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Etiqueta: arquitetura

  • Partiu José Veloso o arquiteto do povo o velejador o democrata

    Partiu José Veloso o arquiteto do povo o velejador o democrata

    Arquiteto do povo, porque passou a vida em luta pelas necessidades habitacionais dos mais carenciados para quem projetou; velejador, porque era um exímio e apaixonado nauta; democrata, porque lutou sempre para que Portugal tivesse um regime de direitos, liberdades e garantias, onde fossem respeitados os direitos de quem trabalha.

    A sua vida e obra merecem o respeito de todos os democratas e o seu partido, o PCP, divulgou uma nota do falecimento que aqui reproduzimos e que, projeta a imagem completa da dimensão deste algarvio que recolhe hoje à última morada, onde poderá ser recordado, na sua cidade natal.

    Na nota do Secretariado da Direcção da Organização Regional do Algarve, o PCP manifesta o seu profundo pelo falecimdnto em 19 de Janeiro de 2024, José Paulo Velho Geraldo de Albuquerque Veloso, discorrendo, depois sobre a sua vida, obra e participação política.

    «É com profundo pesar que o Secretariado da Direcção da Organização Regional do Algarve do Partido Comunista Português informa que faleceu em 19 de Janeiro de 2024, José Paulo Velho Geraldo de Albuquerque Veloso. Nascido a 9 de Junho de 1930 na Freguesia de Santa Maria em Lagos, José Veloso, licenciou-se em Arquitectura pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa e passou a exercer a sua profissão em Lagos, onde abriu o seu próprio Gabinete de Arquitectura.

    Em 1967 e em 1972, fez parte das delegações portuguesas de arquitectos aos congressos da União Internacional dos Arquitectos, respectivamente na Checoslováquia e na Bulgária. Em 1969 participou activamente no Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE) e foi então candidato da CDE, por Faro, à Assembleia Nacional.

    Após o 25 de Abril em 1975, foi candidato à Assembleia Constituinte, pelo MDP-CDE. Foi candidato do PCP, em diversas eleições para a Assembleia da República, sempre pelo círculo de Faro. Foi membro da Assembleia Municipal de Lagos, nas listas da APU e da CDU, nos mandatos de 1980 a 1982, 1986 a 1989 e 1990 a 1993. Foi eleito vereador na Câmara Municipal de Lagos, pela APU, no mandato de 1983 a 1985 e membro da Comissão Organizadora da Assembleia Constituinte da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, ANMP. Integrou a Comissão Concelhia de Lagos e foi membro da Direcção da Organização Regional do Algarve do PCP.

    Dando cumprimento a uma das maiores conquistas da Revolução de Abril “ O Direito à Habitação” José Veloso trabalhou para o Fundo de Fomento da Habitação, como coordenador de equipas de projecto do Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL), com projectos construídos em diversos concelhos algarvios. É nesse quadro que José Veloso ficou com o seu nome de arquitecto irreversivelmente ligado a um extraordinário acontecimento popular, marca da Revolução de Abril: «Os índios da Meia Praia».

    Como membro da Cooperativa BLOCO, Crl., dedicou a sua actividade profissional quase exclusivamente a projectos de equipamentos públicos, de habitação de promoção municipal e de habitação cooperativa, com obras construídas em vários concelhos algarvios e alentejanos. Recebeu menções honrosas do Fundo de Fomento da Habitação, em projectos de habitação cooperativa, em Lagos, e tem uma obra, em Monchique seleccionada pelo IPPAR. Diversas obras suas foram escolhidas pelo Inquérito à Arquitectura Portuguesa do Século XX, IAPXX, promovido pela Ordem dos Arquitectos.

    Fez parte de listas para os corpos sociais da Associação dos Arquitectos Portugueses, antecessora da Ordem dos Arquitectos, tendo sido eleito para o conselho de delegados. Em 2021 a Ordem dos Arquitectos homenageou-o com o Titulo de Membro Honorário. Além de projectos de arquitectura, publicados em revistas da especialidade, colaborava frequentemente na imprensa regional do Algarve, com artigos de opinião.

    Editou vários Livros nomeadamente: “Lagos e outras terras, memórias soltas e alguns pensamentos sobre gentes da borda d`água, barcos, mar e rios”, “Houve fascismo em Portugal, testemunhos de um cidadão”, “Brevíssima foto-história da Cidade marítima, ao longo do século XX, memórias da cidade bela”, “Grandes navios de vela de bandeira portuguesa, compilação fotográfica com alguma história”.

    Foi participante do grupo fundador do Clube de Vela de Lagos, em 1950, e eleito em vários mandatos como Comodoro e como Presidente da Direcção. Foi membro eleito do Conselho Técnico da Federação Portuguesa de Vela, em 1973/74, foi sócio fundador e eleito Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Lacobrigense de Desportistas Náuticos , foi sócio fundador e eleito Presidente da Mesa da Assembleia Geral da TERTÚLIA, Associação Sócio-Cultural de Aljezur.

    José Veloso teve uma vida inteiramente dedicada à luta e intervenção pela emancipação dos povos, pela democracia, o progresso social, a paz e o socialismo.

    A direcção de FOZ – Guadiana Digital, apresenta a Miguel Veloso, nosso colaborador, e família, as mais sentidas condolências.

  • José Veloso e Miguel Veloso apresentam livro sobre o Projeto SAAL

    José Veloso e Miguel Veloso apresentam livro sobre o Projeto SAAL

    A partir de então, falar de habitação passou a ser falar «de mais que simples aglomerados de alojamentos, mas de qualidade de vida, de espaços de encontro e de promoção e desenvolvimento do processo de inclusão social de pessoas, de famílias marginalizadas.
    Falar de habitação passou a ser falar de um direito.”

    O SAAL não é uma receita, dizem, o SAAL foi um programa criado num tempo histórico, para Portugal e para o Mundo, e numa forma irreproduzível. Existiu numa época cujos contornos, cultural, social, político, exigem, para a análise dos acontecimentos de então, um esforço intelectual para não usar as referências da vida de hoje.”

    Miguel Veloso faz um especial reconhecimento aos arquitetos João Moutinho, José Maria Lopes da Costa e José Veloso, seu pai, e ao designer Manuel Dias, coautores de muitos dos projetos executados.

  • A Liberdade a inspirar o Simpósio Internacional de Escultura em Portimão

    A Liberdade a inspirar o Simpósio Internacional de Escultura em Portimão

    O objetivo é estimular a reflexão sobre um tema fundamental da contemporaneidade portuguesa, contando com a presença de escultores consagrados, Hitoshi Tanaka (Japão), Liu Yang e Li Zhao (China), Aktham Abdulhamid (Síria) e Canan Zongur (Turquia).

    Cada artista produzirá uma obra em mármore nacional, que dará continuidade ao projeto expositivo de esculturas à beira-rio, e durante o seu processo de realização os escultores trabalharão ao vivo, abrindo o diálogo sobre a dicotomia artista e ou matéria, enfatizado pelas distintas perspetivas culturais de cada um, o que permitirá aos transeuntes acompanhar o crescimento das obras e assimilar o processo de criação, inspirado no tema proposto.

    Durante este período, os artistas estarão a trabalhar em espaço público, expondo o seu processo, as suas dúvidas e preocupações e abrindo-se à interação com a população, informando o público sobre a sua reflexão e permitindo a participação neste processo aberto.

    Esta produção da Associação Cultural Cuneo Sularte tem curadoria de Arlindo Arez e conta com a colaboração da ISSA – International Sculpture Symposium Alliance, em parceria com o Museu de Portimão, além do apoio institucional do Município de Portimão, e integra a programação local do 50º aniversário da Revolução dos Cravos, informa a câmara municipal de Portimão

  • Quarto livro sobre a habitação SAAL no Algarve

    Quarto livro sobre a habitação SAAL no Algarve

    O arquiteto Miguel Reimão Costa entregou ao arquitecto Zé Veloso um exemplar do quarto livro da colecção «Operações SAAL – Cidade Participada: Arquitectura e Democracia – Algarve», do qual foi coordenador conjuntamente com a arquiteta Ana Alves Costa.

    O SAAL foi criado por despacho conjunto, de 31 de Julho de 1974, do Ministro da Administração Interna, Manuel da Costa Brás, e o Secretário de Estado da Habitação e Urbanismo, Nuno Portas, do II Governo Provisório, e definia o apoio do Governo «à iniciativa dos moradores mal alojados e incentivos para os mesmos se organizarem em cooperativas de habitação ou associações de moradores».

    Nas palavras do Zé Veloso, aquele que é visto por Nuno Portas como o «arquiteto pragmático« e por dona Luísa Moreira como o «arquitecto que fez casas para os pobres», «o SAAL não foi apenas um programa do governo para eliminar barracas e construir casas», mas «o 25 de Abril a dizer a cidadãos marginalizados que podiam praticar direitos democráticos que passavam a possuir». E foi assim que, no Algarve, o SAAL foi entendido e se desenvolveu.

    Apesar da enorme oposição de muitos com responsabilidades políticas e sociais que, ou não entenderam o processo ou viam os seus interesses e privilégios de classe postos em causa, e a oposição, incúria e desprezo por parte da maioria das autarquias, pelo que social e politicamente o SAAL representava, tudo fizeram para o travar, entre Agosto de 1974 e Outubro de 1976, 1324 famílias associaram-se e ergueram 25 bairros em vários concelhos do Algarve.

    Infelizmente muitas outras ficaram por realizar.

    ./Miguel Veloso