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Etiqueta: atrasos

  • A Ponte que a Burocracia Espanhola Insiste em Travar

    A Ponte que a Burocracia Espanhola Insiste em Travar

    ALCOUTIM / SANLÚCAR DE GUADIANA – O que deveria ser um símbolo de união e desenvolvimento para o interior do Algarve e da Andaluzia transformou-se num labirinto administrativo de difícil saída.

    A construção da ponte internacional entre Alcoutim e Sanlúcar de Guadiana, um projeto ambicioso financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), enfrenta agora o seu maior obstáculo: a burocracia do lado espanhol.

    O Bloqueio: Novos Requisitos Ambientais

    Ao contrário do habitual ceticismo em relação à agilidade portuguesa, desta vez o “travão” vem de Sevilha.

    De acordo com informações avançadas pelo jornal Huelva Información e confirmadas por fontes governamentais em março de 2026, a Junta da Andaluzia introduziu novos requisitos ambientais de última hora que estão a paralisar o processo.

    A subdelegação do Governo espanhol em Huelva aponta diretamente para uma “mudança de critério” por parte das autoridades autonómicas andaluzas.

    Estes novos entraves administrativos colocam em risco o financiamento europeu, uma vez que as verbas do PRR exigem prazos de execução extremamente rigorosos, com data limite de conclusão prevista para o segundo semestre de 2027 (já após um prolongamento implícito dos calendários originais de 2025/2026).

    CCDR Algarve: “Demos todos os passos necessários”

    Do lado de cá da fronteira, o sentimento é de frustração contida. A CCDR Algarve, que atua como beneficiário intermediário, tem reiterado que Portugal já cumpriu a sua parte.

    • Projeto de Execução: Concluído e aprovado.
    • Avaliação Ambiental: Validada pelas autoridades portuguesas (APA e ICNF) com reconhecimento de “Relevante Interesse Público”.
    • Financiamento: Garantido e reforçado para cerca de 15 milhões de euros.

    José Apolinário, presidente da CCDR Algarve, manifestou recentemente confiança de que as dúvidas serão resolvidas, mas a pressão sobre a Comissão Técnica Mista é total. Sem o “luz verde” definitivo para os acessos do lado espanhol — da responsabilidade da Diputación de Huelva e sob tutela ambiental da Junta — a Câmara de Alcoutim não pode avançar com o concurso de empreitada.

    O Risco de Perder o Comboio Europeu

    O deputado andaluz Mario Jiménez (PSOE) foi um dos mais críticos, classificando o atraso como “responsabilidade exclusiva da Junta da Andaluzia”.

    O receio político e técnico é que, se o impasse se prolongar por mais alguns meses, Portugal seja forçado a reallocate os fundos do PRR para outros projetos, deixando Alcoutim e Sanlúcar — separadas por escassos 300 metros de rio — condenadas a mais décadas de isolamento rodoviário.

    Enquanto os gabinetes em Sevilha e Madrid trocam acusações, os habitantes das duas margens continuam a depender de embarcações para cruzar uma fronteira que, no papel, já devia ter caído há 30 anos.

  • Atrasos nas obras da Ponte do Vascão em Mértola questionados pelo PS

    Atrasos nas obras da Ponte do Vascão em Mértola questionados pelo PS

    O PS questionou o Governo sobre os «sucessivos atrasos» na obra de reabilitação da ponte da Ribeira do Vascão, no concelho de Mértola, distrito de Beja, lembrando que deveria estar pronta desde 30 de novembro de 2024.

    Numa pergunta entregue na Assembleia da República (AR), ontem quinta-feira, o deputado do PS eleito pelo círculo de Beja, Pedro do Carmo, argumentou que a empreitada, em curso, já foi alvo de dois adiamentos sucessivos e, agora, prevê-se a sua conclusão apenas a 30 de setembro deste ano.

    O parlamentar socialista, no documento dirigido ao ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, lembrou que a ponte da Ribeira do Vascão «constitui um eixo rodoviário entre o Alentejo e o Algarve», devendo a sua reabilitação, «iniciada a 30 de setembro de 2024», ter «sido concluída a 30 de novembro do mesmo ano».

    O prolongamento da obra «tem gerado fortes impactos negativos para a população e [para] os empresários de Mértola, nomeadamente no setor do turismo, da restauração e do comércio», afiançou o deputado.

    No documento, Pedro do Carmo questionou o Governo sobre as medidas a tomar para assegurar a conclusão urgente da obra antes do pico da época alta turística, assim como a previsão de criação de um plano de compensação para o município de Mértola e os empresários locais pelos prejuízos económicos já causados pela interdição prolongada da ponte.

    O socialista alertou ainda para as consequências do desvio do «tráfego para vias municipais sem condições», o que coloca em risco a segurança rodoviária e aumenta a degradação das infraestruturas locais.

    Em maio, por ocasião do último adiamento, a Infraestruturas de Portugal (IP), responsável pela empreitada, justificou que o atraso se devia à «dificuldade no fornecimento atempado de equipamentos necessários para o desenvolvimento da obra».

    Por isso, tornava-se imprescindível manter a interdição da circulação rodoviária na ponte, ao quilómetro 72,816 da Estrada Nacional 122 (EN122), que liga os distritos de Faro e Beja, no sudeste de Portugal.

    ./com Lusa e imagem Infraestruturas de Portugal
     
     
     
     
     
  • Verdelago anuncia prazos em obras

    Verdelago anuncia prazos em obras

    O resort de luxo Verdelago, no Algarve, abriu portas no verão de 2023. Mas ainda há mais de 100 casas para acabar e um hotel para construir, motivo pelo qual foram celebrados novos contratos de empreitada recentemente com três empresas de construção.

    O Verdelago Resort, situado entre a Praia Verde e Altura, já abriu portas, mas ainda não está totalmente concluído. Foi precisamente para avançar com as construções em falta que foram assinados três novos contratos de empreitada, lê-se em comunicado enviado às redações:

    acabamentos e instalações especiais de 56 apartamentos situados nos lotes 12, 32 e 47 vão ser levados a cabo pela Teixeira Duarte;
    acabamentos e instalações especiais de 54 novas townhouses/apartamentos, que compõem os lotes 21, 22, 23, 29 e 30 foram adjudicados à construtora San José;
    empreitada de movimento de terras, contenções, fundações e estrutura do Hotel do Verdelago foi entregue à empresa 3Jb Construções.
    Isto quer dizer que os próximos passos para a construção deste empreendimento de luxo e sustentável no Algarve passam por executar os acabamentos de mais de 100 casas e ainda por preparar o terreno onde vai ser construído o Hotel do Verdelago. A par deste está também prevista a construção de um “mini-resort” para acomodar trabalhadores, com um investimento de cerca de 9 milhões de euros, para fazer face à falta de habitação que complica a contratação de pessoas.

    O Verdelago Resort trata-se de um empreendimento turístico-residencial composto por apartamentos e townhouses de luxo e com o acesso direto à praia a partir de passadiços. Possui 86 hectares de terreno, dos quais apenas 8,7% são ocupados por edifícios desenhados pelo atelier Saraiva + Associados. Destes, 70 hectares são de vegetação e incluem um Parque Verde de Recreio e de Lazer com cerca de 42 hectares, uma reserva natural em frente do mar com 24 hectares, áreas de interpretação ambiental, conservação e promoção do habitat e um lago com 2 hectares.
  • Vítimas da gestão privada dos CTT diz o PCP Algarve

    Vítimas da gestão privada dos CTT diz o PCP Algarve

    Segundo o partido, cerca de oito anos depois da privatização dos CTT , em 2014, que o Governo PSD/CDS concretizou, confirmam-se todas as consequências negativas para as salienta ter alertado atempadamente.

    E, explicando o seu posicionamento, afirma que «A lógica de uma gestão desligada dos interesses e necessidades das populações e amarrada aos milhões de euros de lucros que os acionistas estão a ganhar, é a que prevalece. Continua o encerramento de balcões e a redução do seu horário de funcionamento, o despedimento de milhares de trabalhadores (mais de 4000 desde a privatização) e a incapacidade – dados os baixos salários – para fixar novos trabalhadores e a transformação dos CTT num banco privado, em detrimento do serviço postal de qualidade que deveria assegurar»

    Na região do Algarve, diz ainda o PCP, multiplicam-se as queixas e as denúncias quanto aos atrasos na entrega do correio, situação essa que se agrava durante o verão, com reformados a receberam a sua reforma dez dias depois do previsto, com faturas da luz a chegar aos clientes já depois dos prazos de pagamentos, com a imprensa regional a queixar-se de que os jornais chegam a casa dos leitores duas a três semanas depois, com as populações e as empresas prejudicadas com o correio normal e mesmo o azul a chegar cada vez mais tarde.

    Os problemas mais agudos sentem-se junto das populações mais isoladas da serra e interior algarvio, mas também nos grandes centros urbanos, «assistiu-se à redução do número de giros por parte dos carteiros que, tal como outros trabalhadores, não têm mãos a medir para tanto trabalho».

    Tudo isto acontece com a «completa cumplicidade do governo PS que, em vez de ter recuperado para o Estado o controlo e a propriedade dos CTT, ainda recentemente prolongou o contrato de concessão do serviço postal até 2028».

    O PCP entende que as populações algarvias precisam de um serviço postal de qualidade e proximidade e que o Algarve e o País estão a andar para trás nesta como noutras matérias.

    «Como a vida está a confirmar a privatização dos CTT só beneficiou a família Champalimaud e diversos fundos de investimento norte-americanos. O PCP reclama uma intervenção urgente do Governo – que não se pode esconder por detrás da ANACOM – para pôr cobro a uma situação que está a prejudicar a vida de quem trabalha, de milhares de empresas, dos reformados e pensionistas. A defesa do interesse do Algarve e do País reclama a recuperação do controlo público desta empresa», termina.