FOZ – Guadiana Digital

Categoria: Ambiente

  • Quercus exige transparência no uso da água armazenada nas barragens portuguesas

    Quercus exige transparência no uso da água armazenada nas barragens portuguesas

    A organização não governamental de ambiente Quercus lançou hoje um comunicado expressando profunda preocupação com a falta de informação detalhada e acessível ao público relativamente à gestão e destino da água atualmente armazenada nas barragens portuguesas.

    Num contexto de aparente abundância hídrica, após períodos de seca severa que assolaram o país, a Quercus considera crucial que os cidadãos tenham acesso a informação clara e rigorosa sobre os planos de utilização destes recursos.

    O comunicado da Quercus surge num momento em que as barragens portuguesas apresentam níveis de armazenamento significativamente superiores aos verificados nos últimos anos.

    Esta situação, apesar de positiva, levanta questões pertinentes sobre as prioridades e estratégias para o uso desta água, nomeadamente no que diz respeito ao abastecimento público, agricultura, produção de energia e manutenção dos caudais ecológicos.

    «É imperativo que o Governo e as entidades responsáveis pela gestão da água garantam a máxima transparência e prestação de contas no que concerne à utilização deste recurso essencial,» afirma o comunicado da Quercus. «Os portugueses têm o direito de saber como esta água será utilizada, qual o impacto ambiental previsto e quais as medidas implementadas para garantir a sua utilização sustentável a longo prazo.»

    A organização ecologista sublinha que a informação deve ser acessível a todos, independentemente da sua formação ou localização geográfica. Nesse sentido, a Quercus apela à disponibilização de dados detalhados, em formatos compreensíveis e fáceis de consultar, sobre:

    A informação deve ser apresentada e atualizada com o histórico dos níveis de água em todas as barragens relevantes; apresentar detalhes sobre a distribuição da água para diferentes setores (abastecimento, agricultura, indústria, energia); dar nota do impacto ambiental e conter avaliações dos potenciais impactos da utilização da água nos ecossistemas fluviais e lacustres.

    Também se requer informação sobre os caudais mínimos garantidos para a manutenção da saúde dos rios e detalhes sobre as estratégias e práticas implementadas para garantir a utilização eficiente e sustentável da água.

    A Quercus recorda que o acesso à informação é um direito fundamental e um elemento essencial para a participação informada dos cidadãos nas decisões que afetam o ambiente e o futuro do país.

    A organização compromete-se a acompanhar de perto a situação e a denunciar quaisquer opacidades ou irregularidades na gestão da água armazenada nas barragens portuguesas. A

    exigência de transparência da Quercus ecoa as preocupações de muitos portugueses que, após períodos de seca, pretendem garantir que a água agora abundante seja gerida de forma responsável e sustentável, assegurando o abastecimento futuro e a preservação dos ecossistemas.

  • Algarve tranquilo com reservas de água por vários anos

    Algarve tranquilo com reservas de água por vários anos

    As chuvas intensas que marcaram o início do ano trouxeram um alívio raro e muito bem‑vindo ao Algarve, uma região historicamente marcada por ciclos de seca severa.

    Depois de vários anos de preocupação crescente com a escassez hídrica, o cenário atual é descrito pelas autoridades como excecional e capaz de garantir o abastecimento público durante dois a três anos, mesmo que não volte a chover de forma significativa.

    Reservas de água em níveis históricos

    Segundo José Pimenta Machado, presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), as barragens do sul do país encontram‑se “praticamente cheias”, um contraste evidente face ao panorama crítico vivido nos últimos anos.
    O boletim semanal das albufeiras confirma esta tendência: Portugal continental regista 95% da capacidade total de armazenamento, um valor que se aproxima de máximos históricos.

    Mesmo sistemas tradicionalmente mais frágeis, como a albufeira do Arade, apresentam agora níveis muito acima do habitual, situando‑se nos 74% da capacidade. Em alguns casos, como na barragem de Monte da Rocha, foi mesmo necessário proceder a descargas de superfície devido ao enchimento total.

    Impacto no Baixo Guadiana

    No Baixo Guadiana, onde a dependência das reservas hídricas é particularmente sensível — tanto para o consumo humano como para a agricultura — o novo cenário oferece uma margem de segurança inédita nos últimos anos.

    A região, que inclui concelhos como Vila Real de Santo António, Castro Marim e Alcoutim, tem beneficiado diretamente da recuperação das bacias hidrográficas do sotavento. A melhoria dos níveis de armazenamento reduz a pressão sobre os sistemas de captação e permite planear a gestão hídrica com maior estabilidade.

    Além disso, o Guadiana, enquanto eixo estratégico para o abastecimento e para a agricultura, apresenta caudais mais regulares, contribuindo para um equilíbrio ambiental que há muito não se verificava.

    Gestão responsável continua a ser essencial

    Apesar do otimismo, as autoridades sublinham que este é um alívio temporário e não uma solução definitiva. O Algarve continua a ser uma região vulnerável às alterações climáticas, com precipitação irregular e forte pressão turística e agrícola.

    Por isso, a APA reforça a necessidade de:

    • Manter práticas de consumo eficiente, tanto no setor doméstico como no agrícola;
    • Apostar em soluções estruturais, como a dessalinização e o reforço das interligações entre sistemas;
    • Monitorizar de forma contínua as bacias mais sensíveis, como as do Arade e do Funcho, que continuam a exigir gestão cuidada.

    Um presente tranquilo, um futuro a planear

    O Algarve respira agora de alívio. As reservas acumuladas garantem estabilidade no curto e médio prazo, permitindo que a região se concentre em preparar o futuro com mais resiliência.
    No Baixo Guadiana, onde a água é um recurso vital para a economia local e para a qualidade de vida das populações, este período de abundância deve ser encarado como uma oportunidade para consolidar estratégias de gestão sustentável.

  • Esforço nacional para salvar espécie rara de carvalho

    Esforço nacional para salvar espécie rara de carvalho

    Universidade do Algarve lidera recuperação nacional do Carvalho-de-Monchique

    O carvalho-de-monchique, uma das árvores autóctones mais raras e ameaçadas de Portugal, está a receber uma nova esperança de sobrevivência através de um projeto nacional ambicioso, impulsionado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

    A Universidade do Algarve (UAlg) juntou-se a este esforço, desempenhando um papel crucial na conservação ex situ desta espécie em declínio.

    A iniciativa, parte do programa TransForm e coordenada pelo RAIZ em colaboração com o BIOPOLIS e outras universidades, visa criar uma rede nacional de mini-arboreta para a preservação do carvalho-de-monchique ( Quercus canariensis Willd. ), anunciou aquela instituição de ensino superior no Algarve.

    A ação tem por base uma extensa investigação desenvolvida pelo grupo de Biogeografia e Geobotânica Aplicada (BEPE) do BIOPOLIS/CIBIO-InBIO (Universidade do Porto).

    A participação da UAlg foi facilitada pela professora Manuela David, curadora do Herbário da instituição, que apoiou a integração da universidade no projeto e acompanhou todo o processo.

    Recentemente, no campus da UAlg, foi realizada uma plantação de exemplares de carvalho-de-monchique, numa iniciativa que visa integrar a conservação da espécie na gestão dos espaços verdes da universidade.

    Esta plantação está plenamente alinhada com a visão estratégica da Reitoria para a promoção de campi mais sustentáveis, saudáveis e resilientes», explica Vânia Serrão de Sousa, pró-reitora para as Ciências da Sustentabilidade da UAlg.

    Carvalho-de-Monchique: Universidade do Algarve lidera «Ao integrar a conservação de uma espécie autóctone ameaçada, estamos a contribuir para a adaptação às alterações climáticas, promovendo a biodiversidade, o sombreamento e os serviços de ecossistema, com impacto positivo no bem-estar da comunidade académica.»

    A iniciativa visa igualmente reforçar o compromisso da UAlg com «soluções baseadas na natureza» para os desafios ambientais. A plantação e o acompanhamento dos exemplares contam com a colaboração de José Monteiro, José Bidarra e Helena Rodrigues.

    A Universidade do Algarve comprometeu-se a monitorizar o crescimento e desenvolvimento das árvores, consolidando o seu papel na conservação da biodiversidade e na construção de um campus mais resiliente face aos impactos das alterações climáticas.

    Este projeto pretende sublinha a importância da colaboração entre instituições de ensino superior e entidades de investigação para a proteção do património natural português.

  • Eólicas gigantes no Nordeste Algarvio

    Eólicas gigantes no Nordeste Algarvio

    Entre a Promessa Energética e o Grito de Alerta Ambiental da Serra


    TAVIRA E ALCOUTIM — O interior do Algarve encontra-se no centro de uma nova vaga de investimentos em energias renováveis que está a dividir opiniões.

    A instalação de parques eólicos com aerogeradores de nova geração — caracterizados por uma altura sem precedentes e elevada potência — nos concelhos de Tavira e Alcoutim está a colocar em confronto a urgência da transição energética e a preservação do património natural e social da região.


    O Projeto: Gigantes de Aço no Horizonte

    O principal foco de tensão é o projeto de hibridização da Central Fotovoltaica de Alcoutim (Solara4), que prevê a instalação de 25 aerogeradores com uma potência unitária de 6,6 MW. Somando a outros projetos em avaliação, como os parques de Cachopo (Tavira) e Pereiro, estima-se que mais de uma centena de turbinas possam vir a ocupar uma área de 500 km^2 no nordeste algarvio.

    Estes novos geradores são significativamente mais altos do que os modelos tradicionais, visando maximizar a captação de vento em altitudes superiores, o que altera de forma irreversível a linha do horizonte das serras algarvias.
    Autoridades: O Dilema entre Desenvolvimento e Ordenamento
    As autoridades locais e regionais encontram-se num equilíbrio delicado:

    Impacto Positivo: É reconhecido o potencial de criação de receitas diretas para os municípios (através de taxas e rendas) e o contributo para as metas nacionais de descarbonização. O reforço da rede elétrica na subestação de Tavira é visto como um ativo estratégico.

    Preocupações: Existe o receio de que o interior se torne um “quintal energético” do litoral, sem benefícios diretos na fixação de população ou na descida da fatura de energia para os residentes locais. A pressão sobre o ordenamento do território é uma preocupação constante nas câmaras municipais.
    Sociedade Civil e Ecologistas: “Impactos Irreversíveis”
    A reação da sociedade civil tem sido de forte oposição, liderada por movimentos como a Plataforma pela Sustentabilidade e Biodiversidade do Algarve (PPSBA) e a SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves).
    Em janeiro de 2026, a SPEA emitiu um parecer contundente pedindo o chumbo definitivo do projeto Solara4. Os argumentos focam-se em dois eixos:

    • Biodiversidade: O projeto situa-se num corredor migratório crítico e ameaça espécies protegidas, como a Águia-de-bonelli, o abutre e a cegonha, devido ao risco de colisão.
    • Qualidade de Vida: Aldeias como Malfrades e Monte das Preguiças poderão ficar a menos de 800 metros das turbinas, expondo os moradores a ruído constante e ao impacto visual de estruturas de grande escala.

    “A transição energética é necessária, mas não pode ocorrer à custa da natureza ou da qualidade de vida das populações locais”, afirma a SPEA em comunicado recente.

    Quadro Comparativo de Impactos

    DimensãoAspetos PositivosInconveniências / Riscos
    EconómicaReceitas municipais e investimento direto.Desvalorização de propriedades e impacto no turismo de natureza.
    AmbientalRedução de emissões de CO_2.Risco para aves migratórias e destruição de habitats sensíveis.
    SocialReforço das infraestruturas elétricas.Poluição sonora e alteração drástica da paisagem serrana.

    Antevisão Eólicas

    O processo de consulta pública para a reformulação do projeto de Alcoutim encerra no início de fevereiro, prometendo ser um marco na definição de quão longe o Algarve está disposto a ir na produção de energia “limpa”.

  • Especial: O “Braço de Ferro” Solar em Portugal – Do Litoral Alentejano à Beira Baixa

    Especial: O “Braço de Ferro” Solar em Portugal – Do Litoral Alentejano à Beira Baixa

    Quercus Castelo Branco e o Movimento Cívico Gardunha Sul promoveram uma concentração à porta da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa para contestar a construção da central solar fotovoltaica Sophia, projeto da Lightsource BP avaliado em cerca de 600 milhões de euros e previsto para os concelhos do Fundão, Penamacor e Idanha‑a‑Nova.

    Os ambientalistas alertam para o abate de cerca de 1.500 azinheiras e sobreiros e para a ocupação de mais de 400 hectares, denunciando riscos de perda de biodiversidade, agravamento do aquecimento local e destruição de recursos naturais que consideram a base da economia regional.lightsourcebp+3[youtube]​

    Durante a iniciativa, autarcas da Comunidade Intermunicipal afirmaram não existir ainda uma posição vinculativa comum dos oito municípios, defendendo que cada caso deve ser analisado com as populações, investidores e poder central, salvaguardando o interesse do território e a identidade dos concelhos.

    A presidente da delegação de Castelo Branco da Quercus, Graça Passos, argumentou que o atual modelo de desenvolvimento é insustentável, citando alertas da Agência Europeia do Ambiente, e defendeu uma redução do consumo de energia, um verdadeiro ordenamento do território e maior transparência na consulta pública conduzida pela APA, que considera pouco acessível e pouco democrática.[youtube]​rtp+1

    Graça Passos sublinhou ainda impactos sociais “gravíssimos” caso a central avance, por considerar que o projeto responde sobretudo à lógica de lucro e não às necessidades reais das populações, colocando em causa a economia local, a segurança alimentar e o futuro das gerações mais novas.

    Referiu sinais de rutura no sistema, como a degradação dos rios, o aumento da temperatura da água e o corte contínuo de árvores, defendendo a necessidade de solidariedade intergeracional e de uma sociedade civil forte, capaz de apoiar os políticos em decisões difíceis.[diariodigitalcastelobranco]​[youtube]​

    Os movimentos acusam ainda o processo de consulta pública de falta de transparência, devido à dificuldade de acesso e leitura dos documentos, e reclamam um levantamento claro das zonas onde podem ser instaladas centrais solares, bem como estudos independentes sobre os impactos totais do projeto Sophia.

    Apesar de a central prometer uma das maiores capacidades fotovoltaicas do país, com 867 MWp de potência instalada e energia suficiente para centenas de milhares de habitações, os contestatários insistem que a transição energética não pode ser feita à custa da destruição de ecossistemas vitais da Beira Baixa.jornaleconomico.sapo+3[youtube]​

    O mapa da energia solar em Portugal está a ser redesenhado, não pelos engenheiros, mas pelas autoridades ambientais e pela pressão cívica. O que começou como uma corrida acelerada ao licenciamento de megaprojetos transformou-se num complexo processo de negociação onde a viabilidade ambiental se tornou o filtro final.

    Vídeo de Beira Baixa TV

    1. O Ponto de Situação: Sul vs. Centro

    Embora geograficamente distantes, os projetos Sofia (Santiago do Cacém) e Sophia (Beira Baixa) partilham mais do que o nome: ambos personificam o dilema entre a descarbonização e a conservação da biodiversidade.

    No Sul (Santiago do Cacém):

    O projeto original enfrentou uma contestação judicial sem precedentes. Embora a APA tenha inicialmente defendido a viabilidade sob condições estritas, o peso do abate florestal (inicialmente previsto em mais de 1 milhão de árvores) e a oposição do Ministério Público forçaram uma reavaliação dos limites de ocupação do solo.

    No Centro (Beira Baixa):

    O cenário é de “pausa técnica”. O projeto Beira recebeu um parecer desfavorável no final de 2025, enquanto o gigante Sophia (867 MWp) está atualmente a ser reformulado. A APA deu aos promotores um prazo de 180 dias para redesenhar as propostas, após identificar impactos negativos severos em habitats protegidos.

    2. A Muralha da Resistência: Populações e Autarquias

    A resistência já não é apenas de grupos ambientalistas isolados, mas de estruturas institucionais:

    Comunidades Intermunicipais (CIM):

    A CIM da Beira Baixa emitiu pareceres negativos, alegando que estes projetos “estrangulam” o desenvolvimento turístico e agrícola.

    Movimentos Cívicos:

    A consulta pública do projeto Sophia bateu recordes em Portugal com mais de 10.000 participações, demonstrando um nível de vigilância cidadã nunca antes visto no setor energético.

    Geoparks e Património:

    A proximidade ao Geopark Naturtejo e ao Parque Natural do Tejo Internacional tem sido o principal argumento técnico para travar as centrais na região Centro.

    O Que Ainda Pode Ser Autorizado?

    A APA e a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG) estão a mudar o paradigma do “chumbo total” para a “autorização condicionada”. O que tem hipótese de avançar em 2026 segue estas regras:

    Critério de ViabilidadeDescrição
    HibridizaçãoProjetos que aproveitam infraestruturas já existentes (ex: parques eólicos ou barragens).
    Áreas DegradadasPrioridade total a terrenos industriais, minas desativadas ou solos sem valor ecológico.
    Preservação de AutóctonesGarantia de 100% de manutenção de sobreiros e azinheiras (a linha vermelha da APA).
    Partilha de BenefíciosProjetos que incluam comunidades de energia locais ou redução direta na fatura das populações vizinhas.
    Reportagem elaborada por Redacção GEM-DIGI e apoio de Perplexity IA

  • Alqueva: Governo aperta uso de água para salvar agricultura no Alentejo e Algarve

    Alqueva: Governo aperta uso de água para salvar agricultura no Alentejo e Algarve

    O Governo de Portugal aprovou um novo pacote de medidas para a gestão e utilização da água no Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva (EFMA), numa resposta direta à pressão hídrica que afeta o sul do país.

    As novas diretrizes, que visam garantir a sustentabilidade do recurso a médio e longo prazo, foram já detalhadas pela Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), a entidade responsável pela gestão operacional do maior reservatório da Europa.

    As medidas agora em vigor impõem uma gestão mais rigorosa dos volumes disponíveis, priorizando a eficiência e o uso racional da água, essenciais para a sobrevivência das culturas no Alentejo.

    Embora os pormenores específicos das quotas variem consoante os setores e as necessidades regionais, o objetivo principal é claro: proteger a reserva estratégica e evitar cortes drásticos que poderiam comprometer as campanhas agrícolas futuras.

    Segundo as autoridades, a implementação destas regras é crucial para proteger a resiliência do setor primário.

    O Alqueva não serve apenas o regadiu alentejano, mas também desempenha um papel vital no abastecimento de água para consumo humano e para o apoio à agricultura de valor acrescentado, que tem prosperado na região nos últimos anos.

    A gestão cautelosa é vista como um balanço necessário entre as necessidades imediatas dos agricultores e a garantia de que haverá água disponível em períodos de seca prolongada.

    Um dos benefícios esperados é a estabilização da atividade agrícola nas áreas de regadio mais críticas.

    O Governo e a EDIA esperam que, ao otimizar a distribuição de água, se consiga mitigar os impactos da seca que se tem sentido intensamente, sobretudo nas culturas de maior rendimento e naquelas que empregam um maior número de pessoas na região.

    Esta ação coordenada procura também fornecer maior previsibilidade aos agricultores, permitindo um melhor planeamento das sementeiras e colheitas.

    Adicionalmente, as novas medidas de gestão no Alqueva trazem alívio indireto ao Algarve, uma vez que a capacidade de Alqueva em manter a irrigação no Alentejo reduz a pressão sobre os recursos hídricos algarvios, que têm enfrentado desafios severos.

    A EDIA será agora responsável pela fiscalização rigorosa do cumprimento destas novas regras, assegurando que o uso do recurso hídrico se pauta pela máxima responsabilidade em prol da economia regional.

  • Maior Área Marinha Protegida de Sempre

    Maior Área Marinha Protegida de Sempre

    Revolução Azul: Portugal Lança a Reserva D. Carlos,

    O Governo português deu um passo de grande envergadura e decisivo na proteção do oceano ao avançar com o processo de criação da futura Reserva Natural Marinha D. Carlos.

    Esta nova área protegida será a maior alguma vez proposta pelo país, abrangendo uns impressionantes 173 mil km², o que equivale a alcançar a ambiciosa meta de proteger 25% da área marítima sob soberania nacional.

    A vastíssima área de conservação engloba complexos geográficos de elevado valor ecológico, nomeadamente o complexo dos montes submarinos Madeira-Tore e o estratégico Banco de Gorringe.

    A classificação da reserva assenta no melhor conhecimento científico disponível, resultado do trabalho conjunto e detalhado de diversas entidades académicas e públicas.

    Estes ecossistemas são vitais, atuando como verdadeiros santuários para a biodiversidade: contêm recifes de corais de águas frias, raros jardins de gorgónias e funcionam como zonas cruciais de alimentação e reprodução para inúmeras espécies marinhas, incluindo as vulneráveis e migratórias.

    José Manuel Fernandes, Ministro da Agricultura e do Mar, sublinhou o duplo benefício da iniciativa. “Esta área marinha protegida terá um impacto positivo na saúde dos ecossistemas e, a médio prazo, na produtividade dos recursos pesqueiros”, afirmou.

    O Ministro destacou ainda o papel dos montes submarinos como “verdadeiras ‘maternidades’ no oceano”, garantindo melhores condições para a sustentabilidade das pescas e para a valorização da economia do mar.

    É importante notar que a proposta da Reserva D. Carlos foi desenhada para ser compatível com a sustentabilidade das comunidades piscatórias. O plano salvaguarda explicitamente as pescarias artesanais, seletivas e de baixo impacto ambiental, provando que a ambição de proteção oceânica pode coexistir com o desenvolvimento da economia azul.

    O processo de classificação desta área histórica está agora aberto à participação pública. A consulta pública da Reserva Natural Marinha D. Carlos encontra-se a decorrer no portal Participa, com um prazo estabelecido até 6 de março de 2026, permitindo que cidadãos e entidades contribuam para a definição final desta monumental área de conservação.

  • Reforço da prevenção de incêndios rurais e modernização do Setor Florestal

    Reforço da prevenção de incêndios rurais e modernização do Setor Florestal

    O Governo anunciou a mobilização de um apoio financeiro significativo, no valor de 12,1 milhões de euros, destinado a impulsionar a gestão florestal e a prevenir a ocorrência de incêndios rurais no território nacional.

    Este investimento, considerado estratégico, é canalizado através do Programa MAIS Floresta – Reforço de Capacidade de Atuação, uma iniciativa crucial financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

    A medida é promovida pelo Ministério da Agricultura e Mar, em articulação com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e tem como principal alvo as micro, pequenas e médias empresas (PME) que operam no setor florestal.

    O objetivo primordial é claro: aumentar a capacidade operacional destas empresas no terreno, melhorando as condições de trabalho dos agentes florestais e, consequentemente, reduzindo drasticamente o risco de incêndio rural.

    Os fundos destinam-se especificamente à aquisição de maquinaria e equipamentos essenciais para operações de silvicultura, gestão de carga combustível e exploração florestal.

    Este reforço instrumental visa transformar a floresta portuguesa, tornando-a mais bem cuidada, produtiva e, acima de tudo, mais resiliente face às alterações climáticas e aos riscos inerentes.

    O apoio assume a forma de subvenção não reembolsável, conferindo um impulso direto à modernização do setor.

    Cada candidatura aprovada poderá beneficiar de um montante máximo de 150 mil euros. Esta alocação é vista como vital para reforçar a capacidade de resposta no terreno, uma área fundamental para garantir a segurança das populações, a proteção do território e a sustentabilidade ambiental a longo prazo.

    Os interessados em beneficiar deste programa têm um prazo definido para apresentar as suas candidaturas.

    O período decorre entre 2 de fevereiro e 15 de março de 2026, devendo todo o processo ser efetuado através do sistema de candidaturas disponibilizado pelo ICNF.

    Com este novo apoio, o Governo reforça o seu compromisso inequívoco com uma floresta mais protegida e com uma gestão ativa do território, garantindo uma resposta mais eficaz e estrutural na prevenção de incêndios rurais.

  • Tavira celebra duas décadas de Sustentabilidade

    Tavira celebra duas décadas de Sustentabilidade

    Bandeira Verde ECO XXI é Reconquistada Pela 20.ª Vez

    Tavira foi distinguida, pelo 20.º ano consecutivo, com a prestigiada Bandeira Verde do Programa ECO XXI da ABAAE – Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação.

    A autarquia algarvia alcançou um Índice ECO XXI de 76,1%, consolidando o seu estatuto como um dos municípios mais sustentáveis do país.

    Este galardão, atribuído pelo desempenho verificado em 2024, visa reconhecer o trabalho contínuo das câmaras municipais em diversas áreas críticas da sustentabilidade.

    O índice avalia a atuação das autarquias nos domínios ambiental, social e económico, abrangendo desde a qualidade do ar e da água, a gestão de resíduos e o saneamento, até ao turismo sustentável, a mobilidade, o ordenamento do território e a participação pública.

    No panorama nacional, a consistência de Tavira destaca-se. Das 61 candidaturas submetidas ao Programa ECOXXI, 60 municípios foram galardoados, ou seja, obtiveram um índice igual ou superior a 50%.

    Contudo, manter um desempenho elevado e uma prossecução de objetivos de sustentabilidade por vinte anos consecutivos coloca Tavira num patamar de excelência inegável.

    O resultado de 76,1% é fruto de boas práticas que foram analisadas por júris especializados de várias entidades que integram a Comissão Nacional ECOXXI. O Município de Tavira demonstrou particular excelência em diversos indicadores cruciais.

    Entre as áreas de destaque, evidenciaram-se as Atividades de Educação Ambiental promovidas e apoiadas pela Câmara Municipal, demonstrando um forte investimento na sensibilização da comunidade.

    A qualidade das infraestruturas e dos serviços também foi crucial. Tavira destacou-se pela Sustentabilidade das zonas balneares, pela Qualidade do ar e pela Certificação dos sistemas de gestão de qualidade e transparência dos procedimentos implementados.

    Adicionalmente, o desempenho na Saúde e bem-estar, bem como na Produção e recolha seletiva e valorização de resíduos urbanos, foram fatores determinantes para a obtenção deste índice elevado.

    Este marco de duas décadas é um testemunho do esforço conjunto. A autarquia sublinha que o sucesso só é possível graças à colaboração e atuação de todos os serviços municipais, das escolas, da Empresa Municipal de Ambiente – Taviraverde, das instituições, clubes, associações e, sobretudo, dos munícipes que contribuem diariamente para que Tavira seja, de forma consistente, um município mais verde e sustentável.

  • Altri alcança Nível ‘A’ no rating CDP

    Altri alcança Nível ‘A’ no rating CDP

    Consolida liderança Global na luta contra as Alterações Climáticas

    A Altri, uma das principais referências europeias na bioeconomia, deu um passo significativo no panorama global da sustentabilidade ao atingir a classificação de nível ‘A’ no prestigiado rating do CDP (Carbon Disclosure Project) em 2025.

    Ou seja, nio abandono do uso do carbono. Este feito coloca a empresa portuguesa no restrito grupo de líderes mundiais em desempenho ESG (Ambiental, Social e Governança), reforçando o seu propósito de construir um futuro mais renovável.

    Este reconhecimento é particularmente relevante, uma vez que o nível ‘A’ obtido pela Altri no pilar das Alterações Climáticas a posiciona muito acima da média internacional do seu setor, que se situa em ‘B’.

    A avaliação minuciosa do CDP incidiu sobre três vetores ambientais cruciais, tendo a Altri demonstrado excelência em todos eles: Alterações Climáticas (A), Florestas (A-), e Água (A-).

    O desempenho de topo foi validado em diversas categorias essenciais. A Altri alcançou a classificação máxima ‘A’ tanto na sua estratégia de negócio ligada ao Clima e à Água, como na gestão de impactos, oportunidades e riscos ambientais.

    Igualmente destacadas foram as suas políticas de energia, as rigorosas iniciativas de redução de emissões de carbono e o elevado nível de verificação e reporte dessas emissões.

    José Soares de Pina, CEO da Altri, sublinha que este reconhecimento é uma validação independente e robusta da estratégia da empresa. «A atribuição da classificação A pelo CDP confirma a solidez da estratégia da Altri e a consistência do trabalho que temos vindo a desenvolver no âmbito do ESG e do combate às alterações climáticas», afirma o CEO.

    Este feito, diz «reforça o nosso propósito de contribuir ativamente para a construção de um mundo mais renovável e sustentável, materializado num Compromisso 2030 exigente, com objetivos claros e mensuráveis, cuja concretização temos assegurado de forma contínua

    A Importância da Avaliação CDP

    O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos e o maior sistema global de divulgação de informação ambiental. As suas pontuações são amplamente utilizadas pelo mercado financeiro e investidores para avaliar o risco e apoiar decisões de investimento, promovendo uma transição para uma economia sustentável, resiliente e com zero emissões de carbono. Ser classificado com o nível ‘A’ demonstra não apenas o compromisso, mas a implementação efetiva de medidas ambientais de alto impacto.

    O que faz a ALTRI?

    A Altri é uma empresa da bioeconomia e um produtor europeu de referência de fibras celulósicas (pasta de papel), obtidas exclusivamente a partir de florestas certificadas.

    O Grupo é responsável pela gestão de mais de 100 mil hectares de floresta em Portugal, integralmente certificada. Além da produção de fibras celulósicas, a sua estratégia assenta no aproveitamento integral dos recursos florestais, estando também presente no setor das energias renováveis de base florestal, garantindo uma operação alinhada com os princípios da sustentabilidade e economia circular.

  • Litoral sob Pressão: Obras de 14 Milhões Arrancam em Quarteira com APA em Mudança e Autarquias sem Recursos

    Litoral sob Pressão: Obras de 14 Milhões Arrancam em Quarteira com APA em Mudança e Autarquias sem Recursos

    Por Redação GEM-DIGI | 9 de Janeiro de 2026

    QUARTEIRA — É já na próxima segunda-feira, dia 12 de Janeiro, que se inicia a grande operação de reposição de areia no litoral de Loulé. A intervenção, aguardada com ansiedade num Algarve fustigado por sucessivos temporais, avança num momento de fragilidade institucional: as autarquias clamam por falta de meios e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), dona da obra, atravessa um período de incerteza na sua liderança.

    Uma Operação de Engenharia Global contra a Erosão

    O arranque dos trabalhos incidirá no troço costeiro entre a praia de Quarteira e a praia do Garrão. A empreitada, orçada em cerca de 14,3 milhões de euros, visa a alimentação artificial do sistema costeiro, repondo o perfil de segurança das praias que perderam milhares de metros cúbicos de areia nos últimos invernos.

    Para mitigar o ceticismo local quanto ao cumprimento de prazos, a investigação sobre a adjudicação revela dados concretos sobre a robustez da operação. A obra está a cargo da Dravo S.A., empresa sediada em Madrid que opera como o braço ibérico do Grupo Van Oord.

    Trata-se de uma garantia técnica relevante: a matriz holandesa é uma das líderes mundiais em engenharia marítima e dragagens, com um histórico de execução de obras complexas e elevada capacidade financeira. Este perfil empresarial afasta, à partida, os receios de insolvência ou incapacidade técnica que frequentemente paralisam obras públicas em Portugal, permitindo antever que o areal estará pronto antes do início da época balnear.

    Autarquias “De Mãos Atadas” e o Vazio Central

    Apesar do avanço das máquinas em Quarteira, o enquadramento nacional permanece crítico. O temporal que atingiu a costa algarvia expôs, uma vez mais, a vulnerabilidade de um modelo de gestão centralizado.

    As Câmaras Municipais debatem-se com um duplo constrangimento:

    1. Falta de Competência Legal: A intervenção direta no Domínio Público Marítimo é exclusiva da administração central.
    2. Incapacidade Financeira: Os orçamentos municipais não comportam obras de dezenas de milhões de euros para proteção costeira.

    As autarquias restam, assim, dependentes da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e do Ministério do Ambiente. Contudo, esta dependência agrava-se com a instabilidade na própria agência. Confirmam-se as movimentações para a substituição da atual liderança da APA, criando um cenário onde a entidade responsável por gerir a crise costeira se encontra, ela própria, em gestão de mudança.

    Num momento em que não foi apenas Quarteira a sofrer danos — com registos de destruição em várias frentes de mar da região — a resposta do Estado surge agora com esta obra de grande envergadura, mas deixa por responder às questões estruturais sobre a agilidade e a estabilidade dos organismos que tutelam o litoral português.

  • A Coroa de Alqueva: EDIA revela o Simbolismo e a Engenharia por trás do “Coroamento” da Barragem

    A Coroa de Alqueva: EDIA revela o Simbolismo e a Engenharia por trás do “Coroamento” da Barragem

    No Dia de Reis, enquanto muitos procuravam as tradicionais coroas dos bolos-reis, a EDIA e o Centro Alqueva decidiram destacar uma coroa bem diferente, forjada em betão e engenho.

    Através das redes sociais, a entidade que gere a monumental Barragem de Alqueva lançou um desafio: desvendar o significado do “Coroamento” da barragem, um termo que, longe de ser meramente decorativo, representa o culminar de um dos maiores projetos de engenharia da Europa.

    A escolha da data não foi casual, sendo o Dia de Reis considerado pela EDIA (Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva) como «carregado de simbolismo».

    Numa publicação partilhada na página de Facebook do Centro Alqueva, lia-se a metáfora que associava a construção à realeza: «Aqui, a coroa não é de ouro nem de pedras preciosas, mas de engenharia e engenho

    Mas o que significa, concretamente, o Coroamento numa infraestrutura da envergadura de Alqueva? O Coroamento é o acabamento superior da barragem. Trata-se da parte mais alta da estrutura, que remata e “coroa” todo o esforço de construção do maciço estrutural. É, essencialmente, a crista da barragem.

    Tecnicamente, o Coroamento é uma secção vital. Esta parte final do projeto de construção confere não apenas o acabamento arquitetónico, mas também garante a estabilidade final da obra e, frequentemente, suporta a infraestrutura rodoviária que atravessa o topo da barragem. É através do coroamento que se controlam, em detalhe, os movimentos estruturais e se acede a equipamentos chave, sendo o ponto de observação crucial para fiscalizar a integridade da estrutura.

    No caso da Barragem de Alqueva, uma obra monumental que se estende por 450 metros de comprimento e atinge uma altura de 96 metros acima da fundação, o Coroamento é a linha final que assegura a operacionalidade e segurança daquela que é a maior reserva estratégica de água do país. É a perspetiva única sobre uma obra onde, como sublinhado pelo Centro Alqueva, «cada detalhe conta».

    Desta forma, a EDIA conseguiu transformar um conceito técnico de engenharia civil num símbolo de excelência e conclusão. O Coroamento da Barragem de Alqueva é mais do que um acabamento; é a marca visível do triunfo do planeamento e da execução que redefiniu a paisagem e a economia do Alentejo. Um impressionante exemplo do engenho humano que marca o bom ano novo desejado pelo Centro Alqueva.

  • Devido ao mau tempo: Odiana aconselha pedestres a suspender caminhadas

    Devido ao mau tempo: Odiana aconselha pedestres a suspender caminhadas

    A Associação Odiana emitiu um aviso urgente dirigido aos entusiastas do pedestrianismo, desaconselhando veementemente a realização de caminhadas nos próximos dias.

    A medida preventiva surge em resposta à instabilidade meteorológica significativa que se tem feito sentir, visando garantir a segurança de todos os utilizadores dos percursos pedestres.

    De acordo com a associação, as condições meteorológicas adversas tornam os trilhos inseguros para a prática da atividade. A Odiana apela à responsabilidade: «A natureza convida-nos a contemplá-la, mas também nos pede prudência.», diz a Associação.

    Neste contexto, a organização reforça a importância de aguardar por um cenário atmosférico mais favorável e estável antes de regressar aos percursos.

    Chuvas intensas, ventos fortes e pisos escorregadios aumentam drasticamente o risco de acidentes, sendo a prudência a palavra-chave para os adeptos das atividades ao ar livre nesta fase.

    Evitar as caminhadas é, assim, uma medida temporária de prevenção, garantindo que a experiência nos trilhos seja segura e prazerosa quando as condições o permitirem.

    Enquanto se aguarda o regresso da estabilidade, e porque caminhar em segurança é uma prioridade institucional, a Odiana já se prepara para o futuro. Foi prometida para breve a divulgação do cartaz oficial para o aguardado Ciclo de Caminhadas 2026, oferecendo um horizonte de novos trilhos a explorar.

  • Formigas com asas após chuvas de Outono

    Formigas com asas após chuvas de Outono

    Nos últimos dias, é possível que tenha reparado na presença de grandes quantidades de formigas com asas. Este fenómeno é natural e ocorre especialmente após dias quentes e chuvosos.

    As formigas aladas não pertencem a uma espécie diferente, são machos e rainhas que desenvolvem asas durante o período de reprodução. Nesta fase, conhecida como “voo nupcial”, saem dos ninhos em grandes grupos para acasalar e dar início a novas colónias.

    Este comportamento é mais frequente após dias quentes e húmidos, especialmente no início do Verão ou no Outono. Não há motivo para preocupação: trata-se de um processo natural e temporário, que normalmente dura apenas três a quatro semanas e não requer qualquer intervenção humana.

    Nota científica:
    Em algumas regiões do Algarve e Baixo Alentejo, estas formigas aladas são conhecidas popularmente por “agúdeas”. O nome científico da espécie mais associada a esta designação é Messor barbarus, também chamada de formiga-do-pão.

    Esta espécie destaca-se pela recolha de sementes — atividade fundamental para o equilíbrio ecológico e para a dispersão de plantas. Durante o “voo nupcial”, as rainhas e machos alados de Messor barbarus emergem em grandes quantidades, aproveitando as condições de humidade e calor após as chuvas de outono.

    O ciclo da espécie contribui para a renovação das colónias e reforça a importância das formigas no ecossistema mediterrânico, através da manutenção do solo e reciclagem de matéria orgânica.

  • Investigadores apresentam Carta Aberta à ministra do Ambiente

    Investigadores apresentam Carta Aberta à ministra do Ambiente

    Investigadores do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIMAR-LA) reuniram-se com a Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, para apresentar a carta aberta intitulada «Por um plano nacional de restauração que não deixe o mar para trás».

    A iniciativa, que recolheu o apoio de mais de 600 signatários provenientes dos setores da ciência, educação, organizações não governamentais e sociedade civil, visa alertar para a urgência de integrar o oceano no plano nacional de restauração.

    A carta defende um plano nacional de restauração com prioridade para o meio ambiente marinho. Destaca que mais de 97% do território de Portugal é mar e que a biodiversidade marinha está em declínio devido a pressões humanas, como pesca insustentável, mudanças climáticas e poluição.

    A carta também menciona que a Lei Europeia de Restauração da Natureza exige que Portugal restaure pelo menos 30% dos seus habitats marinhos degradados até 2030. Os autores da carta, que incluem pesquisadores, acadêmicos e jornalistas, pedem uma ação rápida e decisiva para criar um plano nacional eficaz e inclusivo. As ações prioritárias sugeridas incluem mobilizar centros de pesquisa, criar um programa de financiamento e estabelecer uma plataforma pública de dados.

    A apresentação da carta aberta marca um passo importante no debate sobre a importância da conservação marinha e a necessidade de uma abordagem integrada e proativa para a gestão dos recursos oceânicos em Portugal. Espera-se que esta iniciativa contribua para influenciar positivamente as políticas ambientais e energéticas do país.

  • Combate ao jacinto-de-água é nacional

    Combate ao jacinto-de-água é nacional

    O Focus Group assume o controlo físico do jacinto-de-água com o Projeto PRR Biocomp_3.0 e organizou uma sessão com organização do COTHN, FENAREG, ABLGVFX que reuniu elementos de Associações de Regantes, Academia e DGADR.

    O jacinto-de-água (Eichhornia crassipes) continua a ser uma das espécies invasoras mais preocupantes em Portugal, especialmente para os regantes e gestores de recursos hídricos. Eis um panorama das principais ocorrências atuais:

    Vejamos as regiões mais afetadas em Portugal:

    • Minho e Douro Litoral: Presença significativa em cursos de água com impacto na biodiversidade e na navegação.
    • Beira Litoral, Estremadura e Ribatejo: Áreas com regadios intensivos onde o jacinto causa obstruções e dificulta a gestão da água.
    • Alto Alentejo e Algarve: A planta tem sido observada em canais de rega e zonas húmidas, afetando a qualidade da água e a saúde pública.
    • Rio Ave (Vila do Conde): Atualmente uma das zonas mais críticas. O leito do rio está coberto por densos tapetes de jacintos, afetando desportos náuticos, turismo e até praias como Azurara e Árvore.
    • Rios Soraia, Cávado e Mondego: Estes cursos de água estão entre os mais invadidos, com impacto direto na agricultura e nos ecossistemas aquáticos.

    O jacinto-de-água tem impacto principalmente na obstrução de canais de rega e navegação fluvial, na redução da qualidade da água e proliferação de mosquitos; em danos à biodiversidade aquática; e prejuízos económicos para agricultura, turismo e pesca

    As medida de controlo tomadas são a instalação de barreiras flutuantes para conter a dispersão, remoção mecânica da biomassa e projetos como o BioComp, que aproveitam os jacintos para produzir fertilizantes biológicos

  • Geoparque Arvense assina acordos

    Geoparque Arvense assina acordos

    O Geoparque Algarvensis anunciou a assinatura de dois acordos de colaboração com proprietários de terrenos na freguesia de São Bartolomeu de Messines, município de Silves os quais visam a proteção e valorização de geossítios identificados dentro dessas propriedades, considerados de interesse para potencial classificação.

    A iniciativa está alinhada com a missão central do Geoparque Algarvensis, que se dedica à proteção, valorização e promoção do património natural, com um foco particular na geologia da região. A colaboração com os proprietários de terrenos é vista como um passo crucial para a criação de conhecimento científico e a implementação de estratégias de desenvolvimento sustentável.

    Os geossítios identificados em São Bartolomeu de Messines possuem características geológicas significativas que justificam a sua preservação e estudo. Através destes acordos, o Geoparque Algarvensis poderá agora desenvolver atividades de pesquisa e conservação nestes locais, promovendo também a sua divulgação ao público.

    A parceria entre o Geoparque Algarvensis e os proprietários de terrenos demonstra um compromisso conjunto com a preservação do património natural da região, promovendo um futuro onde o desenvolvimento económico e a proteção ambiental caminham lado a lado.

    A iniciativa é vista como um exemplo positivo de como a colaboração pode impulsionar a conservação do património geológico e contribuir para o desenvolvimento sustentável do território algarvio.

  • Incêndios devastam 60 Mil Hectares

    Incêndios devastam 60 Mil Hectares

    A recente vaga de incêndios florestais em Portugal devastou cerca de 60 mil hectares, colocando em evidência a urgência de uma transformação profunda na gestão do território e da floresta.

    Se até 15 de julho de 2025 haviam ardido 10.768 hectares, as últimas semanas somaram mais de 50 mil hectares, incluindo incêndios de grandes dimensões em Arouca, Penamacor e no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

    Estes incêndios, além de afetarem comunidades locais, causam danos irreparáveis a ecossistemas sensíveis, comprometendo a biodiversidade, a qualidade do solo e o ciclo da água.

    Diante deste cenário, a GEOTA (Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente) defende um modelo de gestão florestal focado em espécies autóctones, ecologicamente adaptadas ao território português, como o carvalho, sobreiro, medronheiro, castanheiro, pinheiro-bravo e outras espécies nativas.

    A organização acredita que esta abordagem permite restaurar a biodiversidade, conservar o solo, regular os ciclos hídricos e aumentar a resiliência às alterações climáticas, ao mesmo tempo que reduz o risco estrutural de incêndios.

    A transformação da paisagem tem de ser vista sobretudo como uma transformação social que encaixe no contexto sociocultural específico de cada território. Trabalhamos com foco no restauro ambiental, mas é um trabalho sobre as pessoas“, afirma Miguel Jerónimo, coordenador dos projetos Renature, promovidos pela GEOTA.

    A organização sublinha a importância do envolvimento das comunidades locais neste processo, destacando que a mudança da paisagem é, acima de tudo, um processo social que exige ouvir quem vive nos territórios, perceber as suas necessidades e integrar o conhecimento local no planeamento das ações.

    Os territórios afetados pelos incêndios enfrentam uma degradação acelerada dos solos e dos ecossistemas, agravada pelas alterações climáticas e pela ausência de gestão ativa da paisagem. Em áreas como a serra de Monchique, a GEOTA observa sinais claros de desertificação, com espécies autóctones a adaptarem-se a novas condições ecológicas.

    Os projetos Renature, implementados pela GEOTA na serra de Monchique, serra da Estrela e no Pinhal de Leiria, visam reverter este cenário.

    Estes projetos seguem uma metodologia estruturada e replicável, baseada no envolvimento direto de proprietários e comunidades locais, na reflorestação com espécies autóctones, na atuação de equipas técnicas especializadas e no recurso a materiais contratados localmente.

    Contam ainda com parcerias com instituições públicas e são financiados por investimento privado. Até ao momento, os três projetos em curso totalizam mais de 1,8 milhões de árvores plantadas, cerca de 3.000 hectares intervencionados e a participação ativa de mais de 700 proprietários e comunidades.

    José Nascimento, proprietário na serra de Monchique apoiado pelo GEOTA, relata: “Antes do incêndio de 2018 o terreno era ocupado por eucalipto e algum medronheiro. Agora foi possível replantar esta área apenas com espécies autóctones, medronheiros e sobreiros.”

    Nuno Lourenço, representante da Junta de Freguesia de Cortes do Meio na serra da Estrela, reforça: “Este projeto tem um valor enorme para nós. A comunidade de Cortes do Meio está profundamente grata e orgulhosa pelo trabalho que aqui tem sido feito na serra da Estrela e estamos comprometidos em dar continuidade ao projeto que iniciámos em conjunto com o GEOTA.”

    Além da reflorestação, os projetos Renature promovem ações de voluntariado ambiental com as comunidades, escolas e empresas, fomentando o envolvimento ativo da sociedade na recuperação das paisagens.

    “Os projetos de voluntariado desenvolvidos no âmbito do Renature Leiria, na Mata Nacional de Leiria, são socialmente relevantes, potenciando uma sensibilização geral, transversal a diferentes gerações da comunidade para o combate aos problemas ecológicos e a favor da sua recuperação ambiental”, afirma a Engª Mónica Almeida, Chefe da Divisão de Gestão Florestal do Centro Litoral do ICNF.

    Perante a dimensão dos desafios, a GEOTA apela à ação imediata: “Não podemos esperar pelo próximo verão para agir. O tempo da prevenção, do planeamento e da recuperação é agora e deve-nos envolver a todos.”

  • Governo reclassifica quatro obras hidroagrícolas

    Governo reclassifica quatro obras hidroagrícolas

    O Governo publicou, no dia 8 de agosto, a Portaria n.º 283/2025/1, que reclassifica os aproveitamentos hidroagrícolas de Preguiças, Monte da Ladeira (Pisa Barros), Mealha e Pessegueiro para o grupo III – obras de interesse local com elevado impacte coletivo, nos termos do Decreto-Lei n.º 269/82.

    Localizadas no nordeste e sotavento algarvio, estas infraestruturas — que incluem barragens de aterro e redes de rega — abrangem uma área total de 126 hectares e asseguram o fornecimento de água a perímetros de rega coletivos. Construídas entre as décadas de 1980 e 2000, encontravam-se até agora classificadas no grupo IV.

    Segundo o Ministério da Agricultura e Mar, a decisão visa adequar o modelo de gestão à importância e complexidade destas obras, garantindo melhor resposta aos desafios da escassez hídrica e permitindo o acesso ao regime de concessão, reservado a obras dos grupos I, II e III.

    A reclassificação reconhece não só o impacto coletivo da disponibilidade de água para regadio, mas também o potencial de utilização das albufeiras para mitigar os efeitos de secas cada vez mais frequentes e severas.

    A portaria foi assinada pelo ministro José Manuel Fernandes a 5 de agosto de 2025.

  • União Europeia aponta para redução de 90% das emissões até 2040

    União Europeia aponta para redução de 90% das emissões até 2040

    Nova Proposta da Lei do Clima

    Bruxelas, Bélgica – A Comissão Europeia apresentou na passada quarta-feira uma proposta ambiciosa para alterar a Lei Europeia do Clima, estabelecendo um novo objetivo de redução de 90% nas emissões líquidas de gases com efeito de estufa (GEE) até 2040, em comparação com os níveis de 1990. Esta mudança estratégica visa acelerar a descarbonização da economia europeia e reforçar a liderança global da UE na ação climática.

    Porquê esta Alteração Estratégica? – A proposta de uma meta mais ambiciosa para 2040, que representa um salto significativo, baseia-se em várias considerações cruciais:

    • Necessidade Urgente de Ação Climática: Os impactos das alterações climáticas são cada vez mais sentidos pelos cidadãos europeus, gerando uma forte exigência por parte da opinião pública para que a Europa atue de forma mais decisiva.
    • Consistência com a Neutralidade Climática de 2050: A Lei Europeia do Clima já prevê a neutralidade climática até 2050, tornando a UE o primeiro continente a comprometer-se legalmente com este objetivo. A meta de 90% para 2040 é vista como um passo essencial e pragmaticamente exequível para garantir que a trajetória rumo à neutralidade é mantida e reforçada.
    • Previsibilidade para Investidores e Indústria: Ao definir um objetivo claro e vinculativo para 2040, a Comissão pretende proporcionar a previsibilidade e estabilidade de que os investidores e as empresas necessitam para planearem as suas transições para energias limpas e investirem em tecnologias e processos mais sustentáveis. Isto reforça a liderança industrial europeia e a segurança energética do continente.
    • Reforço da Competitividade da UE: A descarbonização é vista como uma oportunidade para modernizar a economia, tornando-a mais eficiente em termos de recursos e competitiva, alinhando-se com a “Bússola para a Competitividade da UE” e o “Pacto da Indústria Limpa”.
    • Progresso Atual e Confiança: A UE está no bom caminho para cumprir a meta de 55% de redução de GEE até 2030, demonstrando a capacidade de alcançar objetivos ambiciosos. Este sucesso incute confiança para se estabelecerem metas ainda mais elevadas.

    Abandono da Meta Antiga? – Não se trata de um abandono de metas antigas, mas sim de uma evolução e reforço dos objetivos climáticos da UE. A Lei Europeia do Clima, aprovada em 2021, já estabelecia o objetivo juridicamente vinculativo de reduzir as emissões líquidas de GEE em pelo menos 55% até 2030, em comparação com os níveis de 1990. Esta meta intermédia permanece em vigor e a UE está a trabalhar ativamente para a atingir.

    A nova proposta para 2040 não substitui a meta de 2030, mas sim a complementa, delineando uma trajetória a longo prazo para a descarbonização. A Lei do Clima previa, inclusive, que a Comissão propusesse uma meta climática para 2040 após a primeira revisão global (Global Stocktake) do Acordo de Paris.

    A proposta de 90% para 2040 reconhece a necessidade de acelerar os esforços para além dos objetivos já estabelecidos para 2030, para garantir que a Europa atinge a neutralidade climática até 2050 de forma eficaz e que se mantém na vanguarda da transição energética global. A proposta será agora objeto de discussão e aprovação pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho.

    Com GEM-DIGI