FOZ – Guadiana Digital

Categoria: Breves-Fora

  • Tia dos filhos

    Aos 52 anos, a norte-americana Karen Keegan descobriu, através de exames de compatibilidade genética, que afinal não era a mãe biológica de dois dos seus três filhos.

    Chocada, fez mais exames que mostraram que possuía duas linhas celulares geneticamente distintas, isto é, tinha dois tipos de ADN.

    Os médicos disseram-lhe, então, que era uma quimera tetragamética e que este outro ADN provinha do seu gémeo no útero da sua mãe: Karen era, geneticamente, a tia dos seus filhos.

  • Repartição bimensal de quotas de pesca

    Em Huelva, o setor das pescas solicita que a UE distribua quotas numa base «bianual» e apoiada em relatórios científicos atualizados.

    Além disso, pede que a Europa resolva definitivamente a «concorrência desleal», porque a ameijoa chirla, importada da Itália representa para o Golfo de Cádiz.

    O sector das pescas também espera que Carmen Crespo possa tornar-se a Comissária Europeia das Pescas.

    Tudo está relacionado com a Europa. As decisões tomadas nos parlamentos de Bruxelas e Estrasburgo têm um grande impacto na vida quotidiana.

    No entanto, existem sectores para os quais estas decisões são cruciais, como o da pesca. É uma atividade económica vital para Huelva e para a Andaluzia, o sustento de milhares de famílias, que têm muito em jogo no dia 9 de junho.

    O setor pesqueiro de Huelva enfrenta numerosos desafios que dependem diretamente das decisões que serão tomadas nos próximos anos na sede comunitária.

  • Refrescar uma bebida em 15 minutos


    A The Navigator Company, em colaboração com várias entidades, desenvolveu um rótulo inovador feito de fibras de celulose que pode refrescar bebidas em apenas 12 a 15 minutos.

    Este avanço, parte do projeto GELA, representa uma redução de tempo de cerca de 50% em comparação com métodos convencionais.

    A tecnologia não só demonstra a viabilidade de soluções disruptivas para embalagens inteligentes, mas também abre caminho para futuras aplicações na redução do tempo de congelamento de produtos.

  • Reino Unido pode ter serviço militar obrigatório

    É uma proposta dos Conservadores, se ganharem as eleições, introduzir um esquema de serviço militar obrigatório para os jovens de 18 anos, tendo como alternativas trabalhar nas forças armadas ou fazer voluntariado em serviços públicos.

    O Partido Conservador quer reintroduzir doze meses de serviço militar obrigatório se ganhar, daqui a dois meses. A iniciativa, segundo dizem, tem por objetivo «proporcionar oportunidades aos jovens e promover um sentimento de unidade nacional».

    Os jovens maiores de 18 anos poderiam escolher entre uma das 30.000 colocações militares a tempo inteiro ou fazer voluntariado, um fim de semana por mês, em funções de serviço comunitário.

    O primeiro-ministro Rishi Sunak acredita que o restabelecimento do serviço obrigatório reacenderá o espírito nacional que se viveu durante a pandemia.

  • Segurança alimentar na Europa

    A ASAE, enquanto representante de Portugal na EFSA- Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, participou na 92.ª reunião do seu Fórum Consultivo, em Parma, através da Subinspetora-Geral da ASAE, Filipa Melo de Vasconcelos, em representação do Sr. Inspetor-Geral, Luís Lourenço.

    Nesta reunião discutiram-se os desafios científicos na área da avaliação dos riscos na cadeia alimentar, na Europa e no mundo, destacando-se a especial participação neste fórum do Presidente do Conselho de Gestão da EFSA, Aivars Bērziņš, tendo abordado temas sobre os processos de revisão da politica de transparência da EFSA e dos desafios que se colocam.

    Foi ainda destacada a importância de fortes consórcios que reproduzam as sinergias das #parcerias na Europa, com interoperabilidade de #dados e das diferentes dimensões da #Avaliação dos Riscos Alimentares para garantia de segurança alimentar aos cidadãos na União Europeia.

  • Eleições no Reino Unido em Julho

    O primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, convocou ontem eleições legislativas para 4 de julho, quando as expetativas da maioria dos analistas apontava para o próximo Outono.

    Declarou ter chegado o momento de o Reino Unido escolher o seu futuro, defendendo a sua governação e acusando os opositores de serem estaca zero, sem um plano e sem certezas.

  • Voz de Scarlett não foi copiada

    Na passada segunda-feira, Scarlett Johansson criticou o lançamento de vozes de IA melhoradas para o ChatGPT, alegando que a OpenAI copiou a sua voz, depois de ter recusado um pedido do CEO Sam Altman para a licenciar.

    Segundo o jornal Washington Post, foi contratada uma atriz para criar a voz da Sky meses antes de Altman entrar em contato com Johansson, de acordo com documentos, gravações, diretores de elenco e o agente da atriz.

    A agente, que falou sob condição de anonimato, para garantir a segurança de seu cliente, disse que a atriz confirmou que nem Johansson nem o filme “Her” foram mencionados pela OpenAI.

  • Eólicas destruídas e morte no Iowa – EUA

    Eólicas destruídas e morte no Iowa – EUA

    Ontem, o estado de Iowa nos Estados Unidos foi devastado por uma série de tornados violentos que resultaram em múltiplas fatalidades e ferimentos graves.

    As tempestades severas causaram estragos significativos, com relatos de turbinas eólicas destruídas, evidenciando a força destrutiva dos tornados. As autoridades confirmaram a morte de várias pessoas e pelo menos uma dúzia de feridos em decorrência dos eventos climáticos extremos.

    O governador Reynolds declarou estado de emergência em 15 condados e está prevista uma visita à área afetada. A cidade de Greenfield, com cerca de 2.000 habitantes, foi uma das mais atingidas, com grande parte da sua infraestrutura danificada ou destruída.

    As operações de busca e resgate continuam em andamento, enquanto a comunidade se une para apoiar os esforços de recuperação e ajudar os afetados pela tragédia.

  • A lista das bactérias assassinas atualizada

    A lista das bactérias assassinas atualizada

    Este levantamento é parte dos esforços contínuos para conter a resistência antimicrobiana, um problema de saúde global que ameaça os avanços da medicina moderna.

    A resistência antimicrobiana ocorre quando microorganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas desenvolvem a capacidade de resistir aos medicamentos que anteriormente podiam tratá-los.

    Isso não só aumenta o risco de propagação de doenças e mortes mas também é impulsionado pelo uso indevido e excessivo de antimicrobianos.

    Entre os patógenos de prioridade crítica estão as bactérias gram-negativas resistentes aos antibióticos de último recurso, como Acinetobacter baumannii e Pseudomonas aeruginosa, bem como o Mycobacterium tuberculosis, resistente à rifampicina. Estes microorganismos são particularmente perigosos em ambientes hospitalares e para pacientes que necessitam de dispositivos médicos invasivos.

    A OMS enfatiza a necessidade urgente de desenvolver novos tratamentos para combater essas bactérias resistentes.

    A diretora-geral adjunta de Resistência Antimicrobiana da OMS, Yukiko Nakatani, ressaltou a importância de mapear a carga global de bactérias resistentes e avaliar seu impacto na saúde pública.

    Desde a primeira publicação da lista em 2017, a ameaça da resistência antimicrobiana só tem intensificado, colocando em risco muitos dos ganhos da medicina moderna.

    A lista da OMS serve como uma referência crucial para o desenvolvimento de novos medicamentos e tratamentos. Ela é dividida em categorias de priorização crítica, alta e média, refletindo a urgência com que novos antibióticos são necessários. Além disso, a OMS recomenda o consumo racional dos novos medicamentos que venham a ser desenvolvidos, para evitar a repetição do ciclo de resistência.

    Este chamado à ação da OMS é um lembrete da importância da pesquisa e desenvolvimento contínuos na área da saúde. A resistência antimicrobiana é um desafio que requer a colaboração de cientistas, profissionais de saúde e políticas públicas eficazes para garantir que os tratamentos continuem eficazes para as gerações futuras.

  • Julien Assange com direito a recorrer

    O Supremo Tribunal de Londres decidiu hoje que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, tem o direito de recorrer da sentença de extradição para os Estados Unidos.

    Os juízes determinaram que as alegações dos EUA não eram suficientes, concedendo a Assange permissão para um recurso completo em relação aos pontos sobre liberdade de expressão e nacionalidade.

    Ainda não foi definida uma data para o recurso completo, mas deverá prolongar o processo durante mais vários meses. Assange não compareceu no tribunal por razões de saúde física e mental.

    Os advogados apresentaram vários fundamentos para o recurso ser admitido, e a juíza concedeu que três deles são válidos.

  • Estragos pelas chuvas na Europa

    Estragos pelas chuvas na Europa

    A Europa está a enfrentar condições meteorológicas extremas com um contraste marcante entre o norte e o sul.

    No norte de Itália, França e Alemanha, chuvas fortes e tempestades têm causado inundações e danos significativos.

    As equipas de emergência têm trabalhado incansavelmente para responder às inundações, com relatos de evacuações e esforços de resgate em áreas severamente afetadas.

    Enquanto isso, o sul de Itália está a experimentar uma onda de calor atípica para a época, com temperaturas elevadas que desafiam os recordes habituais.

    Este fenómeno não só coloca um stress adicional nos recursos energéticos devido ao aumento do uso de ar condicionado, mas também representa um risco significativo para a saúde pública, especialmente para os grupos vulneráveis como idosos e crianças.

    Estes eventos extremos são um lembrete pungente da volatilidade do clima e da importância da preparação e adaptação às mudanças climáticas.

    As autoridades locais e nacionais, juntamente com as comunidades, devem continuar a desenvolver estratégias para mitigar os impactos destes fenómenos e proteger as populações vulneráveis.

    Para mais informações sobre as condições meteorológicas atuais e conselhos de segurança, mantenha-se atento às atualizações das autoridades locais e serviços meteorológicos.

    FOZ – fonte: Euronews

  • O Brasil e Angola parceria estratégica em Crescimento

    O Brasil e Angola parceria estratégica em Crescimento

    Este relacionamento robusto reflete-se em mais de 75 projetos de cooperação que têm fortalecido os laços entre as duas nações, ambas ex-colónias portuguesas.

    Os principais setores que beneficiaram destes investimentos incluem infraestruturas, com a presença marcante de grandes empresas de engenharia e construção brasileiras que contribuíram para a reconstrução de Angola após o final da guerra civil em 2002.

    O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) do Brasil desempenhou um papel crucial, fornecendo fundos significativos para este fim.

    Além das infraestruturas, outros setores como o agronegócio, a indústria transformadora, o setor automóvel e o farmacêutico têm sido focos de investimento, alinhando-se com os esforços de diversificação da economia angolana e a redução da dependência do petróleo.

    Estes investimentos são um testemunho da crença do Brasil no princípio da cooperação e da responsabilidade internacional, visando o desenvolvimento mútuo.

    A diplomacia presidencial, especialmente durante o terceiro mandato de Lula da Silva, tem sido fundamental para reforçar esta parceria.

    A visita de Lula a Angola simboliza a importância desta relação bilateral, que se estende além dos negócios, abrangendo também a cultura e a comunidade, com a maior comunidade brasileira em África a residir em Angola.

    Este investimento e cooperação entre Brasil e Angola demonstram um compromisso com o desenvolvimento sustentável e uma parceria que vai além do financeiro, refletindo uma verdadeira “irmandade” entre os dois países.

    FOZ com Copilot
  • Memória de outros protestos americanos

    Números avançados pelas autoridades policiais dos Estados Unidos da América, revelam a dimensão dos protestos dos estudantes universitários que exigem o fim da intervenção militar de Israel na Faixa de Gaza.

    Houve confrontos e os acampamentos montados pelos alunos universitários pró-Palestina foram desmantelados. Os detidos já ultrapassam os 1600.

    A Casa Branca, empenhada no apoio a Israel, tenta desvalorizaros os acontecimentos. Os conselheiros do Presidente, Joe Biden, estão preocupados com a repercussão dos protestos, em especial porque, no final do ano, há eleições presidenciais.

    Na memória, estão os protestos estudantis dos anos 60 do século passado e as consequências no modo de vida americano.

    No momento atual, é o receito que o conflito israelo-palestiniano se torne um tema de campanha, que, entendem eles, acabará por beneficiar o adversário republicano, o ex-Presidente Donald Trump.

  • Macron quer tropas no terreno

    O presidente francês, Emmanuel Macron, voltou a admitir ontem a possibilidade de enviar tropas terrestres ocidentais para a Ucrânia no caso de a Rússia romper as linhas da frente e Kiev solicitar esse apoio.

    «Se os russos passassem a linha da frente, se houvesse um pedido ucraniano – o que não é o caso atualmente – deveríamos legitimamente colocar-nos a questão», disse o chefe de Estado francês numa entrevista ao semanário britânico ‘The Economist’.

  • Franceses querem explorar transportes em Portugal

    A multinacional francesa Transdev, que tem já concessões de transporte rodoviário em Portugal, pretende ser licenciada como operador ferroviário e o seu principal interesse são as linhas urbanas, que asseguram a mobilidade diária.

    Quer tornar-se concorrente da CP e não pretende concorrer nas linhas de alta velocidade, porque ninguém apanha o comboio de alta velocidade todos os dias.

    Entrevistado pelo Negócios, Antoine Grange, CEO da Transdev Europa, adianta que o pedido de licenciamento como operador ferroviário assume que a intenção da Transdev em Portugal é operar linhas ferroviárias urbanas, metropolitano e metro ligeiro.

  • Carrinha com compatimentos falsos no caso Maddie

    As autoridades alemãs estão a investigar uma carrinha com compartimentos falsos em busca de vestígios de Maddie, a criança desaparecida na Praia da Luz, Algarve. The Sun e Correio da Manhã têm referências.

    As autoridades alemãs, em colaboração com a Polícia Judiciária portuguesa, intensificaram as investigações sobre o desaparecimento de Madeleine McCann, a menina inglesa que desapareceu em 2007 na Praia da Luz, no Algarve.

    Recentemente, uma carrinha foi inspecionada em busca de vestígios que possam estar relacionados com o caso.

    A investigação, que tem recebido atenção internacional, continua a desenvolver-se com novas diligências e a cooperação entre diferentes forças policiais. A Polícia Judiciária confirmou que estão sendo realizados atos formais de investigação e perícias, tanto em Portugal quanto no estrangeiro, e que houve contactos com os familiares da criança.

    Além disso, as autoridades alemãs acusaram Christian Brueckner, o principal suspeito, de crimes adicionais, aumentando as suspeitas sobre seu envolvimento no caso. Este desenvolvimento segue-se a anos de investigação e a uma série de buscas, incluindo uma recente na Barragem do Arade, que pode ter relevância para o caso.

    O desaparecimento de Madeleine McCann é um caso que tem comovido e intrigado o público e as autoridades por muitos anos. A cooperação internacional e o compromisso contínuo com a investigação refletem a determinação em resolver este mistério e trazer alguma forma de fechamento para a família McCann e todos os que têm acompanhado o caso.

    Para mais informações sobre os últimos desenvolvimentos, referências podem ser encontradas em publicações como The Sun e Correio da Manhã, que têm acompanhado de perto a situação e fornecido atualizações regulares sobre o progresso das investigações.

    Ver notícia CM

  • Dejetos humanos fazem voar aviões

    Segundo apurou a TNews, a Firefly Green Fuels, empresa britânica de biocombustíveis, apoiada pela Wizz Air, desenvolveu um processo para converter resíduos humanos em combustível de aviação sustentável (SAF).

    A empresa tem como objetivo construir uma unidade de produção piloto em Harwich, Essex, até 2027, seguida de uma unidade à escala comercial até 2029, depois de garantir acordos com uma série de parceiros.

    A equipe de liderança da Firefly está a trabalhar intensamente para colocar este novo processo SAF em funcionamento no Reino Unido, antes de expandir para outros mercados globais, escreve a imprensa britânica.

    De acordo com um estudo da Cranfield University, o SAF da Firefly proporciona uma economia de carbono de 92% em comparação com o combustível de aviação convencional.

  • A UE e a regeneração dos portos

    A União Europeia (UE) reconhece a importância vital dos portos fluviais e marítimos para o comércio e a economia dos seus Estados-Membros. Com uma visão estratégica para 2030, a UE está comprometida em contribuir significativamente para a regeneração e sustentabilidade destas infraestruturas essenciais.

    Os portos são pontos nevrálgicos para o comércio, com 74% do comércio externo de mercadorias da UE e 37% do tráfego intra-UE de mercadorias a passarem por eles. Além disso, são responsáveis por um impacto económico significativo, contribuindo diretamente para o emprego, o investimento interno e o crescimento do PIB.

    A estratégia da UE para os portos inclui uma série de medidas que visam não só a regeneração física das infraestruturas, mas também a melhoria do desempenho ambiental. A proposta prevê uma maior flexibilidade para se ter em conta o desempenho ambiental dos portos, incentivando a utilização de tecnologias ecológicas nos navios e nas infraestruturas portuárias.

    Além disso, a UE está atenta aos desafios ambientais enfrentados pelo setor marítimo. Um relatório da Agência Europeia do Ambiente destaca os progressos realizados no sentido da sustentabilidade e sublinha a necessidade de mais esforços para preparar a procura crescente e garantir o bem-estar dos ecossistemas e zonas costeiras.

    A Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 de Portugal, por exemplo, reflete o compromisso da UE com a gestão sustentável dos seus recursos marítimos, que constituem uma parte significativa das águas marinhas sob jurisdição dos Estados-Membros da UE.

    Em suma, a UE está a tomar medidas proativas para assegurar que os portos fluviais e marítimos dos países membros sejam regenerados de forma sustentável, contribuindo para o crescimento económico e a criação de emprego, ao mesmo tempo que se protege o ambiente e se promove a sustentabilidade a longo prazo.

    Uma cor­re­ção cli­má­tica chega por bar­caça
    Para redu­zir as emis­sões de car­bono nas auto-estra­das, a Europa está a recor­rer a uma solu­ção cen­te­ná­ria
    POR LIZ ALDERMAN · 30 mar 2024

    Enquanto a luz pálida da manhã tre­me­lu­zia pelo Sena, o Capi­tão Freddy Badar diri­gia a sua enorme bar­caça flu­vial, Le Bosphore, pas­sando por pito­res­cas aldeias da Nor­man­dia e bos­ques cer­ca­dos de neve, esta­be­le­cendo um curso para Paris.
    A bordo esta­vam con­ten­to­res cheios de mobi­li­á­rio, elec­tró­nica e ves­tu­á­rio car­re­ga­dos na noite ante­rior de um car­gueiro que atra­cara em Le Havre, o porto marí­timo do Norte de França.
    Se a carga con­ti­nu­asse por estrada, 120 cami­ões teriam obs­tru­ído as auto-estra­das. A uti­li­za­ção do Le Bosphore e da sua tri­pu­la­ção de qua­tro pes­soas impe­diu a entrada de tone­la­das de emis­sões de car­bono na atmos­fera.
    “O rio é parte de uma solu­ção mais ampla para um trans­porte mais limpo e o meio ambi­ente”, disse o Capi­tão Badar, com os olhos exa­mi­nando outros navios que trans­por­tam mer­ca­do­rias para cima e para baixo do Sena. “Mas há muito mais que pode­rí­a­mos estar fazendo.”
    À medida que a União Euro­peia inten­si­fica a sua bata­lha con­tra as alte­ra­ções cli­má­ti­cas, tem de des­car­bo­ni­zar o trans­porte de mer­ca­do­rias, res­pon­sá­vel por um quarto das emis­sões glo­bais de gases com efeito de estufa.
    Para lá che­gar, volta-se para uma solu­ção cen­te­ná­ria: os seus rios. Com 23.000 milhas (37.000 qui­lô­me­tros) de vias nave­gá­veis que abran­gem a União Euro­peia, as auto­ri­da­des vêem um enorme poten­cial para aju­dar a levar cami­nhões — A maior fonte de emis­sões de frete — para fora das estra­das. O acordo Verde Euro­peu, o plano de des­car­bo­ni­za­ção da União Euro­peia, trans­for­ma­ria os rios em auto-estra­das e dupli­ca­ria o trá­fego de bar­ca­ças até 2050.
    Há muito espaço para melho­rias. Actu­al­mente, os rios trans­por­tam menos de 2% do frete da Europa. Em com­pa­ra­ção, cerca de 6,5 milhões de cami­ões atra­ves­sam as estra­das da Europa, repre­sen­tando 80% do trans­porte de mer­ca­do­rias. Os cami­nhos-de-ferro repre­sen­tam cerca de 5%.
    Para que os rios movi­men­tem mais trá­fego, grande parte da infra-estru­tura flu­vial da Europa, com déca­das de exis­tên­cia, inclu­indo por­tos e eclu­sas, terá de ser melho­rada. Um pla­neta em aque­ci­mento con­tri­bui para o Desa­fio: as secas dos últi­mos anos ater­ra­ram alguns trans­por­tes no Reno e repre­sen­tam ris­cos para o Sena.
    Embora o Sena não seja o rio mais tra­fi­cado da Europa — ou seja, o Reno, que atra­vessa a Ale­ma­nha e os Paí­ses Bai­xos—, a ambi­ção é trans­formá-lo num dos prin­ci­pais cen­tros expe­ri­men­tais para a tran­si­ção cli­má­tica.
    “Esta­mos a tra­ba­lhar numa trans­for­ma­ção para fazer com que as empre­sas mudem mas­si­va­mente as suas rotas logís­ti­cas”, disse St,
    o pre­si­dente do prin­ci­pal ope­ra­dor por­tu­á­rio de França, Haropa, que está a inves­tir mais de 1 mil milhões de euros (ou 1,1 mil milhões de dóla­res) no esforço do Sena.
    ATRAIR TRÁFEGO PARA O RIO
    Antes de Par­tir De Le Havre para Paris, quando uma forte neve caiu no escuro, a tri­pu­la­ção do Le Bosphere emba­lou os con­têi­ne­res fir­me­mente no porão de carga, veri­fi­cando um mani­festo enquanto um guin­daste de pór­tico balan­çava sobre a cabeça.
    Le Bosphore, parte de uma frota de 110 bar­ca­ças admi­nis­trada pela Soges­tran, A maior empresa de trans­porte flu­vial da França, seguirá para Gen­ne­vil­li­ers, um porto a cinco milhas de Paris que é um cen­tro de dis­tri­bui­ção para os 12 milhões de con­su­mi­do­res da região da capi­tal. A via­gem levará cerca de 30 horas.
    O Sena pode trans­por­tar muito mais bar­ca­ças como o Le Bosphore, que é mais longo do que um campo de fute­bol e eco­no­miza 18.000 via­gens de cami­nhão por ano entre Le Havre e Paris. O governo espera atrair qua­tro vezes mais carga para o rio do que as 20 milhões de tone­la­das métri­cas que lida agora a cada ano.
    Para o con­se­guir, a Haropa tem vindo a ace­le­rar a expan­são do porto de Le Havre, que fica na foz do Sena, numa ten­ta­tiva de atrair navios dos por­tos mai­o­res de Roter­dão, nos paí­ses bai­xos, ou de Antu­ér­pia, na Bél­gica. A carga depo­si­tada nes­ses por­tos é então trans­por­tada para França em cami­ões.
    Em seus outros cinco ter­mi­nais por­tu­á­rios no Sena, Haropa está adi­ci­o­nando esta­ções elé­tri­cas que per­mi­tem que os navios se conec­tem enquanto anco­ra­dos, em vez de ope­rar moto­res.
    Embora grande parte da frota de bar­ca­ças da Europa ainda seja movida a die­sel, uma pequena mas cres­cente parte está sendo adap­tada para bio­com­bus­tí­veis. Bar­cos elé­tri­cos estão che­gando ao mer­cado. Estão tam­bém a ser desen­vol­vi­dos pro­tó­ti­pos de bar­ca­ças movi­das a hidrogé­nio.
    Empre­sas como a Ikea e as start-ups de trans­por­tes flu­vi­ais estão a aju­dar a impul­si­o­nar o movi­mento. Eles estão desen­vol­vendo ser­vi­ços de entrega de última milha sem car­bono para atrair os con­su­mi­do­res — e para se ante­ci­par às rígi­das regras ambi­en­tais que as cida­des euro­peias estão impondo para limi­tar veí­cu­los pesa­dos e polu­en­tes.
    UMA CADEIA DE”TRANSPORTES MAIS LIMPOS”
    Oito horas depois de nave­gar de Le Havre, Le Bosphore parou em Rouen, uma grande parada para carga flu­vial de e para Paris. Por volta das 10h, uma nova tri­pu­la­ção de qua­tro pes­soas, lide­rada pelo Capi­tão Badar, embar­cou para um turno de uma semana, e a via­gem para Paris foi reto­mada.
    O trá­fego de bar­ca­ças no Sena aumen­tou ape­nas 5% em rela­ção a uma década atrás. Enquanto o governo está ten­tando pro­je­tar uma ace­le­ra­ção,” os rios foram negli­gen­ci­a­dos por muito tempo”, disse o Capi­tão Badar, a ter­ceira gera­ção de capi­tães de bar­cos flu­vi­ais de sua famí­lia.
    Ele está entre uma raça rara. Mui­tos capi­tães de bar­cos flu­vi­ais na Europa estão a apro­xi­mar-se da Idade da reforma e há uma escas­sez de pes­soal qua­li­fi­cado, um pro­blema que corre o risco de tra­var o cres­ci­mento espe­rado do trá­fego flu­vial.
    Durante sécu­los, obser­vou o Capi­tão Badar, os rios eram pra­ti­ca­mente a única maneira de trans­por­tar mer­ca­do­rias pela França: o antigo sím­bolo de Paris é um barco. Mas as vias nave­gá­veis caí­ram em desuso quando cami­nhões e trens domi­na­ram o trans­porte no século 20, espe­ci­al­mente após a Segunda Guerra Mun­dial, quando as rodo­vias e fer­ro­vias se expan­di­ram por todo o con­ti­nente.
    Os gover­nos apoiam essas indús­trias” por­que têm lob­bies e sin­di­ca­tos pode­ro­sos”, disse o Capi­tão Badar, pas­sando por um cas­telo medi­e­val cons­tru­ído por Ricardo Cora­ção de Leão enquanto o sol ilu­mi­nava o céu da tarde.
    “Agora esta­mos come­çando a falar sobre o meio ambi­ente, e seria melhor ver o rio como parte de uma cadeia mais ampla de trans­porte mais limpo.”
    ARMÁRIOS E GRÃOS DE CAFÉ
    Le Bosphore desem­bar­cou no porto de Gen­ne­vil­li­ers na manhã segu­inte, antes do ama­nhe­cer, atra­cando ao lado de outras bar­ca­ças car­re­ga­das de mer­ca­do­rias para empre­sas pari­si­en­ses. Uma grua des­car­re­gou três cama­das de con­ten­to­res do porão, colo­cando-os no cais, onde empi­lha­do­res os empi­lha­ram para o lado. Ape­sar da carga volu­mosa, o Le Bosphore con­su­miu o com­bus­tí­vel de ape­nas cerca de qua­tro cami­ões em toda a sua via­gem.
    Do outro lado do Porto, estava em curso uma expe­ri­ên­cia para tor­nar a última milha de entrega mais amiga do ambi­ente: um arma­zém gigan­tesco, cri­ado num acordo de 2022 entre a Haropa e a Ikea, a gigante sueca do mobi­li­á­rio, para criar uma forma neu­tra em car­bono de entre­gar mer­ca­do­rias uti­li­zando o Sena.
    Pale­tes emba­la­dos com armá­rios de cozi­nha e sofás Ikea, enco­men­da­dos on-line menos de 48 horas antes, foram car­re­ga­dos em uma bar­caça que os leva­ria ao cen­tro de Paris. Lá, eles seriam colo­ca­dos em cami­nhões elé­tri­cos e entre­gues aos cli­en­tes.
    O pro­cesso não está com­ple­ta­mente des­car­bo­ni­zado, mas o acordo per­mi­tiu à Ikea reti­rar o equi­va­lente a 6.000 cami­ões das ruas de Paris no ano pas­sado, disse Emi­lie Car­pels, direc­tora do pro­jecto River da Ikea.
    Outros empre­en­di­men­tos pre­ten­dem ser mais ino­va­do­res.
    A pri­meira bar­caça flu­vial movida a hidro­gê­nio da Europa, a Zulu, deve come­çar a ope­rar na pri­ma­vera. Pro­je­tado por Soges­tran, pode trans­por­tar até 320 tone­la­das métri­cas, ou o con­te­údo de cerca de 15 cami­nhões. “Esta­mos nos movendo em dire­ção a um futuro de trans­porte cada vez mais limpo”, disse Flo­rian Leva­rey, dire­tor do pro­jeto.
    Para a Flu­dis, uma start-up Fran­cesa, esse futuro já está pró­ximo. Seu pre­si­dente, Gil­les Manu­elle, fun­dou a empresa em torno de dois bar­cos que fun­ci­o­nam com bate­rias elé­tri­cas e uma frota de bici­cle­tas elé­tri­cas.
    Por volta da 7 numa manhã recente, uma dúzia de tri­pu­lan­tes car­re­gou uma das peque­nas bar­ca­ças com cai­xas de grãos de café, Papel de foto­co­pi­a­dora, Toa­lhas de cozi­nha e outros bens a serem entre­gues a bis­trôs e empre­sas fran­ce­sas. Enquanto o barco pas­sava silen­ci­o­sa­mente pelo Lou­vre para sua pri­meira des­cida, os tra­ba­lha­do­res a bordo car­re­ga­vam suas bici­cle­tas com ordens e cor­riam para as ruas assim que o capi­tão atra­cava.
    “Esta­mos come­çando peque­nos”, disse Manu­elle. “Mas são peque­nas solu­ções como esta que podem cres­cer muito mais e aju­dar a desem­pe­nhar um papel na rever­são do aque­ci­mento glo­bal.”
    De volta a Gen­ne­vil­li­ers, a tri­pu­la­ção do Le Bosphore encheu o porão agora vazio com pro­du­tos fran­ce­ses para expor­ta­ção: fari­nha, madeira ser­rada, bol­sas de luxo e cham­pa­nhe. Por volta das 2 da tarde, come­ça­ria um cru­zeiro de volta a Le Havre, onde a tri­pu­la­ção des­car­re­ga­ria e depois Come­ça­ria tudo de novo.
    “Eu sei há muito tempo que o rio era o meio de trans­porte mais eco­ló­gico”, disse o Capi­tão Badar, vol­tando ao leme. “Agora pre­ci­sa­mos que os for­mu­la­do­res de polí­ti­cas real­mente façam isso acon­te­cer”, acres­cen­tou. “O poten­cial é enorme.”
    Le Bosphore, uma bar­caça flu­vial, eco­no­miza 18.000 via­gens de cami­nhão por ano entre Le Havre e Paris.

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  • Roménia e Bulgária entram em Schengen

    Após treze anos de expectativa, a Bulgária e a Roménia celebram um marco significativo na sua integração europeia com a adesão parcial ao Espaço Schengen. Este passo permite que cidadãos destes países viajem por ar e mar dentro do espaço Schengen, sem enfrentar controlos fronteiriços, simbolizando uma Europa mais aberta e conectada.

    A decisão, embora seja um avanço, vem com a ressalva de que os controlos terrestres permanecerão por enquanto, principalmente devido às preocupações da Áustria relacionadas com a migração e a segurança das fronteiras externas. Este é um lembrete de que a livre circulação na Europa ainda enfrenta desafios e debates políticos.

    A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reconheceu este momento como histórico, destacando a construção de uma Europa mais forte e unida. A inclusão da Bulgária e da Roménia aumenta o número de membros do Espaço Schengen para 29, reforçando a visão de uma Europa sem fronteiras internas, onde mais de 400 milhões de pessoas podem circular livremente.

    Enquanto isso, camionistas búlgaros e romenos expressam frustração com a continuação dos controlos terrestres, que resultam em longas horas de espera nas fronteiras. Esta situação sublinha a importância de uma adesão total ao Schengen, que é esperada até o final do ano, para facilitar o comércio e a mobilidade.

    A entrada parcial no Espaço Schengen é um passo positivo para a Bulgária e a Roménia, mas também destaca a complexidade da política de fronteiras na Europa e a necessidade de equilibrar a livre circulação com a segurança.

  • Isenções em pequenas explorações agrícolas na UE

    A Comissão Europeia, em véspera das eleições para o Parlamento Europeu, está a tentar tomar medidas para aliviar a carga burocrática dos agricultores, especialmente em face de condições climáticas imprevisíveis.

    Desta forma, propõe, para as pequenas explorações agrícolas com menos de dez hectares, o ser isentas dos controles e sanções ligados aos requisitos de condicionalidade da Política Agrícola Comum, atingindo a medida 65% dos beneficiários da PAC.

    Quanto às flexibilizações, os Estados-Membros poderão permitir derrogações temporárias de certos requisitos ambientais da PAC, devido a condições climáticas adversas, facilitando aos agricultores o cumprimento dos prazos anuais.

    Para melhorar a posição dos agricultores na cadeia de abastecimento alimentar, a Comissão Europeia propõe-se criar um Observatório de custos de produção e práticas comerciais no setor.

    Estas reformas têm uma forte carga política, especialmente antes das eleições europeias, e buscam aliviar o descontentamento dos agricultores que influencia o avanço político da extrema-direita na UE.