FOZ – Guadiana Digital

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  • Lagoa divulga ajudas em 2020

    Lagoa divulga ajudas em 2020

    O município de Lagoa concedeu mais de oito mil apoios sociais durante o ano 2020 e número de pedidos de ajuda disparam, elevando a cerca de 100 mil euros os apoios concedidos às famílias, através do Fundo de Emergência Social (FES), divulgou a câmara municipal.

    Es te fundo, criado em 2016, acolheu, no ano passado, um número que a autarquia classifica de excecional de pedidos de apoio, «maioritariamente relacionados com a situação de pandemia covid-19».

    «Ao longo do ultimo ano, só ao abrigo do FES, foram fornecidas 6073 refeições quentes, atribuídos 580 cabazes de alimentos e reforço alimentar para 854 crianças. Foram ainda apoiados 221 casos de necessidade de medicamentos, dois de consultas médicas de especialidade, quatro casos de transporte para consulta médica, sete de meios de diagnóstico e outras 41 ajudas técnicas referentes a tratamentos dentários, próteses, produtos de apoio à vida diária decorrentes de deficiência motora, visual, auditiva, mental ou orgânica», esclareceu.

    O FES permitiu também responder a outras situações de vulnerabilidade social como sejam «188 casos de dívidas relativas a eletricidade, 185 a consumo doméstico de gás e duas execuções fiscais de faturas de água».

    O FES é opera em estreita articulação com as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) com respostas sociais no concelho de Lagoa, destinada a apoiar indivíduos e famílias que se encontrem em situação de carência económica emergente e pontual. Beneficiam destes apoios do pelouro de ação social da Câmara, pessoas e famílias residentes no concelho de Lagoa que comprovadamente se encontravam em situações de carência económica, nos termos do normativo que regulamenta o FES.

  • «Os Verdes» querem preço da água inalterado

    As empresas concessionárias do abastecimento de água, em ano de inflação zero aumentaram a fatura e o Partido Ecologista «Os Verdes» está a questionar o Governo sobre a necessidade de serem mantidos sem alteração.

    Uma pergunta entregue pelo PEV, Partido Ecologista “Os Verdes” questiona o Ministério do Ambiente e da Acão Climática, a propósito de algumas autarquias terem subido o preço da fatura da água, a invocar um contrato com a sua concessionária, neste ano de 2021 em que é estimada uma inflação a zeros de zero pontos percentuais ou mesmo negativa.

    A crítica a estes aumentos salienta ainda que o preço deste bem essencial vai baixar 2,24%. «O Verdes» anotam ainda que esta situação ocorre num período em que as pessoas estão a perder rendimentos, ao mesmo tempo que, com o confinamento, se regista um aumento de todas as despesas de consumo.

    Nas suas questões apresentadas na Assembleia da República, aquele partido lembra que, durante o primeiro confinamento, houve um aumento em 10% do consumo energético das famílias e anotam que este mesmo aumento ocorreu «em municípios onde as águas se encontram privatizadas através de contratos de concessão e onde o preço da água era já dos mais caros do País».

    O sentido da pergunta ao Governo é para que o mesmo ature no sentido de garantir que o preço da fatura da água se mantenha inalterado, mesmo em autarquias onde a gestão é privada.

  • Albufeira descentraliza competências

    Albufeira descentraliza competências

    O presidente da câmara miunicipal, José Robalo, considera bastante participado e dinâmico, «na sequência de uma avaliação bastante rigorosa, com a preocupação sempre presente de que a transferência de competências fosse devidamente acompanhada do respetivo envelope financeiro e dos meios humanos e materiais necessários, como foi o caso”.

    No momento simbólico da entrega das chaves das viaturas aos presidentes das quatro Juntas de Freguesia do concelho, disse o autarca que as viaturas têm características completamente distintas de acordo com as competências atribuídas e do trabalho desenvolvido por cada freguesia em particular, nomeadamente na área da deservagem, reparação de pequenos buracos no pavimento betuminoso de estradas e caminhos.

    Assim, a Junta de Freguesia de Albufeira e Olhos de Água fica com um veículo pesado de dois eixos, de caixa aberta, com um peso bruto 8,550 toneladas e báscula tribasculante, bem como um trator agrícola preparado para limpeza de bermas com comando digital, perfazendo um total de 144.025 euros

    A Junta de Freguesia de Ferreiras vai dispor de dois veículos no valor global de 154.075 euros, sendo que um deles é uma máquina giratória de rodas de grandes dimensões e o outro é um veículo pesado de dois eixos, de caixa aberta, com um peso bruto 8,550 toneladas e báscula tribasculante.

    A Junta de Freguesia da Guia recebeu uma viatura ligeira de mercadorias de caixa aberta e uma máquina giratória de rodas, com baldes de escavação, dente ripper e destroçador florestal, entre outros equipamentos, no valor global de 108.450 euros.

    Por seu turno, a Junta de Freguesia de Paderne vai contar com o auxílio de um trator agrícola e um veículo pesado de dois eixos, de caixa aberta, com um peso bruto 8,550 toneladas com báscula tribasculante, no valor de 110.825 euros.

    Créditos: PlanetAlgarve

  • Faro requalifica Largo do Pé da Cruz

    Faro requalifica Largo do Pé da Cruz

    Esta obra foi adjudicada pelo valor total de 337.980 euros. A autarquia afirma que com ela a pretende reformular o largo que considera histórico, «tornando-o mais aprazível para os transeuntes e visitantes e aprimorar as áreas circundantes às zonas residenciais, aos restaurantes e demais comércio».

    O emblemático espaço urbano da cidade, pode recuperar «a dignidade que já foi sua e que advém da história do local, do seu enquadramento urbano e da proximidade a um dos ex-libris arquitetónicos da nossa cidade: a Igreja do Pé da Cruz».

    O projeto prevê a repavimentação de toda a área à “cota 0”, para valorizar os elementos patrimoniais e históricos do largo, privilegiando a mobilidade sem as barreiras arquitetónicas que atualmente vigoram.

    Para além disto, a câmara municipal apostará em novos mobiliários urbanos, iluminação de tipo led, zonas de sombreamento, arborização e um conjunto de outras melhorias que trarão mais qualidade estética e conforto de circulação a este largo emblemático.

  • Linces ibéricos criados em Silves libertados em Mértola

    Linces ibéricos criados em Silves libertados em Mértola

    Batizados de Rosmaninho e Rouxinol, machos desta espécie considerada como “criticamente em perigo” em Portugal, criados no Centro de Reprodução de Silves, foram libertados na freguesia de São João dos Caldeireiros (Mértola), numa área sob jurisdição do Regimento de Infantaria n.º 1, de Beja, entidade que se associou ativamente ao processo de reintrodução em Portugal.

    Rosmaninho, filho da fêmea Fresa e do macho Drago, e o Rouxinol, filho da fêmea Juncia e do macho Fresco, têm quase um ano de idade e nasceram no Centro Nacional de Reprodução de Lince Ibérico do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, em Silves.

    O ICNF revelou que a época de soltas de lince-ibérico no país que teve tem início com a libertação destes dois exemplares e vai continuar continuará até ao final do mês, na área de reintrodução do Vale do Guadiana. Os sete para libertar nasceram em 2020, em três dos quatro centros de reprodução em cativeiro existentes na Península Ibérica. Dois exemplares machos provêm de El Acebuche e três exemplares fêmeas de La Olivilla, na Andaluzia, Espanha, além dos outros dois exemplares machos agora libertados no concelho de Mértola.

    As áreas de solta definidas para 2021 foram selecionadas com base em critérios técnicos de existência de habitat adequado e de disponibilidade de alimento para os linces e contaram com as valiosas colaborações do Regimento de Infantaria n.º 1 de Beja e da Câmara Municipal de Mértola, traduzidas na permissão de realização de parte das soltas, em terrenos sob a sua jurisdição, assinalou o ICNF.

    O instituto explica que 2020 foi “particularmente favorável ao lince em Portugal, com o nascimento de 60 crias em meio natural e o estabelecimento de 18 fêmeas reprodutoras com territórios estabilizados”, tornando o Vale do Guadiana numa das “áreas de reintrodução com maior sucesso a nível ibérico”.

  • Município de Castro Marim testa população contra a COVID-19

    Município de Castro Marim testa população contra a COVID-19

    Para aumentar a capacidade de testagem deste Centro, o local inclui acessos para testar a pé e de carro. A marcação prévia é obrigatória realizada através do email biblioteca@cm-castromarim.pt ou dos contactos: 281 510 747 ou 281 510 778 (9h-17h) e 961 743 222 (9h-20h).

    Trata-se de um projeto de grande importância para o concelho, que tem estado a enfrentar o pior surto deste o início desta pandemia, sendo neste momento o caso mais grave e preocupante da região”, sublinha o presidente da câmara e médico Francisco Amaral.

    Numa segunda fase, a autarquia pretende levar a testagem às povoações mais isoladas, utilizando para o efeito a Unidade Móvel de Saúde.

    Francisco Amaral sublinha ainda o caráter voluntário da iniciativa e agradece a todos os que se disponibilizaram para apoiar o Município, salientando também que todo o trabalho desenvolvido tem o aconselhamento técnico do delegado de saúde local e segue as diretrizes do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças

  • Serpa requalifica Rua das Amendoeiras

    Serpa requalifica Rua das Amendoeiras

    O objetivo é permitir a circulação pedonal mais confortável e segura. Na Rua das Amendoeiras vão ser intervencionados quase dois mil metros quadrados de via. De imediato a autarquia vais proceder à requalificação de infraestruturas de água e saneamento, ramais, portinholas e colocação de conduta, sendo expectável que a intervenção esteja concluída a 28 de maio. Durante esse período, entre as 8:00 e as 14:00 horas, o trânsito estará condicionado.

    Além desta intervenção, a obra prevê, segundo a informação municipal, «a substituição de calçada em toda a rua, a definição de área e corredor pelo eixo do arruamento, executado com lajetas de granito planas e alinhadas segundo um desenho geométrico que replica a solução adotada nas ruas envolventes».

    Será ainda intervencionada a escada de acesso à Rua de Mértola, com reformulação da dimensão dos degraus existentes e execução de uma rampa com objetivo de facilitar o acesso entre a Rua de Mértola e a Rua das Amendoeiras, com vista à melhoria das condições de acessibilidade, comunicou também autarquia. A intervenção tem investimento previsto a rondar os 100 mil euros.

  • LUGARES – Corte Tabelião – Barragem de Alcoutim

    LUGARES – Corte Tabelião – Barragem de Alcoutim

    As Barragens mais pequenas já estão cheias. Até dia 20 de Fevereiro, está previsto que a chuva vai continuar a cair, de forma persistente, e por vezes forte. São boas notícias para o Algarve. Neste vídeo de Lena Valério é possível observar o arco da descarga da Barragem e as condutas a descarregar.

  • Surto de Covid-19 nos Bombeiros Voluntários de V.R.S.António e Castro Marim

    Surto de Covid-19 nos Bombeiros Voluntários de V.R.S.António e Castro Marim

    Apesar de ter sido de imediato ativada a segunda fase do plano de contingência, para tentar travar precocemente a cadeia de contágio e manter a capacidade de resposta, o surto propagou-se.

    «À semelhança do que se passa nos concelhos de Castro Marim e Vila Real de Santo António, e a pesar das medidas preventivas e mitigadoras tomadas em conta, também o nosso Corpo de Bombeiros foi afetado pelo COVID19. Atualmente temos 12 bombeiros com teste positivo para o COVID19 e 38 em isolamento», confirma e explicita a Associação que esclarece também que «dando continuidade ao nosso plano de contingência foram acionadas equipas de reserva, que em conjunto com outros meios da região algarvia, acionados pela Proteção Civil da Região, vão garantir o socorro à população de Castro Marim e Vila Real de Santo António»

    De forma a garantir a segurança destas equipas e do restante pessoal dos Bombeiros e colaboradores, uma equipa de Bombeiros da Região Algarvia procedeu jà descontaminação do Quartel, afirmam em conjunto o presidente da Associação e o Comandante do Corpo de Bombeiros.

  • Guadiana transborda em Mértola

    Guadiana transborda em Mértola

    Apesar de não haver estragos a assinalar, a Câmara de Mértola e as empresas proprietárias de embarcações destinadas a passeios fluviais deslocaram as embarcações para a foz do rio Oeiras, que fica cerca de 200 metros abaixo do principal ancoradouro da vila alentejana, informa o Diário Campanário.

    De acordo com a notícia antes avançada pelo Jornal de Notícias, citado pelo diário, para melhor se perceber a precipitação que caiu na região, na passassem pelo Pulo do Lobo, a maior queda de água do sul de Portugal, com uma cascata com cerca de 20 metros de altura, em 24 horas o caudal do rio Guadiana passou de 27,21 para 103,81 metros cúbicos por segundo.

    Desde 5 de abril de 2013, depois de fortes chuvadas e descargas das barragens, que o caudal do Guadiana não passava as margens e alagava diversas zonas do concelho. Nessa ocasião, o antigo porto mineiro de Pomarão ficou submerso, diversas embarcações de recreio aí ancoradas sofreram danos e o restaurante da aldeia foi inundado e teve que fechar portas, tendo até levado à desistência de um empresário espanhol que pensava ali fazer uma doca seca para limpeza de cascos de iates.

    De acordo com fonte da Proteção Civil, registaram-se 14 inundações nos concelhos de Moura, Vidigueira, Beja, Serpa. Almodôvar e Mértola.

    Um a das ocorrências registada foi a derrocada do telhado de uma casa na cidade de Moura que  não provocou vítimas, já que a habitação não estava habitada. Houve estradas cortadas durante algum tempo face dos lençóis de água que se formaram em algumas zonas.

  • Continente volta a comprar laranja do Algarve

    Continente volta a comprar laranja do Algarve

    A marca afirma que todas as laranjas disponíveis nas lojas Continente são do Algarve, incluindo as disponíveis nas máquinas de sumo das lojas, assim como o sumo de laranja natural à venda nas cafetarias BAGGA e nas suas entregas ao domicílio através de BAGGA Delivery, e que é espremido na hora. A variedade de laranjas sumo distinguem-se por não terem umbigo e serem mais doces,.

    O Clube de Produtores Continente (CPC), em parceira com os seus produtores, garante que «são utilizadas as melhores práticas agrícolas nos pomares algarvios, resultando numa fruta de excelência», sendo colhidas à mão.

    Os dois mil hectares de pomares onde se realizam aas colheitas estão distribuídos entre Tavira e Silves e pertencem a cerca de 100 produtores que compõem quatro Organizações de Produtores Membros do Clube de Produtores Continente.

    A laranjas algarvias possuem têm certificação IGP – Indicação Geográfica Protegida – a certificar que o produto possui uma determinada qualidade, reputação ou outras características que podem ser essencialmente atribuídas à sua origem geográfica.

  • Lagarta do Pinheiro

    Lena Valério fotografou um desfile da Lagarta do Pinheiro

    Foto: Processionária por Lena Valério
  • Acerca de Vocações ou Chamamentos

    Acerca de Vocações ou Chamamentos

    Crónicas Avulsas

    É um facto que cada um de nós se diferencia de todos os outros indivíduos da nossa espécie e, por via dessa dissemelhança, podemos afirmar que todos somos seres únicos e especiais. Para além das diferenças físicas ou de carácter, aquilo que nos distingue dos outros pode não ser imediatamente perceptível, nomeadamente, a formação ou a educação que recebemos e de que beneficiamos. Sendo nós uma espécie de vida longa, nalgum momento desse percurso, as circunstâncias hão-de brindar-nos com a oportunidade de demonstrar que é mesmo assim.

    Para alguns essa ocasião surge-lhes depressa, quantas vezes sem que o percebam e sem qualquer esforço; para muitos outros, apesar da energia despendida nessa procura e da boa preparação para o efeito, a “chance” chega-lhes mais tarde. Quando assim é, convém não entrar em desespero e não atribuir responsabilidades a terceiros pela demora. É uma questão de estar atento e criar condições para que aquilo que se espera que aconteça, simplesmente aconteça: este exercício, sem que o pareça, pode dar um trabalhão imenso e, muitas vezes, implica recomeçar!

    A partir do 25 de Abril de 1974 fizeram-se grandes campanhas de alfabetização no nosso país para assim recuperar um vergonhoso atraso comparativo com outras realidades além-fronteiras, no entanto, apesar de até à época ter existido um elevado analfabetismo na população, impressiona a regular facilidade do aparecimento de extraordinários talentos a quase todos os níveis, desde a ciência ao desporto, passando pela literatura e pelas artes.

    De tantos talentos e vocações que brotaram e deram corpo à nossa identidade enquanto nação antiga de nove séculos, para ter algum critério inócuo, por terem falecido no mesmo ano em que eu nasci, atrevo-me a referir dois: por um lado, um incansável divulgador de poesia e de poetas portugueses, prodigioso declamador e extraordinário actor, cujo nome honra uma sala de teatro, o carismático João Villaret; por outro, o transmontano Stuart Carvalhais, ilustrador e caricaturista de olhar perspicaz, personagem tremendamente fascinante que perante as dificuldades da vida, para concretizar a sua obra, sem meios adequados, usava os materiais de que dispunha naquele momento, incluindo os paus de fósforo com que acendia os seus cigarros, para com a sua ponta queimada riscar a negro um qualquer pedaço de papel branco.

    Talento também nunca faltou na minha terra, a pombalina Vila Real de Santo António e, para não ferir indesejadas susceptibilidades, opto por apenas referir alguns dos que mais se destacaram na cultura e que já não estão entre nós: desde logo, Lutgarda Guimarães de Caires, poetisa e socióloga que dá o seu nome ao Largo da Bica onde nasci; António Aleixo, intemporal poeta popular repentista; Manuel Cabanas, talentoso mestre xilogravurista; António Vicente Campinas, poeta e grande prosador, que denomina a Biblioteca Municipal de VRSA e, por último, António Fernando dos Santos – Tóssam, pintor e ilustrador.

    Uma vez que o tema da crónica evoluiu para este tema do talento e da vocação que claramente lhe está subjacente, avançando para tempos mais recentes, o que não impede que a estória tenha já mais de quarenta anos, não posso evitar referir o sublime e inspirado concerto intimista do virtuoso Chico Cardoso, renomado músico vila-realense que acompanhou Carlos do Carmo no “Olímpia” de Paris ou que integrou durante anos a banda do José Cid, no hoje abandonado apeadeiro da CP em VRSA, numa noite cálida de verão, junto ao cais de embarque do “Ferry” para Ayamonte, a bater ritmadamente no aço dos carris que ali morriam com duas das pedras calcárias que os amortalhavam.

    A assistir embasbacados a tão memorável momento, estava eu e meu primo António Cavaco, sentados nas travessas de madeira enegrecida pelos despejos de combustíveis das desgastadas locomotoras, acompanhados pelo Luís Centeno, exímio tocador de guitarra, irmão do Mário Centeno, sem considerar mais algum outro amigo de que não me recordo e que porventura lá tenha estado; curiosamente, com excepção de mim e do enorme baterista Chico Cardoso, os outros três destacaram-se enquanto economistas com brilhantes carreiras profissionais.

    Vem tudo isto a propósito de uma conversa havida com dois jovens e talentosos músicos da minha terra. Em determinado momento, um deles, falando de percursos e projectos a concretizar num contexto de objectivos futuros, usa a expressão inglesa “Inner-calling” para justificar decisões pessoais de âmbito profissional.

    Com toda a naturalidade foi usado um anglicismo para abordar o tema do tradicional “Chamamento” ou “Vocação”, aquela inexplicável emoção sentida que vem de dentro de nós e que faz com que procuremos trilhar um determinado caminho.

    A curiosidade está no facto da utilização de expressões inglesas de tão transversal a toda a sociedade, tornou-se banal e quase não nos damos conta disso: nas empresas, o estagiário passou a designar-se por “Trainee”, existe o “Back-office” e o “Front-office” ou o “Feedback” e o “Back-up” só para dar alguns exemplos.

    A língua francesa, falada até na corte do czar russo, foi secundarizada e substituída pelo idioma de Shakespeare, a linguagem que quem quer ter êxito nos negócios, hoje praticados à escala global, tem obrigatoriamente de dominar.

    Longe vão os tempos em que se acreditava que o Esperanto, língua criada por um médico polaco com um daqueles nomes eslavos com mais consoantes do que vogais, seria a língua franca universal, facilitadora da comunicação entre diferentes povos e culturas.

    Hoje, mais de um século depois, esse papel é cumprido pela língua inglesa!

    ./Henrique Bonança

    VRSA – 22 de Janeiro de 2021

  • O espaço público urbano é o lugar onde se manifesta a vida

    O espaço público urbano é o lugar onde se manifesta a vida

    Conversas com covid à beira do Guadiana

    — Bom dia Amigo Miguel! Bons olhos vos vejam! Por onde tem andado o Amigo, que não lhe têm posto a vista em cima?

    — Bom dia Amigo João! Obrigado pela atenção, mas não precisa ficar preocupado, pois esta minha tão notada ausência é fruto de um árduo trabalho de pesquisa que estou a desenvolver, tendo em vista a publicação de um pequeno ensaio sobre a segregação, discriminação, marginalização e exclusão social de uma população. A ver vamos se tenho condições para o desenvolver, a coisa está a mostrar-se mais complexa do que eu pensava. Bom, logo se vê o que é que sai à praça. Mas o Amigo conte lá como tem passado?- Como se pode ver, apesar desta “desgraça” onde estamos metidos, tenho-me safado bem, obrigado. Depois da nossa última conversa, descobri no “Jornal do Algarve”, do passado dia 17 de Dezembro, um edital da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António que me chamou a atenção por duas razões.

    – Sim?

    — É verdade. Primeiro, a dimensão da publicação, meia página para um documento que nem um quarto de página necessita.- Isso é porque é uma Câmara rica, sem problemas financeiros, nem sabe como gastar o que tem. E a outra, qual é?- A outra é a decisão de desafectar do domínio público, e passa-la para o domínio privado, uma parcela de terreno com 210,40m², no Sertão em Monte Gordo. O amigo sabe alguma coisa disto? Infelizmente deixei passar o prazo da discussão pública…- Sei alguma coisa, sei e…

    — Conte lá o que sabe, porque tudo isto me parece muito esquisito.- Bem, o que sei é que isto é mais um daqueles casos de especulação imobiliária, em resultado da passagem do direito de superfície para propriedade plena. Uma empresa do imobiliário comprou uma moradia unifamiliar, construída num lote de terreno cedido pela Câmara para construção de habitação própria. Esta moradia tem vãos abertos para o espaço público, para além da fachada da entrada, para aquilo que podia ser uma pequena praceta, com mais de 360,00m² de área. Aproveitando esta condição, a empresa requereu a venda desse espaço público.

    — E, de acordo com o edital, a Câmara concordou vender parte desse espaço público?!

    — É verdade!

    — Mas diga-me lá o Amigo com que fundamento é que se vende espaço público tratado, limpo, numa zona urbana consolidada? Bem sei que esse espaço tem condições para estar muito melhor tratado, mas daí até ser vendido para construção… Com que fundamento é que a Câmara aprova a sua alienação? O que é que os urbanistas e arquitectos da Câmara argumentam?

    — Saiba o Amigo que a decisão é tomada com base, não num parecer técnico de arquitecto ou urbanista, mas num “considerando o parecer jurídico” e num “considerando que o terreno em causa está na malha urbana (…) e não tem qualquer outro uso a não ser o interesse público do desenho urbano da zona”. Ou seja, a decisão é tomada com base em duas opiniões, pois este “parecer” não é dado com base em qualquer argumento ou fundamento jurídico, é uma opinião, e o segundo considerando, de que me abstenho de classificar, e que desconheço a autoria, é também uma opinião.

    — Parecer jurídico?- Sim senhor! O arquitecto ou o urbanista, dos serviços técnicos municipais, aqui, neste assunto, não “pinta nada”. Nem percebo porque é que a Câmara precisa desses técnicos!? Os juristas resolvem os assuntos todos…

    — E o Amigo conhece esse “parecer”? Deve ser um documento único que, certamente, vai ficar nos anais da história (ou será das estórias?) da gestão urbanística do município de VRSA

    -.- Já tive oportunidade de lê-lo e a justificação é “excelente”, uma “pérola” que merece ser divulgada:“(…) o edifício propriedade da Requerente possui abertura de vãos de janelas e porta no alçado virado a poente o que inviabiliza a aquisição desta parcela por outro requerente (…) porque a área de implantação seria bastante reduzida. No entanto, se a requerente proceder à junção das duas áreas (do edifício que possui mais a parcela que pretende adquirir) pode construir um edifício único com alguma dimensão.”

    — Quer dizer, o douto senhor é de opinião que a Câmara deve ceder uma área do bem comum, quase 1,5 maior que a área que o requerente tem, para viabilizar um negócio especulativo. Sim senhor, é, de facto, um bom princípio para quem diz que, e passo a citar: “(…) a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e os seus serviços prosseguem (…) fins de interesse público municipal, tendo como objectivo (…) o desenvolvimento económico e social do Concelho de forma a proporcionar a melhoria das condições gerais de vida (…) dos seus habitantes, no respeito pelo ambiente (…).”- Amigo João, e se fossemos almoçar? “A Saloia” tem umas pataniscas de bacalhau…- Amigo, já lá devíamos estar!

    ./Miguel Veloso

    escrito sob o antigo acordo ortográfico

  • Bloco quer demissão de Isilda Gomes

    Bloco quer demissão de Isilda Gomes

    O Bloco de Esquerda considera que Isilda Gomes, presidente da câmara municipal de Portimão não tem condições para continuar à frente dos destinos da autarquia, por ter passado à frente de muitos outros utentes considerados prioritários e violado os critérios de vacinação contra a Covid-19.

    O vereador João Vasconcelos afirmou que a presidente tem de assumir todas as responsabilidades e consequências políticas dos seus atosque as autoridades competentes devem apurar.

    «A Presidente da Câmara de Portimão considera que, pelo facto, de prestar um serviço de voluntariado através de um computador, serviço a ter lugar no hospital de campanha instalado no Pavilhão Arena, lhe conferiu o direito de passar à frente de muitos outros utentes que estão à espera da vacina na lista das prioridades. Mas os critérios do plano de vacinação não contemplam o voluntariado», diz aquele partido.

    E considera que é mais grave quando cerca de três dezenas de médicos estagiários e outros profissionais de saúde a trabalhar no Hospital de Portimão ainda não foram vacinados contra a Covid-19 e não sabem quando o serão.

    O BE é de opinião que «os responsáveis políticos e  que exercem funções públicas devem dar o exemplo perante os cidadãos e o país. Quando assim não atuam estão a contribuir para a descredibilização da política, da causa pública e para o crescimento do populismo». Entende, ainda, que todas as cidadãs e cidadãos precisam de ser vacinados quanto antes, mas cumprindo as regras e critérios definidos, esperando a sua vez.

  • STAL quer novo decreto sobre avaliação das carreiras

    STAL quer novo decreto sobre avaliação das carreiras

    Dirigentes nacionais do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional (STAL/CGTP-IN), do Coordenador da Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública, Sebastião Santana, e da Secretária-Geral da CGTP-IN, Isabel Camarinha, apresentaram em Lisboa a campanha «Avaliar sim, SIADAP não».

    A iniciativa vai desenrolar-se nos próximos meses com ações de sensibilização e de luta, nomeadamente, a recolha de assinaturas em todas as autarquias do País.

    O Sistema Integrado de Gestão do Desempenho na Administração Pública (SIADAP) foi criado em 2004 e aplicado à Administração Local a partir de 2006. Desde o início que os sindicatos do sector contestaram este sistema de «avaliação», que os sindicatos consideram concebido para dificultar e, em muito casos, impedir a progressão dos trabalhadores.

    O SIADAP, afirma o STAL, foi «a primeira peça de um puzzle de ataque aos direitos e de destruição das carreiras da administração pública», afirma o sindicato, acrescentando que os seus efeitos foram agravados com a adoção da Lei 12-A/2008, que destruiu o vínculo de nomeação, o sistema de carreiras e o respetivo sistema retributivo>», sendo que, em 2013, Em 2013, em consequência das alterações então introduzidas, «as regras do SIADAP tornaram-se mais restritivas e discriminatórias», uma vez que o processo de avaliação passou a ser feito apenas de dois em dois anos, impedindo a esmagadora maioria dos trabalhadores de adquirir as avaliações necessárias para a progressão, nomeadamente por via da opção gestionária».

    O STAL anota que, apesar da reposição de alguns destes direitos – designadamente as 35 horas, o descongelamento mitigado dos escalões e dos salários, os trabalhadores da Administração Pública ainda estão a ser penalizados por um regime de carreiras que considera «extremamente redutor» e um sistema de avaliação que «restringe fortemente o seu direito de progressão», refere o STAL.

    O objetivo desta luta sindical é exigir que o Governo elabore um projeto de diploma sobre um novo sistema de avaliação, sem quotas e com critérios objectivos, justos e transparentes, que deverá ter por base a estrutura do regime de classificação de serviço anteriormente existente.

  • FEEL 2021 adiada em Lagoa

    FEEL 2021 adiada em Lagoa

    Lançada a Feira de Emprego e Empreendedorismo de Lagoa (FEEL) a 7 e 8 de fevereiro 2020, quando contou com a participação de mais de 70 entidades e com um programa diversificado de atividades que decorreram no Centro de Congressos do Arade, a edição da Feira do Emprego e do Empreendedorismo de Lagoa 2021 acaba de ser adiada, por força do contexto de pandemia da Covid-19.

    Ainda assim, o Município de Lagoa continua a preparar a realização futura deste evento ao qual atribui grande importância., prevendo que em 2022, já as condições de saúde pública o permitam voltar a realizar com energia redobrada.

    A FEEL é um evento considerado pelos promotores como âncora no âmbito da promoção do emprego, educação e formação, que promove a partilha de experiências e a troca de conhecimentos a nível laboral e de ensino, com o objetivo de inspirar e preparar os jovens para a entrada no mercado de trabalho, cada vez mais global e competitivo.

    O Município de Lagoa pretende, com a realização deste evento, proporcionar aos desempregados, em idade ativa, contactos com várias culturas empresariais e respetivos produtos e serviços para que possam encontrar emprego nas mais diversas áreas disponíveis no mercado.

    A FEEL, também, tem como objetivo dar a conhecer as medidas de apoio ao investimento, a oferta de estágios e de postos de trabalho, os programas de ensino profissional e de ensino superior existentes no concelho de Lagoa e na região do Algarve, envolvendo o maior numero de agentes locais e regionais.

  • Conceição Cabrita não se recandidata em Vila Real de Santo António

    Conceição Cabrita não se recandidata em Vila Real de Santo António

    Após doze anos no cargo de vereadora, quatro como vice-presidente e a cumprir o quarto ano de mandato como a primeira mulher presidente da câmara municipal de Vila Real de Santo António, numa inesperada declaração que colheu de surpresa os vila-realenses, Conceição Cabrita anunciou ontem que não se candidataria a um novo mandato na qualidade de presidente da autarquia.

    Durante a primeira reunião da câmara municipal ocorrida no dia de hoje, nenhuma das forças políticas da oposição, PS ou CDU, fez qualquer comentário a este anúncio, supondo-se que aguardam mais esclarecimentos dos motivos da demissão para além daqueles que foram adiantados pela presidente, um misto de insatisfação pelo reconhecimento da obra feita, de razões familiares ou de um «burnout» devido ao agravamento da pandemia do concelho. A situação tornou-se mais estranha, uma vez que a presidente tem, perante sucessivos pedidos de demissão, manifestado a firme vontade de continuar.

    De acordo com os últimos desenvolvimentos da política local, o Partido Socialista apresenta a candidatura de Álvaro Araújo, está em desenvolvimento uma candidatura independente protagonizada por Marcelo Jerónimo, e a CDU provavelmente apostará no seu vereador Álvaro Leal, esperando-se como muito provável uma candidatura do BE. Ainda no plano político, são cada vez mais intensos os rumores que, na área do PSD, Luís Gomes voltará a ser candidato.

    A razões da presidente Conceição Cabrita.

    Tempos de «muita pressão, tristeza, pouca normalidade e muita apreensão com um futuro cada vez mais incerto», o facto de últimos meses, tal como muitas pessoas pelo mundo fora, ter-se visto «obrigada a rever não os meus princípios, mas a forma como eles se relacionam com o trabalho, os compromissos, o sentido de missão e a vida tal como ela agora segue». e a conclusão de, que os «afetos, o sermos mais humanos, a nossa consciência de finitude, o estar em família, o ser pessoa além da profissão que desempenhamos, tornam-se as nossas maiores prioridades».

    Lembrando que em nenhum momento baixou os braços perante as muitas adversidades, batalhas e dificuldades que os cargos de vereadora, vice-presidente e presidente trouxeram consigo, historiou na sua declaração efetuada no Facebook o ter chegado a este mandato com projetos, sonhos e objetivos por alcançar e afirmou que «todos eles foram substituídos pelo maior compromisso deste executivo: a recuperação financeira do Município, que o mandato tem sido passado a maior parte do tempo em reuniões e grupos de trabalho, e «menos na rua com os nossos munícipes», fez as história das realizações alcançadas.

    «Em nenhum momento desta pandemia que ainda nos assola baixei os braços, aliás, vivo com a consciência que tudo fiz para ajudar nesta luta tão inglória com um inimigo invisível», afirmando que embora não seja «o momento de baixar os braços é o momento de estar presente na vida dos outros e, acima de tudo, na minha vida», reafirmando que cumprirá o mandato com «o mesmo sentido de missão, responsabilidade, compromisso e respeito por todos e, acima de tudo, por aqueles que me elegeram no dia 1 de outubro de 2017».

    «Este é um anúncio de não continuidade nos mandatos autárquicos mas ainda não é uma despedida. Ainda há muito para fazer e ainda reúno todas as forças para agora, no imediato, lutar com todos vocês contra esta pandemia que não nos vai tirar os sorrisos e, na nossa teimosia como seres humanos, um dia ainda vamos viver nos abraços uns dos outros».

  • Acerca de Sentir, Pensar e Decidir

    Acerca de Sentir, Pensar e Decidir

    Crónicas Avulsas

    Poderia ter carregado na tecla apropriada do comando e recuado para o início da estória que estava a ser contada, contudo, as imagens e o enquadramento dado pelo narrador prenderam-me. Fiquei logo ali, no ponto onde a emissão estava.

    Destacava-se a forma como diferentes espécies de mamíferos consomem o seu tempo, a importância da brincadeira no desenvolvimento dos indivíduos, o impacto que ela tem naquilo que potencialmente serão no futuro enquanto adultos: o acompanhamento dos diferentes grupos e espécies permitiu perceber que é através da brincadeira que se estabelecem hierarquias e que características de dominância e de liderança ou de submissão são identificadas e aceites; observando esses jogos percebe-se a relevância das lutas simuladas na criação de relações de amizade e de grande proximidade entre os indivíduos e que duram toda a vida.

    Sem qualquer sombra de dúvida, com outros protagonistas e num contexto diferente, um quadro muito parecido ao vivido nas brincadeiras de rua do meu tempo de criança!
    A determinada altura, estando eu completamente absorto pelo que estava a ver e a ouvir, num grupo composto por machos e fêmeas de babuínos, surge a incrível experiência: os cientistas dispersam de forma casual pelo chão várias bonecas de pano e carros de plástico.

    Após alguma observação e de ligeira hesitação, os animais aproximam-se dos objectos e, espantosamente, mostrando o seu instinto maternal, as fêmeas recolhem as bonecas apertando-as junto ao peito, como que a protegê-las ou a querer alimentá-las; os machos ficam-se pelos carros de plástico e, usando as mãos e os dentes, entretêm-se desajeitadamente a desmanchá-los, como que a tentar perceber como funcionam.

    De forma muito clara, independentemente do tamanho do cérebro e do nível de inteligência dos animais objecto do estudo, a experiência atesta comportamentos baseados em emoções sentidas.

    A constatação desta tão grande semelhança comportamental entre primatas e seres humanos remeteu-me para algumas leituras efectuadas num passado não muito remoto, cerca de dez anos atrás, quando necessitei de criar alguma “bagagem” para assim melhor assumir determinadas tarefas de âmbito profissional.

    Do que me recordo dessas incursões por temas como o da Inteligência Emocional, posso referir que após o aparecimento de vida no nosso planeta e da sua evolução, os seres que primeiro terão surgido com alguma complexidade estariam dotados do chamado Tronco Cerebral, que só reage e é incapaz de aprender ou de pensar, a envolver o final da Espinal Medula e que é o responsável pelas funções físicas mais básicas, como por exemplo a respiração, mantendo o corpo a funcionar em piloto automático.

    Quando surgiram os mamíferos, a sua evolução determinou que à volta do Tronco Cerebral crescesse um segundo cérebro, o Sistema Límbico, que com os seus centros emocionais nos ajudam a perceber o perigo, controlam o nosso comportamento sexual, o sentido do olfacto, nos paralisa ao sentirmos medo, induz alterações das expressões faciais, nos faz ruborescer quando sentimos vergonha ou nos leva a assumir condutas que expressam paixão ou raiva, só para dar alguns exemplos.

    O que separa os seres humanos dos outros mamíferos e de outras espécies inferiores é o Córtex Cerebral que surgiu com a sua evolução e que se desenvolveu a partir do Sistema Límbico, centro das emoções, o que facilita a compreensão da relação de grande proximidade entre as Emoções e a Razão ou, dito de outra forma, entre Sentir e Pensar.

    Uma boa gestão das emoções é essencial para que os diversos tipos de relacionamento que criamos tenham viabilidade e perdurem no tempo, sejam eles de amizade, amorosos ou de qualquer outra natureza. Por outro lado, num contexto de tomada de decisão, para além do tema a considerar, se se tomar em conta a pressão exercida por terceiros, o exercício de decidir torna-se extremamente difícil: as emoções de medo ou de fúria, por muitas vezes se sobreporem à frieza do raciocínio, não devem estar presentes.

    O processo de decisão não pode basear-se em critérios exclusivamente racionais, nem tampouco somente emocionais: para que ela seja bem acolhida e considerada justa, equilibrada e de bom senso, deverá resultar da mescla em proporções adequadas de razão e emoção.

    Saber qual a quota a alocar a cada uma delas, depois dos muitos erros que cada um de nós comete, é algo que a vida nos pode ensinar!

    Henrique Bonança
    VRSA – 16 de Janeiro de 2021


    PS – A crónica publicada na semana passada focou-se nalgumas das interpretações possíveis do advérbio “Já”; uma outra anterior a essa abordou muito sinteticamente o tema das Escolhas e de tipos de Conflitos; a de hoje fala da relação entre Sentir, Pensar e Decidir. No processo de decisão, valoriza-se muito a questão do tempo de resposta. As decisões podem ser tecnicamente correctas, no entanto, por serem assumidas fora do tempo apropriado, com precipitação ou excessiva lentidão, os resultados obtidos podem ser diferentes do esperado. Liderar e decidir implica considerar muitas variáveis, não é para todos!