Está em curso a «Semana Internacional dos Arquivos» de 7 a 11 de junho. Tem como tema capacitar os arquivos e pretende sublinhar a relevância dos mesmos, bem como a importância do tratamento e da preservação dos registos da atividade das instituições, atividades essenciais para garantir a transparência e a democracia.
Hoje é o dia que pretende alertar para o poder dos arquivos e para a importância de se investir nos mesmos. O objetivo pode ser potenciado através do estabelecimento de redes de colaboração entre todos, capazes de promoverem a diversidade e a inclusão de novos arquivos.
Neste âmbito, a ICA convida à participação nas atividades realizadas durante esta semana, e apela à inscrição das empresas ou organizações que queiram partilhar as suas experiências nesta matéria.
O Dia Internacional dos Arquivos foi instituído pela Assembleia Geral do ICA – International Council of Archives, em novembro de 2007. A data de hoje foi escolhida por ter sido a 9 de junho de 1948 que a UNESCO criou este Conselho.
Um dos turistas que esteve há dias hospedado no empreendimento “Mesquita Turismo na Aldeia”, concelho de Mértola, Vale do Guadiana, registou no seu percurso um momento espetacular da vida de um lince iberico.
Quando se pensaria que a cerca alta ia constituir um obstáculo intransponível para o animal, eis que ele, demonstrando a invejável capacidade atlética da espécie, galgou de um fôlego o aramado, concluindo a travessia da estrada.
Um momento que deixa felizes quantos empenham as suas vidas e carreiras na salvaguarda da biodiversidade.
A abertura a verde tinha gerado uma aura de esperança na economia da região e tudo parecia indicar o regresso a uma normalidade capaz de recuperar o Verão, quando recebeu a notícia do novo confinamento e do fecho do corredor.
Embora nem tudo esteja perdido e estejamos dependentes de uma avaliação nos próximos dias, as restrições impostas aos turistas britânicos pelo número 10 têm a ver com a variante Delta da Covid-19 da mutação indiana.
O governo inglês, pela voz do secretário de Transportes, Grant Shapps disse ao jornal Guardian “Nós simplesmente não sabemos sobre a mutação, ou queremos arriscar”.
Tudo parece indicar que os ministros agiram para estreitar as fronteiras da Grã-Bretanha, conforme novos dados sugeriam que a variante Delta tinha muito mais probabilidade de causar doenças graves e estava a circular mais rapidamente nas escolas, salienta aquele jornal inglês.
Ao ser retirado Portugal da lista verde de países e acrescentar mais sete à vermelha, o governo de Boris Johnson provocou também a fúria interna na indústria de viagens, deixando muitos turistas no limbo.
Portugal, incluindo a Madeira e os Açores, era o único destino turístico convencional para o qual os britânicos podiam viajar sem terem de ficar em quarentena, isolados por 10 dias no regresso.
Variante Delta
Dados do dos serviços de saúde inglês, mostraram que a variante Delta, detectada pela primeira vez na Índia, é dominante no Reino Unido e responsável por 75% dos casos.
Esta variante pode vir a causar mais doenças graves do que a variante Alfa de Covid, que tem sido dominante em todo o Reino Unido desde que foi detectada pela primeira vez em Kent no outono.
.Situado no edifício dos Paços do Concelho, o gabinete tem como missão apoiar, em todo o processo de acolhimento e integração dos migrantes, articulando a sua atividade com as diversas estruturas locais e promovendo a interculturalidade a nível local. A cerimónia de inauguração contou com a presença da secretária de Estado para a Integração e as Migrações, Cláudia Pereira, do presidente da câmara municipal de VRSA, Luís Romão, e do vogal do Conselho Diretivo do Alto Comissariado para as Migrações, José Reis.
O CLAIM é um serviço prestado pela Divisão de Desenvolvimento Social e Recursos Humanos do município e resulta de um protocolo assinado com o Alto Comissariado para as Migrações, IP. Irá prestar apoio e informação geral em áreas como a regularização, nacionalidade, reagrupamento familiar, habitação, retorno voluntário, trabalho, saúde, educação, entre outras questões.
Para o presidente Luís Romão, este centro irá representar um papel importante na vida dos migrantes que trabalham em Vila Real de Santo António e já fazem parte da comunidade, constituindo um facilitador do seu processo de integração.
Cláudia Pereira, afirmou que o CLAIM de Vila Real de Santo António é já 119º centro do país, passando agora a trabalhar em rede com o Centro Nacional de Apoio à Integração de Migrantes (CNAIM) do Algarve». A título de exemplo, referiu que os diversos CLAIM do país já realizaram, desde 2003, mais de um milhão de atendimentos, tendo como missão remover todos os obstáculos à plena integração dos migrantes.
O Alto Comissariado para as Migrações (ACM, I.P.) é um instituto público que tem por missão colaborar na definição, execução e avaliação das políticas públicas, transversais e setoriais em matéria de migrações, relevantes para a atração dos migrantes nos contextos nacional, internacional e lusófono, para a integração dos imigrantes e grupos étnicos, em particular as comunidades ciganas, e para a gestão e valorização da diversidade entre culturas, etnias e religiões.
O CLAIM de Vila Real de Santo António encontra-se a funcionar no edifício sede da Câmara Municipal, de segunda a sexta-feira, das 9h30 às 15h00, junto à área de atendimento ao público.
São 11 apoios balneares, em praias distinguidas com o galardão Bandeira Azul, Praia Acessível e Qualidade de Ouro. Por isso mesmo, a câmara municipal decidiu veicular algumas informações considerada essenciais para esta época balnear, no que respeita às praias do concelho.
O passadiço de acesso direto ao areal da Praia da Verdelago, comummente conhecida como Praia da Vala ou do Braço, ainda não classificada como água balnear, está ainda em fase de conclusão, no âmbito do novo passadiço da frente mar de Altura e a autarquia decidiu encerrar temporariamente o parque de estacionamento que a serve. Também calcula que a plena fruição do novo passadiço ocorra até meados do mês de junho e afirma garantidos os acessos principais a todas as praias classificadas.
Alerta para o facto de que o acesso a viaturas policiais e de emergência, existente a poentem, deve estar livre e desimpedido e apela para que não se estacione no local.
A UB1 Praia da Alagoa (zona poente, no limite do concelho) não tem ainda apoio balnear, sendo uma zona não vigiada. Existe sinalética própria a relembrar as medidas de segurança, que passam pelo uso da máscara nos acessos, circulação pelas zonas assinaladas e respeito pela lotação prevista para cada praia.
Este ano foi lançado um repto para limitação de zonas de não fumadores a todos os concessionários, uma medida que se insere na política municipal de promoção da saúde e do bem-estar. A maioria dos títulos atribuídos recentemente, já tem prevista a disponibilização de equipamentos de apoio, cadeira anfíbia, a utentes de mobilidade reduzida, alargando a oferta deste serviço no concelho de Castro Marim – Concessões do Graccer/Eurotel (Praia da Alagoa/Altura – UB3 e UB4, Pezinhos na Areia (Praia Verde – UB 2) e Licia (Praia do Cabeço, UB 2 poente).
Durante a época balnear, o Município de Castro Marim promoverá várias atividades de educação ambiental, a anunciar.
A iniciativa apelidada de «Constelações da Oralidade» é uma uma atividade mensal que junta práticas tradicionais do Baixo Alentejo com artistas contemporâneos.
Durante o mês de maio juntou, além de Maria Reis, Conan Osiris e Filipe Ferreira Sambado a artistas e cantadores e cantadeiras locais de Beja, Serpa, Castro Verde e Mértola. Por Mértola, entre conversas, modas e cantigas de roda, ficou o compromisso da cantora Maria Reis se deslocar Tacões, Mértola, para cantar e tocar viola campaniça com o grupo de cante de São João dos Caldeireiros.
A próxima Constelação a realizar em Mértola no final de Junho será dedicada à Fisicalidade vai contar com a presença da coreógrafa Olga Roriz.
Situada no concelho de Castro Marim, a Foz de Odeleite é uma povoação algarvia onde existem estruturas de apoio aos barcos que fazem a navegação turística no rio. Ali começa a bela estrada marginal que serpenteia até encontrar Alcoutim.
Local de realização de piqueniques em várias ocasiões do ano. Do outro lado é margem esquerda, território da Espanha até à foz do Chança.
Não existindo na cidade de Faro, capital do Algarve, qualquer órgão de informação local, têm sido as redes sociais, a colmatar essa brecha. Foi desse modo que tivemos conhecimento da morte do poeta Abílio Ferradeira de Brito, um cidadão quase anónimo, como são todos os que se escondem por detrás da sua natural humildade.
Não nasceu pobre nem experimentou dificuldades, porém a sua educação pouco avançou para além dos bancos da escola elementar. Também não foi um iletrado, porque fez a sua instrução de forma livre, lendo e aprendendo como um autodidacta.
As suas convicções de ordem social, advinham-lhe das ideias políticas que granjeou no convívio da leitura solitária. Não precisava, dizia ele, de saber filosofia para entender as razões que dividiam os homens ou de perceber os interesses que impediam a paz no mundo. Usava os sentidos e, sobretudo, aquilo a que chamava a «razão reflectida», para descobrir onde estava a verdade, a justiça e a lealdade.
Tinha uma alma sensível e um coração emotivo, profundamente sentimental. Eram, aliás, essas as qualidades que transpareciam de forma cristalina na sua poesia, especialmente nos sonetos em que retratou a miséria humana escondida nos guetos da periferia, nas dependências das drogas que escravizam os jovens, na exploração dos emigrantes, na servidão dos camponeses, nos desempregados sem esperança nem futuro, nas crianças abandonadas na rua e nos velhos enjeitados nos lares.
Poeta e sentimento na voz do povo Nunca considerei o Ferradeira de Brito como um poeta popular, mas, na sua ingénua simplicidade, era dessa maneira que ele próprio se sentia. Face às suas origens e parca instrução, sentia-se próximo do povo. E, por isso, dizia que a sua poesia era a expressão natural da voz povo, desse clamor que ninguém escuta e a que ninguém liga, por ser precisamente a expressão de quem sofre, de quem se desvaloriza e se despreza.
Devo esclarecer que o Ferradeira de Brito, embora se sentisse um homem do povo, nunca foi pobre, nem passou por dificuldades económicas. Como casou jovem, cedo teve de angariar o sustento, montando o seu negócio no mercado público de Faro, onde granjeou prestígio pela dedicação ao trabalho e pela honestidade. Nessa altura, sentiu o rebate das novas ideias e depressa percebeu que a falta de liberdade era a origem de todas as carências e desigualdades. Com o advento do novo regime apoiou as ideias reformistas, e aderiu ao ideário socialista.
Na sua maneira de entender, face à realidade e às circunstâncias do tempo, achou que o socialismo era uma proposta viável para alcançar a justiça social, pela qual tanto clamava na sua poesia e nas ideias que expendia entre os amigos. Até ao fim da vida não se desviou desses princípios, embora sentisse algumas desilusões, suscitadas pelos novos desafios europeus e pelas incongruências dos políticos.
Apesar de possuir um enorme talento literário, com obra publicada, avaliada e respeitada pelos seus pares, nunca o meu amigo Ferradeira de Brito consentiu que o tratassem por poeta, contista ou dramaturgo, embora fosse assim designado por aqueles que lhe conheciam a obra. A sua postura serena e tranquila, o seu ar seráfico de sorriso esfíngico, evidenciavam a sua bonomia, franca e leal, a que se acrescentava uma aparente placidez espiritual, muito peculiar nos poetas. Mesmo no convívio, que ao longo dos anos foi mantendo no seio da «Tertúlia Hélice», não gostava de dar a sua opinião crítica sobre a obra alheia, nem de se erguer acima dos outros, porque a ninguém se achava superior. Era, em todos os aspectos, um humilde cidadão, que irradiava entre os amigos a serenidade própria de quem havia feito as pazes com a vida.
Escorço biográfico do poeta Abílio Ferradeira de Brito, nasceu a 24 de Fevereiro de 1942, no lugar das Pontes de Marchil, então integrado na freguesia de S. Pedro, hoje pertencente à recém-criada freguesia do Montenegro, no concelho de Faro.
Quando jovem sentia a timidez da sua escassa convivência social, razão pela qual se considerava um rapaz de poucas falas, ensimesmado nos seus pensamentos, reservado e pouco expressivo. Mas, sentia uma profunda sensibilidade interior para assimilar a realidade espiritual das coisas, deixando-se enlevar pela paixão da vida. Cedo amou e foi amado, experimentando na linguagem dos poetas a paixão que verdadeiramente sentia. O rebate da poesia estava-lhe na alma, a tal ponto que ainda nos bancos da escola começaria a compor versos e canções de amor. A sua estreia literária ocorreu em 1953, nas colunas de «O Pintassilgo», órgão das escolas de aplicação anexas ao Magistério Primário de Faro, cujos alunos asseguravam a redacção e edição daquele simpático jornal escolar, que se manteve em publicação até Junho de 1960.
A partir de então, e a pesar da sua tenra idade, não mais parou de escrever. Fazia-o com a fervorosa paixão de um amante das letras, num incontrolável impulso criativo, sem critério nem objectivo. Escrevia, corrigia e rasgava, até aperfeiçoar a mão. Começou a guardar, sobretudo poemas e quadras, que foi arquivando com desvelo, na esperança de um dia os revelar à estampa.
Na década de setenta, desenvolveu o gosto pelo teatro, promovendo nesse âmbito várias iniciativas, como encenador e director artístico, daí resultando a fundação do Grupo Cénico do Montenegro, do Grupo de Teatro Experimental do Patacão, e do Grupo de Teatro de Mar-e-Guerra, todos a operar em Faro. Para manter essa actividade cultural chegou mesmo a escrever em verso a peça «O Auto dos Lobos», inspirada no teatro vicentino, que levou à cena por todo o país. O sucesso e originalidade da peça mereceu a aprovação oficial do governo, sendo publicada, em 1976, pelo então designado Ministério da Educação e Investigação Científica. Em face do seu prestável espírito de dedicação à causa pública, viria a ser escolhido para presidir à Comissão Administrativa da Junta de Freguesia de S. Pedro, de Faro, desempenhando essas funções de forma honesta, responsável e competente. No âmbito associativo, fez parte durante vários anos dos corpos directivos do Clube Desportivo do Montenegro.
Curiosamente houve um tempo em que o Ferradeira de Brito, juntamente com o poeta Telmo Silva (Telmoro) e os músicos Alberto Carlos e Manuel Cardoso, cultivou o gosto pela música ligeira, tendo composto e até interpretado algumas canções, que seriam mais tarde editadas em CD, mas já na voz de outros intérpretes.
A recordação de uma amizade Conheci já tarde o poeta Abílio Ferradeira de Brito. Estávamos nos finais de 1998. Mas depressa me apercebi da sua sensibilidade cultural, pela forma como vibrava e se empolgava na realização de iniciativas que pudessem contribuir para o engrandecimento da sua cidade natal. Mas, apercebi-me também do seu coração sofredor, macerado pelo desgosto de ter perdido um filho na flor da idade, sentindo-se a partir daí como um naufrago, solitário e triste, sem esperança de sobreviver incólume às tempestades da vida. Verifiquei depois que a poesia, emergente da dor que lhe corroía a alma, despontava-lhe espontânea, sincera, dolente e profunda, como uma âncora a que o naufrago de outrora se agarrava agora para escapar aos negrumes da tristeza que lhe devorava o espírito. Apoiado e incentivado pelo poeta Tito Olívio – a quem os mais próximos chamam Mestre, na mais fiel tradição humanista – acolheu-se ao convívio da Tertúlia Hélice, onde pontificou não só pela sua assiduidade, como também pela sua produtiva contribuição poética.
Três figuras da cultura e da poesia algarvia – Tito Olívio, Quina Faleiro e Ferradeira de Brito – presentes numa exposição de pintura, realizada em Faro, nos primeiros anos deste milénio. O Ferradeira com a sua cabeleira de prata era uma presença inconfundível nos eventos culturais promovidos pela AJEA.
Começou por escrever quadras, no mais genuíno sentimento popular, como uma espécie de humilde tentame de quem não se sente com a eloquência necessária para professar o culto de Orfeu. Mas fê-lo com tão surpreendente qualidade filosófica, talvez por inspiração aleixiana, que logo o “Mestre” o aconselhou a publicá-las em livro. Foi assim que no ano 2000 surgiu o seu primeiro livro, sugestivamente intitulado «Minha Voz… a voz do povo». Tive nessa altura, a honra de apresentar a obra na antiga Livraria Odisseia, fundada pelo saudoso Luís Guerreiro, perante um numeroso auditório.
Importa dizer que este livro é uma abundante compilação de quadras, de apurado recorte filosófico que, em certo sentido, parecem inspirar-se no estilo aleixiano. Na verdade, a quadra é a expressão sentenciosa mais peculiar do nosso povo, sendo exemplo disso as quadras que nos Santos Populares adornam os vasos de manjerico, que os alfacinhas colocam na soleira das suas janelas. O imortal poeta Fernando Pessoa realçou o gesto, ao afirmar que “a quadra é o vaso de flores que o Povo põe à janela da sua alma”. Os escolhos da vida impediram Ferradeira de Brito de continuar a publicar, de uma forma mais constante, a sua vasta e relevante obra poética. Acompanhei esses anos a par e passo, comungando não só das ilusões como também dos frustrantes desapontamentos, suscitados pelo alheamento a que as instituições responsáveis pela cultura votavam os autores locais, dando todo o apoio, financeiro e logístico, aos que de Lisboa, com o ar superior da sua emproada soberba, nos vêm tratar como inferiores e provincianos. Quantas vezes lhe ouvi os queixumes de natural repúdio, contra essa espécie de colonialismo cultural a que temos estado sujeitos. Vivemos ainda hoje debaixo do centralismo, ditatorial e castrador, que caracterizou o regime anterior, cujos defeitos estranhamente continuamos a imitar. Tarda em surgir no horizonte político o verdadeiro libertador desta opressão alisbonada a que se tem submetido a cultura algarvia.
Apesar de tudo isso, e remando sempre contra a maré, Ferradeira de Brito foi dando a público, nos órgãos regionais, algumas das suas produções líricas, principalmente no «Jornal Escrito» e no «Nó Vital», órgãos de informação e cultura, fundados pela AJEA – Associação dos Jornalistas e Escritores do Algarve, para dar espaço e repercussão aos escritores algarvios. As suas produções poéticas e os seus textos dramatúrgicos foram-se acumulando até que, em 2009, puderam ver a luz da estampa, numa torrente editorial de vinte títulos lançados ao público de uma só vez. Também nesse dia, verdadeiro jubileu da poesia e da prosa algarvia, tive a honra de estar presente, para fazer a apresentação do poeta e meu amigo pessoal, Abílio Ferradeira de Brito, que ontem, 1 de Junho de 2021, faleceu de forma tão repentina quanto inesperada, deixando em todos os seus familiares e amigos uma mágoa de eterna saudade. Morreu aos 79 anos de idade, legando-nos uma obra digna do maior respeito e veneração.
Termino evocando a sua obra através da leitura de um dos seus humildes sonetos, singelamente intitulado “Tarde”, no qual o poeta alude à tristeza que lhe ensombrou a tarde da vida, numa árdua caminhada cujo desfecho todos desejamos retardar, o mais tarde que for possível:
A tarde, que na tarde vai morrendo, nasce para morrer no mesmo dia; nos restos desta tarde vai finando o pouco que em mim resta de alegria. No definhar suave vou vivendo, mas sempre a cogitar a nostalgia que dentro do meu peito vai roendo amarguras de um rol que eu não queria. Vai a tarde no tempo a caminhar até que a noite chega e vai ficar esperando o nascer de outra alvorada. E nós com ela vamos mais além, o tempo é de todos, mas ninguém consegue retardar a caminhada.
Na 14ª edição de “Passos Contados”, seis passeios temáticos distribuídos entre Junho e Novembro, propõem novas experiências de interpretação e descodificação das paisagens culturais, seus valores naturais e elementos patrimoniais, no sotavento algarvio.
Para a organização, o CIIP, trata-se de «uma forma diferente e estimulante de conhecer o nosso património, conversando com os orientadores dos percursos e numa relação próxima com a natureza».
Este ano começam em Junho, com um percurso que propõe a exploração das margens da Ria Formosa, à procura dos animais da maré baixa com as biólogas Paula Moura e Ana Moura; em Julho, é a observação das estrelas e constelações num percurso noturno com o astrónomo Ricardo Freitas; em Agosto, é proposto um final de dia na safra do sal nas salinas da foz do Guadiana com os produtores de sal Jorge Filipe Raiado, Sandra Madeira e salineiros; em Setembro, é dado a conhecer e valorizar o pomar tradicional de sequeiro (o figo, a amêndoa e a alfarroba) no barrocal algarvio com a engenheira Ana Arsénio, o agricultor João Sol e o arquiteto paisagista José Carlos Barros; em Outubro, será explorado o ciclo do medronho: do fruto à aguardente com os engenheiros Ana Arsénio e David Santo e elementos da população local.
«Passos Contados» encerram em Novembro com uma experiência de descoberta de Cacela Velha e Vila Real de Santo António a partir da poesia e da prosa com e poeta José Carlos Barros.
A iniciativa realiza-se com cumprimento das normas de controlo e segurança definidas pela DGS no âmbito da pandemia de COVID 19. Uso de máscara obrigatório. A edição deste ano insere-se no Projeto «Bezaranha», enquadrado na Operação “ALG-04-2114-FEDER-00009 Algarve – Programação Cultural em Rede”, ao abrigo do Programa Operacional CRESC ALGARVE 2020, com organização da câmara municipal de Vila Real de Santo António e o Centro de Investigação e Informação do Património de Cacela
Situação estável e sem concelhos assinalados tranquiliza os habitantes da área de fronteira do Rio Guadiana. Catorze dos dezasseis concelhos do Algarve não registam níveis que impliquem medidas suplementares, num quadro em que começam a chegar à região milhares de turistas e de abertura da fronteira com elevada presença de espanhóis para compras.
Do outro lado da fronteira registaram-se em 24 horas 150 novos contágios em Huelva capital, muito visitada pelos portugueses, subindo a taxa acumulada mais 10 pontos e situando-se agora em 318,4, embora as autoridades de saúde do país vizinho estejam a prever abrandamento na próxima semana.
Esta semana, em Portugal não há nenhum concelho a recuar no confinamento, tendo em conta a matriz de risco com a «diferenciação» para os territórios com baixa densidade populacional. No Algarve, Tavira e Vila do Bispo saíram da situação de alerta, juntamente com Chamusca e Castelo de Paiva.
Golegã e Odemira não avançam e mantém-se na terceira fase. Arganil e Montalegre avançam para o nível de 1 de Maio. Entram em alerta Braga, Cantanhede e Castelo de Paiva, onde se mantém Lisboa, Salvaterra de Magos e Vale Cambra
Os deputados do PCP no Parlamento Europeu publicaram um vídeo onde, a par de elencarem os Direitos da Criança, fazem um balanço sobre a situação atual das crianças, longe de cumprir esses direitos.
Depois de uma vida inteira a aguentar um aperto que me consumiu como só eu sei, numa conversa telefónica recente com uma familiar, descobri que os “ataques” aos rebuçados da mercearia do meu avô Carlos começaram muito antes daqueles que eu fazia no meu tempo.
Ao contrário do que pensava, não inventei absolutamente nada; tirar dos frascos onde eles estavam fechados, um ou outro rebuçado de fruta, alguns dos saborosos bombons recheados enrolados em prata colorida, torrões de açúcar amarelo da gaveta de madeira ao fundo do balcão por baixo da faca de cortar o bacalhau, tabletes e sombrinhas de fino chocolate de leite da Regina, pacotes de bolachas baunilha estaladiças embrulhadas em papel celofane e uma ou outra latinha de atum em azeite virgem da marca Bom Petisco da fábrica Cofaco do bairro do Lazareto, foi uma intensa actividade iniciada noutra geração anterior à minha, com a agravante de serem vários a atacar ao mesmo tempo!
Para mim foi um alívio saber que esses outros também foram aos rebuçados: a grande culpa angustiante até aí sentida passou a ser repartida por uma data deles. Durante anos a fio, corroído por amargurados remorsos, não consegui apagar e esquecer essas falhas do meu passado. Todavia, todo esse peso de consciência abrandou com aquela inesperada confissão: afinal, não fui o único!
Interessante foi descobrir que a estratégia posta por mim em prática era semelhante à dos outros: esperar pacientemente que uma das clientes pedisse um qualquer produto armazenado na contra loja e, enquanto o avô estava lá atrás no armazém, à socapa, de coração aos pulos, rodar a tampa vermelha de um dos frascos de vidro grosso que ocupavam uma parte do balcão de madeira, lado-a-lado aos grandes sacos de plástico com “palitos-la-Reine” vendidos avulso, abri-los rapidamente e encher as mãozinhas com o que viesse à rede.
Por esses tempos, numa tarde a seguir ao lanche, saí de casa no preciso momento em que na rua estava a decorrer uma guerra de pedrada. Apesar de me proteger atrás de um dos dois carros de mão de aluguer do senhor Zé, sempre encostados ao lancil mesmo em frente à sua taberna, ao espreitar para ver onde os outros estavam escondidos, uma das pedras que andava a esvoaçar de um lado para o outro partiu-me a cabeça.
Sem ter a certeza de quem havia sido o autor do lançamento, calculei quem fosse e, numa outra tarde, fiz-lhe uma espera à saída da escola: enquanto o empurrava encostando as mãos ao seu peito, percebi não ter a certeza de que era ele o responsável e perdi a vontade de o castigar; nesses tempestuosos tempos de guerras com malta de outras ruas, frequentava a catequese para fazer a Comunhão e o Crisma, cerimónia para a qual a minha mãe costurava o uniforme de marinheiro prometido; com a dúvida instalada, para não ser castigado e perder a farda, decidi proceder de acordo com os ensinamentos que recebia às quartas-feiras de tarde na igreja, numa sala perto da sacristia onde o senhor João, sacristão ajudante nas missas do senhor padre Passos, guardava o vinho e as hóstias.
No fundo, esperar é comum a todo o tipo de predadores: eles aguardam que a presa passe por eles para atacar com o mínimo de esforço e, assim, satisfazer a sua necessidade de alimento, poupando preciosa energia.
Acontece deste modo em todo o reino animal: quem nunca viu imagens de gazelas sedentas à volta de um charco, a beber água com mil cuidados e, numa fracção de segundo e à falsa-fé, uma delas é abocanhada por um crocodilo que ali estava quietinho à espera, imerso e camuflado? Todos nos arrepiamos ao lembrar as geométricas e tenebrosas teias de aranha, autênticas armadilhas de cruéis caçadoras que dotadas de paciência infinita, esperam que algum insecto incauto fique enredado nos fortíssimos e pegadiços fios que engenhosamente teceu com a sua baba, para depois lhe aplicar uma ferroada com um bico venenoso.
Tal como comentava numa outra crónica um meu amigo de longa data, os corsários de suas majestades britânicas, a bordo dos seus poderosos barcos de guerra com muitos canhões, desesperavam ao largo da costa enquanto esperavam que as naus portuguesas zarpassem do seu porto de abrigo: dotados de “Cartas de Corso”, com a actividade predatória legalizada, podiam até atacar e rapinar os seus mais antigos e fidelíssimos aliados, sem receio de castigo dos seus soberanos que a título de compensação se reservavam o direito a receber a sua parte do bolo.
Na nossa cultura, provavelmente consequência do clima ameno existente por estas latitudes, querendo nós sair de casa, se estiver a chover, algo que acontece muito de vez em quando, voltamos para trás e sentamo-nos no sofá da sala a olhar para o ecrã da televisão, obviamente, à espera que “escampe”.
Parece ser mesmo assim, enquanto povo e em questões de temperamento, não há como alterar esta nossa forma de estar na vida: tanto fazemos esperar os outros, como esperamos por eles!
Não por acaso, desde o desaire de Alcácer Quibir, fragilizados e órfãos, esperamos por D. Sebastião: o soberano que na sua procura de vã glória, desastradamente nos levou à desgraça; aquele que chegado de tempos passados, embrulhado num manto de difusas brumas, com toda a certeza, será o nosso salvador!
Henrique Bonança
VRSA – 27 de Janeiro de 2021
Foto:Photo by Arthur Humeau on Unsplash
O imaturo foi batizado de Torto. Era uma das crias resgatadas pela equipa do ICNF com a colaboração da Liga para a Proteção da Natureza (LPN) e da empresa JJTomé. Em comunicado, o ICNF explica que a ave esteve em recuperação no Centro de Recuperação de Animais Silvestres da Câmara Municipal de Lisboa ao qual chegou com ferimentos num dos olhos, tendo sido alvo de tratamentos diversos que visaram a sua recuperação.
Após a nota de alta, foi planeada a sua libertação. A Fundacion CBD-Hábitat, de Espanha, cedeu um emissor GPS/GSM, com o objetivo de monitorizar a sua adaptação ao meio natural.
Desde 2004 que os Governos português e espanhol trabalham em colaboração conservar esta espécie. Até à atualidade têm vindo a ser desenvolvidos trabalhos de monitorização dos territórios em que a espécie ocorre em Portugal Continental.
Os serviços secretos da Dinamarca ajudaram os Estados Unidos a espiar líderes políticos europeus, incluindo Angela Merkel. A revelação foi feita por uma investigação conjunta de vários meios de comunicação social europeus (a emissora sueca SVT, a norueguesa NRK, as alemãs NDR e WDR e os jornais alemão Suddeutsche Zeitung e o francês Le Monde), segundo a qual a Agência Nacional de Segurança norte-americana teve acesso aos conteúdos telefónicos da elite política europeia através do sistema dinamarquês de internet.
Juan Manuel Prada, escritor, entende que o evolucionismo é «um postulado filosófico materialista cujo objetivo último é negar a narração literal dos primeiros capítulos do Génesis» e num artigo da XL Semanal, espraia os seus conceitos sobre a matéria.
José Miguel Mulet, licenciado em Química e doutor em Bioquímica e Biologia Molecular, referindo-se aos seus argumentos, responde com um significativo twitter: «Quando não entendes nada de biologia nem de evolução e queres que todo o Mundo o saiba. Uma coisa é opinar outra distinta é dizer coisas que são certas.»
Num primeiro momento os participantes criaram as suas próprias aguarelas naturais a partir de elementos da natureza como legumes, frutos, flores, algas e especiarias, para depois as aplicarem na pintura de flores que dão cor à Primavera.
Desta forma bem entusiasmada, muito criativa e com muita cor, o CIIP , depois de todas as restrições associadas à pandemia, retoma âs oficinas mensais para o público em geral, na área das artes e dos saberes fazeres-tradicionais.
Hoje, a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (UE) inaugura o cabo ótico submarino ‘EllaLink’. A partir de Sines a Europa fica ligada à América do Sul, um reforço digital considerado estratégico entre dois continentes. É uma ligação de alta velocidade.
A Águas do Algarve SA e a Câmara Municipal de Vila Real de Santo António e a VRSA Sociedade de Gestão Urbana, E.M. chegaram a um entendimento no passado dia 25 de Maio, em Faro, após reunião que levou à assinatura de um “Acordo de Regularização de Dívida”, no qual se assume a implementação de medidas para «regularização da dívida existente destas entidades para com a Águas do Algarve», anunciou aquela autarquia.
O «Memorando de Entendimento» abrange todos os envolvidos no estabelecimento das regras aplicáveis à regularização dos créditos referenciados neste documento, e respeitantes aos serviços de abastecimento de água e de saneamento de águas residuais, no montante de €13.379.742,68.
Para o município de Vila Real de Santo António, a concretização deste Acordo representa mais «um passo importante no plano de recuperação económica deste último, situação que as partes envolvidas congratulam».
Há porém uma parte da dívida do município que continua por pagar, no valor de cerca de dez milhões de euros, por divergência sobre uma cláusula contratual, que ainda se encontra em litígio judicial.
Para a liquidação desta dívida junto das Águas do Algarve, a câmara municipal pediu ao Fundo de Apoio Municipal, FAM autorização para reforçar o endividamento ao abrigo do PAM, um plano de ajustamento financeiro com empréstimos a longo prazo.
O incidente ocorreu no dia de ontem e envolveu turistas estrangeiros, numa zona de mar situada entre a Ilha de Tavira e Terra Estreita, tendo a equipa prestado o auxilio com o reboque e transporte dos ocupantes. Ninguém ficou ferido.
Para as populações locais, a equipa da Estação de Salva-Vidas de Tavira é uma peça fundamental na proteção, prevenção e intervenção em ocorrências na Ria e no Mar
Tavira é uma terra virada ao mar e tem testemunhado muitos feitos desenvolvidos por estes operacionais ao longo de várias dezenas de anos, numa história riquíssima de superações e vitórias e infelizmente, também em histórias trágicas em que os seus operacionais foram vitimas do infortúnio ou conseguiram fazer a diferença no seio das famílias dos pescadores das comunidades. Pretende a manutenção deste serviço, cuja a preservação da sua base é uma prioridade.
De acordo com, o relatório estatístico sobre a pesca divulgado pela DGRM – Direcção-Geral de Recursos Naturais e Segurança e Serviços Marítimos no primeiro trimestre de 2021, o volume do pescado fresco descarregado passou de 15.815 toneladas em 2020 para 16.455 toneladas em 2021, um aumento de 4%.
As capturas em águas nacionais, contribuiram significativamente para este aumento. Convém salientar que estes números se situam abaixo dos do ano de 2019: 23.086 toneladas, em virtude dos prejuízos causados pela pandemia da Covid-19.
Ainda assim, devido aos efeitos da pandemia de Covid-19, os montantes de peixe fresco e refrigerado descarregado foram substancialmente inferiores a 2019, que tinha registado 23.086 toneladas.
Tanto a Madeira como os Açores registaram em 2021 um decréscimo das descargas de pescado, face ao período homólogo, com quebras de 31% (- 293 t) e 17% (- 198 t) respectivamente. Foi na lota de Olhão que, em termos relativos se registou o maior aumenton do País, atingindo os 58% em relação ao período homologo e Vila Real de Santo António subiu 50%. As lotas de Cascais, Tavira e Sines, registaram uma quebra acentuada face ao período homólogo, respectivamente de 84%, 42% e 43%.
Em termos de quantidades desembarcadas por espécie, no continente, a maior variabilidade observa-se no berbigão, com um aumento de 269%, e no carapau negrão, com 190%.No que diz respeito às modalidades de pesca (arrasto, cerco e polivalente) por região, destaca-se o Centro e o Algarve com aumentos face a 2020. A pesca denominada como polivalente é a que tem maior peso, a nível global. Em 2021, foram capturadas pelas embarcações polivalentes 1.629 toneladas no Norte de Portugal, 2.940 toneladas no Centro e 2.098 toneladas no Algarve.