O projeto de reintrodução do bisonte-europeu no Alto Tejo (Guadalajara, Espanha) é não só credível, como representa uma das frentes mais avançadas do chamado rewilding (reconstrução selvagem) na Europa.
Sob a égide da organização Rewilding Spain.
Com o apoio de entidades científicas como a Universidade do País Basco e o Centro de Conservação do Bisonte Europeu, a iniciativa no município de El Recuenco utiliza estes animais como “engenheiros de ecossistemas”.
A técnica baseia-se na capacidade do bisonte de consumir até 30 kg de matéria vegetal por dia, funcionando como um sapador florestal natural que reduz a carga de combustível e, consequentemente, o risco de incêndios catastróficos.
Abaixo, apresento a notícia redigida com base nos dados mais recentes desta investigação.
Num esforço inovador para combater a desertificação populacional e o risco crescente de grandes incêndios, a região do Alto Tejo recebeu recentemente uma manada de bisontes-europeus (Bison bonasus). O projeto, integrado na iniciativa Iberian Highlands, visa restaurar processos ecológicos perdidos há milénios, utilizando o maior herbívoro da Europa como uma ferramenta de gestão florestal viva.
O “Aparador de Relva” de Uma Tonelada
A lógica por trás da introdução destes animais é estritamente técnica. Com o abandono do pastoreio tradicional, as florestas espanholas acumularam uma densidade excessiva de mato e biomassa seca — o combustível perfeito para os incêndios de “sexta geração”.
Os bisontes atuam em três frentes principais:
- Controlo de Biomassa: Consumindo vegetação lenhosa e rebentos que outros animais ignoram, os bisontes limpam o subsolo florestal.
- Criação de Clareiras: Ao abrirem caminho na mata densa, permitem a entrada de luz, o que favorece o crescimento de erva (menos inflamável que o mato) e aumenta a biodiversidade de insetos e aves.
- Dispersão de Sementes: Através das suas fezes e do pelo, os bisontes transportam sementes, revitalizando solos empobrecidos.
Ciência e Monitorização de Precisão
A credibilidade do projeto assenta num acompanhamento rigoroso. A manada, composta atualmente por fêmeas e machos provenientes de centros de conservação, vive em regime de semi-liberdade numa área de 400 hectares de mata pública.
Os animais estão equipados com coleiras GPS que permitem aos investigadores da Rewilding Spain e de várias universidades europeias mapear exatamente como a sua presença altera a estrutura da vegetação.
Estudos preliminares em outras zonas de Espanha, como Segóvia, indicam que a presença de grandes herbívoros pode reduzir drasticamente a velocidade de propagação de um incêndio florestal.
Impacto Social: O Regresso à Vida Rural
Para o autarca de El Recuenco, Enrique Collada, o projeto é a “joia da coroa” da vila. Com apenas cerca de 80 habitantes, o município vê nos bisontes uma oportunidade de ecoturismo e criação de emprego local.
Ao contrário do que se poderia prever, a presença destes animais é compatível com atividades tradicionais como a caça, a recolha de cogumelos e a extração de madeira, criando um modelo de coexistência sustentável.
“Esperamos que o bisonte nos ajude a reduzir o risco de incêndios catastróficos através do pastoreio, ao mesmo tempo que coloca o Alto Tejo no mapa do turismo de natureza internacional,” afirma Collada.
Desafios e Futuro
Embora existam debates académicos sobre se o bisonte-europeu viveu historicamente em todas as zonas da Península Ibérica, a sua eficácia funcional como substituto de herbívoros extintos é amplamente aceite pela comunidade científica de conservação. O projeto do Alto Tejo junta-se agora a outros núcleos na Roménia e Polónia, consolidando o bisonte como uma peça-chave na resiliência climática da Europa.
Repotagem de GEM-DIGI
F. Pesquisa
Investigação e Análise de Dados