FOZ – Guadiana Digital

Etiqueta: assoreamento

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  • Mar 2030 mais perto de Mértola

    Mar 2030 mais perto de Mértola

    Salvador Malheiro Secretário de Estado das Pescas e do Mar, esteve esta manhã em Mértola, revela MMM Mertola Informação.

    Para além de uma reunião realizada no edifico da Estação Biológica de Mértola (EBM) com o Presidente da Câmara Municipal, Mário Tomé e restante executivo.

    Foram abordados temas sobre os desafios e oportunidades do rio Guadiana e respetivo enquadramento do concelho de Mértola no Programa MAR 2030,

    Salvador Malheiro, também marcou presença num encontro no Cais do Guadiana, com alguns pescadores locais.

    No final da reunião hoje realizada, o Presidente do Município de Mértola e o Secretário de Estado das Pescas e do Mar fizeram um balanço muito positivo da mesma.

    Ver em: https://www.facebook.com/share/v/1B7XyfsgrJ

  • O Paradoxo da Foz: Um Rio de Planos e uma Barra de Areia

    O Paradoxo da Foz: Um Rio de Planos e uma Barra de Areia

    Vila Real de Santo António e Ayamonte partilham o mesmo estuário, mas vivem realidades marítimas opostas. Enquanto o Plano de Navegabilidade do Guadiana aponta para o interior, a entrada do rio continua a ser um muro invisível que dita a sorte das duas margens.

    Por: F. Pesquisa/jestevaocruz

    O Rio Guadiana, que deveria ser a grande autoestrada líquida do Sotavento, enfrenta hoje um diagnóstico contraditório. De um lado, multiplicam-se os planos de navegabilidade e as intenções de levar o turismo fluvial até Alcoutim e Mértola. Do outro, a realidade física da barra impõe-se com uma crueza que os mapas de gabinete parecem ignorar: bancos de areia que, em maré baixa, reduzem a profundidade a pouco mais de dois metros, tornando a entrada num jogo de roleta russa para embarcações de maior calado.

    Esta barreira de inertes não é apenas um problema ambiental; é o fiel da balança de uma profunda assimetria económica. A frota de Ayamonte, robusta e composta por mais de 120 embarcações — muitas delas de arrasto e cerco —, domina as águas do estuário, beneficiando de um porto que historicamente recebeu o investimento necessário para manter a sua operacionalidade. Do lado português, o cenário é o de um espelho invertido.

    A Lota que Olha para a Estrada

    O dado mais revelador desta disfunção encontra-se na Lota de Vila Real de Santo António. Num fenómeno que os especialistas locais classificam como “Lota Seca”, estima-se que entre 70% a 80% do pescado ali transacionado não chegue por via marítima. Em vez de redes e mastros, o que alimenta o leilão diário são os camiões. O peixe chega por estrada, vindo de outros portos ou da vizinha Andaluzia, transformando a lota num centro logístico terrestre em vez de um entreposto marítimo vibrante.

    Esta dependência do asfalto encarece a operação e sublinha a fragilidade da frota local, composta maioritariamente por pequenas unidades de pesca artesanal que sobrevivem nas margens da pujança espanhola. Sem o desassoreamento da barra, a frota de VRSA está condenada à pequena escala, incapaz de crescer para unidades que exijam a segurança de um canal de entrada profundo e constante.

    Navegabilidade: O Elo Perdido

    O atual Plano de Navegabilidade do Guadiana, embora ambicioso no seu desenho para o interior, arrisca tornar-se um investimento manco. De nada serve balizar e dragar o canal até Alcoutim se a “porta de entrada” continua obstruída. Para que o iatismo de cruzeiro e os navios de recreio — que necessitam de margens de segurança de pelo menos quatro metros — possam de facto dinamizar a economia transfronteiriça, o desassoreamento da barra tem de deixar de ser uma promessa cíclica para se tornar uma prioridade estrutural.

    Atualmente, a Foz do Guadiana perde competitividade a cada maré. Enquanto o turismo náutico no Algarve cresce a um ritmo de 5% ao ano, este canto do território vê o valor económico do rio passar ao largo ou ficar retido em Ayamonte, onde o volume de negócios chega a ser cinco vezes superior ao registado na margem portuguesa.

    A conclusão é inevitável para quem analisa os números e a geografia: o futuro do Baixo Guadiana não se decide apenas nas capitais ou nos gabinetes da Eurocidade, mas sim nos sedimentos que a corrente deposita na foz. Sem abrir a porta do rio, os planos de navegabilidade serão pouco mais do que cartas de intenções guardadas numa gaveta que a areia teima em soterrar.

    Foto: Vitor Oliveira – Torres Vedras