispo para esta sede episcopal, e logo a cidade se tornou capital de todo o Algarve».