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Categoria: Cultura

  • Livro sobre José Afonso apresentado no núcleo AJA – VRSA

    Livro sobre José Afonso apresentado no núcleo AJA – VRSA

    A Associação José Afonso apresentou «Semeador de Palavras» no auditório da AKIVIDA, ao fim da trade de quinta-feira,onde foi também inaugurada aa Exposição Fotográfica «As Mulheres na Obra de José Afonso«, de Virginie Duhamel, artista franco-portuguesa.

    Esta exposição, onde cada música inspirou uma foto e uma perspetiva de contar e cantar a Mulher em José Afonso, estará patente na UTL até ao final do mês.

    A iniciativa foi promovida pela AJA-VRSA, no edifício da UTL que abriga o núcleo de Vila Real de Santo António dedicado ao cantor.

    Perante um auditório repleto, na UTL de Vila Real de Santo António, o núcleo local da Associação José Afonso apresentou uma obra, com a edição praticamente esgotada onde os organizadores Guadalupe Magalhães Portelinha e José Rodrigues fazem a análise da correspondência do doutor José Afonso, conhecido popularmente como Zeca Afonso.

    Pedro Rolim, começou a apresentação com agradecimentos à Associação José Afonso e à comunidade de estrangeiros presentes, que estão a aprender sobre a música e a biografia do cantor.

    Semeador de Palavras

    O livro está dividido em duas partes, uma focada no conteúdo, com 117 declarações de José Afonso, incluindo 99 entrevistas e 18 tomadas de posição, abrangendo 20 anos de sua vida (1967-1987).

    As entrevistas são vistas como fundamentais para entender o pensamento e a vida de José Afonso, corrigindo equívocos sobre suas opiniões e ações. O autor destaca a necessidade de um registro fiel de suas palavras e ideias.

    O trabalho envolveu várias pessoas e instituições, incluindo apoio financeiro da Direção-Geral das Artes e colaborações de amigos e jornalistas. O livro busca apresentar José Afonso como um homem comum, com suas inseguranças e contradições, além de seu papel como artista e ativista. Ele é descrito como alguém que lutou contra a opressão e a injustiça, tanto em sua vida pessoal quanto em sua obra.

    José Afonso é retratado como um defensor da liberdade e da igualdade, que usou sua música como uma ferramenta de mudança social. Ele expressou suas opiniões sobre a política e a cultura, mostrando uma evolução ao longo do tempo.

    O livro é considerado um serviço público, uma luta contra o esquecimento e uma forma de preservar a memória de José Afonso. A obra é vista como um testemunho do impacto duradouro de sua arte na cultura portuguesa e internacional.

    Apresentação de Semeador de Palavras - Exposição

    O livro «Semeador de Palavras« é um esforço significativo para documentar e preservar o legado de José Afonso, oferecendo uma visão autêntica de suas ideias e convicções. Através das entrevistas, José Afonso é apresentado não apenas como um ícone cultural, mas como um ser humano com vulnerabilidades, que enfrentou desafios e lutou por suas crenças.

    As reflexões de José Afonso sobre justiça social, liberdade e a importância da arte como meio de resistência permanecem relevantes, ressoando com as lutas atuais por direitos e igualdade.

    A Associação José Afonso, também em Vila Real de Santo António, está comprometida a continuar a divulgar sua vida e obra, reconhecendo a importância de sua mensagem e a necessidade de manter viva a sua memória.

    São estas as palavras finais de Guadalupe Portelinha, vice.presidente da AJA, perante o auditório vilarealense:

    Apresentação de Semeador de Palavras

    « A finalizar, peço desculpa por ser tão longo, dizer-lhe que há neste livro, semeador de palavras, vários momentos que nos desafiam, que criam perplexidade ou surpresa, porque a sua leitura nunca se torna monótona, antes carrega constantes mobilidades.

    Veja-se as suas leituras, Santo Agostinho, a poesia de São João da Cruz, a aproximação àquele Cristo dos que têm fome e sede de justiça, sendo ateu, confesso. E, pese embora algumas desarmonias e desafinações, a Coerência mantém-se firme no homem, na luta contra a injustiça social e na constante e ardente defesa da igualdade e da liberdade.

    É este o Zé que afirma, mesmo depois de morto, serei um homem de liberdade. Em suma, o homem, o cantor, que não sofre das canções, que não sofre das canções, canções, mas também com os seus depoimentos, escreveu o traseiro programa. Político, humanista e revolucionário. Serviu-se das palavras para dizer, escrever e cumprir.

    Pois foi um semeador de palavras. Dizia, semeio as palavras na música. Foi como um autêntico disseminador de palavras, com causas ideais dentro. E tentou sempre espalhar as sementes para que criassem raízes.

    Diz numa das suas canções, semear a palavra para romper e crescer como baleia. Prantei a semente da palavra, antes deixei-a matar o meu gado. Ensinei ao meu filho a labra e a colheita num terreno ao lado. A palavra rompeu, cresceu como baleia.

    E as suas palavras têm sido ouvidas, colhidas, guardadas como tesouros ou voltadas a semear. Não sei em Portugal, como em várias partes do mundo. Este livro guarda algumas dessas palavras, semente, mostras e apergoas.

    Nesta obra se lê grande parte da história da vida, de um homem grande. Sabemos que as histórias dos homens e mulheres grandes são sempre fantásticas, mas também tão reais que se tornam profundamente humanas.

    Diz-se que as últimas palavras de José Afonso foram, não posso parar. Também nós, pessoalmente, enquanto Associação, não podemos parar de divulgar a sua vida de cidadão exemplar e a sua obra que em início lhe pugnaram para o nosso futuro humano. Agradecemos a José Afonso por mais este legado. Muito obrigado».

    1. PCP celebra em Faro a obra de Luís de Camões

      PCP celebra em Faro a obra de Luís de Camões

      Com o objetivo de comemorar o V Centenário de Luís de Camões, o PCP promove um diversificado conjunto de iniciativas, que se prolongam por 2025, no qual se integra o debate em Faro «A Exaltação do povo e da Pátria na Obra de Luís de Camões».

      A sessão está prevista para o dia 19 de Fevereiro, no Club Farense, às 18:00 horas com a participação de Carina Infante do Carmo, professora universitária, e de José Augusto Esteves, dirigente do PCP.

      Também para o PCP, Camões e a sua obra são, hoje, património comum da humanidade. «Traduzido em várias línguas, representado, estudado e apropriado em diferentes partes do mundo, o poeta continua a ser, actualmente, um nome maior da história da literatura», salienta a nota da DORAL que divulga a iniciativa.

      Luúis de Camões foi «Artista de grande dimensão, não protegido pelo poder, marginalizado pelos poderosos e privilegiados do seu tempo, Camões é um poeta do povo e da pátria portuguesa – pelo modo como refletiu um acontecimento histórico, os descobrimentos geográficos, e como desenvolveu e apurou as capacidades da língua portuguesa».

      Esta iniciativa vem na sequência do V Centenário do nascimento de Luís de Camões, cuja obra, inseparável de um mundo em transformação, é símbolo de humanismo progressista, assinalado em 2024.


      «Camões é um poeta do Renascimento, de uma época de exaltação das realizações humanas face ao divino e ao obscurantismo, de um mundo em transição, no qual se vai formando um novo pensamento filosófico e científico, ligado à observação da natureza e à experiência, que as forças reaccionárias dessa altura, nomeadamente através da Inquisição, procuraram reprimir e conter», diz ainda o PCP:

      O Partido Comunista Português considera a sua intervenção nas comemorações do V Centenário de Camões como «um contributo insubstituível para a participação ativa do nosso povo nessas comemorações e para um maior conhecimento, difusão, apropriação e fruição da obra do grande poeta».

      O Partido Comunista Português está a apelar ao envolvimento de todos os que valorizam Camões e a sua obra, projetando-o na atualidade e afirmando o património cultural português, a língua portuguesa, a cultura e a arte.

    2. Fernando Cabrita apresentou em Tavira «A Língua Portuguesa»

      Fernando Cabrita apresentou em Tavira «A Língua Portuguesa»

      Considerado o maior poeta algarvio vivo, Fernando Cabrita apresentou ontem, em Tavira, na Casa Álvaro de Campos, o livro vencedor da terceira edição, ano de 2023 do Prémio Literário da Lusofonia Professor Adriano Moreira, atribuído em Bragança e editado na Labirinto, em 2024.

      Fernando Cabrita conta com 50 títulos e 50 anos de criação poética, ensaísta e crítico literário, contista, conferencista, por esse mundo afora, com traduções e colaborações em diversos países, como Espanha, França, Itália, Marrocos, Turquia ou Rússia.

      Tem sido dinamizador cultural e congregador de gentes e literaturas do mundo, organizador do Festival Poesia a Sul, em Olhão, durante 7 anos.

    3. História e o Humor na Imprensa de Tavira

      História e o Humor na Imprensa de Tavira

      A apresentação do livro A História e o Humor na de Tavira, uma antologia de crónicas de jornais locais e regionais compiladas por Luís Horta e Ofir Chagas, destacou a importância da imprensa tavirense ao longo de mais de um século.

      O evento contou com a presença de diversas personalidades ligadas à cultura e à história da cidade, incluindo o vice-presidente da Câmara Municipal de Tavira, o professor Eurico Palma, e outros autores e colaboradores da imprensa local.

      O livro reúne crónicas de dez jornalistas que marcaram a imprensa tavirense entre 1901 e 2009, preservando a memória e o legado de figuras emblemáticas como António Rosa Mendes, Sebastião Leiria, Arnaldo Anica, Liberto Conceição, entre outros.

      A obra não apenas revisita a história da cidade e da região, mas também evidencia o papel do jornalismo local como veículo de crítica, reflexão e registo dos acontecimentos.

      Durante a apresentação, Ofir Chagas e Luís Horta explicaram que a motivação para esta compilação surgiu da necessidade de homenagear os antigos cronistas e perpetuar a sua influência no jornalismo e na identidade cultural de Tavira.

      Destacaram ainda a independência editorial e o compromisso com a verdade, valores que sempre caracterizaram a imprensa regional.

      O evento foi também uma oportunidade para recordar episódios históricos, como a relevância de Tavira na Primeira Invasão Francesa e a transformação do seu património ao longo dos séculos.

      Alguns excertos das crónicas foram lidos, incluindo textos de humor e de análise crítica sobre a sociedade e a política, sublinhando a riqueza e diversidade do jornalismo tavirense.

      O vice-presidente da Câmara Municipal encerrou a sessão reforçando a importância da obra para a preservação da memória local e agradecendo o contributo dos autores na valorização do património cultural da cidade.

      O livro foi apresentado como um registo essencial para compreender Tavira e a sua história através das palavras dos que a escreveram e testemunharam ao longo das décadas.

    4. Célia Segura com «O melhor de mim» em Vila Real  Santo António

      Célia Segura com «O melhor de mim» em Vila Real Santo António

      A Biblioteca Municipal Vicente Campinas recebeu, ontem à tarde, 1 de Fevereiro, a apresentação do livro de poesia O Melhor de Mim, da autora Célia Segura. A sessão contou com a presença da professora Conceição Pires, responsável pelo prefácio da obra, e com diversos momentos artísticos que enriqueceram o evento, entre música, dança e leituras de poemas.

      Na abertura a cantora Nádia Catarro, acompanhada por Luís Horta, que interpretou No Teu Poema, de José Luís Tinoco, num momento que trouxe emoção à plateia. Seguiu-se uma apresentação de dança, executada antes da leitura dos poemas de Célia Segura, feita por vários amigos da escritora.

      Uma obra que esperou pelo momento certo

      Célia Segura revelou que O Melhor de Mim esteve guardado durante cerca de um ano e meio antes de ser publicado, explicando que a prioridade foi dedicar-se à causa «Vamos Ajudar o Rafael», um projeto de apoio a um menino com paralisia cerebral.

      «Havia alguém que necessitava mais de mim. A Guida sabia que o livro iria sair, era só uma questão de tempo. Mas o Rafael, que não está aqui hoje – está apenas a mãe e a irmã, a Laura –, teve prioridade. Ele precisava mais de mim naquele momento», explicou a autora, visivelmente emocionada.

      Segundo Célia Segura, a escrita é uma extensão da sua vivência e das suas relações pessoais. «Há muitos poemas neste livro que retratam toda uma parte da minha vida, da nossa vida. São situações que já passaram, mas que fazem parte da nossa história. É um registo que fica, são sentimentos que permanecem.»

      A autora admitiu que não escreve sobre tudo, mas apenas sobre aquilo que a toca profundamente. «Não consigo escrever sobre a natureza, não me diz nada. Mas sou capaz de escrever sobre o João, sobre a Leninha, sobre o meu pai que já não está fisicamente comigo, e sobre o Rafael, que muito me diz.»

      Célia também revelou que já está a trabalhar num segundo livro. «Vai sair proximamente, e já não vai levar muito tempo.»

      Poesia como partilha e conexão

      Entre os participantes no evento, o Dr. Fernando Horta, em reprsentação da Cultura da câmara municipal de Vila Real de Santo António, destacou a universalidade dos sentimentos expressos na obra de Célia Segura.

      «Há um poema muito especial que me tocou profundamente, pois fala do pai da autora. E, de certa forma, todos nós nos conseguimos rever um pouco nestas palavras, porque refletem experiências que fazem parte da vida de qualquer pessoa.»

      Sublinhou ainda a forma como Célia encara a escrita como um ato de partilha. «A Célia sente-se bem fazendo aquilo que faz, e gosta de partilhar porque isso lhe faz bem – não numa condição egoísta, mas numa generosa partilha. E isso, ao fim e ao cabo, é também cuidar. Cuidar dos outros.»

      Por sua vez, a professora Conceição Pires reforçou a importância da poesia na construção da identidade cultural e emocional de uma comunidade. «Este livro é um reflexo do que a Célia é: intensa, apaixonada e sempre disponível para dar o melhor de si aos outros.»

      A dança como expressão das emoções

      Um dos momentos marcantes do evento foi a reflexão sobre o papel da dança como forma de expressão emocional. Guida Montes, destacou a importância da arte na canalização de sentimentos e na promoção do bem-estar.

      «A arte é uma forma de nos expressarmos sem palavras. A dança permite-nos transformar emoções em movimento, tornando-as mais compreensíveis. Nos dias de hoje, as pessoas fogem das suas emoções, mas a arte permite-nos enfrentá-las.»

      A também o professor Lino Nunes acrescentou que a dança tem benefícios que vão além da expressão artística. «A dança é uma forma de terapia. A nível físico, melhora a condição cardiovascular, fortalece músculos e articulações e ajuda na prevenção da osteoporose. Mas o impacto emocional é igualmente relevante: reduz o stress, melhora a autoestima e ajuda a canalizar emoções reprimidas.»

      Uma celebração da arte e da partilha

      A apresentação de O Melhor de Mim não foi apenas um evento literário, mas uma celebração da arte e da generosidade, valores que marcam o percurso de Célia Segura. Entre poesia, música e dança, a sessão evidenciou a forma como a autora transforma as suas vivências em palavras, criando uma ligação direta com os leitores.

      Ao encerrar o evento, Célia deixou uma mensagem de gratidão e de compromisso com a sua escrita: «Tudo o que faço, tento fazer da melhor forma possível. Pode ser que nem sempre consiga, mas tento. Tento dar sempre o melhor de mim.»

      Com um novo livro já a caminho, a autora promete continuar a emocionar o público com a sua poesia, sempre fiel ao lema que dá título à sua obra.

      Nádia Catarro

      Nádia Cattarro

    5. Lídia Jorge refletiu sobre a Literatura e o Tempo em  Vila Real de Santo António

      Lídia Jorge refletiu sobre a Literatura e o Tempo em Vila Real de Santo António

      A escritora Lídia Jorge esteve presente na Biblioteca Municipal Vicente Campinas, em Vila Real de Santo António, num encontro promovido pelo Clube de Leitura, onde refletiu sobre o papel da literatura na sociedade, a importância da memória e os desafios do presente.

      A sessão contou com a presença de leitores e admiradores da sua obra, que partilharam as suas impressões sobre os livros da autora, com especial destaque para o mais recente romance, Misericórdia.

      A Literatura como Espelho da Transformação Social

      Durante a conversa, Lídia Jorge definiu-se como cronista do seu tempo, abordando a forma como a sua escrita tem documentado a evolução da sociedade portuguesa nas últimas décadas. Desde o impacto da Revolução de Abril, retratado em O Dia dos Prodígios, à transição do mundo rural para o turismo no Algarve, tema central em O Cais das Merendas, a autora enfatizou que a literatura tem um papel fundamental na compreensão da identidade e na valorização da memória coletiva.

      «A minha escrita nasce da necessidade de dar voz ao que desaparece e de capturar o que muitas vezes passa despercebido”, afirmou, referindo-se à forma como retrata as mudanças socioculturais no país. Para Lídia Jorge, o sul de Portugal é um microcosmo das grandes transformações mundiais, refletindo não apenas a globalização, mas também as tensões entre modernidade e tradição».

      “Misericórdia”: Um Olhar sobre a Velhice e a Resistência

      O destaque da sessão foi a discussão sobre Misericórdia, romance que aborda o envelhecimento, os lares de idosos e a relação entre cuidadores e residentes. Inspirada em experiências pessoais, a obra retrata a luta de Dona Alberti, uma idosa que resiste à perda de autonomia e à dissolução da sua identidade num lar.

      Lídia Jorge sublinhou que este livro tem sido recebido com uma forte carga emocional pelos leitores, muitos dos quais se identificam com a realidade das personagens. «Este não é um livro sobre decadência, mas sim sobre resistência e o fulgor da vida», disse. A autora destacou a importância do afeto, das relações humanas e da memória na construção do sentido de vida, mesmo em contextos de vulnerabilidade.

      Outro tema relevante foi o papel dos imigrantes nos lares de idosos, uma realidade crescente em Portugal. A escritora observou que o encontro entre idosos e cuidadores estrangeiros, muitas vezes oriundos de contextos precários, gera novas dinâmicas sociais e afetivas, nem sempre isentas de tensões, mas também de solidariedade.

      O Algarve e a Perda da Identidade Cultural

      A sessão trouxe ainda à tona questões ligadas à identidade algarvia, especialmente a partir do livro O Cais das Merendas. Lídia Jorge refletiu sobre a forma como o Algarve se tornou uma região dominada pelo turismo, muitas vezes sem que a população local colha os benefícios desse crescimento. A autora partilhou episódios que ilustram a forma como, ao longo dos anos, a cultura local tem sido marginalizada em prol da adaptação às exigências do turismo de massas.

      «O Algarve foi colonizado economicamente, e muitas vezes, a sua população aceitou essa transformação sem resistência», afirmou. Para Lídia Jorge, a literatura pode ser uma ferramenta para refletir sobre essas mudanças e para preservar a identidade e a memória das comunidades.

      A Literatura como Ato de Resistência

      No encerramento do encontro, a escritora reforçou a importância da literatura como um espaço de resistência, capaz de questionar o presente e projetar o futuro. Referiu-se ao ato de escrever como uma forma de transformar a dor e as experiências em arte, tocando os leitores de forma profunda.

      A sessão terminou com um diálogo entre Lídia Jorge e os participantes, que partilharam as suas experiências de leitura e o impacto das suas obras nas suas vidas. No final, a escritora agradeceu a receção calorosa e elogiou a dedicação do Clube de Leitura e da Biblioteca Municipal Vicente Campinas na promoção do gosto pelos livros e pela cultura.

      Com esta sessão, Lídia Jorge reforçou o seu papel como uma das vozes mais marcantes da literatura portuguesa contemporânea, deixando aos leitores de Vila Real de Santo António uma reflexão sobre a memória, a identidade e o tempo.

      Vereador Fernando Horta apelou à Valorização do Algarve e da Cultura

      A sessão foi inicialmente presidida pelo presididente da câmara municipal Álvaro Araújo que, depois de apresentar os cumprimentos de boas vindas e agradecimento à escritora, se ausentou por outros compriomissos, tendo ficado em sua representação o vereador Fernando Horta.

      Este destacou a importância da cultura, da identidade algarvia e da necessidade urgente de valorizar o património da região. Inspirando-se numa célebre citação do poeta espanhol Federico García Lorca, que afirmava que se tivesse fome preferiria meio pão e um livro, o vereador sublinhou que a literatura é essencial para alimentar o espírito e fortalecer a identidade coletiva.

      «Entrei aqui com os meus simpáticos e responsivos 100 quilos e saio pelo menos com 200. E garanto que não comi nenhum pão», afirmou, numa intervenção marcada pelo tom bem-humorado, mas também pelo compromisso com a valorização do Algarve.

      O Papel da Biblioteca e a Luta da Escritora Lídia Jorge

      Antes de abordar o tema central da sua intervenção, Fernando Horta fez questão de agradecer à equipa da Biblioteca Municipal, destacando o trabalho que considerou meritório de dinamização da cultura e de envolvimento da comunidade em diversas atividades.

      Dirigindo-se a Lídia Jorge, enalteceu a sua relevância na literatura nacional e internacional, mas também a sua força em três dimensões que, segundo o vereador, representam desafios em Portugal: ser escritora, ser mulher e ser algarvia. «Nenhuma dessas condições é fácil, e a Lídia Jorge personifica todas elas com coragem e talento», afirmou.

      A Urgência de Reivindicar o Algarve

      O ponto alto da intervenção de Fernando Horta foi a sua reflexão sobre o Algarve e a sua identidade, um tema que também perpassou as discussões ao longo da sessão com a escritora. O vereador criticou a subalternização da região, alertando para o risco de se continuar a permitir que o Algarve seja apenas um destino turístico e não um território valorizado pela sua cultura, história e economia.

      «O Algarve é subliminizado, e isso acontece porque nós deixamos que aconteça», afirmou, defendendo a necessidade de inverter essa realidade através de um esforço coletivo. «Temos que reverter, sistematizar e operacionalizar esta mudança no terreno, envolvendo toda a comunidade», apelou.

      O vereador sublinhou ainda que a história de Portugal continua a ser contada a partir de Lisboa, ignorando muitas vezes a riqueza e especificidade do Algarve. Para mudar essa realidade, afirmou que é necessário unir esforços e iniciar de imediato um trabalho conjunto para fortalecer a presença e a voz da região no panorama nacional.

      A sua intervenção terminou com um compromisso firme: «Estamos juntos e vamos começar a trabalhar a partir de hoje.»

      Diretora do Jornal do Algarve Destaca a Colaboração de Lídia Jorge e a Urgência da Defesa da Comunicação Social na Região


      No Encontro com Lídia Jorge, realizado na Biblioteca Municipal Vicente Campinas, a diretora do Jornal do Algarve, Luísa Travassos, destacou a importância da recente colaboração da escritora com o jornal e sublinhou a necessidade urgente de defender a comunicação social na região.

      Lídia Jorge começou há duas semanas a publicar crónicas no Jornal do Algarve, tendo iniciado a sua participação com o artigo «Está aí alguém?», um apelo à união da comunidade cultural, empresarial e política em torno da preservação da comunicação social no Algarve.

      «É uma pedrada no charco», afirmou Luísa Travassos, salientando que o texto da escritora gerou uma forte reação, com muitas pessoas a questionarem sobre o futuro do jornal. «O Jornal do Algarve não vai acabar. Estamos todos a dar as mãos para fortalecer a comunicação social e mudar consciências e práticas», garantiu.

      A Solidão do Algarve na Defesa dos Seus Meios de Comunicação

      A diretora do jornal lamentou que, ao contrário do que acontece no Norte do país, onde empresários e comunidades locais se unem para salvar os seus jornais, no Algarve a situação seja diferente. «Aqui, está toda a gente de costas voltadas», alertou, frisando que a falta de apoio coloca em risco a sobrevivência da imprensa regional.

      Nesse sentido, destacou o contributo de Lídia Jorge como uma oportunidade para promover uma reflexão coletiva sobre o futuro do Algarve e da sua comunicação social. «A sua participação pode ser o ponto de partida para um debate mais profundo, para que as pessoas responsáveis nesta região comecem a pensar para onde vamos, que caminho queremos seguir, que futuro queremos para o Algarve», sublinhou.

      A Importância do Jornalismo e do Papel na Era Digital

      Luísa Travassos aproveitou a ocasião para reforçar a importância do jornalismo tradicional e a necessidade de preservar o formato em papel, mesmo num contexto de crescente digitalização da comunicação. «O papel tem um valor insubstituível. Não é a mesma coisa ler um livro num iPad ou num ecrã do que folhear um livro, voltar atrás, sentir o cheiro do papel, acompanhar as letras», afirmou.

      A diretora defendeu ainda que o jornal impresso tem um papel fundamental na circulação da informação dentro da comunidade, alcançando vários leitores numa única casa e promovendo o debate entre diferentes gerações.

      «Quando um jornal chega à casa de uma pessoa, não é lido só por um, mas por vários. Na biblioteca, nos cafés, em qualquer espaço público, os jornais passam de mão em mão e cumprem um papel essencial na difusão da informação e na defesa da democracia», explicou.

      O Perigo das Fake News e o Papel do Jornalismo na Democracia

      Na sua intervenção, Luísa Travassos também alertou para os riscos do crescimento das notícias falsas e do populismo, reforçando a necessidade de um jornalismo responsável, baseado na verificação dos factos. «Hoje, qualquer pessoa pode escrever no Facebook ou no Instagram sem qualquer escrutínio, mas isso não é jornalismo. Os jornais regionais são fundamentais para garantir informação credível e transparente», defendeu.

      Agradecimento a Lídia Jorge e Um Apelo à Ação

      Encerrando a sua participação, a diretora do Jornal do Algarve agradeceu publicamente a Lídia Jorge pela iniciativa de colaborar com o jornal e pela sua dedicação à defesa da cultura e da identidade algarvia. «Temos que aproveitar esta personalidade que é tão importante para a nossa região. Lídia Jorge é capaz de mover montanhas e fazer com que muitas pessoas comecem a agir», afirmou.

      Para Luísa Travassos, o artigo escrito por Lídia Jorge «Está aí alguém?» foi um primeiro passo para um debate essencial sobre o futuro do Algarve e da comunicação social na região. «Temos que começar a discutir e a agir. O Jornal do Algarve está à disposição para que isso aconteça», concluiu.

      jestevãocruz/NewsRoom

    6. AMAL continuará a oferecer jornais digitais

      AMAL continuará a oferecer jornais digitais

      As Bibliotecas Municipais do Algarve vão continuar a disponibilizar gratuitamente acesso a jornais e revistas nacionais e estrangeiras, em formato digital, através da aplicação «PressReader».

      Os leitores da Rede Intermunicipal das Bibliotecas do Algarve (BIBAL)vão poder continuar a usufruir de acesso gratuito a mais de 7000 publicações online. O investimento para a disponibilização deste serviço inovador, totalmente suportado por decisão dos presidentes de câmara algarvios, ronda os 65 mil euros e terá uma duração de três anos.

      Os leitores da BIBAL vão continuar a ter à disposição o serviço PressReader, uma plataforma digital que dá acesso a jornais e revistas online. São mais de 7000 publicações que, através deste serviço inovador e gratuito, podem ser lidas no momento ou descarregadas para uma leitura posterior. 

      Os autarcas do Algarve mantêm a convicção de que esta iniciativa universaliza e democratiza o acesso à informação e ao conhecimento, incentivando, simultaneamente, à leitura, pelo que decidiram, na sua Reunião do Conselho Intermunicipal de 15 de novembro de 2024, aprovar este investimento, garantindo, assim, a disponibilização do PressReader na rede de bibliotecas municipais pertencentes à BIBAL por mais um período de três anos (2025, 2026 e 2027).

      Recorde-se que a PressReader é uma plataforma digital, distribuída em Portugal pela WECUL, que disponibiliza o acesso direto e integral a mais de 7000 publicações (jornais e revistas), nacionais e estrangeiras, logo que publicadas e acessíveis aos leitores inscritos em cada Biblioteca, dentro ou fora destas, por computador ou em dispositivos móveis.

      O acesso à plataforma é possível de várias formas, com as credenciais de utilizador da biblioteca. Toda a informação é disponibilizada em cada uma das bibliotecas municipais.

    7. ALGARVE 2030 executa 12 projetos de apoio à Inclusão pela Cultura.

      ALGARVE 2030 executa 12 projetos de apoio à Inclusão pela Cultura.

      O ALGARVE 2030 prevê no seu programa a ativação de uma nova medida de apoio à promoção da inclusão social por via da cultura.

      O apoio destes investimentos culturais pretende ser um meio e não um fim em si, incentivando projetos que visem a integração social e económica de grupos mais vulneráveis.

      Deste modo, a CCDR Algarve, pretende que a cultura seja um fator de coesão e de promoção da diversidade.

      Este propósito do Programa Regional encontra-se alinhado com o Pilar Europeu dos Direitos Sociais e com a Estratégia Nacional de Combate à Pobreza, e ainda com o Plano Nacional de Combate ao Racismo e à Discriminação 2021-2025.

      Neste contexto, esteve aberto o Aviso para apresentação de candidaturas “Inclusão pela Cultura”. Visa promover a inclusão social de grupos particularmente vulneráveis, através de iniciativas e atividades de expressão artística e cultural por e para grupos desfavorecidos.

      Garante o acesso e a fruição de atividades e bens, assim como o seu envolvimento nos próprios processos de produção e representação de formas de expressão artística, como condição para um desenvolvimento mais coeso e inclusivo.

      Na sequência da análise às candidaturas apresentadas, encontram-se em execução 12 projetos apoiados pelo Programa ALGARVE 2030, que atuam em áreas e públicos distintos, cobrindo também diferentes territórios.

      São abrangidos reclusos, migrantes, idosos, pessoas com deficiência e/ou incapacidade, jovens NEET e pessoas com problemas de saúde mental.

      Os projetos apoiados preveem o desenvolvimento de oportunidades concretas de participação por meio de diversas formas de expressão artística e cultural, intervindo através de:

      aulas de dança, partilha de memórias e testemunhos; workshops, residências artísticas, espetáculos e exposições; valorização dos patrimónios culturais do território e foco em intervenções de proximidade;

      intervenção social que recorre a práticas artísticas; transformação social através de atividades artísticas e culturais, fomentando o pensamento crítico, empoderamento e participação cívica dos participantes;

      promoção da interculturalidade e a não discriminação em contexto escolar, utilizando a arte participativa;

      formação cultural e social dos indivíduos; capacitação e promoção da inclusão na comunidade, a todos os níveis.

      O apoio FSE+ aprovado de mais de 800 mil euros no âmbito do Programa ALGARVE 2030 permitirá, nos próximos anos, mostrar a cultura e a arte como instrumentos valiosos de inclusão social, contribuindo para a coesão e promoção da diversidade.

      Projetos apoiados:

      DesignaçãoBeneficiário
      OS INVISÍVEISTEATRO MUNICIPAL DE FARO – SERVIÇOS MUNICIPALIZADOS
      Dansanté em tournéeARTIFICIAL- ASSOCIAÇÂO ARTÍSTICA E CULTURAL DO ALGARVE
      Festival de Artes InclusivasTEIA D’IMPULSOS – ASSOCIAÇÃO SOCIAL, CULTURAL E DESPORTIVA
      CLUSTER CRIATIVO
      Monchique – Fábrica de Memórias
      VICENTINA – ASSOCIAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DO SUDOESTE
      Cultura ao MontesARCDAA – ASSOCIAÇÃO RECREATIVA CULTURAL E DESPORTIVA DOS AMIGOS DA ALTA-MORA
      Projeto CamarataLAC – LABORATÓRIO DE ACTIVIDADES CRIATIVAS – ASSOCIAÇÃO CULTURAL
      Recordar é viver, Histórias de uma vidaASSOCIAÇÃO CULTURAL DANCENEMA
      AD-HOCS: Arte e Desenvolvimento para Horizontes de Oportunidades Culturais e SociaisG. R. A. T. O. – GRUPO DE APOIO AOS TOXICODEPENDENTES
      QuART TILESFREGUESIA DE QUARTEIRA
      Tudo IncluídoMUNICÍPIO DE LAGOA
      Dançar com a Diferença em TaviraMUNICIPIO DE TAVIRA
      LINHA COMUMQUESTÃO REPETIDA – ASSOCIAÇÃO

    8. Barquinhos de poemas rumo ao Guadiana

      Barquinhos de poemas rumo ao Guadiana

      No dia 27 de dezembro, em Barriada de Canela, a poesia correu por terra, mar e ar nas terras do Baixo Guadiana., com o tradicional almoço de despedida do ano, onde pasrticiparam os «Poetas do Guadiana» das duas margens do rio.

      Qualidade humana, portas e as janelas sempre abertas caso, com o Ano Novo, para dar uma volta pelos poemas de sempre e pelos novos.

      Fotos A. Cipriano Cabrita e José Luís Nascér

    9. Prémio Unesco

      Prémio Unesco

      O Instituto de Emprego e Formação Profissional, I.P. (IEFP) atribuiu o Prémio Nacional de Artesanato 2023 à Cooperativa QRER e à Proactivetur / Projeto TASA.

      Foi na categorias “Entidade Privada” e “Investigação” pela elaboração do RED BOOK – LISTA VERMELHA DAS ATIVIDADES ARTESANAIS ALGARVIAS, que já havia também sido reconhecido com o prémio Prof. Manuel Gomes Guerreiro, atribuído pela Universidade do Algarve e parceiros.

      A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve, I.P., que promoveu a concretização do RedBook das Atividades Tradicionais, congratulou-se com o reconhecimento obtido.

      Dirigiu também «uma especial palavra de apreço à equipa da Proactivetur, em particular a Susana Calado Martins e Graça Palma, pelo trabalho de entrevistas no terreno e de elaboração do RedBook.

      Este prossegue a linha do projeto TASA – Técnicas Ancestrais Soluções Atuais», marca registada detida pela CCDR-Algarve, entidade promotora deste projeto inovador de Artesanato e Design que visa “Afirmar e Divulgar a Atividade Artesanal como Profissão de Futuro”, e que junta a inovação – design de novos produtos – à tradição.

      E prossegue porque utiliza materiais e técnicas artesanais, saberes que têm vindo a ser transmitidos de geração em geração e resultam em produtos utilitários com uma estética contemporânea de reconhecida aceitação.

      Magalhães_ICC, acrónimo do Centro Magalhães para o Empreendedorismo de Indústrias Culturais e Criativas, pretende estabelecer uma rede de cooperação transfronteiriça destinada a consolidar e a promover a oferta cultural inovadora no seio da EURORREGIÃO Alentejo – Algarve – Andaluzia (EUROAAA).

    10. 25 Anos da IN Versus Fado no Club Farense

      25 Anos da IN Versus Fado no Club Farense

      IN VERSUS FADO ASSINALAM EM FARO 25 ANOS DE ATIVIDADE
      O Club Farense irá receber na sexta-feira, 6 de dezembro, pelas 21:00, o grupo In Versus que assinala 25 anos de atividade como cultores do fado, da canção e da guitarra de Coimbra no Algarve.
      O grupo iniciou a sua atividade na Universidade do Algarve em 1999. A realização das monumentais serenatas académicas nas escadarias da Sé de Faro e da Igreja do Carmo definem um alinhamento com a tradição da Canção de Coimbra e a guitarra portuguesa de Coimbra.
      O grupo tem contado, ao longo da sua história, com alunos e antigos alunos da Universidade do Algarve, Universidade de Coimbra e Universidade do Porto.
      São reconhecidos como referência neste estilo musical a sul de Coimbra. Realizam espetáculos por todo o sul do país com maior incidência no Algarve tendo registado incursões por Espanha.
      Contam no repertório com temas clássicos do reportório de Coimbra bem como fados e guitarradas de novas gerações. Assumem como influências mais marcantes Artur Paredes, Carlos Paredes, Edmundo Bettencourt e Luiz Goes.
      O lançamento do disco “Saudade” em 2017 é um marco no percurso do grupo. Apresenta registos de estúdio que ilustram a forte ligação à canção de Coimbra e às guitarradas existentes no Algarve.

    11. Petição sobre a obra de José Mário Branco

      Petição sobre a obra de José Mário Branco

      A petição tem mais de 5200 assinaturas recolhidas com vista à declaração de interesse nacional e consequente classificação da obra fonográfica do músico José Mário Branco.

      Nascido em 1942 e falecido em 2019, o intérprete, compositor, arranjador e produtor portuense tem um percurso em disco entre 1969, data em que foi editado o EP «Seis Cantigas de Amigo», e, no próprio ano em que faleceu, produziu o álbum “Ruas e Memórias”, do fadista Marco Oliveira.

      O último disco de José Mário Branco em nome próprio, a coletânea «Inéditos – 1967-1999», foi publicado em 2018, mas a riqueza da sua obra não se esgota unicamente nesses registos, devendo compreender as composições escritas para outros e ainda as produções, destacando-se o seu trabalho inovador na área do fado a partir da década de 1990, especialmente ao lado de Camané e da letrista Manuela de Freitas.

      José Mário Branco dirigiu, entre outros, o álbum «Cantigas do Maio» (1971), de José Afonso, publicado na mesma altura do seu primeiro álbum, «Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontade», colaborando com Sérgio Godinho em diversos momentos do percurso de ambos.

      Depois de 1974, fundou o Grupo de Acção Cultural – Vozes na Luta, responsável por uma nova abordagem ao cancioneiro tradicional português.

      Com este pedido de classificação, os proponentes e os signatários pretendem que a obra de José Mário Branco seja mais divulgada, estudada e interpretada, tendo em conta a riqueza do seu criador, onde confluíam os universos da música popular, da música erudita e ainda de uma importante passagem pelo teatro.

      Os promotores da Petição :

      Alain Vachier (produtor musical); Ana Ribeiro (música); António Bulcão (Cantautor); Antonio Duarte (músico); A.P. Braga (cantautor) ; Armando Carvalhêda (Radialista); Arnaldo Trindade (editor fonográfico); Cândido Mota (Radialista); Carlos Alberto Moniz (cantautor); Carlos Clara Gomes ( cantautor); Francisco Fanhais (cantor); Francisco Naia (cantautor); Gaspar Varela (músico); João Afonso (cantautor); João Carlos Callixto (Investigador musical e autor de programas de rádio e televisão); João Loio (músico); João Nogueira (músico); Jorge Mendes (músico); José Barros (cantor/autor/compositor); José Carita (músico); José Manuel Ésse (músico); Lúcia Moniz (actriz/cantautora); Luís Almeida (cantautor); Luis Galrito (cantautor); Luís Gil Bettencourt (músico); Lurdes Nobre (produtora musical); Manuel Freire (cantautor); Marco Oliveira (cantautor); Mário Mata (cantautor); Miguel Calhaz (cantautor); Pedro Branco (cantautor); Rogério Charraz (cantautor); Rogério Oliveira (músico); Rui Curto (músico); Rui Júnior (músico); Rui Sousa (músico); Samuel Quedas (cantautor); Silvestre Fonseca (músico); Tino Flores (cantautor); Toni da Costa (músico); Vitor Paulo (músico); Vitor Sarmento (músico)

      Créditos: Lugar ao Sul

    12. Fernando Pessanha premiado pela Defesa Nacional

      Fernando Pessanha premiado pela Defesa Nacional

      Com um prémio monetário de 6.000,00€ e a publicação do trabalho vencedor, o Prémio Defesa Nacional visa promover o estudo e a divulgação dos feitos e personalidades marcantes da nossa História, bem como a investigação dos eventos militares portugueses sob a ótica da Defesa Nacional.

      É atribuído a trabalhos académicos notáveis que gerem interesse e contribuam significativamente para a compreensão da História Militar de Portugal, integrando-se nas atividades da Comissão Portuguesa de História Militar.

      Fernando Pessanha

      A obra agora distinguida, desenvolvida a partir da tese de doutoramento de Fernando Pessanha, tem por título Nuno Fernandes de Ataíde, o »nunca esta quedo» – A acção do capitão de Safim no apogeu da presença militar portuguesa em Marrocos, investigação anteriormente galardoada com o honorífico cum laude (distinção e louvor) pela Universidade de Huelva, em Espanha.

      A investigação agora galardoada com o Prémio Defesa Nacional 2023 analisa a acção militar, política e estratégica de Nuno Fernandes de Ataíde, alcaide-mor de Alvor (actual concelho de Portimão) e capitão de Safim, numa vasta área do sul de Marrocos, durante o reinado de D. Manuel, mais concretamente, entre 1510 e 1516.

      Conhecido entre os seus contemporâneos como o «nunca esta quedo», Nuno Fernandes de Ataíde foi o responsável pela instituição do primeiro protetorado europeu no Norte de África, tendo comandado as armas lusas em campanhas vitoriosas que chegaram às portas de Marraquexe e ao Grande Atlas.

      Segundo o autor, investigador da Academia de Marinha e do CHAM – Universidade Nova de Lisboa, “a acção de Nuno Fernandes de Ataíde, enquanto braço executor do projeto imperial manuelino, é apenas equiparável à ação de Afonso de Albuquerque no Oriente. A História de Portugal tem uma manifesta dívida para com a memória de Nuno Fernandes, o grande paladino português que se bateu até às últimas consequências no teatro de operações norte africano do séc. XVI”. O historiador algarvio, técnico superior de cultura da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, irá receber o prémio em Sessão Solene presidida por sua excelência o Ministro da Defesa Nacional, no dia 4 de Dezembro, nas instalações do Ministério da Defesa Nacional.

    13. Linguagem gestual no Teatro das Figuras

      Linguagem gestual no Teatro das Figuras

      As problemáticas árduas de homens meninos, de mães que perderam filhos, de mulheres meninas que ficaram viúvas e de filhos que ficaram órfãos, mas também de afetos, compreensões e incompreensões que emergiram dessa situação de acesa conflitualidade.

      A narrativa está centrada numa experiência colonial nossa, portuguesa e africana, mas os comportamentos humanos, as suas causas e consequências, são de todas as geografias. No que nos diz respeito, felizmente houve ABRIL. Luís Vicente, é responsável pela dramaturgia e encenação de «Suplicantes».

      A peça incide, essencialmente, sobre uma história de encontros e desencontros históricos circunstanciais, memórias suplicantes que se desvendam por via de uma narrativa que apela ao sentido de humanidade.

      cultura
    14. Maria Manuela Santos expõe em Portimão

      Maria Manuela Santos expõe em Portimão

      A exposição surge das inquietações da artista, no que diz respeito à preservação da biodiversidade. Pretende com a temática dar a conhecer plantas exóticas que são invasoras agressivas e transmitir a mensagem da necessidade de as controlar, pois elas comprometem o ambiente, a economia e a saúde humana.

      «BELAS» salienta as caraterísticas de cada espécie invasora com uma composição onde a imagem feminina é uma constante, em homenagem às mulheres, que silenciosamente constituem os alicerces da sociedade.

      A artista Maria Manuela Santos nasceu em Angola e atualmente vive e trabalha no Algarve. Formou-se em Arquitetura Paisagista na Universidade de Évora. Demonstrou, desde cedo, curiosidade e habilidade para as artes, telas, pincéis e tintas. Aprecia diferentes técnicas artísticas, mas privilegia os acrílicos, o óleo e a aguarela.

      A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 8:30 horas e as 17h00, na área de Atendimento ao Público da EMARP.

      exposições
    15. O amor e os séculos

      O amor e os séculos

      Uma Descoberta Fascinante aconteceu no ano de 2018, quando a comunidade arqueológica foi surpreendida por uma descoberta extraordinária na Ucrânia: os restos de um casal da Idade do Bronze, que permaneciam entrelaçados em abraço por impressionantes 3.000 anos.

      Esta descoberta não apenas oferece um vislumbre sobre a vida e os costumes da época, mas também levanta questões sobre o amor e as conexões humanas ao longo da história.

      A Idade do Bronze, que floresceu entre aproximadamente 3300 a.C. e 1200 a.C., é conhecida por seu desenvolvimento significativo em ferramentas de metal, agricultura e, é claro, pela formação de complexas estruturas sociais.

      A história do casal descoberto na Ucrânia insere-se neste rico contexto, revelando nuances da vida cotidiana, crenças e a importância dos laços familiares na antiguidade. A posição dos corpos sugere que a relação entre eles era profundamente significativa.

      A descoberta do casal bronzeado não apenas comoveu o público, mas também impulsionou discussões entre arqueólogos e antropólogos sobre a cultura na época.

      Além de compreender as relações interpessoais ao longo da história, essa descoberta ajuda a rever como as pessoas vão definir o amor e a união. Há a teoria que está a ser investigada de que a mulher teria bebido veneno para partir com o homem, uma vez que a posição náo poderia coincidir com serem ambos enterrados mortos.

      Os cientistas continuam a estudar os restos para entender melhor as práticas funerárias e as dinâmicas sociais. O encanto dessa história tridimensional nos lembra que, mesmo após milénios, as emoções humanas permanecem constante.

    16. AKIVIDA em Alcoutim

      AKIVIDA em Alcoutim

      A UTL / AKIVIDA participou na «Exposição de Poesia e Arte» realizada na Biblioteca Municipal Carlos Brito, em Alcoutim.

      As artistas Ana Horta Rodrigues e Maria Manuel Félix, alunas da UTL há muitos anos, participaram nesta exposição com várias obras da sua autoria, muitas delas realizadas nas aulas de pintura.

      O projeto vai continuar ativo e vai levar novos eventos culturais ao concelho, pelo que a Akivida aproveitou a ocasião para parabenizar os envolvidos na organização da exposição «que, mais uma vez, provou que as línguas não são barreiras mas o encontro de pessoas e culturas».

      Declaram-se de coração cheio.

    17. Faro celebra centenário de António Ramos Rosa

      Faro celebra centenário de António Ramos Rosa

      Natural de Faro, nascido a 17 de outubro de 1924, onde frequentou os estudos secundários, António Ramos Rosa cedo rumou a Lisboa, onde trabalhou como empregado de escritório, tradutor e professor.

      Por iniciativa do Município de Faro e da associação A Tal Emersa, o seu centenário será celebrado ao longo de dois dias com um programa especial que incluiu a exposição “António Ramos Rosa e a Interrogação do Real”.

      A inauguração está prevista para as 17:30 do dia 16 de outubro, e uma jornada de trabalho com conferências, mesas-redondas e recital de poesia, a partir das 9 horas do dia 17 de outubro, sempre na Biblioteca Municipal de Faro António Ramos Rosa.

      António Ramos Rosa tem o seu nome ligado a publicações literárias dos anos 50. Foi cofundador da revista Árvore (1951-1953) e participou na Cassiopeia e nos Cadernos do Meio-Dia. Estes primaram não só por uma postura de isenção relativamente aos diversos feixes estéticos que atravessam aquela década (legado surrealista e evolução da poesia neorrealista, entre outros), como por um critério de respeito pela qualidade estética dos trabalhos literários publicados.

      Viveu intensamente a vitória dos Aliados, aquando do término da II Guerra Mundial e desenvolveu uma importante atividade nos domínios da teorização e da criação poética.

      Complementarmente, Ramos Rosa colaborava com textos de crítica literária na Seara Nova e no Colóquio Letras, entre outras publicações periódicas.

      É no primeiro número da Árvore, onde garante a participação dos poetas António Luís Moita, José Terra, Luís Amaro e Raul de Carvalho, que subscreve o texto “A Necessidade da Poesia”, apontando como princípios imperativos da publicação a liberdade e a isenção (“Não pode haver razões de ordem social que limitem a altitude ou a profundidade dum universo poético, que se oponham à liberdade de pesquisa e apropriação dum conteúdo cuja complexidade exige novas formas, o ir-até-ao-fim das possibilidades criadoras e expressivas.”), postergando apenas da aventura poética a “gratuitidade como intenção“, posto que a poesia decorre de uma “superior necessidade […] tanto no plano da criação como no da demanda social” (ibi., p. 4).

      Como poeta, estreia-se em 1958 no jornal «A Voz de Loulé» com o poema “Os dias, sem matéria” e na coletânea “O Grito Claro”, n.º 1 da coleção de poesia «A Palavra», editada em Faro e dirigida pelo seu amigo e também poeta Casimiro de Brito. Seria apenas o primeiro de uma obra poética que ultrapassa os cinquenta títulos.

      É ainda autor de ensaios, entre os quais se salienta A Poesia Moderna e a Interrogação do Real (1979-1980). Estava assim lançado o movimento da moderna poesia portuguesa onde o autor circulava. 

      Ramos Rosa foi distinguido com numerosos prémios nacionais e estrangeiros, entre os quais o Prémio Pessoa, em 1988, o Prémio Poesia da Associação Portuguesa de Escritores/CTT – Correios de Portugal em 1989, pela recolha “Acordes”, e em 2006, pelas obras “Génese” e “Constelações”, que estão igualmente na base da atribuição do Prémio Luís Miguel Nava, no mesmo ano; em 1990, o Grande Prémio Internacional de Poesia, no âmbito dos Encontros Internacionais de Poesia de Liège; em 1992, o Prémio Jean Malrieu, para o melhor livro de poesia traduzido em França, e o Prémio Municipal Eça de Queiroz, da Câmara Municipal de Lisboa (Prémio de Poesia), pela obra “As armas imprecisas”; e, em 2005, o Grande Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen (Prémio de Poesia), São João da Madeira, pela obra “O poeta na rua. Antologia portátil”.

      A 10 de Junho de 1992 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada e a 9 de Junho de 1997 é agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique. Em 2001, o seu nome foi dado à Biblioteca Municipal de Faro. Em 2003, a Universidade do Algarve, atribui-lhe o grau de Doutor Honoris Causa.

      Considerado um dos grandes poetas portugueses da atualidade, a sua atitude crítica perante a sua própria palavra, fez dele um dos mais esclarecidos críticos portugueses contemporâneos. 

      Faleceu a 23 de setembro de 2013, em Lisboa, tendo doado todo o seu espólio literário à Biblioteca Nacional de Portugal.

      No âmbito da sua Missão e das atribuições no domínio da Cultura, a CCDR do Algarve, I.P. congratulou-se com esta iniciativa, que considera meritória, eevoca a memória de um dos mais distintos algarvios e a obra de um nome maior da Poesia do Século XX.

    18. Adriano terá busto em Avintes

      Adriano terá busto em Avintes

      Um busto de Adriano Correia de Oliveira vai ser inaugurado em Avintes no próximo dia 26 de Outubro, às 14h30, perto da rua com o nome do artista (jardim no cruzamento da Rua 5 de Outubro com a Rua do Padrão Vermelho).

      A iniciativa é dos herdeiros do cantor e conta com o apoio do Centro Artístico, Cultural e Desportivo Adriano Correia de Oliveira (CACDACO), com sede naquela freguesia de Vila Nova de Gaia.

      Avintes é a terra adoptiva de Adriano, figura incontornável da cultura portuguesa, cuja escultura da autoria de Joaquim Álvares de Sousa será mais um elemento de preservação da memória de Adriano Correia de Oliveira.

      O momento solene tem também o apoio e a representação da Junta de Freguesia de Avintes e da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia.

      Após a cerimónia, haverá um convívio aberto, com porto d’honra acompanhado por broa de Avintes, no novo espaço expositivo do CACDACO, localizado na rua 5 de Outubro, nas imediações da Casa da Cultura. Ali poderá ser visitada a exposição permanente «Adriano 80 – Vida e Obra».

      Foi também divulgado que Instituto Camões em Vigo, Espanha, acolhe quarta feira 16 de Outubro, a inauguração da (mesma) exposição «Adriano 80 – Vida e Obra», seguida de uma tertúlia com o escritor português João Pedro Mésseder (José António Gomes) e o poeta galego António García Teijeiro.

      A sessão tem início às 18:30 m e integrada nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. Vai contar ainda com um momento musical por Manuel Freire e Manuel Pires da Rocha. A mostra fica patente até 12 de Novembro.

    19. Oficina artística Retratos de Família

      Oficina artística Retratos de Família



      A exploração artística através da ilustração, colagem, desenho e pintura,
      com artista plástica Elisabete Guerreiro decorre no domingo, 20 Outubro, das 14h30 às 18h00 no Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela /CMVRSA, na Antiga Escola Primária de Santa Rita


      Será a partir de retratos de família, que os participantes serão convidados nesta oficina artística a explorar diferentes técnicas de desenho, ilustração colagem e pintura, dando uma nova vida a fotografias antigas.

      Ponto de partida para a oficina, váo ser os registos associados à exposição patente no CIIPC «Mulheres da minha aldeia, Santa Rita». Porém os participantes são desafiados a levar fotografias ou originais ou impressões de antigas fotografias de família.

      A exploração destas técnicas, na oficina e mais tarde em casa, pode dar origem a cartões e ou álbuns de família que serão ofertas especiais em aniversários e datas festivas, anota o CIIPC.

      A oficina será orientada por Elisabete Guerreiro, artista e professora de Educação Visual. Expõe desde os anos 80 em diversos países. Colabora em diversos projectos artísticos e é formadora da APEVT. Tem publicações em revistas de arte e criação da imagem dos cartazes para o Dia Internacional da Mulher em Faro.