FOZ – Guadiana Digital

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  • Vicente Campinas, o homem da beira-rio

    Vicente Campinas, o homem da beira-rio

    Conheci António Vicente Campinas ainda muito novo, quando me deslocava à sua papelaria a comprar cadernos ou lápis e nem sequer sabia que aquele era o homem que tinha escrito um livro que repousava numa estante de corredor, em casa dos meus primos, onde o descobri e passava algum tempo a decifrar o significado daqueles poemas.

    “Aguarelas”, era um livro que consultava com regularidade, nas tardes quentes em que o sol deixava de ser de branco feérico, filtrado pelas cores algo fantásticas dos vitrais daquela peça da casa dos meus primos virada à Rua Almirante Reis, para mim mágica. 

    A minha curiosidade era aguçada pela capa de aspeto antigo, onde se misturavam diversos elementos sedutores, uma lira da música, um pincel e uma lata de aguarelas, flores e ondas do mar e umas letras que pareciam saídas dos prospetos do “Cine-Foz“. 

    Porém, habituado aos romances volumosos que o meu pai lia, repletos com parágrafos intermináveis, o mistério maior era o porquê da existência daquele livro magricela, com as frases partidas e pequenas e muitas palavras difíceis de decifrar. Não me recordo que idade tinha quando tive pela primeira vez na mão o “Aguarelas”. Sei que foi bem cedo e sei que aquele livro teve influência em mim, tanto como teriam mais tarde as “Aventuras de Tom Sawyer”, de Mark Twain.

    Só voltei a contactar com Vicente Campinas depois do 25 de Abril em torno de duas paixões que nos seduziam a ambos. O PCP e o Jornal do Algarve, onde colaborava com alguma regularidade, graças à paciência do então chefe de redacção José Manuel Pereira.

    E foi pela sua mão e influência que me escolheram para ocupar o cargo que JMP deixava, depois de o exercer com tanta competência e moderação, mantendo a chama acesa da Imprensa Regional e o carinho dos leitores, tal como o tinham feito o seu fundador e o filho. E foram ainda os conselhos de JMP e de Vicente Campinas que me guiaram nesses anos muito difíceis para a sobrevivência do jornal (1979-1983) , quando, por via da política monetarista de desvalorização do escudo, praticamente todos os meses os custos de produção prometiam submergir o jornal com a crise. 

    No Jornal do Algarve, Vicente Campinas escreveu também com o pseudónimo de António do Rio. A escolha deste nome para as suas crónicas, revela também, a par da obra, a profunda marca que no íntimo lhe terá deixado o sofrimento das gentes da “baixa-mar”. E entendi-o perfeitamente, porque a minha família materna trabalhou nas várias fábricas de conservas e a paterna embarcou nas traineiras e enviadas ou implicou-se nas descargas da “muralha”.

    Quem quiser conhecer a alma profunda da hoje cidade de Vila Real de Santo António, tem obrigatoriamente de ler ou reler Vicente Campinas. Até hoje, ninguém como ele, escritor do neo-realismo português de obra vasta e talento reconhecido, plasmou de forma tão realista as vicissitudes e falas daqueles a quem a vida castigou com o rótulo de um viver nos limites da fome e da necessidade. 

    Nos tempos da Pandemia de hoje, onde é preciso ir em busca de coragem para enfrentar os desafios do presente e perspetivar um futuro melhor, reler Vicente Campinas é partir à descoberta dessa gente humilde e das formas como superaram o dia-a-dia. É partir ao encontro da dureza das formas de relacionamento humano e do discurso direto, quando se está nos limites da sobrevivência, mesmo se, por detrás das palavras de cada personagem, anda implícito o amor, o sacrifício, a partilha e a dedicação.

    A obra de Vicente Campinas será sempre o quadro pictórico, vivo, da algaraviada da baixa-mar, quando cheirava a atum pelas ruas, se apregoavam as conquilhas, as traineiras, em pousio, enchiam o Guadiana e os cargueiros os cais da muralha, a cheirarem a alfarroba e a palha.

    Quero voltar a recordar a sua figura de homem afável, conversador, amigo, comprometido com a causa dos deserdados, a sua sabedoria experiência e conselhos, o seu amor a Portugal e à terra onde nasceu, os sacrifícios que fez pelos outros, quando a sua capacidade e talento lhe permitiriam ter uma vida descansada. Mas ele sabia bem que ninguém é livre quando os outros são escravos, que ninguém se pode sentir confortável quando para os outros sobra uma vida arrastada. 

    A nota biográfica de António Vicente Campinas, nascido em Vila Nova de Cacela, em 28 de Dezembro de 1910, pouco tempo depois da implantação da República, e trazido para Vila Real de Santo António um ano depois, encontra-se exemplarmente descrita no livro “Guardador de Estrelas“, uma antologia de Gil Furtado, editada em 1994, prefaciada pelo escritor Urbano Tavares Rodrigues.

    Ao homem, ao poeta, ao escritor, ao camarada e ao amigo, dedico estas linhas e, tal como há dez anos, faço votos para que seja sempre recordado como agora, em especial pela comunidade do concelho de Vila Real de Santo António, cujo povo amou e lutou para que tivesse uma vida melhor, que relativamente tem, embora os tempos sejam de dúvidas e de sombras.

    Descansa em paz que nós cuidamos da tua obra!

    8 de Janeiro de 2021

    José Estêvão Cruz

  • Virús bate com força em Olhão

    Virús bate com força em Olhão

    O presidente da Câmara Municipal de Olhão, António Pina, lançou um apelo na sua página do Facebook para que os cidadãos compreendam a necessidade de assumirem comportamentos para impedir a propagação do novo coronavirus.

    No apelo em que afirma que a situação de Olhão se está a agravar, António Pina alerta que o concelho entrou em 2021 «em situação de risco elevado, depois de 9 meses em que nos mantivemos em valores muito abaixo da realidade da região e do país».

    Diz o presidente da CM de Olhão que «bastaram poucos dias para sairmos do índice (casos por 100 mil habitantes, nos últimos 14 dias) de 150 e ultrapassar o indice 240, o que nos colocou em situação de risco elevado».

    Confirmando com números, revela que atualmente, o índice subiu a 342.3 e o concelho caminha passos largos para situação de risco muito elevado, se ultrapassar o valor 480.

    «Estes valores são o resultado da presença do vírus na comunidade olhanense e que potencializam o surgimento de surtos, ainda mais quando os concelhos vizinhos apresentam números ainda mais elevados (Faro:370,4 ; S. Brás: 441,6 ; Tavira: 1137,4)».

    Revela ainda que «desde o início do ano tivemos, por dia, 18, 22 e 17 novos casos respetivamente. Atualmente temos 137 casos ativos. A situação é por isso muito negativa e com tendência a agravar-se».

    António Pina dis que a situação só poderá ser revertida «se mudarmos o nosso comportamento e adotarmos as necessárias medidas de segurança já conhecidas de todos: distanciamento, higiene e uso da máscara.Desprezar ou negar a existência do vírus é um ato irresponsável que nos afeta a todos. Compreendo que muitos dos que cumprem se sintam impotentes para travar ou mudar os comportamentos alheios, mas não é possível ter um polícia para cada pessoa e nem sequer retirar a liberdade individual de cada um. Mas a este ritmo de evolução pandémica, essa mesma liberdade poderá ficar em causa, com restrições que nos afetarão a todos, enquanto indivíduos e comunidade. Vencer depende de todos e cada um de nós!», termina na sua nota.

  • Cavalgada de Reis

    Cavalgada de Reis

    A noite das prendas dos Reis, tempo de cavalgatas simbolizando a tradição cristã da oferta ao Jesus menino pelos reis Magos. Ãntoñi Rocío Juán Campina de Almonte, esta extraórdinária imagem de uma cavalgata de Reis que nos foi dado ver. Diz ela ser “A cavalgada mais bonita do mundo!!!! Espetacular!!quando se fotografa a magia, saem à estampa fotos como esta.

  • Câmara de Lagoa no Algarve dá vales a desempregados

    Câmara de Lagoa no Algarve dá vales a desempregados

    A esta iniciativa do Município de Lagoa já aderiu cerca de uma centena de estabelecimentos comerciais situados no concelho. A lista dos locais onde os vales podem ser utilizados estão divulgados na página oficial do Município de Lagoa na internet .

    O conjunto de espaços comerciais, prestadores de serviços e vendedores de produtos vários, é diversificado.  Os vales podem ser descontados no período compreendido entre 25 de janeiro a 25 de julho de 2021.

    Para além desta oferta direta aos desempregados do concelho, quem comprar no comércio local de Lagoa fica habilitado a participar em cinco sorteios mensais. Ou seja, compras de valor igual ou superior a 10 €, em qualquer dos estabelecimentos aderentes, dão direito a um cupão que depois de preenchido deverá ser colocado numa das tômbolas localizadas no edifício principal da Câmara Municipal de Lagoa, no Pavilhão Municipal Jacinto Correia, também em Lagoa, nas sedes e delegações das juntas de freguesia do concelho.

    Através desta campanha serão sorteados 10.000 € em Vales de Compras em cada um dos primeiros cinco meses de 2021. Será assim distribuído por sorteio, um total de 50.000 € destinado a compras nos estabelecimentos aderentes. O normativo deste sorteio pode ser consultado em ; De notar que as compras feitas com os vales recebidos não dão direito a cupão de participação.

    A autarquia justifica a iniciativa com «O impacto económico e social que as medidas de combate ao contágio da COVID 19 têm provocado na economia local e no poder de compra das famílias Lagoenses, entre vários bloqueios que a pandemia tem provocado de uma forma geral e indiscriminada, levaram o Município a adotar medidas extraordinárias de apoio e a prestar auxílio a quem mais necessita, reforçando o compromisso de não deixar nenhum Lagoense para trás», como explicou Luís Encarnação, presidente da Câmara de Lagoa.

  • Observatório Transfronteiriço do Guadiana quer dar voz aos cidadão das duas margens

    Observatório Transfronteiriço do Guadiana quer dar voz aos cidadão das duas margens

    Pretende que as principais associações sociais, económicas e de cidadãos possam contribuir de forma direta com informação para o processo de coesão que se encontra em desenvolvimento nos município de Ayamonte, Castro Marim e Vila Real de Santo António.

    O Observatório Transfronteiriço do Guadiana procurará fomentar a participação ativa dos cidadão nas políticas públicas que estão a ser articuladas no território da fronteira Sul das margens luso-espanholas e aspira a converter-se num instrumento de participação e análise global que se complemente com os mecanismos de participação e controlo que está a cargo do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial, os quais já incluem os próprios projetos que desenvolvem.

    Para o arranque do observatório há uma subvenção concedida pelo Conselho da Presidência da Junta da Andaluzia que, este ano, inclui os Agrupamentos Europeus de Cooperação Territorial entre as possíveis entidades destinatárias de subsídios ao abrigo das ajudas para entidades de Euroregião Alentejo-Algarve-Andaluzia.

    No presente exercício está previsto o desenvolvimento da metodologia de trabalho, a realização de pelo menos duas reuniões e a criação de uma exposição itinerante com temática relacionada com a cooperação e os vínculos comuns dos três municípios.

    Da parte da Eurocidade do Guadiana, os responsáveis destacam que «é importante ampliar a participação dos cidadãos no desenvolvimento das políticas para o espaço social em que vivem e, ainda mais, no caso de uma experiência que consideram inovadora como é o articular o espaço transfronteiriço em planeamentos, estruturas e projetos que promovem a coesão, encarando a Eurocidade como uma unidade territorial.»

    O Observatório quer criar um modelo rigoroso, inovador e adequado para a avaliação as políticas de coesão, medindo o impacto e a incidência de diferentes procedimentos que se desenvolvam.

    Durante as próximas semanas vão ser iniciadas as reuniões com responsáveis de outos observatórios existente, para analisar as suas formas de procedimento.

  • Na morte de Carlos do Carmo amigo de Vila Real de Santo António

    Na morte de Carlos do Carmo amigo de Vila Real de Santo António

    Carlos do Carmo esteve a cantar em Vila Real de Santo António pelo menos por duas vezes. Uma em 1982 por ocasião da Festa da Paz e da Cultura e outra 25 anos depois, durante uma homenagem que o grupo «Cantar de Amigos» promoveu ao artista no Centro Cultural António Aleixo, a 4 de Novembro de 2007.

    Graça, desde que o conheci, foi sempre um admirador de Carlos do Carmo. Assisti muitas vezes às discussões no Cantinho do Marquês, quando o proprietário era Santos, que foi guarda-redes do Lusitano F.C., este grande admirador de Fernando Farinha, cantor muito popular conhecido pelo «Miúdo da Bica» e que, nos anos oitenta, também participou em Vila Nova de Cacela numa campanha eleitoral da APU.

    No vídeo que se segue, há um momento admirável, quando as crianças cantam em coro o fado com letra de Ary dos Sanos, «Os Putos» e depois o diálogo entre Carlos do Carmo com elas, para as convencer a deixar ouvir cantar dois fados novos, que demonstra bem a personalidade, a compostura do artista que foi ontem a sepultar e que não será esquecido na terra.

    Video da autoria de José Romão

    Cantar de Amigos convidou Carlos do Carmo, para o espetáculo realizado no Centro Cultural António Aleixo, em Vila Real de Santo António, no dia 4 de Novembro de 2007. O vídeo é de Zeca Romão que possui uma hemeroteca da vida de Vila Real de Santo António de alto valor para o conhecimento da realidade local.

    ./José Estêvão Cruz

  • CRESC ALGARVE financia apoio de Base Local

    CRESC ALGARVE financia apoio de Base Local

    Trata-se da criação de um instrumento de «política pública de apoio direto ao investimento empresarial produtivo, que terá como objetivo estimular a produção nacional, com especial enfoque no setor industrial, entre outros setores relevantes para estimular a produção nacional e a redução da dependência face ao exterior, primando pela agilidade de procedimentos, pela eficiência na gestão e pela eficácia nos resultados», segundo divulgou a CCDRA.

    Abrange a aquisição de máquinas, equipamentos, serviços tecnológicos de carácter digital e sistemas de qualidade, sistemas de certificação que alterem os processos produtivos das empresas, apoiando as na transição digital, na transição energética, na introdução de processos de produção ambientalmente mais amigáveis e que sejam, simultaneamente, um estímulo à produção nacional, de modo a promover melhoria da produtividade das empresas num contexto de novos modelos de negócios.

    As empresas deverão assumir o compromisso de manter os postos de trabalho, não havendo a exigência de criação de novos. Os projetos devem potenciar a diversificação da base económica e produtiva, com suporte na Estratégia Regional de Investigação e Inovação para Especialização Inteligente do Algarve (RIS3 Algarve).

    O aviso destina-se às micro e pequenas empresas de qualquer natureza e sob qualquer forma jurídica, nos termos do regulamento do SI2E, podendo as candidaturas ser apresentadas até às 19 horas de 26 de fevereiro de 2021.

    A dotação orçamental indicativa do FEDER afeta ao presente concurso é de 1.500.000 euros, com taxas de comparticipação variáveis entre os trinta e os sessenta por cento e são elegíveis são elegíveis como categorias de despesas, custos de aquisição de máquinas, equipamentos, respetiva instalação e transporte; b) custos de aquisição de equipamentos informáticos, incluindo o software necessário ao seu funcionamento; software standard ou desenvolvido especificamente para a atividade da empresa; custos de conceção e registo associados à criação de novas marcas ou coleções; custos iniciais associados à domiciliação de aplicações, adesão inicial a plataformas eletrónicas, subscrição inicial de aplicações em regimes de «software as a Service», criação e publicação inicial de novos conteúdos eletrónicos, bem como a inclusão ou catalogação em diretórios ou motores de busca; material circulante diretamente relacionado com o exercício da atividade, até ao limite máximo elegível de 40 mil euros; estudos, diagnósticos, auditorias, Planos de marketing, até ao limite máximo elegível de 5 mil euros; serviços tecnológico de natureza digitail; e sistemas de qualidade e de certificação, até ao limite máximo elegível de 50 mil euros.

    A obras de remodelação ou adaptação, para instalação de equipamentos produtivos financiados no âmbito deste projeto, são financiadas com um limite de 60% do investimento total elegível apurado, desde que contratadas a terceiros não relacionados com o adquirente beneficiário dos apoios, não sendo financiados materiais de construção adquiridos autonomamente.

    Consulte o aviso AQUI.

  • Resposta Social na área da Infância em Mértola

    Resposta Social na área da Infância em Mértola

    Devido à suspensão dos serviços prestados pela Santa Casa da Misericórdia de Mértola nas respostas sociais – CRECHE e CATL, por motivos que se prendem com um surto de Covid 19 na ERPI (LAR), a câmara municipal de Mértola informou os pais e encarregados de educação dos alunos que frequentam a CATL – Oficina da Criança que o prolongamento de horário decorre na Escola Básica de Mértola, com horário de abertura às 7h45 e termo às 19h00, sendo o mesmo assegurado pela Autarquia em articulação com a Santa Casa da Misericórdia.

    Quanto à reabertura da creche, informa que, pela especificidade da resposta é necessário que os pais e encarregados de educação, com real necessidade, façam uma manifestação da mesma para o email: mariamartins@cm-mertola.pt , de forma a ser possível avaliar uma eventual resposta.

    Dos 70 utentes do Lar, apenas seis testaram negativo e o número de mortos subiu para oito, nas últimas 24 horas, cinco mulheres e três homens. Tinham mais de 90 anos e problemas graves de saúde.

    Os números estão em constante atualização. Há mais de 100 pessoas infetadas no surto e a informação que chega do interior descreve a situação como muito grava.

  • Alívio na retenção de IRS para salários e pensões

    Alívio na retenção de IRS para salários e pensões

    No final do mês, devido ao facto do Governo ter tomado a decisão de baixar o valor da taxa de retenção do IRS, os portugueses vão descontar cerca de menos 2% do seu rendimento.

    Não se trata de um aumento. No próximo ano, devido a esta não retenção, o eventual valor a receber a partir de maio será naturalmente menor.

    Trata-se, na ótica governamental de um esforço para aproximar os valores entre a soma o imposto que é retido mensamente e o do apuramento final do pagamento.

    Para o executivo, a medida tem um impacto de 200 milhões de euros no aumento do valor disponível para as famílias, em especial da classe média, que considera ter sentido os seus rendimentos reduzidos pela chegada da pandemia da Covi-19.

    A esta medida de devolução de rendimentos, o Governo acrescenta que a incidência do IRS só passa a existir a partir do rendimento de 686 euros, preservando o novo salário mínimo de 665 euros e as pensões que beneficiem do aumento extraordinário previsto no Orçamento do Estado.

  • Lugares do Guadiana – Brumas

    Lugares do Guadiana – Brumas

    Vídeo da autoria de Kim Morgado

  • Foz do Guadiana

    Foz do Guadiana

    Fotografia tirada ao nascer do sol sobre terras de Espanha, na barra do Rio Guadiana.

    Foto de Joaquim Bartolomeu

  • Acerca de Sopros Milagrosos

    Acerca de Sopros Milagrosos

    Crónicas Avulsas

    Alguns dias atrás, ao tentar cortar uma fatia de um pão alentejano, a lâmina dentada da faca desagarrou-se da côdea estaladiça da cabeça e mordeu-me num dedo. Os bicos da serra só pararam de raspar a pele quando bateram na base da unha. Felizmente foi escoriação superficial. Sacudi a mão e soprei a ferida. Fi-lo por instinto ou talvez na procura de um milagroso alívio imediato para a dor. A escorrer um fiozito de sangue sem grande importância, corri para a caixa de primeiros socorros em busca da água oxigenada, da Betadine, do algodão e do rolo da gaze. 

    Condicionado por saber que hoje em dia qualquer produto de consumo tem prazo de validade, procurei a data limite de utilização e descobri que a da Betadine estava ultrapassada desde há já mais de um ano. Havia-a comprado quando mudei de casa sem que alguma vez a tivesse utilizado: em pensamento, agradeci por o mesmo não ter acontecido ao algodão ou à gaze. Limpei o sangue com a água oxigenada e soprei o golpe antes de enrolar o dedo. Não sei se o fiz para secar e criar cascarrão mais depressa, se foi para curar melhor, se por um automatismo inconsciente adquirido.

    Não me recordo de que o mercúrio cromo do frasquinho de vidro castanho e rolha de cortiça que o meu pai comprava avulso ao senhor Jorge ou ao senhor Jacques na farmácia Carrilho, para besuntar de vermelho vivo os joelhos raspados dos seus filhos, tivesse algum prazo para ser consumido: durou toda a nossa meninice e ainda sobrou mais de meio frasco! 

    Na brincadeira, fazíamos desenhos na pele usando um pedaço de algodão em rama ensopado em mercúrio. Antes de este aparecer nas farmácias, havia a tintura-de-iodo de cor castanha que fazia arder a carne das feridas obrigando-nos a soprar e, que me lembre, também não tinha essa modernice do prazo de validade.

    Sem que tivesse alguma vez visto alguém fazer isso, havia malta que dizia ser bom para as feridas, dá-las a lamber a um cão da rua por eles curarem assim os seus ferimentos, sem precisar de nada mais. Para limpar e sarar feridas, eu preferia soprar para ver se estancava o sangue e, quando chegava a casa, usava água oxigenada e mercúrio cromo. Às vezes tapava a ferida com um “curita”. Nunca me atrevi a dar a lamber a um cão. O meu pai falava muito das infecções e eu tinha medo disso. Para rebentar e coser com linha de alinhavar as bolhas de roeduras nos calcanhares, o meu pai desinfectava as agulhas com que a minha mãe costurava os vestidos das suas clientes, queimando-as num bocadinho de algodão embebido em álcool antes de as espetar.  

    Quando a comida ou a sopa estão muito quentes, contraímos os lábios formando uma abertura circular e sopramos para arrefecer, da mesma forma que quando o fósforo que seguramos foi consumido até a sua chama nos tocar dolorosamente a pele, sacudimos a mão e assopramos a ponta dos dedos.

    Creio ter em anterior crónica referido o momento em que o meu filho Max apanhou uma irresistível pastilha elástica da calçada e, depois de a soprar, tê-la enfiado na boca para a mastigar. Ao ser repreendido por mim, usando eu o fortíssimo argumento de que o “estica” estava infectado com os micróbios do chão, ele desarmou-me respondendo que tinha olhado e não tinha visto nenhum!

    Quando deixamos cair no chão um qualquer objecto, ao recolhê-lo, mesmo que não haja sujidade visível, acontece frequentemente sacudirmos e soprarmos antes de o arrumarmos no seu sítio. Será para limpar de eventuais porcarias, para afastar micróbios indesejáveis ou devido a um qualquer ritual de purificação ancestral?

    Talvez esse tipo de reacção espontânea justifique o comportamento de um senhor que passeava à minha frente: ao se ter apercebido que a máscara profiláctica que guardara no bolso das calças havia caído ao chão, interrompeu a marcha para a apanhar. Voltou a enfiá-la na algibeira, não sem antes a sacudir, batendo-a duas vezes na coxa e, depois, com toda a naturalidade, assoprar vigorosamente.

    Já me aconteceu a mim, a acção é absolutamente mecânica, não se pensa na asneira que se faz, até parece que o acto de sacudir e de assoprar, para além de retirar sujidade que se tenha eventualmente agarrado, repele qualquer perigoso micróbio e, nestes duros tempos de pandemia, ser muito eficaz contra os vírus! 

    Henrique Bonança

    VRSA – 01 de Janeiro de 2021

    PS – Após honroso convite do responsável do guadianadigital.pt, iniciei colaboração com esse jornal digital, pelo que também poderão encontrar e ler as minhas crónicas nesse “site”.

  • Acordo histórico sobre Gibraltar

    Acordo histórico sobre Gibraltar

    Um acordo alcançado em cima da hora entre Espanha e o Reino Unido pode trazer Gibraltar para o espaço Schengen, eliminando a fronteira, desde que a União Europeia o sancione.

    Está previsto no pacto que o aeroporto e o porto de Gibraltar recebam o controlo fronteiriço europeu, aligeirando a ligação entra La Linea e o Penedo, segundo apurou o diário Huelva Información.

    Até lá, são necessárias negociações entre a UE e o RU para dar cobertura legal ao acordo em forma de tratado de incorporação, tutelado por Espanha no que respeita ao espaço Schengen.

    A matéria afigura-se complexa. Os nossos vizinhos esperam a criação de uma área de prosperidade proporcionada por este acordo, na porta que se encontra aberta contra um Brexit duro.

    Para os moradores no campo de Gibraltar, uma passagem fluida vai contribuir para a melhoria da situação económica. São 15.000 pessoas que atravessam a Verja para trabalhar, numa economia que, feitas as contas pelo município de La Linea, gera 695 milhões de euros.

  • Campos das margens do Guadiana

    Campos das margens do Guadiana

    Foto de Bárbara Ramos – Mesquita

  • Volta ao Algarve abre calendário do ciclismo em 2021

    Volta ao Algarve abre calendário do ciclismo em 2021

    De acordo com o plano de atividades da Federação Portuguesa de Ciclismo, a ‘Algarvia’, é a única prova do calendário da categoria UCI ProSeries a disputar-se em Portugal. Disputa-se entre 17 e 21 de fevereiro

    Em 2021 ao contrário do que é habitual, a primeira prova do calendário velocipédico em Portugal na próxima temporada, não é a 2.ª Volta a Portugal, marcada para a primeira quinzena de agosto, (4 a 15), mas sim a Volta aoAlgarve, alterações provocadas pela pandemia da Covid-19.

    Além das duas corridas, haverá mais três corridas internacionais em Portugal: Clássica da Arrábida (14 de fevereiro), Volta ao Alentejo (17 a 21 de fevereiro) e Grande Prémio Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho (15 a 18 julho). A Taça de Portugal será composta pela Prova de Abertura, na região de Aveiro, pela Clássica da Arrábida e pela Clássica Aldeias do Xisto (09 de maio).

    De 18 a 20 de junho vão decorrer os Campeonatos Nacionais, ainda em local a designar. Para o final da temporada, que em Portugal chega um mês antes do final das provas WorldTour e do circuito europeu, está agendada a Rota da Filigrana (18 de setembro), despedindo-se o pelotão no Festival de Pista, em Tavira, em 05 de outubro.

    Calendário:

    17 fev-21 fev: 47.ª Volta ao Algarve.

    • 07 mar: 1.ª Prova da Taça de Portugal – Prova de Abertura – Região de Aveiro.
    • 14 mar: 2.ª Prova da Taça de Portugal – Clássica da Arrábida.

    17-21 mar: 38.ª Volta ao Alentejo.

    • 28 mar: 25.ª Clássica da Primavera.
    • 15-18 abr: Grande Prémio JN/O Jogo.
    • 25 abr: Grande Prémio de Mortágua.
    • 02 mai: Volta a Albergaria.
    • 09 mai: 3.ª Prova da Taça de Portugal – Clássica Aldeia do Xisto.
    • 13-16 mai: Grande Prémio O Jogo.
    • 30 mai: 12.º Memorial Bruno Neves.
    • 01-06 jun: 41.º Grande Prémio Abimota.
    • 18-20 jun: Campeonatos Nacionais.
    • 25-27 jun: Volta do Futuro
    • 04 jul: 5.º Grande Prémio Anicolor.
    • 15-18 jul: 43.º Grande Prémio Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho.
    • 04-15 ago: 82.ª Volta a Portugal.
    • 21 ago: Circuito de Alcobaça.
    • 22 ago: Circuito da Malveira.
    • 23 ago: Circuito da Moita.
    • 23 ago: Circuito de Nafarros.
    • 30 ago-05 set: 30.º Grande Prémio Jornal de Notícias.

    12 set: Campeonato Nacional de Rampa.

    18 set: Rota da Filigrana.

    05 out: Festival de Pista – Tavira.

  • Empresas do Reino Unido têm de fazer novo registo

    Empresas do Reino Unido têm de fazer novo registo

    O Banco de Portugal, liderado por Mário Centeno deixou uma porta aberta para as entidades interessadas em continuar a operar em território nacional.

    Estas devem submeter os devidos pedidos de autorização ao Banco de Portugal, tendo em particular atenção as regras quanto aos prazos. incluindo através do desenvolvimento de nova atividade regulamentada e com celebração de novos contratos com clientes.

    As regras de abertura de novas filiais ou sucursais vão ficar mais restritas e estão disponíveis no site do Banco Central que conta cerca de 600 entidades com sede no Reino Unido a operar em Portugal com serviços à distância, ao abrigo do regime de passaporte comunitário. São instituições de crédito, moeda eletrónica e de pagamento ao abrigo do regime de livre prestação de serviços, no quadro da União Europeia.

    O Banco de Portugal anunciou igualmente, tal como o devem ter feito em todos os 27 países da UE que bancos, fundos e outras entidades financeiras que tenham sede no Reino Unido e não façam novo pedido de registo vão ficar sem autorização para fazer negócio em Portugal na sequência do acordo do Brexit.

  • Portugal assume a presidência da União Europeia

    Portugal assume a presidência da União Europeia

    A partir de amanhã, 1 de Janeiro de 2021 o nosso país assume pela quarta vez a presidência rotativa União Europeia que será gerida pelo ministro dos negócios estrangeiros Santos Silva, com presenças semanais de António Costa.

    Os fadistas Carminho, Ana Moura, Sara Correia e Camané (na foto) vão subir ao palco com a Orquestra Sinfónica Portuguesa no concerto inaugural da presidência portuguesa do Conselho da União Europeia, marcado para 05 de janeiro em Lisboa.

    O concerto, que se realiza às 18:30 no grande auditório do Centro de Cultural de Belém (CCB) e é transmitido pela RTP, marca o arranque oficial da presidência portuguesa, que decorre entre 01 de janeiro e 30 de junho.

    Quem desejou muito sucesso para a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia [UE], foi a chanceler da Alemanha, Angela Merkel que anunciou que irá fazer « tudo o que estiver ao seu alcance para apoiar Portugal» nas palavras que dirigiu ao seu substituo na presidência rotativa e aos «caros amigos portugueses».

    A presidência do Conselho da União Europeia será conduzida por Portugal sob o lema “Tempo de agir: por uma recuperação justa, verde e digital”.

    Na mensagem dirigida a Merkel, o Primeiro-Ministro António Costa, afirmou que «cabe-nos agora a nós dar continuidade ao vosso trabalho”. Referiu a presidência alemã da qual destacou a compra conjunta das vacinas contra a covid-19 e sua distribuição simultânea a todos os Estados membros e também a aprovação de uma resposta robusta aos efeitos económicos e sociais da pandemia.

    Para António Costa existem nesta presidência que durará até 30 de Junho do próximo ano três principais prioridades que são a recuperação económica e social, que terá como motores as transições climática e digital, fatores de crescimento e de criação de mais e melhor emprego; a que se prende com o desenvolvimento do pilar social da União Europeia, criando uma base sólida de confiança de que esta dupla transição será uma oportunidade para todos; a garantia de que ninguém ficará para trás e a aposta no reforço da autonomia estratégica de uma União Europeia aberta ao mundo.

  • Três vídeos promocionais dos concelhos do Baixo-Guadiana

    Três vídeos promocionais dos concelhos do Baixo-Guadiana

    É um conjunto de três vídeos, um de cada concelho que constitui o Baixo Guadiana algarvio, Alcoutim, Castro Marim e VRSA. A narrativa tripartida revela o património natural e construído e assenta na premissa de «natureza sem fim», e encerra a atividade do projeto PROMOTURIS.

    Segundo a Odiana, «são três capítulos que contam uma história conjunta e três lugares por descobrir no Baixo Guadiana. A tónica está no grande elo de ligação entre os três concelhos, o majestoso rio do Sul com nacionalidade partilhada: o Guadiana. Mas também as Matas nacionais, a fantástica fauna e a inebriante fauna, a Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e VRSA, a misteriosa Ria Formosa, os castelos e fortalezas, os vestígios arqueológicos, as panorâmicas invejáveis, a natureza a perder de vista…»

    A Odiana revela que esta atividade estava inicialmente prevista enquanto evento turístico de circuito natural e patrimonial, reunindo, portanto, visitantes e turistas ao território. No entanto, devido à situação atual pandémica, foi readaptada e materializou-se num portfólio audiovisual em formato de circuito a percorrer por cada um dos três concelhos do Baixo Guadiana. Os vídeos estão a ser divulgados e publicitados nas redes sociais, num convite ao turista, para conhecer o património do Baixo Guadiana.

    São a etapa conclusiva de um projeto cujo cerne foi a promoção turística do território, no qual foram elaborados e divulgados produtos turísticos como o Guia da Grande Rota, o Guia de Birdwatching, o vídeo da Grande Rota do Guadiana (que arrecadou um prémio turístico), eventos de caminhada e birdwatching, campanhas publicitárias e uma Press Trip, entre muitas outras ações.

    O PROMOTURIS é um dos projetos de maior sucesso da Odiana cuja execução rondou os 100% e cuja base foi uma estratégia de concertada de divulgação e promoção do território», segundo a direção da Associação Odiana. «A meta final é dotar o território e os empresários de um conjunto de ferramentas de promoção que facilitará ambos na retoma da atividade económica e na promoção do destino turístico».

    O conjunto de vídeos é uma ação da Odiana, integrada no projeto PROMOTURIS, que conta com o apoio dos Municípios de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António. O projeto PROMOTURIS – Plano de Promoção Turística e Cultural – foi apresentado ao Aviso de Abertura ALG-14-2016-10 – Promoção Turística e Realização de Eventos Culturais, prioridade de investimento 6.3, e financiado pelo Programa Operacional CRESC ALGARVE 2020.

    Vídeo Alcoutim

    Vídeo Castro Marim

    Vídeo VRSA

  • Lar de Santa Maria em Tavira com 25 infetados pela Covid-19

    Lar de Santa Maria em Tavira com 25 infetados pela Covid-19

    O responsável lamenta que apesar de todas as medidas que, desde a primeira hora e logo em março de 2020 foram tomadas na instituição «vê-se afligida de forma mais intensa por esta pandemia que persiste em nos acompanhar

    Os utentes infetados estão isolados dos restantes, nas instalações do Lar de Santa Maria, onde uma equipa dedicada lhes presta cuidados de forma regular, garantindo, todo o apoio e tratamento que necessitem e segue as indicações prestadas pelo Delegado de Saúde de Tavira que conta com o apoio de um médico e um enfermeiro do Serviço Nacional de Saúde.

    O Pe. Miguel Neto informa que os familiares responsáveis pelos utentes, identificados no contrato de prestação de serviços, serão diariamente contactados pela instituição que dirige, afim de dar conta do ponto de situação de cada familiar.

    Já foram contactados primeiramente os familiares dos utentes infetados e, posteriormente, os familiares dos utentes não infetados. A instituição pede que não sejam efetuadas chamadas telefónicas, por forma a não sobrecarregar as linhas telefónicas, garantindo que toda a informação será prestada atempadamente e de forma clara e esclarecedora.

    com ./planetalgarve.com

  • «CERCAS DE ALCARIAS DE MESQUITA» É PROJETO ARQUEOLÓGICO DA IACAM

    «CERCAS DE ALCARIAS DE MESQUITA» É PROJETO ARQUEOLÓGICO DA IACAM

    Este projeto acompanha outros como «Da Hispânia a al-Andalus: Arabização, islamização e resistência no meio rural», um projeto que será dirigido por Bilal Sarr (UGR) juntamente com Maria Fátima Palma (FCT/CAM/CEAACP/UGR), que será também principal responsável pelas intervenções em Portugal, e que tem uma importante participação da Universidade de Granada, do Campo Arqueológico de Mértola, Câmara Municipal de Mértola, através do Museu de Mértola, Centro de Estudos em Arqueologia, Arte e Ciências do Património (CEAACP).

    Os investigadores Susana Gómez, Virgílio Lopes, Luca Mattei, Antonio Reyes Martínez, Marco Fernandes e Miguel Reimão também participam neste projeto. A organização comprometeu-se a informar sobre o desenvolvimento das atividades arqueológicas e os resultados deste projeto a ser desenvolvido nas proximidades do rio Guadiana ao longo do próximo ano 2021 e que considera estimulante.

    A aldeia da Mesquita, localizada na margem do Guadiana, frente ao Pomarão, no concelho de Mértola tem em curso um projeto de Turismo de Aldeia do qual já demos conhecimento aos nossos leitores: